MASTRIUS DE MELDOLA

MASTRIUS DE MELDOLA

MASTRIUS DE MELDOLA, dos frades menores conventuais (1602-1673). — Bartolomeu Mastrius nasceu em Meldola, em 1602. Havia concluído seus cursos de literatura e de lógica e começado seus estudos de filosofia quando, por volta dos quinze anos de idade, pediu para entrar na ordem dos frades menores conventuais. Tomou o hábito em Cesena, a 26 de novembro de 1617. Após a profissão, foi enviado a Bolonha. Enquanto estudava as ciências filosóficas e teológicas, não negligenciou as letras e compôs um poema em honra de são Boaventura. A 28 de setembro de 1621 foi feito bacharel, e em 1623 o ministro geral o chamava ao cargo de mestre de estudos em Parma, depois o enviava de novo a Bolonha. Mastrius não permaneceu muito tempo nessa cidade. Partiu no mesmo ano para Nápoles, onde estudou sob a direção do P. José de Trapani, teólogo escotista que, o primeiro, analisando a doutrina de Duns Escoto sobre a predestinação e o concurso divino, julgou descobrir nela a teoria dos decretos concomitantes, sistema intermediário entre o molinismo e a posição de Báñez. Mastrius adotou inteiramente as ideias de Trapani e as sustentou sempre. Franchini, Bibliosofia e memorie letterarie di Scrittori Francescani Conventuali ch' hanno scritto dopo l'anno 1585, Módena, 1693, p. 81-100; P. Minges, O. F. M., Duns Skotus und die thomistisch-molinistischen Kontroversen, nos Franziskanische Studien, Münster, 1920, VII, p. 14-29.

Em 1625, tornou-se estudante no colégio São Boaventura estabelecido em Roma por Sisto V. Ali travou amizade com Boaventura Bellutus de Catânia e fez o projeto de redigir com ele um curso completo de filosofia segundo o sistema de Duns Escoto. Franchini, loc. cit., p. 111-113; Hurter, S. J., Nomenclator, 3ª edit., t. IV, col. 20; Vincenzo di Giovanni, Storia della Filosofia in Sicilia, Palermo, 1873, t. I, p. 144-146. Obtido o doutorado, Mastrius e Bellutus puseram-se à obra e, no curso de seu ensino em Cesena, Perúsia e Pádua, prepararam sua grande obra. Começaram por publicar as Disputationes in libris Physicorum, Veneza, 1637. O sucesso foi considerável. Outros volumes se sucederam rapidamente: In libros Aristotelis de generatione et corruptione, Veneza, 1640; In libros de cœlo et mundo, Veneza, 1640; In libros de anima, Veneza, 1643; In Organum Aristotelis disputationes logicales, 2ª edit., Veneza, 1646. Quando Bellutus teve de separar-se de Mastrius e voltar à Sicília, a obra estava quase terminada. Mastrius a concluiu compondo suas Disputationes in XII libros Metaphysicæ, Veneza, 1646-1647, cujo segundo volume foi dedicado ao papa Inocêncio X. Esses diversos escritos, várias vezes impressos separadamente, foram reunidos nas edições completas de Veneza, 1678, 1688.

Na elaboração dessa obra considerabilíssima, divergências de vista eram inevitáveis; assim Mastrius teve de sustentar vivas controvérsias com Mateus Ferchi, Scotus et Scotistæ Bellutus et Mastrius expurgati a querelis Ferchianis, Ferrara, 1650. Outros discípulos célebres de Duns Escoto, Alexandre Rossi de Lugo, Mons. Pavazzi, bispo de Ferrara, o P. Pontelongho de Faenza e sobretudo João Ponce, leitor de filosofia do colégio Santo Isidoro de Roma e professor no Colégio romano, discutiram também mais de uma vez as suas ideias. Mastrius se dispunha a compor um curso de teologia segundo Duns Escoto quando foi eleito ministro provincial de Bolonha, a 11 de setembro de 1647. Terminado seu triênio de ofício, retomou sua obra. O Comentário sobre o primeiro livro das Sentenças de Duns Escoto, dedicado ao Card. Albizzi, apareceu em 1655, o do segundo livro em 1659. Mastrius ofereceu este último escrito ao papa Alexandre VII. Seguiram-se logo o terceiro e o quarto livro, Veneza, 1661. Em 1662, Mastrius era nomeado temporariamente vigário geral dos conventuais na Itália, mas esse encargo não o impediu de preparar sua última grande obra, Theologia moralis ad mentem S. Bonaventuræ et Scoti, Veneza, 1671.

Sem contradição, «Mastrius e Bellutus estão na primeira fila entre os grandes defensores da doutrina do Doutor Sutil, e poucos teólogos do século XVII lhes são comparáveis». P. Dominique de Caylus, O. M. C., Merveilleux épanouissement de l'École scotiste, em Études franciscaines, Paris, 1911, t. XXV, p. 633. Mastrius morreu em Meldola em janeiro de 1673. São José de Cupertino, que o conhecia bem, sempre o encorajara em seus trabalhos teológicos. Bonaventura Theulus, Triumphus Seraphicus collegii S. Bonaventuræ, Velletri, 1655, p. 59, 60; Sbaralea, Supplementum ad Scriptores, Roma, 1806, p. 118.

E. Longpré.

Autor original: E. Longpré

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