MAIR ou MAJOR João (John), historiador e teólogo. Nasceu em 1469 em Gleghorn, perto de North Berwick, condado de Haddington (Escócia), começou os estudos em Haddington, continuou-os em Cambridge, mas logo passou a Paris, em 1493, onde foi inscrito primeiro em Sainte-Barbe, depois no Colégio de Montaigu, ao qual sempre conservou um afeto filial. Mestre em artes em 1496, ensinou tanto em Montaigu quanto no Colégio de Navarra e, desde 1503, publica sua primeira obra sobre a lógica. Doutor em teologia em 1505, continua a residir e a ensinar em Montaigu, mas leciona também teologia escolástica no Colégio da Sorbonne. Começa então para ele um período de grande atividade literária, que é interrompido, em 1518, por seu retorno à Escócia, onde leciona por algum tempo filosofia e teologia na Universidade de Glasgow, depois, em 1522, em Saint-Andrews, onde teve por alunos Patrick Hamilton e George Buchanan. Paris o atrai de novo, apesar das ofertas brilhantes que lhe faz o cardeal Wolsey para retê-lo no Colégio de Christ-Church de Oxford, que acabava de fundar. Reencontra-se em Montaigu em 1525: é então considerado o verdadeiro chefe da filosofia escolástica, « o príncipe dos teólogos de Paris ». Em 1531, volta à Escócia, a Saint-Andrews, que não deixará mais, e onde continuará por alguns anos o ensino da teologia. Morreu em 1550: nessa altura, vários de seus amigos e de seus alunos se dispunham a abraçar a Reforma. Quanto a ele, se criticou por vezes com severidade os abusos da época, se aconselhava reduzir o número de conventos, se professava, do ponto de vista eclesiástico, as teorias de Gerson e de d'Ailly, nem por isso deixou de permanecer profundamente apegado à lei da Igreja católica. Desde os primeiros começos do luteranismo, tomou nitidamente posição contra a heresia e aprovou as medidas de repressão dirigidas contra ela. A atitude muito firme de Major valeu-lhe os ataques de seu antigo discípulo G. Buchanan.
A obra impressa de Major é bastante considerável. Compreende: 1° Lógica e filosofia: Numerosos opúsculos sobre a lógica, vários dos quais publicados separadamente, reunidos num só volume sob o título: Introductio in aristoteleam dialecticen totamque logicam, Lião, 1506; edição mais sumária, Paris, 1521; Commentarius in Physica Aristotelis, Paris, 1526.
2° Teologia: Um volumoso comentário sobre as Sentenças, publicado em várias vezes, de 1503 a 1519. Apareceu primeiro in I Sentent. commentarius, Paris, 1509, revisto e aumentado em 1516; in II Sentent. totidem commentarii, Paris, 1510; uma edição aumentada do Comment. in III m apareceu em 1519; Commentarius in IVm Sentent., Paris, 1517. De todos os teólogos que haviam feito até então Comentários sobre a obra do Mestre das Sentenças, nenhum, diz E. du Pin, os fizera ainda tão doutos nem tão repletos quanto os que compôs João Major, « o que lhe fez dar com justiça muitos elogios. »
3° Sagrada Escritura. Major fez aparecer primeiro, Paris, 1518, uma in Matthæum expositio una cum trecentis octo dubiis et difficultatibus ad ejus elucidationem admodum conducentibus passim insertis; um volumoso comentário dos quatro evangelhos apareceu mais tarde em Paris, em 1523, sob este título Luculentae in quatuor evangelia expositiones, disquisitiones et disputationes contra haereticos; ad calcem hujus operis quatuor quaestiones: 1° Utrum lex gratiae sit sola vera; 2° Qua sit veritas catholica et quot sint ejus gradus; 3° De numero evangelistarum; 4° De Terrae promissione. Como o título indica, a obra não é um simples comentário irênico; além de se propor mostrar o acordo fundamental dos evangelhos, defende as doutrinas da Igreja romana contra os wiclefistas, os hussitas e os luteranos.
4° História. É a parte da obra de Major que mais interessou os modernos. Desde sua primeira estada na França, havia estudado as origens da Escócia, e redige a parte principal de sua obra intitulada De historia majoris Britanniae, tam Angliae quam Scotiae e veterum monumentis concinnata: apareceu em Paris em 1521 com uma dedicatória ao rei da Escócia, Jaime V. Pôde-se dizer dessa obra que é a primeira história da Escócia redigida em espírito crítico; foi reimpressa em Edimburgo, em 1740, traduzida para o inglês e publicada em Edimburgo, em 1892.
Launoy, Regii Navarrae gymnasii Parisiensis historia, p. III, c. xiv, dans Opera, t. IV, 597-599; L. E. Du Pin, Nouvelle bibliothèque des auteurs ecclésiastiques, xiv, auteurs du XVIe siècle, edição de Mons, 1703, p. 159, t. XIV; Fabricius, Bibliotheca latina mediae et infimae aetatis, Hamburgo, 1735, t. IV, p. 233-235; há uma vida de Major, uma bibliografia muito completa do autor e de seus discípulos na edição inglesa da História de Major. Ver também Dictionary of national biography, t. xxxv, 1893, p. 386-388; P. Féret, La faculté de théologie de Paris et ses docteurs les plus célèbres, époque moderne, t. II, Paris, 1901, p. 92-96.
P. AIGRAIN.
Autor original: É. Amann
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