MARTINEZ DEL PRADO — João, dos frades pregadores, século XVII. Nascido em Valladolid no primeiro quarto do século XVII, entrou, ainda jovem, no convento dos dominicanos de Segóvia. Notado pela vivacidade de seu espírito, foi enviado ao colégio São Tomás de Alcalá, onde logo ensinou teologia com distinção. Eleito provincial da Espanha em 1662, desempenhou-se de suas funções com muito zelo, esforçando-se muito especialmente por dar forte impulso aos estudos. Demasiado apegado às opiniões de sua ordem sobre a conceição de Maria, incorreu na desgraça de Filipe IV por causa de um memorial que lhe dirigira a respeito de uma ordenança real que prescrevia aos pregadores saudar, no início de seus sermões, Maria concebida sem pecado. Relegado por esse motivo ao Peñon de Francia, só saiu de lá depois de ter dirigido à província uma instrução conforme às ordens reais. Morreu em Segóvia em 25 de fevereiro de 1668.
Sua obra impressa é considerável e compreende, de um lado, um curso de filosofia, de outro, várias obras importantes de teologia. Apareceu inteira em Alcalá. 1° À filosofia se referem: 1. Controversiae metaphysicae sacrae theologiae ministrae, in-fol. Alcalá, 1649; 2. Dialecticae institutiones quas summulas vocant, in-8°, 1650; 2e édit., 1651; 3. Quaestiones logicae, in-4°, 1651, 2e édit., 1655; 4. Quaestiones philosophiae naturalis super VIII libros Physicorum, in-4°, 1651; 5. Quaestiones super II libros Aristotelis de generatione et corruptione, in-4°, 1651; 6. Quaestiones super III libros de anima, in-4°, 1652.
2° Não menos imponente pela massa é a obra teológica: 1. Theologiae moralis quaestiones praecipuae, in-fol., t. I, 1653 (ao qual está anexada uma dissertação sobre os estigmas de santa Catarina de Sena, aparecida primeiro como opúsculo separado em 1652), t. II, 1656; 2. De sacramentis in genere, et in specie de baptismo et confirmatione; dubitationes scholasticae et morales super IIIam partem, q. LX-LXXII, in-fol., 1660; 3. De eucharistiae sanctissimo sacramento et divino missae sacrificio, q. LXXIII-LXXXIII, in-fol., 1662; 4. De poenitentiae sacramento a q. LXXXIV ad q. XXVIII suppl., publicado após a morte do autor, in-fol., 1669.
O P. Martinez havia começado a redação de uma obra sobre a imaculada conceição, na qual pretendia pôr em ordem a doutrina de sua ordem sobre o privilégio mariano e mostrar que as diversas decisões pontifícias deixavam intacta a posição de santo Tomás. Só apareceu o t. Iº, Notitia veridica doctrinae O. P. de praeservatione immaculatae virginis Mariae a peccato originali, in-4°, Alcalá, 1661; mesmo assim foi logo condenado pela inquisição da Espanha. Dissemos os inconvenientes que lhe causou seu Memoriale ad regem Philippum IV, que se encontrará em Alva, Radii solis veritatis, rad. 322.
Quétif-Echard, Scriptores ordinis praedicatorum, t. II, p. 624; Nicolas Antonio, Bibliotheca hispana nova, 2e édit., t. I, p. 736; Hurter, Nomenclator, 3e édit., t. IV, col. 278.
É. Amann.
Autor original: E. Amann
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