MERINERO (JOÃO)

MERINERO (JOÃO)

MERINERO João nasceu em Madri em 1600. Entrou na ordem franciscana aos dezesseis anos e, concluídos os estudos, ensinou teologia no convento de San-Diego de Alcalá, um dos maiores centros da Escolástica espanhola no século XVII. Em 1629, publicava ali sua primeira obra: Commentaria in universam Aristotelis dialecticam juxta mentem Doctoris subtilis, Duns Scoti. Lente jubilado, tornou-se em seguida guardião do convento de Madri, depois provincial de Castela. João de Santo Antônio, Bibliotheca universa franciscana, Madri, 1732, t. II, p. 190. Em 1639, no capítulo celebrado em Roma, foi eleito ministro geral, e o papa Urbano VIII confirmou sua eleição pelo breve Cum sicut de 20 de julho. De Gubernatis, Orbis seraphicus, Roma, 1682, t. I, p. 257-8 ; Carlos Maria de Perúsia, Chronologia historico-legalis ord. seraph., Roma, 2e édit., 1752, t. I, p. 6-50.

Essa escolha, porém, não agradou a Filipe IV, rei da Espanha, que favorecia a nomeação do P. Guerra. Mal informado por seu representante e pelo duque de Olivares, e julgando irregular e anticanônica a eleição de Merinero, o rei proibiu-lhe qualquer estada na Espanha, bem como a seus eleitores. Mas esse mal-entendido logo se dissipou, e Filipe IV recebeu na corte o novo eleito com grandes honras. Merinero promulgou os estatutos do capítulo de Roma por sua carta In præcelsa. Durante seis anos governou a ordem seráfica com zelo, grandemente favorecido por Urbano VIII e Inocêncio X. Holzapfel, Manuale historiae ord. Fratrum minorum, Friburgo em B., 1909, p. 283-5. Em 1645, foi substituído por João Mazzara de Nápoles, eleito no capítulo geral de Toledo. Merinero, de caráter humilde e brando, não aspirava senão a voltar à sombra; mas o rei da Espanha, Filipe IV, nomeou-o para o bispado de Ciudad Rodrigo e, pouco depois, para a sé de Valladolid, 1646-1663. Gams, Series episcoporum, p. 89 ; Gubernatis, loc. cit., p. 258. Merinero morreu em 1663, com fama de santidade, plerisque episcopus sanctus appellatus.

As obras de Merinero são consideráveis. Publicou um curso completo de filosofia escotista muito estimado: Cursus integer philosophiae juxta mentem Doctoris subtilis Joannis Duns Scoti quinque voluminibus Aristotelis logicam parvam et magnam, octo libros de physico auditu, duos libros de ortu et interitu, tres libros de anima copiose et accurate complens, Madri, 1659. Outro de seus escritos tem por objeto a definibilidade da imaculada conceição: Tractatus de conceptione Deiparae Virginis seu de articuli hujus definibilitate, Valladolid, 1652. Durante seu generalato escreveu os dois opúsculos seguintes: De reformatione ordinis seraphici, Madri, 1641 ; Commentarium in regula S. Clarae, Madri, 1642. Depois da morte de Merinero, amigos que piedosamente conservavam sua memória editaram em Madri, em 1668, seu Cursus theologicus juxta mentem Doctoris subtilis. O t. I trata da ciência e da vontade de Deus, da predestinação e da Trindade; o t. II, da bem-aventurança, dos atos humanos e do pecado atual. As demais obras de Merinero, sobre a encarnação e a graça, conservadas manuscritas no convento de Alcalá, não foram publicadas. É de lamentar. « Merinero, diz o P. Domingos de Caylus, O. M. C., merece ser contado entre os melhores escolásticos espanhóis. » Sua ciência e o brilho de suas virtudes honram grandemente a escola de Duns Scot.

Nicolas Antoine, Bibliotheca hispana nova, 2° édit., Madri, 1783, t. I, p. 742; Van den Haute, Brevis historia ordinis Minorum, Roma, 1777, p. 338; Othon de Pavie, L'Aquitaine séraphique, Tournai, 1907, t. IV, p. 80-96; De Caylus, Merveilleux épanouissement de l'École scoliste, dans Études franciscaines, Paris, 1911, t. xxiv, p. 309-310; Lopez, Apuntes bibliograficos, dans Archivo Ibero-Americano, Madri, 1917, t. IV, p. 106; Pou y Marti, Index regestorum familiae Ultramontanae, dans Archivum franciscanum historicum, Quaracchi, 1919, t. XII, p. 283-288, 544-548.

E. LONGPRÉ.

Autor original: E. Longpré

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