LOURENÇO DE SANTA TERESA, carmelita descalço e teólogo do século XVII. Filho único de pais nobres e católicos, nasceu em Drogheda (Irlanda), em 1626. Tendo seu pai, chefe de milícia, sido morto, toda a educação da criança recaiu sobre a piedosa viúva; esta o educou tão bem no temor de Deus que Lourenço, apesar de sua grande juventude e da perseguição religiosa, uniu-se aos carmelitas descalços, os quais, acossados pelos fanáticos adeptos de Cromwell, habitavam metade da casa de sua mãe. Tendo pronunciado seus votos, foi enviado à França para fazer seus estudos filosóficos e teológicos, estudos que concluiu em Roma, no seminário das Missões, então seminário de São Paulo ou da Vitória; ali se preparava com ardor para a vida de missionário, objeto de todos os seus anseios. No capítulo geral de 1650, sustentou com grande sucesso teses públicas e conquistou todos os corações tanto por sua humildade quanto pela perspicácia e vivacidade de sua inteligência. O novo geral, Francisco do Santíssimo Sacramento, desejando dotar sua província da Lombardia de um sujeito tão notável, nomeou-o professor de teologia no colégio de Bolonha. Lourenço desempenhou-se tão perfeitamente de seu lectorado que os superiores o mantiveram em seu cargo tanto em Bolonha quanto em Cremona; e, apesar de sua juventude, elegeram-no definidor provincial.
A fim de pôr termo às reivindicações da província romana sobre o seminário das Missões, de acordo com a Sagrada Congregação da Propaganda, o geral Domingos da Santíssima Trindade, da província de Paris, abandonou em 1662 à província romana o seminário de São Paulo ou da Vitória; decidiu transferir para outro lugar o seminário das Missões e fazê-lo depender apenas do geral, do definitório geral e da Sagrada Congregação da Propaganda. O cardeal Maidalchi, abade comendatário do mosteiro de São Pancrácio extramuros, fez doação à ordem dos carmelitas descalços da igreja de São Pancrácio, do mosteiro e das terras adjacentes, doação que foi confirmada por uma bula pontifícia, em 1º de março de 1662. Já em 6 do mesmo mês teve lugar a tomada de posse. O geral, solícito pelo progresso do novo seminário, pôs os olhos no jovem Lourenço de Santa Teresa, agregou-o à província romana e nomeou-o lente de controvérsias e reitor do seminário de São Pancrácio.
Apesar de suas numerosas ocupações de reitor e de lente, Lourenço era um dos mais assíduos aos ofícios do coro e encontrava meio de acrescentar uma hora de oração mental suplementar às duas horas prescritas pelas constituições. Ao mesmo tempo, por ordem de seus superiores, trabalhava na composição de uma grande obra de controvérsias, que pensava intitular Elucidarium thomisticum. Mas, esgotado antes do tempo, foi acometido de apoplexia e morreu no mês de abril de 1670, mal tendo completado quarenta e quatro anos. Seu discípulo, Adeodato dos Santos Pedro e Paulo (4 de julho de 1626-15 de fevereiro de 1691), reuniu os fragmentos de seu mestre e as cópias dos estudantes e publicou em Roma, 1682-1683, em cinco tomos in-fol.: Speculum theologicum seu difficiliores controversiae selectae ex Summa sancti Thomae discussae, et resolutae ad mentem ejusdem Angelici Doctoris.
No t. I (1682) são comentadas as doze primeiras questões da Suma teológica de santo Tomás, que formam os três tratados: Da teologia (112 páginas); De Deus (170 p.) e Da visão beatífica (144 p.). No t. II (1683) continua o comentário da Suma a partir da questão xiv, constituindo os tratados: Da ciência e Da vontade de Deus (488 p.). No t. III (1683) encontram-se os tratados: Da predestinação e da reprovação; e Da Trindade (584 p.). O t. IV (1683) compreende os tratados: Dos atos humanos; Da justiça e do direito; e Da penitência (488 p.). Enfim, o V (1682) trata Do Verbo encarnado (488 p.).
Martial de Saint-Jean-Baptiste, C. D., Biblioth. carm. excalc., Bordéus, 1730, p. 273-274; Louis de Sainte-Thérèse, C. D., Les Annales des carmes déchaussés de France, nova edição, Laval, 1891, t. II, p. 578-583; Cosme de Villiers, carmelita, Biblioth. carmel., Orléans, 1752, t. II, col. 230-231, n. 31; Joseph-Albert Ximenez, Bullarium carmelitanum, t. III, Roma, 1768, p. 587a-595a; Barthélémy de Saint-Ange e Henri du Saint-Sacrement, C. D., Collectio scriptor. O. carm. excalc., Savona, 1884, t. I, p. 372-374; Hurter, S. J., Nomenclator litterarius, 3ª edição, t. iv, col. 30; Anastase de S. Paul, C. D., Cursus theologiae mystico-scholasticae P. Josephi a Spiritu Sancto, Bruges, 1924, t. I, app., p. 296.
P. Anastase de Saint-Paul.
Autor original: P. Anastase de Saint-Paul
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