MASBOTEUS

MASBOTEUS

MASBOTEUS, — seita judaica dos começos da era cristã. Seu nome é mencionado pela primeira vez por Hegesipo, em Eusébio, H. E., IV, xxii, 5 e 7, P. G., xx, col. 380, como o de uma das sete seitas judaicas: essênios, galileus, hemerobatistas, masboteus, samaritanos, saduceus, fariseus. A julgar pelo silêncio que guardam a seu respeito o pseudo-Tertuliano, De præscriptione, Filastro de Bréscia e Epifânio, há toda razão para pensar que o Syntagma de Hipólito não fazia menção deles, embora o doutor romano fosse atento em registrar as mais diversas aberrações doutrinais. A partir do século IV, a leitura da passagem de Eusébio despertou a curiosidade de alguns heresiólogos, e os masboteus tomaram lugar em diversos catálogos de heresias. No Oriente, as Constituições apostólicas mencionam-nos entre os fariseus e os hemerobatistas com esta explicação: os masboteus negam a Providência, dizendo que os seres resultam de reações automáticas; restringem a imortalidade da alma: Μασβωθαῖοι οἱ πρόνοιαν ἀρνούμενοι, ἐξ αὐτομάτου δὲ φορᾶς λέγοντες τὰ ὄντα συνιστάναι καὶ ψυχῆς τὴν ἀθανασίαν περικόπτοντες, VI, vi, 4, edição Funk, p. 315.

Visivelmente, o autor dessa notícia nada sabe sobre esses heréticos, e a conjectura que faz a respeito deles bem poderia provir de uma falsa etimologia: faria derivar seu nome de sebût, vontade. Cf. Hilgenfeld, Ketzergeschichte, p. 31, n. 43. Mais prudente, Teodoreto, que leu o nome deles em Eusébio, menciona-os com outras seitas judaicas sem dar outra explicação. Hæret. fab., I, i, P. G., t. lxxxiii, col. 345. Assim também o patriarca Sofrônio, em sua carta sinodal a Sérgio de Constantinopla, P. G., t. lxxxvii c, col. 3189. Entre os latinos prevaleceu outra etimologia, que se encontra no pseudo-Jerônimo, Indiculus de hæresibus judœorum, P. L., t. lxxxi, col. 636 e em Isidoro de Sevilha, Etym., VIII, iv, t. lxxxii, col. 297, de onde passou a Honório de Autun, Liber de hæresibus, P. L., t. clxxii, col. 235 (o texto de Migne lê Marbonei, que certamente é errôneo). Segundo esses autores, Masbothœi dicunt esse Christum qui docuit illos in omni re sabbatizare; o nome derivaria de sábado: é inverossímil, mas é contudo o que adotaram os diversos autores de enciclopédias.

W. Brandt mostrou bem que o nome de masboteus deriva muito naturalmente da palavra masbôtâ, que, em aramaico palestinense, significa batismo, e que se deve comparar a masbuta, que, entre os mandeus, designa as purificações legais. Assim os masboteus são « batistas » e sem dúvida não diferem dos « hemerobatistas » que Hegesipo menciona imediatamente depois deles. No início da era cristã houve, com efeito, várias seitas judaicas em que os banhos ou batismos, quer diários quer ao menos muito frequentes, tinham uma significação religiosa. Não é de modo algum inverossímil que conversões ao cristianismo se tenham produzido nesses meios. Os elcasaítas, sobre os quais a última palavra não foi dita, formavam assim uma seita judeu-cristã em que a prática dos batismos e imersões era frequente. Não seria neles que pensava Hegesipo quando distinguia os masboteus dos hemerobatistas? As fontes antigas foram todas mencionadas no artigo.

— Trabalhos modernos. A. Hilgenfeld, Die Ketzergeschichte des Urchristenthums, Leipzig, 1884 (ver a tabela alfabética); F. X. Funk, Didascalia et Constitutiones apostolorum, Paderborn, 1906, t. I, p. 314, n. 4; W. Brandt, Die jüdischen Baptismen oder das religiöse Waschen und Baden im Judentum mit Einschluss des Judenchristentums = Zeitschrift für die A. T. Wissenschaft, Beiheft 18, Giessen, 1910 (capital); do mesmo, art. Masbothœans, em J. Hastings, Encycl. of Religion and Ethics, t. VIII (1915), p. 483.

É. Amann.

Autor original: E. Amann

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