MARCOS DE BAUDUEN (Antônio Bec), frade menor capuchinho da província da Provença, de boa família originária da Bélgica, nasceu em 1606 no burgo cujo nome leva, na diocese de Riez. Entrou muito jovem no noviciado dos capuchinhos de Avinhão, em 17 de abril de 1623. Logo lente de teologia e pregador distinto, não tardou a ser chamado sucessivamente a todos os cargos de sua província religiosa, que governou em várias ocasiões. Cheio de dias e de méritos, o P. Marcos morreu piedosamente em Aix, em 7 de setembro de 1692. Superior, aplicara-se a fazer reinar a paz e a concórdia: «nunca se viu provincialato mais pacífico que o seu»; era, com efeito, conciliador por temperamento, e é o título que gosta de tomar em suas obras, nas quais se propunha harmonizar as doutrinas muitas vezes opostas dos três grandes doutores, o angélico, o seráfico e o sutil. Nem sempre o consegue de modo feliz, observa Hurter na esteira dos editores das obras de São Boaventura; contudo, seu ensaio atesta sua vasta cultura filosófica e teológica.
«Aparecem todos os dias novas obras de teologia, mas queixam-se de nada encontrar nelas de novo, ecce nova præbeo», dizia ele ao leitor ao lhe apresentar o Paradisus theologicus, unius et trium doctorum angelici, seraphici et subtilis, horumque conciliatoris, fonte irriguus, 2 in-fol., Lyon, 1661-1663; Editio secunda cui accessit Tractatus de Justitia et Jure, ibid., 1667. Quanto à ordem das questões e dos artigos, segue a Suma de São Tomás. Publicou em seguida um resumo dela, Compendium paradisi theologici ad mentem D. Thomæ, D. Bonaventuræ, Scoti et horum doctorum conciliatoris, 4 in-18, Lyon, 1673. O P. Marcos fez para a filosofia o que havia feito para a teologia no Paradisus philosophicus unius et trium doctorum, in-4°, Marselha, 1664. Nessa obra, é muito frequentemente o texto de Aristóteles que lhe serve de ponto de partida.
As sutilezas da Escola não absorviam o P. Marcos a ponto de fazê-lo negligenciar a teologia mística, e, durante dez anos, foi confessor das capuchinhas de Marselha. Para a edificação delas, como para a dos fiéis, editou sucessivamente La vie admirable de très haute, très puissante, très illustre et très vertueuse dame Charlote Marguerite de Gondy, marquise de Maignelais, in-16, Paris, 1666; La vie admirable de la très illustre et très vertueuse dame Marthe d'Oraison, baronne d'Allemagne, vicomtesse de Valernes, in-12, Lyon, 1671, Rouen, 1680, com cuja família se havia aliado a dos barões d'Oraison, à qual o P. Marcos estava ligado; La vie admirable et les héroïques vertus de la R. Mère Agnès d'Aquillenquy, religieuse capucine du monastère de Marseille, in-12, Marselha, 1673.
Achard, Dictionnaire historique des hommes illustres de Provence, Aix, 1785-1787; Bernard de Bologne, Bibliotheca scriptorum ord. min. capuccinorum, Veneza, 1747; S. Bonaventuræ Opera omnia, Quaracchi, 1882, t. I, p. LXXII; Hurter, Nomenclator, 3ª ed., t. IV, col. 33.
P. Edouard d'Alençon.
Autor original: P. Edouard d'Alençon
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