LAYMANN (PAULO)

LAYMANN (PAULO)

LAYMANN Paulo, um dos mestres da teologia moral, nascido em Arze, perto de Innsbruck, em 1574, recebido na Companhia de Jesus em 1594, ensinou desde 1604 a moral e a filosofia, depois, durante dezesseis anos, a teologia nas universidades de Ingolstadt, de Munique, de Dillingen, e por fim, durante sete anos, o direito canônico, com tal brilho que os professores de outras universidades obtinham a preço de dinheiro os cadernos de seus alunos. De toda parte afluíam a ele consulentes ou consultas; nos casos difíceis, suas respostas eram tidas como…

Sem entrar na longa lista de seus primeiros opúsculos filosóficos e teológicos, bastará mencionar aqui as grandes obras que fazem a sua g[lória]. Antes de tudo, a célebre Teologia moral que Hurter declarou com razão sem par e que Scheeben (Katholik, 1867, p. 163), pela profundidade da erudição, e poderíamos acrescentar pelo rigor do método, só achava comparável às Controvérsias de Belarmino. A obra apareceu em cinco volumes in-4°, sob este título que lhe resume bem o espírito: Theologia moralis in quinque libros partita, quibus materiæ omnes practicæ, cum ad externum Ecclesiasticum, tum internum conscientiæ forum spectantes, nova methodo explicantur, Munique, 1625. Na maneira de encarar e de colocar as questões, de destacar o ponto preciso da dificuldade, mais ainda no controle, no agrupamento, na discussão lúcida e cerrada dos textos, o grande moralista fazia obra não somente de erudição, mas de verdadeira ciência, e estabelecia mais solidamente do que antes dele se fizera a moral sobre as suas bases naturais. O sucesso foi prodigioso. As edições de Munique, Paris, Veneza, Antuérpia, Douai, Lyon, Mogúncia, Bamberg, etc., sucederam-se rapidamente. As melhores são as que reproduzem a terceira edição de Munique, 1630, revista pelo autor.

Essa grande obra era para os mestres. Um Compendium theologiæ moralis, Lyon, 1631, redigido em parte pelo autor, em parte pelo teólogo Antoine Goffar, vulgarizou entre os estudantes das Universidades a doutrina do P. Laymann. As mesmas qualidades de ciência, de profundidade, de clareza, de impecável método, reencontram-se em seu Jus canonicum sive commentaria in libros Decretalium, Dillingen, 1666. Essa obra, em três volumes, publicada depois da morte do autor, é infelizmente incompleta, tendo desaparecido os manuscritos que teriam fornecido a matéria dos t. iv e v, consumidos verossimilmente num incêndio. Encontrar-se-á em Sommervogel a lista completa dos tratados e opúsculos de Laymann sobre os assuntos mais diversos de filosofia e de teologia moral. Notemos que a brochura Processus judiciarius contra sagas, aparecida em Colônia em 1629, não é dele. Em sua Teologia moral, Laymann esforça-se, depois de Tanner, por suavizar o que havia de desumano nos procedimentos judiciais de que se usava então contra os feiticeiros e os lançadores de sorte; estava longe de inclinar-se aos furores bárbaros. Alma cândida, piedosa e boa, enamorada unicamente da ciência teológica e das coisas do céu, o P. Laymann, depois de uma vida de infatigável labor, morreu em Constança, atingido pela peste, a 13 de novembro de 1625.

Sommervogel, Bibliothèque de la Compagnie de Jésus, t. iv, col. 1582-1594; Hurter, Nomenclator, 3e édit., t. iii, col. 884-886; artigos do P. Duhr na Zeitschrift für katholische Theologie, t. xxiii, p. 733-743; t. xxiv, p. 585-592; t. xxv, p. 166-168.

P. Bernard.

Autor original: P. Bernard

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