LÚCIO I (SÃO)

LÚCIO I (SÃO)

LÚCIO I (SÃO), papa de 253 a 254. Lúcio foi escolhido, no outono de 253, para suceder ao papa Cornélio, morto no exílio em Centumcellae (Civita-Vecchia). Mal eleito, foi, como seu predecessor, enviado ao exílio. Mas não tardou a voltar dele, tendo o imperador Valeriano, definitivamente reconhecido por volta do fim desse ano, inaugurado uma política mais favorável aos cristãos. Ver Eusébio, H. E., VII, x, 3, P. G., t. XX, col. 657. Foi na volta do exílio que Lúcio recebeu uma carta de são Cipriano, felicitando-o tanto por sua gloriosa confissão quanto por seu feliz retorno. Cipriano, Epist., LXI (LVIII), ed. Hartel, t. II, p. 695.

Ao responder ao bispo de Cartago, Lúcio deve ter aprovado as medidas de clemência para com os lapsi, que haviam sido tomadas na África após o fim da perseguição de Décio, e que contrastavam vivamente com o rigorismo de que o antipapa Novaciano se fazia campeão. Sobre a aprovação dada por Lúcio aos métodos de brandura, ver a carta de são Cipriano ao papa Estêvão, Epist., LXVIII (LXVII), ed. Hartel, p. 748. Servandus est antecessorum nostrorum, beatorum martyrum Cornelii et Lucii honor gloriosus... Illi enim Spiritu Dei et in glorioso martyrio constituti dandam esse lapsis pacem censuerunt et pœnitentia acta fructum communicationis et pacis negandum non esse litteris suis signaverunt. Assim, Lúcio tomou nitidamente partido diante das exigências do partido novaciano.

Uma palavra de Eusébio parece insinuar que ele viu os primeiros inícios da controvérsia batismal: «É a ele, diz esse historiador, que Dionísio (de Alexandria) escreveu a primeira de suas cartas sobre o batismo.» H. E., VIII, ii. Sabe-se que essa questão do batismo dos hereges iria pôr em confronto, sob o papa Estêvão, as Igrejas de Cartago e de Roma. Lúcio não viu o seu desenvolvimento; morreu, com efeito, após menos de oito meses de pontificado, segundo o dado de Eusébio, que é bem preferível ao dos catálogos romanos.

O título de mártir que Cipriano lhe atribui, bem como ao papa Cornélio, não deve enganar quanto ao gênero de morte desses dois papas. Indica apenas que ambos foram testemunhas da fé e sofreram (o exílio) por ela, Cornélio no fim de seu pontificado, Lúcio no início. A notícia do Liber Pontificalis, segundo a qual Lúcio a Valeriano capite truncatus est, deriva, com toda a verossimilhança, da incompreensão do título de mártir dado a esse papa por são Cipriano. Está, aliás, em absoluta contradição com o testemunho de Eusébio sobre as boas disposições iniciais de Valeriano para com os cristãos. H. E., VII, x, 3. A Igreja honra a memória de são Lúcio em 4 de março, que é, sem dúvida, o aniversário de sua deposição.

O compilador das Falsas Decretais pôs sob o nome de Lúcio uma carta aos bispos das Gálias e da Espanha, relativa às precauções a tomar nos processos contra os bispos. Essa decretal tem parcialmente sua origem numa palavra do Liber pontificalis, segundo a qual Lúcio teria ordenado ut duo presbyteri et tres diaconi in omni loco episcopum non desererent propter testimonium ecclesiasticum. É impossível dizer qual medida autêntica de Lúcio está no ponto de partida dessa indicação.

Jaffé, Regesta pontificum romanorum, 2ª ed., p. 19, 20; L. Duchesne, Le Liber pontificalis, t. i, p. xcvii, 66, 67, 153; Eusébio, H. E., l. VII, ii e x; S. Cipriano, Epist., lxi e lxviii, ed. Hartel, t. II, p. 695 e 748, P. L., t. III, col. 973 e 997; Acta sanctorum, março, t. i, p. 301-306.

É. Amann.

Autor original: E. Amann

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