LOUAIL (JOÃO BATISTA)

LOUAIL (JOÃO BATISTA)

LOUAIL João Batista nasceu, segundo Moréri e Picot, em Mayenne e, segundo Liron, em Evron; fez seus estudos de teologia na Sorbonne; contudo, nunca foi doutor, porque, diz o Necrológio, não quis assinar o Formulário. Com o abade de Louvois, fez uma viagem à Itália em outubro de 1700 e voltou a Paris em setembro de 1701. Tendo o abade de Louvois se tornado vigário geral de Reims, encarregou Louail de substituí-lo nessa função, e Louail fez-se então o protetor de todos os que recusavam assinar o Formulário. Por ocasião da morte de Louvois, Noailles quis, assim como Colbert de Croissy, bispo de Montpellier, ligar Louail a si, mas este preferiu conservar a liberdade; retirou-se para a Montanha Santa Genoveva, onde morreu em 3 de março de 1724.

Todos os escritos de Louail se relacionam com a questão jansenista e vários deles permaneceram célebres entre os jansenistas: Histoire abrégée du jansénisme et Remarques sur l'Ordonnance de M. l'archevêque de Paris, in-8°, Colônia, 1698. Esse escrito, que Louail compôs em colaboração com a Srta. de Joncoux, foi atribuído erroneamente, ao que parece, por Goujet ao abade Fouillou. Réflexions sur le décret du pape du 12 février 1703; nessa obra, que não foi impressa, trata-se da decisão do papa sobre o famoso Caso de consciência. Ver Nouvelles ecclésiastiques de 23 de novembro de 1733, p. 190. Histoire du cas de conscience signé par quarante docteurs de Sorbonne, 8 vol., in-12, Nancy, 1705-1711. Essa coletânea de peças foi editada por Louail e pela Srta. de Joncoux; os documentos, escolhidos e agrupados de modo a legitimar a conduta dos jansenistas, vêm acompanhados de prefácios e de reflexões críticas, todos impregnados de jansenismo. Lettres d'un théologien à un évêque sur cette question : s'il est permis d'approuver les jésuites pour prêcher et confesser, in-12, Amsterdã, 1717. Essas cartas, em número de três, já tinham aparecido, antes de serem reunidas, e são violentíssimas contra os jesuítas.

Segundo Goujet, Bibliothèque des auteurs ecclésiastiques du XVIIIe siècle, prefácio do t. III, Louail teria composto, em colaboração com Blondel, L'idée de la religion chrétienne où l'on explique successivement tout ce qui est nécessaire pour être sauvé; é um opúsculo anônimo, publicado em Paris em 1723, depois em 1735 e em 1740, que o Dictionnaire de Moréri coloca entre as obras de Paccori e que o catálogo da Biblioteca nacional atribui ao abade Marc-Antoine Hersan. O Journal de Trévoux de março de 1736, p. 574, considera-o obra comum de Louail e de Blondel. Foi Louail quem redigiu a primeira parte da obra, tão célebre entre os jansenistas, que tem por título Histoire du livre des Réflexions morales, da qual existem duas edições, uma in-4° e outra in-12. A primeira parte, composta por Louail, traz a data de 1º de dezembro de 1719 e as três outras partes, compostas pelo abade Cadry, são datadas de 7 de maio de 1729 e 27 de maio de 1733. O Dictionnaire des livres jansénistes julga muito severamente essa pretensa história: « Os talentos do autor são uma imbecil credulidade, uma vontade desenfreada de caluniar, um gosto decidido pelo fanatismo, um espírito torto, um coração ulcerado, um estilo desconexo e pouco próprio para sustentar o leitor numa tão longa série de erros e de mentiras. » T. II, p. 222.

Acredita-se que Louail colaborou nas Mémoires sur les affaires de Chine. Quérard, e a seu exemplo numerosos biógrafos, atribuíram a Louail as Réflexions sur le livre du Témoignage de la vérité dans l'Église, composto pelo P. Laborde, 1714; mas isso é pouco provável, se se lerem com atenção as próprias palavras de Louail, Histoire du livre des Réflexions morales, c. XXI, p. 113-418 da edição in-4°, e t. II, p. 244-254 da edição in-12, e também as Nouvelles ecclésiastiques, de 9 de julho de 1736, p. 114, 115.

Michaud, Biographie universelle, t. XXV, p. 144; Hoefer, Nouvelle biographie générale, t. XXXI, col. 736-738; Quérard, La France littéraire, t. V, p. 364; Moréri, Le grand dictionnaire historique, t. VI, 2e partie, p. 144; Feller, Biographie universelle, édit. Pérennès, 1842, t. VII, p. 528; Appellants célèbres, de Labelle, in-12, s. l., 1755, p. 221-225; Nécrologe des plus célèbres défenseurs et confesseurs de la vérité, in-12, t. VI, p. 82, 83; Desportes, Bibliographie du Maine, in-8°, Le Mans, 1844, p. 390, 391; Hauréau, Histoire littéraire du Maine, 2e édit., 1876, t. VIII, p. 1-11.

J. Carreyre.

Autor original: J. Carreyre

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