LECLERC (JOÃO)

LECLERC (JOÃO)

LECLERC João (1657-1736) nasceu em Genebra em 19 de março de 1657; é filho de Estêvão Leclerc (1589-1676) e sobrinho de David Leclerc, ministro protestante (1591-1665). Fez seus estudos primeiro em Grenoble e veio em 1680 a Saumur, onde prosseguiu seus estudos de teologia. Em 1682, encontramo-lo em Londres, depois, um pouco mais tarde, na Holanda, com Gregório Leti, de quem desposou a filha em 1691; ligou-se em amizade com o célebre Limborch, remonstrante, com Locke e refugiado na Holanda. Suas opiniões teológicas atraíram-lhe a oposição dos ministros da Igreja valã. Em 1684, tornou-se professor de belas-letras e de filosofia, depois, por morte de Limborch, professor de história eclesiástica no Colégio dos remonstrantes de Amsterdam até 1728, época em que foi atingido por um ataque de paralisia que lhe tirou toda a memória; um segundo ataque, em 1732, tirou-lhe a fala; morreu em 8 de janeiro de 1736.

Leclerc foi ao mesmo tempo literato, filósofo, teólogo, crítico e erudito. Haag, em La France protestante, diz dele que « foi um campeão corajoso da liberdade de pensar, inimigo intratável do dogmatismo e da intolerância; passou a vida combatendo pelos direitos da razão e não se poderia duvidar de que suas numerosas obras tenham contribuído para acelerar o movimento do século XVIII. É sobretudo a este título que merece nossa estima e nosso reconhecimento. » Ele retém aqui a nossa atenção, por causa de seus escritos subversivos, que caracterizam de maneira precisa a tese protestante nos séculos XVII e XVIII. Indicar-se-ão apenas as obras que interessam, de modo mais ou menos direto, à teologia dogmática ou moral.

O primeiro escrito de Leclerc: Liberii a Sancto Amore epistolæ theologicæ, in quibus veri scholasticorum errores castigantur, in-8°, Saumur, 1679, é a explicação dos mistérios da Trindade, da Encarnação e do pecado original segundo o método dos socinianos, que suprimem todo mistério. — Entretiens sur diverses matières de théologie, in-8°, Amsterdam, 1685. A primeira parte desse trabalho, que trata da graça e da predestinação, é obra de Carlos Lecène, ver col. 103; a segunda parte, obra de Leclerc, compreende cinco diálogos contra os metafísicos que obscureceram os dados da revelação; os ataques dirigem-se sobretudo contra Malebranche.

— Sentiments de quelques théologiens de Hollande sur l'Histoire critique du Vieux Testament composé par Richard Simon, où l'on remarque les fautes de cet auteur et on donne divers principes utiles pour l'intelligence de l'Écriture Sainte, in-8°, Amsterdam, 1685, e in-4°, 1711. Este escrito é dirigido contra o plano de uma Bíblia poliglota proposto por Richard Simon. Leclerc pretende que Moisés não é o autor do Pentateuco, que a parte histórica do Pentateuco é de Josias, que o Livro de Jó e os de Salomão são obras puramente humanas. Richard Simon fez uma Réponse au livre intitulé : Sentiments de quelques théologiens de Hollande..., par le prieur de Bolleville, avec de nouvelles preuves et de nouveaux éclaircissements, in-4°, Rotterdam, 1686; Leclerc respondeu com uma Défense des sentiments de quelques théologiens de Hollande... contre la réponse du prieur de Bolleville, in-8°, Amsterdam, 1686; Richard Simon replicou com um livro De l'inspiration des Livres sacrés avec une réponse au livre intitulé « Défense des sentiments de quelques théologiens de Hollande », in-4°, Rotterdam, 1687. Cf. Ingold, Essai de bibliographie oratorienne, in-8°, Paris, 1880-1882, p. 128.

Leclerc fez vários trabalhos sobre a Bíblia: Commentaire latin de la Bible: Abdias, em 1690; os cinco livros de Moisés em 1673 e 1699; os livros históricos em 1708; os Salmos, as obras de Salomão e os Profetas só foram impressos em 1731; tudo em 4 vol. in-fol., 2ª edição em 1735. O método empregado é totalmente racionalista. — Novum Testamentum ex editione Vulgata, cum paraphrasi et adnotationibus H. Hammondi, 2 vol. in-fol., Amsterdam, 1698, e Frankfurt, 1714. — Harmonia evangelica, cui subjecta est historia Christi ex quatuor Evangeliis concinnata; accesserunt tres dissertationes, in-fol., Amsterdam, 1699, e Leiden, 1700, em grego e em latim. As Mémoires de Trévoux de janeiro de 1701, p. 58-77, atacam muito vivamente as notas e as dissertações, como impregnadas de socinianismo, e se defendem contra Leclerc. Ibid., maio de 1701, Avertissement. — Le Nouveau Testament traduit sur l'original grec avec des remarques, in-4°, Amsterdam, 1703, où l'on explique le texte et où l'on rend raison de la version. — Quæstiones Hieronymianæ, in-8°, Amsterdam, 1700; este escrito é dirigido contra São Jerônimo, que ignorava a língua grega, e sobretudo contra seu novo editor, o P. Martianay, que ignora a língua hebraica e « escreve em estilo de breviário. » Enfim, é preciso citar o tratado De l'incrédulité, in-8°, Amsterdam, 1696 e 1714, com duas cartas cujo fim é provar a verdade dos fatos evangélicos e dos milagres do Novo Testamento, onde se examinam os motivos e as razões gerais que levam os incrédulos a rejeitar a religião cristã.

Entre as obras de crítica e de história, é preciso assinalar La vie du cardinal de Richelieu, 2 vol. in-12, Colônia, 1694 e 1696; a terceira edição, muito aumentada e na qual o autor pôs seu nome, apareceu em 1714; uma nova edição em 5 vol. in-12 apareceu em 1753; é uma obra muito superficial. — Parrhasiana ou Pensées sur diverses matières de critique d'histoire, de morale et de politique avec la défense de divers ouvrages de M. L. C., 1 vol. in-12, Amsterdam, 1699. São reflexões críticas nas quais vários artigos do Dictionnaire de Bayle são vivamente tomados a partido; Bayle respondeu e os dois adversários acusaram-se mutuamente de serem ateus. Cf. Mémoires de Trévoux, agosto de 1707, p. 1347-1366 e outubro de 1707, p. 1737-1752. — Histoire des Provinces-Unies (1560-1716), editada primeiro de maneira muito imperfeita e reeditada em Amsterdam em 1738 em 2 vol. in-fol. Mémoires de Trévoux, jul. 1724, p. 1157-1194, e setembro, p. 1610-1633. — Enfim, é preciso citar as três enciclopédias publicadas por Leclerc, em colaboração com outros escritores: Bibliothèque universelle et historique, 26 vol. in-12, 1686 a 1693; Bibliothèque choisie, pour servir de suite à la Bibliothèque universelle, 28 vol. in-12 de 1703 a 1713; Bibliothèque ancienne et moderne, 29 vol. in-12 de 1714 a 1730. Esses três compêndios ou jornais dão análises por vezes muito detalhadas sobre os escritos aparecidos, com dissertações frequentemente singulares. João Leclerc colaborara também nas Nouvelles de la République des Lettres de 1684 a 1710, 51 vol. in-12, Amsterdam, 1684-1710.

Michaud, Biographie universelle, t. xxiii, p. 521-522; Hœfer, Nouvelle biographie générale, t. xxx, col. 196-200; Quérard, La France littéraire, t. v, p. 45-48; Moréri, Le grand dictionnaire historique, t. iii, p. 743-749; Haag, La France protestante, t. vi, p. 464-470; J. Clerici vita et opera ad annum 1711, in-8°, Amsterdam, 1711; A. Sayous, Histoire de la littérature française à l'étranger, t. ii, p. 35-57; Histoire littéraire de Genève, t. ii, p. 283-310.

J. Carreyre.

LE CLERC Lourenço-José, sulpiciano. Terceiro dos dezoito filhos do célebre gravador do rei, Sebastião Le Clerc, de origem messina, Lourenço-José nasceu em 22 de agosto de 1677, em Paris, nos Gobelins, onde morava seu pai. Depois de uma primeira educação paterna, que soube ensinar-lhe a observar e a refletir, prosseguiu seus estudos literários num dos numerosos colégios da Montagne-Sainte-Geneviève e, em 2 de junho de 1696, entrava no Pequeno Seminário de São Sulpício. Em 27 de outubro de 1703, passou ao Grande Seminário e foi recebido licenciado da Sorbonne em 29 de janeiro de 1704. Estreou no ensino com um curso de teologia no seminário de Tulle. Três anos depois, foi enviado a Orléans, quando Mons. Fleuriau d'Armenonville confiou seu seminário aos sacerdotes de São Sulpício. Ali permaneceu até 1722, depois foi transferido para o seminário de Lyon, onde ficou até sua morte, ocorrida em 7 de março de 1736. Ao mesmo tempo que professava a teologia e se ocupava da direção do seminário, descansava-se com pesquisas de história e de crítica, que o puseram em relação com os sábios mais estimados de Orléans e de Lyon. Pouco a pouco suas amizades literárias se estenderam para longe e ele manteve correspondência com um bom número de sábios renomados por títulos diversos, dos quais os principais são La Monnoye, da Academia Francesa, os PP. Lelong e Desmolets do Oratório, o P. Echard, dominicano, dom Liron, beneditino, os PP. Germon e Oudin, jesuítas, o abade Papillon, de Dijon, o presidente Bouhier, Baluze, etc.

Os escritos de Lourenço Le Clerc referem-se à teologia, à história eclesiástica e à biografia ou crítica literária. Os escritos teológicos, bastante numerosos, permaneceram manuscritos. São eles: 1° Tractatus de gratia divinisque auxiliis, que se compõe de uma parte dogmática e de uma parte histórica. Nesta encontra-se, a respeito das querelas da época, o esclarecimento de vários fatos contemporâneos pouco conhecidos, sobre os quais o autor tinha informações pessoais muito precisas. Assim nos ensina ele que o autor da carta enviada em 1650 pelos bispos da França ao papa Inocêncio X, para pedir a condenação de Jansênio, não é Isaac Habert, bispo de Vabres, como se diz comumente, mas sim Doni d'Attichy, bispo de Riez, transferido para Autun em 1652. Nesse ano, passando por Orléans, esse prelado havia ele mesmo certificado o fato a Afonso Debbene, bispo da diocese, e ao deão do capítulo, Carlos Meusnier, o qual escreveu esse duplo testemunho no início de seu exemplar da carta a Inocêncio X, que o Sr. Le Clerc diz ter nas mãos. Na parte dogmática ele conta como, depois de ter lido e relido santo Agostinho e percorrido todos os sistemas, deteve-se no do P. Thomassin; 2° Lettres sur la constitution Unigenitus; 3° Tractatus de justificatione; 4° Tractatus de scientia Dei et prædestinatione; 5° De augustissimo eucharistiæ sacramento; 6° De ordinis sacramento, a cujo tratado se liga De vita, honestate et moribus clericorum; 7° Tractatus dogmaticus in quo quæcumque B. Virginis Deiparæ privilegia et laudes spectant, expenduntur; 8° Dissertation touchant l'autorité de saint Augustin.

Entre os escritos concernentes à história eclesiástica, assinalemos: 1° Dissertation touchant l'auteur du symbole Quicumque, etc., par un licencié de Sorbonne, in-12, Lyon, 1730; 2° Histoire abrégée des plus célèbres écrivains ecclésiastiques suivant l'ordre du temps, etc.; 3° De concilii Antiocheni decreta contra Paulum Samosatenum, in quo reprobatum vulgo creditur Homoousion; 4° Decretum Gelasii vulgo dictum, notis criticis illustratum, com um apêndice: S. Fausti innocentia, sanctitas et præsertim bona fides contra ejus sive antiquos sive neotericos obtrectatores demonstrantur; 5° S. Cæsarii Arelatensis augustinismus discutitur et excutitur.

Não são esses trabalhos de teologia ou de história, na maioria permanecidos manuscritos, conhecidos apenas de um círculo restrito de ouvintes ou de amigos, que estabeleceram a reputação de L. Le Clerc entre os eruditos de seu tempo, mas ele a deve a diversos escritos impressos, contendo observações de crítica e de biografia literária. Sua crítica exerceu-se primeiro sobre o Dictionnaire historique de Moréri. Publicou em Orléans, in-8°, 1719, Remarques sur différents articles du premier volume du Dictionnaire de Moréri de l'édition de 1718. Em 1720 e em 1721 apareceram as Remarques sur le second et sur le troisième volume du Moréri. Essas observações e outras não impressas sobre os volumes seguintes serviram para aperfeiçoar a edição do Moréri dada em 1724. Os irmãos Bruyzet, livreiros de Lyon, querendo reimprimir o Dictionnaire français de Richelet, encarregaram L. Le Clerc de refazer a notícia abreviada dos escritores citados no dicionário, que figurava nas edições precedentes. Deu, pois, no início do primeiro volume, p. i-xcvi, Bibliothèque du Richelet ou abrégé de la vie des auteurs cités dans ce dictionnaire. Encontram-se aí anedotas interessantes e, para citar apenas um exemplo, curiosos pormenores sobre a composição e as primeiras edições do livro De la fréquente communion, e sobre a pouca fidelidade com que foram traduzidos os textos citados.

Em 1731 foi a vez de Bayle, cuja obra L. Le Clerc examinou em sua Lettre critique sur le Dictionnaire de Bayle, obra cheia de erudição, que foi logo seguida em 1733 de Remarques critiques sur divers articles du premier volume du Dictionnaire de Bayle. Foram publicadas no fim do primeiro volume na 5ª edição dada por M. de Maizeaux; os volumes seguintes enriqueceram-se sucessivamente de observações semelhantes. Na edição de 1820, as observações foram postas em seu lugar. As Remarques critiques sur le Dictionnaire de Bayle, publicadas à parte em 1748 pelo abade Joly, são em sua maior parte tomadas de empréstimo a L. Le Clerc. Nosso autor forneceu também grande quantidade de observações e adições ao P. Echard, dominicano, para seus Scriptores ordinis prædicatorum; ao Sr. Perdoulx de la Périère para suas duas cartas sobre a Bibliothèque des auteurs de la congrégation de Saint-Maur, devida a dom Le Cerf de la Viéville; ao abade Papillon para sua Bibliothèque des; a Lelong e Desmolets para a Bibliothèque historique de la France; a dom Liron para a Bibliothèque chartraine; às Mémoires do P. Nicéron, à Histoire littéraire de la ville de Lyon, do P. de Colonia, etc. Deve-se-lhe também um curioso Étude sur le plagiat littéraire, em que o abade d'Artigny, Nouveaux mémoires d'histoire, muito se serviu.

L. Bertrand, Bibliothèque sulpicienne, in-8°, 1900, t. I, p. 257-276, indica onde se encontram conservadas as obras que permaneceram manuscritas; Vie, écrits et correspondance littéraire de Laurent-Josse Le Clerc, in-8°, Paris, 1878.

E. Levesque.

LECLERC Pedro (1706-1773?) nasceu em 4 de julho de 1706 em Briché, no país de Caux, na diocese de Rouen; estudou na Universidade de Paris e foi ordenado subdiácono em 1729. Assinou primeiro o Formulário, depois retratou-se solenemente e apegou-se a um sacerdote iluminado, chamado Vaillant, que ele considerava um profeta. Ele próprio foi encerrado em Vincennes em 1736 e exilado em Rouen em 1738; depois retirou-se para a Holanda, onde logo se indispôs com os jansenistas e os outros refugiados. Admitia apenas os sete primeiros concílios e justificava o cisma da Igreja grega. Um concílio de Utrecht (13 de setembro de 1763) condenou-o, mas ele recusou submeter-se e revoltou-se contra o bispo jansenista de Haarlem, Van Stiphout, de quem fora amigo de 1719 a 1758; publicou contra os jansenistas da Holanda violentos ataques e pretendia que esses jansenistas não formavam senão uma « pequena Igreja ». Desde 1733, estava indisposto com os jansenistas da França e as Nouvelles ecclésiastiques quase não o poupam. Picot diz que Leclerc reeditou na Holanda esse jornal jansenista, modificando-o aliás, e as próprias Nouvelles ecclésiastiques (21 de agosto de 1754, p. 136) parecem insinuar a coisa, a propósito de uma nota aparecida na edição estrangeira das Nouvelles ecclésiastiques de 27 de março de 1754, em que se acha exposto o sistema que inspirou o Acte de révocation na assinatura do Formulário tornado público em 1733.

Leclerc morreu numa data que é difícil precisar. Picot situa sua morte por volta de 1773; Quérard, na France littéraire, situa-a pouco depois de 1780; Em. Bourgeois e L. André, em Les sources de l'histoire de France, XVIIIe siècle (1610-1715), t. ii, Biographies, p. 40, põem-na em 1781.

A maior parte dos escritos de Pedro Leclerc refere-se à questão jansenista: Acte de révocation de la non signature du Formulaire, seulement quant au fait, mais aussi quant au droit, in-12, s. l., 1733; as Nouvelles ecclésiastiques de 23 de novembro de 1733, p. 191-192, criticam vivamente esse ato, que acusa de crime e de perjúrio todos os que não pensam como seu autor. — Renversement de la religion des lois divines et humaines par toutes les bulles et brefs donnés depuis près de deux cent huit ans contre Baius, Jansénius, les cinq propositions et contre Quesnel ou Recueil de toutes ces bulles accompagnées de remarques, 2 vol. in-12.

Rouen, 1756; Leclerc retoma as mesmas ideias, que são de novo criticadas pelas Nouvelles ecclésiastiques de 15 de maio de 1757, p. 81-82. — Réponse de l'auteur du Renversement à la critique véhémente qu'en a faite le Nouvelliste ecclésiastique, in-12, Amsterdam, 1757. — Précis d'un acte de dénonciation à Rome : 1. d'une multitude de bulles, brefs...; 2. des évêques eux-mêmes, suivi d'une lettre où il répond aux reproches d'un ami, in-12, Amsterdam, 1758; o autor declara que só admite os sete primeiros concílios gerais. — Lettre et dénonciation adressées à MM. les pasteurs de l'Église de Hollande, tant du district de l'archevêché d'Utrecht que des évêchés d'Harlem et de Déventer, sur les matières les plus importantes, in-12, Amsterdam, 1763. — Recueil de plusieurs écrits où est celui des questions proposées au sujet du conciliabule d'Utrecht par Ahuys, pasteur d'Amsterdam, in-12, Amsterdam, 1764; o autor faz a apologia da Igreja grega. — Lettre à M. Stiphout, évêque d'Harlem, in-12, Amsterdam, 1764. — Lettre encyclique à MM. les pasteurs de Hollande, in-12, Amsterdam, 1765. — Acte de Pierre Leclerc, sous-diacre de l'Église de Rouen et maître es arts de l'Université de Paris, pour servir de réponse à l'excommunication, in-12, Amsterdam, 1765. — Préface historique qui contient l'histoire abrégée du mystère d'iniquité, ou le concile célébré à Utrecht convaincu de brigandage, in-12, Amsterdam, 1765. Este escrito é talvez o mais curioso das obras de Leclerc. Sobre esse concílio de Utrecht, ver Picot, Mémoires pour servir à l'histoire ecclésiastique pendant le XVIIIe siècle, édit. de 1853, p. 128-132. — Rome redevenue païenne et pire que païenne, in-12, Amsterdam, 1764. Atribuiu-se também a Leclerc um Recueil de pièces qui n'ont point encore paru sur le Formulaire, in-12, 1754. — La religion vengée ou Recueil de neuf écrits contre la thèse de l'abbé de Prades, in-12, 1754. — Nouvelle apologie de la sainte doctrine de M. Jansénius, par Gilles de Witte, in-12, 1756.

Leclerc editou as Homélies de saint Grégoire, pape, sur Ézéchiel, in-12, 1747, e, um pouco mais tarde, uma obra muito apreciada dos jansenistas, o Journal de l'abbé Dorsanne, docteur de Sorbonne et chantre de l'église de Paris, grand vicaire et official du même diocèse, contenant tout ce qui s'est passé à Rome et en France, dans l'affaire de la constitution Unigenitus, avec des anecdotes très intéressantes pour connaître les intrigues et le caractère de ceux qui ont demandé et soutenu ladite constitution, aussi bien que de tous ceux qui y ont eu part, 2 vol. in-4° e 6 vol. in-12, Paris, 1757. Do ponto de vista da história do jansenismo.

Leclerc compôs uma Histoire des persécutions des religieuses de Port-Royal (esta obra talvez não seja autêntica); mas é certamente o autor das Vies intéressantes et édifiantes des religieuses de Port-Royal et de plusieurs personnes qui leur étaient attachées, avec des lettres et des pièces diverses, 4 vol. in-12, Paris, 1750-1752. Este escrito, curioso sobretudo pelos documentos que encerra, foi completado por outra obra intitulada Vies intéressantes et édifiantes des amis de Port-Royal, pour servir de suite aux Vies intéressantes et édifiantes des religieuses de cette maison, in-12, Utrecht, 1751. As Nouvelles ecclésiastiques de 15 de maio de 1757, p. 82, citam ainda de Leclerc um escrito intitulado Idée de la vie et des écrits de Gilles de Witte, pasteur et doyen dans la ville de Matines, suivie d'un appendice, 2 vol. in-12, Amsterdam, 1756.

Michaud, Biographie universelle, t. xxiii, p. 524-525; Hoefer, Nouvelle biographie générale, t. xxx, col. 204-205; Quérard, La France littéraire, t. v, p. 40-50; Nouvelles ecclésiastiques du 23 novembre 1743, p. 191-192; Lebreton, Biographie normande, t. ii, p. 436-437; Frère, Bibliographie normande, t. ii; Guilbert, Mémoire biographique et littéraire de la Seine-Inférieure; Picot, Mémoires pour servir à l'histoire ecclésiastique pendant le XVIIIe siècle, édit. de 1855, t. iv, p. 128-132 et 477-478; Migne, Dictionnaire des jansénistes, col. 382-393.

J. Carreyre.

Autor original: J. Carreyre

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