MARTINHO DA MÃE DE DEUS

MARTINHO DA MÃE DE DEUS

MARTIN DE LA MÈRE DE DIEU, carmelita descalço espanhol e autor ascético do século XVII. Nascido em Castejón de los Monegros, província de Huesca, em 1579, entrou na Ordem dos carmelitas descalços em Saragoça e pronunciou duas vezes seus votos, primeiro em 26 de abril de 1598 e depois em 1º de maio de 1600, em revalidação da primeira profissão. Homem de grande santidade e de vida muito austera e penitente, notável por seus longos jejuns a pão e água, pelo uso frequente de cilícios, correntes e disciplinas, estimulou seus confrades à vida eremítica que se pratica nos santos Desertos dos carmelitas descalços. Não só lhes pregou pelo exemplo no santo Deserto de São Hilarião de El Cardon, na Catalunha, do qual foi prior e onde viveu longos anos; mas também compôs para eles várias obras, que lhes dedicou.

Foi várias vezes mestre de noviços em Saragoça (a primeira vez em 1610); prior dos conventos de Tamarite, Calatayud, El Cardon, Saragoça e Valência; duas vezes provincial da província da Catalunha, de Aragão e de Valência e uma vez definidor geral da Congregação da Espanha. Morreu santamente, como havia vivido, no convento de São José de Saragoça, em 13 de janeiro de 1656. O P. Martinho da Mãe de Deus publicou várias obras ascéticas em espanhol, que foram bastante apreciadas em seu tempo. Notadamente: 1. Practica de exercicios de bien morir, Madrid, 1628, in-16 e Tortosa, 1630. Esta obra foi traduzida em várias línguas, entre outras em latim, sob o título de Praxis seu exercitium bene moriendi, Colônia, 1641, in-12. 2. Arbitrio espiritual para enriquecer el alma, reducida à tres partes, donde, en que, y como quiere Dios, Saragoça, 1649, in-12. 3. Estaciones del Hermitano de Christo, Saragoça, 1651, in-8°, dedicada aos carmelitas descalços eremitas do santo Deserto de El Cardon. 4. Explicacion de las Estaciones del Hermitano de Christo. 5. Los tres Assistentes de Jésus, esto es la pobreza, dolor e infamia, Saragoça, 1654, in-8°, dedicada aos mesmos eremitas de El Cardon. 6. Arpa Cristifera templada à la veneracion de la Imagen de Christo Nuestro Senor Crucificado, destrozada por los hereges, restaurada y colocada con ricos adornos bajo la ara de la capilla mayor del real convento de san Lazaro de Zaragoza... Saragoça, 1655, in-4°.

José do Espírito Santo, C. D., Cadena mystica carmelitana, Madrid, 1678, Catalogo de los autores carmelitas descalzos; José de Santa Teresa, C. D., Reforma de los Descalzos de Nuestra Senora del Carmen, Madrid, 1683, t. III, l. IX, c. x, n. 7, p. 45; Aubertus Miraeus, Bibliotheca ecclesiastica, part. II, 249, edição de Fabricius, Hamburgo, 1718, p. 335; Martial de S. Jean-Baptiste, C. D., Bibliotheca scriptorum... carm. exc., Bordéus, 1730, p. 289-290, n. 20; Cosme de Villiers, C. C, Bibliotheca carmelitana, Orléans, 1752, t. II, col. 389-390, n. 85; Nicolas Antonio, Bibliotheca hispana nova, Madrid, 1783-1788, t. II, p. 106 a; Félix de Latassa, Biblioteca nueva de los escritores Aragoneses que florecieron desde el ano de 1500 hasta el de 1802, Pamplona, 1798-1802, t. III, p. 231, 232, n. 166; Barthélémy de S. A.-Henri du S. S., C. D., Collectio scriptorum O. carm. exc., Savona, 1884, t. II, p. 29, 30, n. 48.

P. Anastase de Saint-Paul.

Autor original: P. Anastase de Saint-Paul

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