LUÍS DE FLANDRES (†por volta de 1750), assim chamado em razão de seu país de origem, nascera em Ostende. Ainda jovem, passou à Espanha, onde entrou entre os frades menores capuchinhos da província de Valência. Ali exerceu as funções de lente em teologia e os cargos de definidor e de provincial. Era, além disso, qualificador da Inquisição espanhola junto aos tribunais de Valência, Múrcia e Maiorca. Escritor fecundo, o P. Luís publicou em língua vulgar discursos, vidas de santos, tratados de teologia e de piedade, como El catecismo en practica, con su theologia y una suma de la doctrina christiana, in-4°, Orihuela, 1727; esse volume traz a menção de tomo primero, e não encontramos o segundo. A única obra latina que dele conhecemos tem por título Varii dialogi et catecheses de intima, reali et mutua conjunctione digne communicantis cum anima Christi Domini, etiam destructis speciebus eucharisticis, in-4°, Valência, 1735; defende nela, contra um adversário anônimo, a tese que sustentava então o cardeal Cienfuegos, sobre a união que se opera entre Cristo e o comungante. Ver Cienfuegos, t. II, col. 2511.
O P. Luís permaneceu bastante tempo na ilha de Maiorca, onde se tomou de admiração pelo bem-aventurado Raimundo Lúlio. O primeiro testemunho da veneração que lhe dedicou encontra-se numa Oracion paranetica y panegirica que dixo en 30 de junio de 1737 a honra del martirio del B. Raymundo Lullio, in-4°, Palma, 1738. Para facilitar o estudo das obras do Doutor iluminado, o P. Luís publicou sucessivamente Tratado y resumen del Chaos Luliano, in-8°, Palma, 1740; Tratado teologico del sistema luliano, con la explicación de las figuras y elementos de que se compone, para entender perfectamente las obras del B. Raymundo Lullio, in-4°, ibid., 1741; Libro Félix, o maravillas del mundo, compuesto en lengua lemosina por el iluminado Doctor..., traducido en español por un discipulo; puestas algunas notas para su mas facil inteligencia, 2 in-4°, Maiorca, 1750; tradução muito estimada do curioso Liber Felix de Lúlio.
Eram ainda as obras do Doutor iluminado que serviam de fundamento ao seu El antiguo academico contra el moderno esceptico, 4 in-4°, Madri, 1743-1745, no qual aborda as questões mais diversas; apenas os três primeiros volumes parecem ter sido impressos; o quarto devia conter uma exposição do sistema geral de Raimundo Lúlio, segundo o método aristotélico. O P. Luís deixava em manuscrito um Tractatus de necessariis suppositionibus ad Magnae artis Lullianae sapientiam acquirendam, viris doctis qualibet in schola liberales artes, vel sacram theologiam profitentibus valde proficuus. A data da morte do capuchinho lulista nos escapa; julgamos, contudo, dever situá-la por volta de 1750. O exame do Libro Félix permitiria talvez resolver a questão.
Bernardo de Bolonha, Bibliotheca scriptorum ord. fr. min. capuccinorum, Veneza, 1747; Bover, Bibliotheca de escritores Baleares, t. II, n. 270, Palma, 1868; Estudios franciscanos, Barcelona, maio de 1921.
P. Édouard d'Alençon.
Autor original: P. Edouard d'Alençon
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