LOBERDOS ou LOVERDOS Agápio, sacerdote e monge grego, nascido em 1710, na ilha de Cefalônia. Depois de ir concluir seus estudos na Universidade de Pádua, voltou por algum tempo a seu país, nele abraçou a vida monástica, foi ordenado sacerdote e exerceu com brilho o ministério da pregação. Negócios de família levaram-no a deixar de novo Cefalônia. Retirou-se para Veneza, onde a comunidade grega o escolheu como pregador em 1763. Em 1765, o governo veneziano nomeou-o revisor dos livros gregos editados pela tipografia Demetriou Theodosiou. Em 1766, foi eleito diretor do colégio Phlanginianos e professor de grego e de latim. Morreu em 22 de janeiro de 1795.
Além de edições dos Menées de que Loverdos se ocupou em Veneza em 1774, A.-P. Vrétos, Νεοελληνικὴ φιλολογία, Atenas, 1854, t. I, p. 17, n. 42; E. Legrand e H. Pernot, Bibliographie ionienne, Paris, 1910, t. i, p. 136, n. 435, dois volumes merecem ser especialmente assinalados aqui, por sua importância na controvérsia entre ortodoxos e católicos, embora não sejam senão uma tradução ou adaptação, feita sobre a versão italiana, de uma obra francesa:
1° Διδασκαλία περὶ τοῦ ἱεροῦ θρόνου τῆς 'Ρώμης κατὰ τὴν γνώμην τῶν Φρανδζέζων, μεταφρασθεῖσα πρῶτον μὲν ἐκ τῆς γαλλικῆς εἰς τὴν ἰταλικήν, νῦν δὲ ἐκ τῆς ἰταλικῆς εἰς τὴν ἡμετέραν ἁπλῆν διάλεκτον παρὰ Α. Λ, τύποις δὲ ἐκδοθεῖσα καὶ ἐπιμελῶς διορθωθεῖσα. 'Εν Πετρουπόλει τῆς 'Ρουσίας, ἔτει τῷ σωτηρίῳ 'αψξε', καὶ πωλεῖται ἐν Βενετίᾳ παρὰ Δημητρίῳ Θεοδοσίου, Veneza, 1765, in-8°, de seis folhas, 270 páginas. Segundo A.-P. Vrétos, op. cit., t. I, p. 84, n. 233, esta obra não foi impressa em Petrogrado, mas em Veneza; a menção da capital russa teria sido posta de propósito pelo impressor a fim de evitar — processos « da parte da Igreja católica ».
2° Διδασκαλιὰ τῆς 'Εκκλησίας τῶν Γάλλων, ἤτοι Φραντζέζων, μεταφρασθεῖσα πρῶτον μὲν ἐκ τοῦ γαλλικοῦ εἰς τὸ ἰταλικόν, νῦν δὲ ἐκ τοῦ ἰταλικοῦ εἰς τὸ γραικικὸν ἰδίωμα παρὰ Α. Λ. Τύποις ἐκδοθεῖσα, καὶ μετ' ἐπιμελείας διορθωθεῖσα παρὰ τοῦ ἐν ἱερομονάχοις κυρίου κύρ. 'Αγαπίου Λοβέρδου, ἱεροκήρυκος καὶ διδασκάλου ἐν τῷ Φλαγγινιανῷ μουσείῳ, Veneza, 1766, in-8°, de duas folhas não numeradas e 320 páginas. Na parte inferior da primeira página de cada caderno, lê-se, como assinatura, Τόμ. δευτ.
É provável que a Διδασκαλία περὶ τοῦ ἱεροῦ θρόνου τῆς 'Ρώμης deva ser considerada como formando o t. i. Os dois volumes contêm uma exposição das doutrinas galicanas sobre a sé romana, sobre a constituição da Igreja, sobre o papa, sobre os bispos e sobre as liberdades da Igreja galicana. Concebe-se que o teólogo oriental tenha posto complacência em difundir entre seus compatriotas as ideias professadas pelo galicanismo acerca da distinção entre a sé romana e o homem que a ocupa, da infalibilidade de uma e da falibilidade do outro, da superioridade do concílio sobre o papa, etc. Note-se que Loverdos emprega, para traduzir infalibilidade, infalível, os termos ἀναμαρτησία, ἀναμάρτητος, v. g., t. ii, p. 33 sq., cuja significação imediata é impecabilidade, impecável, e que, por isso, sempre ocasionaram e ainda ocasionam no espírito dos dissidentes as confusões mais lamentáveis.
Seja como for, e talvez seja essa a verdadeira importância doutrinal da obra de Loverdos, na situação criada pelo cisma entre o Oriente e o Ocidente, certas afirmações galicanas sobre « a sé romana, centro da unidade », apesar das atenuações e das discussões históricas bem conhecidas, ofereceriam a muitos teólogos orientais matéria para úteis reflexões. Ver, por exemplo, t. ii, p. 118-125, onde se podem ler em termos próprios proposições deste gênero: « A Santa Sé é a cátedra do apóstolo Pedro e o centro da unidade, à qual devemos obedecer sem resistência (εἰς τὴν ὁποίαν πρέπει χωρὶς ἀντίστασιν νὰ πεισθῶμεν), reconhecendo a primazia de tal sé. Cumpre-nos viver na comunhão da Igreja de Roma, a qual está sempre em Roma, mesmo que viesse a ser transportada para outro lugar. De tal modo que a Santa Sé é principalmente o bispado de Pedro, que é tido como o primeiro bispado, e a Igreja o considera como o centro da unidade... A Santa Sé é o centro e o laço da unidade... » Embora essas asserções tão nítidas sejam logo enfraquecidas pela pretensa oposição entre a Santa Sé e a « corte romana », seria de desejar que essa fórmula « a Santa Sé, centro e laço da unidade » fosse aceita pelos dissidentes. Por esse título ao menos, os dois volumes de Loverdos merecem ser conhecidos e estudados. Assinalem-se também algumas páginas muito firmes, p. 110 sq., sobre « a heresia dos protestantes ».
Loverdos deixou muitos discursos. Um só foi impresso: a oração fúnebre de Gregório Phatsea, metropolita de Filadélfia, pronunciada na igreja de São Jorge de Veneza, em 9 de julho de 1768, e impressa nesse mesmo ano em Veneza. A.-P. Vrétos, op. cit., t. I, p. 87, n. 244; E. Legrand e H. Pernot, op. cit., t. i, p. 125, n. 399. O texto dessa oração fúnebre se encontrará na revista Νέα Σιών de Jerusalém, t. xi, 1911, p. 777-782, onde o arquimandrita Ezequiel Bélanidiotès a publicou segundo uma cópia feita por ele sobre o original do autor, sem mencionar que esse discurso já tinha sido impresso.
Assinalemos, enfim, a título de memória, uma edição da História bizantina de João Stanos em seis volumes in-4°, feita por Loverdos em Veneza, em 1767, sob este título: Βίβλος χρονικὴ περιέχουσα τὴν ἱστορίαν τῆς Βυζαντίδος μεταφρασθεῖσα ἐκ τοῦ ἑλληνικοῦ εἰς τὸ κοινὸν ἡμέτερον ἰδίωμα παρὰ 'Ιωάννου Στάνου, τοῦ ἐξ 'Ιωαννίνων· νῦν δὲ πρῶτον τύποις ἐκδοθεῖσα καὶ ἐπιμελῶς διορθωθεῖσα παρὰ τοῦ ἐν ἱερεῦσι κυρίου κυρίου 'Αγαπίου Λοβέρδου... Ver a descrição de cada um dos seis volumes em E. Legrand e H. Pernot, op. cit., t. i, p. 122, n. 392.
1. Para outros trabalhos de história política contemporânea e de lexicografia, ver Zaviras-Krémos, Νέα 'Ελλάς Atenas, 1872, p. 137; Sathas, Νεοελληνικὴ φιλολογία, Atenas, 1868, p. 579; A. Mazaraki, Βιογραφίαι τῶν ἐνδόξων ἀνδρῶν τῆς νήσου Κεφαλληνίας, Veneza, 1843, p. 313-319.
S. Salaville.
Autor original: S. Salaville
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