MÉGANCK (FRANCISCO-DOMINGOS)

MÉGANCK (FRANCISCO-DOMINGOS)

MÉGANCK Francisco-Domingos (1684-1775), nasceu em Menin a 27 de maio de 1684, fez suas humanidades em sua cidade natal e sua filosofia em Lovaina em 1710; depois seguiu os cursos de teologia de Opstraet e recebeu as ordens em Tournai. Partiu para a Holanda a 15 de fevereiro de 1713, e tornou-se um dos mais zelosos partidários de Quesnel. O arcebispo Barckman nomeou-o cônego de Utrecht e foi deão do capítulo, 6 de outubro de 1751. Foi nessa qualidade que tentou ganhar para as teorias dos jansenistas holandeses um subdiácono de Rouen, Pedro Leclerc; mas a obstinação deste forçou a comunidade de Utrecht a reunir um concílio a 13 de setembro de 1763. Méganck foi nomeado relator do concílio e atacou muito vivamente as teses de Leclerc sobre as proposições de Jansênio, sobre o primado do papa, o testemunho dos Padres e a autoridade da Igreja dispersa, a superioridade dos bispos, as excomunhões e as indulgências. O concílio jansenista seguiu, nessa ocasião, a conduta das congregações romanas que os jansenistas criticavam tão vivamente, para o exame das obras julgadas perigosas. Méganck morreu em Utrecht a 12 de outubro de 1775, e seu corpo foi depositado em Egmont, onde haviam sido colocadas as cinzas do P. Quesnel.

Todos os escritos de Méganck são favoráveis ao jansenismo. Pode-se citar Propositionum in Constitutione Unigenitus, ab exordio ad finem dicta, damnatarum collatio cum quibusdam sacrae Scripturae locis, ac sanctorum Patrum testimoniis, in-8°, Lille, 1716. Sua obra mais conhecida é a Réfutation abrégée du livre qui a pour titre : Traité du schisme, où l'on justifie, par le seul fait de la dispute de saint Cyprien avec saint Étienne, les évêques et les théologiens qui refusent d'accepter la Constitution Unigenitus de Clément XI, du crime de schisme que leur impute l'auteur de ce Traité, in-12, s. l., 1718; segundo Méganck, os bispos têm ainda mais razão do que São Cipriano em opor-se a Roma, pois trata-se presentemente de vários pontos importantes, quer para a fé, quer para a moral, quer para a disciplina; aliás, é absolutamente falso que a maioria dos bispos tenha aceitado a Bula. O Traité du schisme, assim atacado por Méganck, havia sido publicado em 1718 pelo P. Longueval, sob os auspícios do cardeal d'Alsace.

Méganck tomou em seguida parte nas discussões do dia nos três escritos seguintes: Défense des contrats de vente rachetables des deux côtés, usités communément en Hollande, Réflexions sur la lettre de M***, docteur de Sorbonne du 25 mars 1730 à M. Van Erkel, in-4°, Amsterdam, 1730; Suite de la défense des contrats de vente rachetables, in-4°, Amsterdam, 1731, e, enfim, Remarques sur la lettre de Mgr l'évêque de Montpellier à M. Van Erkel au sujet d'un écrit qu'il avait envoyé à ce prélat, intitulé Suite de la défense des contrats, in-4°, Amsterdam, 1731. Por esses tratados, Méganck, de acordo com a maioria dos jansenistas, levanta-se contra os contratos de venda resgatáveis, e identifica o empréstimo a juros com a usura.

A carta sobre o primado de São Pedro e de seus sucessores, in-12, Utrecht, 1761 e 1772, é dirigida contra Pedro Leclerc, jansenista apelante. Méganck quer mostrar que o primado do papa é um primado de autoridade, de jurisdição e que é de origem divina. Nouvelles ecclésiastiques, du 21 mai 1764, p. 81-84. Este tratado, que dá um formal desmentido à conduta de Méganck, foi atacado pelo P. Pinèl, ex-oratoriano, no escrito intitulado De la primauté du pape, La Haye, Londres, in-4°, 1769 e 1772; o escrito de Pinèl foi criticado pelas Nouvelles ecclésiastiques du 21 mars 1770, p. 45-46, e traduzido em latim em 1782, numa edição dedicada ao imperador José II, in-8°, Viena, 1782.

Michaud, Biographie universelle, t. XXVII, p. 500; Hœfer, Nouvelle biographie générale, t. XXXIV, col. 718; Quérard, La France littéraire, t. VI, p. 14; Goethals, Lectures relatives à l'histoire des lettres, des sciences et des arts en Belgique et dans les pays limitrophes, t. I, Bruxelles, 1840, p. 379-387; Delvenne, Biographie du royaume des Pays-Bas ancien et moderne, 2 vol. in-8°, Liège, 1829, t. II, p. 139; Vandeputte, Biographie des hommes remarquables de la Flandre occidentale, 4 vol. in-8°, Bruges, 1843-1849, t. IV, p. 98-105; Suite du nécrologe des plus célèbres défenseurs et amis de la vérité du XVIIIe siècle, depuis 1767 jusqu'à 1778, t. VII, p. 182-185; Nouvelles ecclésiastiques du 9 octobre 1770, p. 161-162; Biographie nationale de Belgique, t. XIV, Bruxelles, 1897, p. 286-290.

J. Carreyre.

Autor original: J. CARREYRE

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