LIZET ou LISET Pedro, magistrado, depois eclesiástico francês (1485-1554). Nascido em Clermont, na Auvérnia, inscrito na ordem dos advogados do parlamento de Paris, tornou-se, já no fim do reinado de Luís XII, conselheiro do parlamento, depois advogado-geral e, enfim, em 1529, primeiro presidente. As intrigas dos Guises o obrigaram em 1550 a apresentar sua demissão; recebeu então em comenda a abadia de Saint-Victor, em Paris, entrou nas ordens e tornou-se sacerdote; morreu em 7 de junho de 1554.
Pedro Lizet não foi somente um jurisconsulto eminente e cuja obra em francês sobre o processo foi impressa em 1555; como presidente do Parlamento de Paris, agiu vigorosamente contra a Reforma. Ver Imbart de la Tour, Les origines de la Réforme en France, t. iii, p. 226 sq.; 268 sq. Isso o levou a compor contra os protestantes várias obras de controvérsia, que mandou imprimir em dois volumes: Petri Lizetii Alverni Montigenœ, supremo utroque jure consulti, primi prœsidis in regio Francorum consistorio, abbatisque commendatarii S. Victoris, adversus pseudo-evangelicam hœresim libri seu commentarii IX, duobus excusi voluminibus, Paris, 1551.
Lizet desenvolve aí os temas gerais da controvérsia de então: valor da tradição, usos eclesiásticos, autoridade da Igreja de Roma, cuja fé nunca foi nem corrompida nem alterada; as decisões do papa, diz ele no terceiro tratado, são infalíveis contanto que as faça em um concílio geral, quando se trata de questões de fé difíceis e que ainda não foram decididas. Esse autor tinha muita erudição, mas sua teologia era um tanto curta, e os protestantes não se privaram de assinalar grande número de seus deslizes. É assim que uma carta macarrônica de Beza, geralmente impressa na sequência das Epistolœ obscurorum virorum (por exemplo, edição de Londres, 1742, p. 291), dá uma análise bastante divertida dos tratados de controvérsia de Lizet. Du Pin é também severo para com esse venerável parlamentar.
La Croix du Maine et du Verdier, Bibliothèque française édit. Rigoley de Juvigny, Paris, 1772, t. ii, p. 293; t. v, p. 288; Ellies du Pin, Nouvelle bibliothèque des auteurs ecclésiastiques, t. xvi, Paris, 1710, p. 25, 26; Moréri, Le grand dictionnaire édit. de 1759, t. vi, p. 346.
É. Amann.
Autor original: E. Amann
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