MACRES (MACÁRIO)

MACRES (MACÁRIO)

MACRES Macário, teólogo grego do século XV. Nascido em Tessalônica no início do reinado do imperador Manuel II (1391-1425), recebeu de seus pais uma educação muito esmerada. Mas tendo perdido a mãe quando acabava de completar dezoito anos, abraçou a vida religiosa no monte Atos, no célebre mosteiro de Vatopedi, e ali passou primeiramente doze anos sob a direção de um velho monge tão versado nas ciências profanas quanto na ascese. Com a morte desse primeiro mestre, ligou-se a um segundo, cuja reputação não era menor. Por isso o imperador convidou à sua capital o mestre e o discípulo e os reteve dois anos junto a si. Macário voltou em seguida ao monte Atos, mas por pouco tempo. Por recomendação do historiador Phrantzès, foi chamado de volta pelo imperador e posto à frente do mosteiro do Pantocrator, que então caía em ruínas.

Tal era o ascendente de Macário sobre o imperador João VIII (1425-1448) que foi escolhido para fazer parte da embaixada a Roma que se dirigiu junto a Martinho V, pouco depois de 1426, para tratar da união das Igrejas. Syropoulos, Historia concilii Florentini, ed. Creyghton, in-fol., Haia, 1660, p. 12; Phrantzès, Histor., ed. Bonn, p. 156-157. Macário passou assim um ano inteiro na Cidade eterna. Devia voltar lá em 1431, numa segunda embaixada, quando foi arrebatado por um abscesso ganglionar antes de ter atingido os quarenta anos. Jorge Scholarios pronunciou sua oração fúnebre, cujo texto ainda se conservava no tempo de Montfaucon num ms. de Nápoles que não foi reencontrado desde então; consagrou-lhe igualmente um epitáfio contido no Parisinus 1932, f° 66v°.

Tem-se de Macário um tratado sobre a processão do Espírito Santo, e especialmente contra o acréscimo do Filioque ao símbolo. Já mencionado por Allatius, De Ecclesiae occidentalis atque orientalis perpetua consensione, Colônia, 1648, p. 860, foi publicado pelo patriarca Dositeu na raríssima coletânea intitulada Τόμος καταλλαγής, in-fol., Jassy, 1692, p. 412-420. É uma coletânea de textos patrísticos relativos à matéria, sem nenhuma originalidade. De um discurso sobre a trasladação das relíquias de santa Eufêmia, só se publicaram até aqui fragmentos. Ver Chr. Loparev, nos Vizantiiskij Vremennik, t. iv, 1897, p. 352-354, e E. Kurtz na Byzantinische Zeitschrift, t. vii, 1898, p. 476. Tem-se ainda dele duas descrições, ἐκφράσεις, conservadas num manuscrito da Laurenciana. Cf. Fabricius, Bibliotheca graeca, ed. Harles, t. viii, p. 370. Kayser as publicou à frente do apêndice de sua edição de Filóstrato, Heidelberg, 1841, mas atribuindo-as erradamente a Marcos Eugênico. Ver esse nome.

Uma curta biografia de Macário foi publicada por A. Papadopoulos-Kérameus, segundo o ms. da biblioteca patriarcal do Cairo, no Δελτίον τῆς ἱστορικῆς καὶ ἐθνολογικῆς ἑταιρείας τῆς Ἑλλάδος, Atenas, 1889, t. iii, p. 463-466. Um elogio muito mais extenso, contido no mesmo manuscrito, fol. 13-60, ainda espera um editor.

L. Petit.

Autor original: L. Petit

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