MICHEL DE LA FUENTE, autor místico carme espanhol (1573-1620?). Nasceu em Valdelaguna, povoado situado entre Madri e Toledo, em 2 de março de 1573, fez seus estudos em Madri, depois ensinou gramática às crianças de sua aldeia. Com 20 anos de idade, abraçou a vida religiosa e fez profissão no convento dos carmelitas calçados de Valdemoro (Madri), em 29 de maio de 1594. Seguiu os cursos de filosofia e de teologia na universidade de Salamanca; depois passou ao convento de Ávila, e de lá ao colégio de teologia moral, onde administrou a cura da paróquia anexa ao convento. Como sobressaía na pregação, foi reclamado em Segóvia; mas em breve foi encarregado do cuidado dos novicos. Quando se separou a província da Velha Castela da da Nova Castela, ficou do lado desta última e foi nomeado mestre de novicos no convento de Toledo. Permaneceu nesta cidade até o fim de sua vida, onde se dedicou totalmente à educação dos novicos e ao bem das almas.
Além de um zelo infatigável pela salvação das almas, Deus o dotara dos dons sobrenaturais de discernimento de espíritos e de profecia; de fato, múltiplas experiências provaram que, muitas vezes, ele conhecia de antemão o estado das pessoas que vinham procurá-lo. Assim, seu campo de ação se estendendo cada vez mais, trabalhou não só na cidade de Toledo, mas também em toda a região vizinha. A fim de melhor conservar os frutos de salvação e o fervor operado nas almas, estabeleceu diversas confrarias muito florescentes.
Como religioso, levou uma vida eminentemente santa; adquiriu uma verdadeira heroicidade na prática de todas as virtudes. Por isso Deus se manifestou muito familiarmente a seu fiel servo; cumulou-o de todo tipo de graças extraordinárias, êxtases, levitações, profecias e milagres. Como tinha uma devoção toda particular à paixão de Nosso Senhor e ao augusto sacramento da eucaristia, é sobretudo durante a santa missa que Deus manifestava em seu servo os dons gratuitos de que o cumulava; durante o santo sacrifício o êxtase lhe tornou-se quase habitual. A esta oração eminente, juntava uma mortificação muito rigorosa e uma tenra e toda filial devoção à santíssima Virgem; aplicou-se particularmente a honrar o mistério da Imaculada Conceição, e mostrou sempre uma grande confiança na proteção singular da Mãe de Deus sob o título de N. Sra. do Escapulário.
Após uma breve doença, morreu em Toledo, em 27 de novembro de 1625, segundo Jacques de la Passion e Pierre de Oxea, ou em 17 de novembro de 1626, segundo outros. Depois de sua morte, apareceu glorioso a várias pessoas e Deus operou, por sua intercessão, numerosos milagres. Seu corpo, que desde o momento da morte tomara uma beleza desconhecida até então, foi encontrado em estado de perfeita conservação quando, em presença de médicos e cirurgiões, em 1628, 3 anos depois de sua morte, se abriu seu sepulcro. Após essa constatação, o corpo foi depositado junto ao altar na capela da confraria por ele fundada. Sua causa foi introduzida em Roma pouco tempo depois de sua morte.
1° Sua obra principal é um livro ascético-místico, que tem por título: Libro de las tres vidas del hombre corporal, racional y espiritual, Toledo, 1623, in-4°, 2ª edição, Madri, 1710, corrigida e aumentada de uma notícia sobre a vida do autor pelo P. Jean de S.-Ange, carmelita calçado, in-8°, 320 + 105 p. para a notícia; uma 3ª edição conforme à 2ª apareceu na coleção de La verdadera ciencia española, 1887, in-12°, 519 p., 2 tomos num volume. Foi um erro omitir, nesta última edição, a notícia sobre a vida do autor. Miguel de la Fuente cita relativamente pouco a santa Teresa e a são João da Cruz, mais Hugo e Ricardo de São Vítor, são Tomás, são Boaventura, Gerson, Ruysbroeck, Blosius, Dionísio o Cartuxo (van Ryckel), etc. No livro I, trata do homem corporal, isto é, das faculdades sensitivas, de sua mortificação e da prática das virtudes, assim como dessa oração discursiva em que a imaginação desempenha um grande papel; enfim, das visões corporais e imaginativas. No livro II, trata sobretudo da oração discursiva e afetiva, que termina na oração de recolhimento, onde admite a contemplação adquirida, sem contudo se servir dessa expressão; enfim fala aí das visões, palavras e revelações intelectuais. O livro III trata das orações e uniões estritamente místicas.
2° Compendio historial de Nuestra Señora del Carmen, Madri, Rodriguez, 1619, in-4°, fol. x-288-24. Depois alguns opúsculos para uso dos membros de suas confrarias. Alègre de Casanate e Louis Jacob lhe atribuem ainda algumas outras obras.
Nicolas Antoine, Bibliotheca hispana nova, t. II, p. 107; J.-B. de Lezana, Annales, Roma, 1645-1656, t. III, p. 525, n. 29; Daniel de la V.-Marie, Vinea Carmeli, Antuérpia, 1662, p. 516, n. 923; Speculum carmelitanum, Antuérpia, 1680, t. II, p. 988 b e 1078 b-1079 a, n. 3464 e 3782; Pierre de Oxea, S. J., Vida del venerable penitente, el Padre Fray Miguel de la Fuente, Saragoça, 1674; Jacques de la Passion, De stralen van de sonne van den H. Vader en Propheet Elias dese loopende eeuwe, verspreydt doore de Koningh-rycken van Spagnien, Liège, 1684, p. 43-78, onde há seu retrato, assim como um resumo da vida escrito pelo P. Pierre de Oxea; notícia do P. Jean de S.-Ange na edição de 1710 do Libro de las tres vidas; notícia que foi omitida na edição de 1887; Cosme de Villiers, Bibliotheca carmelitana, Orléans, 1752, t. II, col. 453-455, n. 150.
P. Anastase de Saint-Paul.
Autor original: P. Anastase de Saint-Paul
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