LATOME ou LATOMUS Bartolomeu, humanista e controversista luxemburguês (1485-1570). O nome de Latomus que se dá a esse erudito é a tradução grega do sobrenome Steinmetz ou o Pedreiro que seu pai tinha. Nascido em Arlon em 1485, Bartolomeu frequentou em 1514 ou 1515 a universidade de Friburgo em Brisgóvia, onde se desenvolveram seus gostos pelo humanismo, que o convívio com Erasmo, com quem atravessa a Alsácia em 1521, devia ainda refinar. Professor em Tréveris, depois em Colônia, ensina sobretudo filosofia; só fez em Lovaina uma breve estada em 1530. Atraído a Paris pelos humanistas da época, sobretudo por Guilherme Budé, é nomeado em 1534 professor de eloquência latina no colégio real da França, onde permanecerá até 1542, data em que o novo eleitor de Tréveris, Luís de Hagen, o atraiu a Coblença, com o título de conselheiro. Até então Bartolomeu Latomus se ocupara quase exclusivamente de humanidades. Sobre a sua produção literária, que foi bastante abundante, ver os autores citados na bibliografia. Contudo, é preciso assinalar a carta que escrevera em 1540 a João Sturm, então reitor do ginásio de Estrasburgo, sobre as dissensões da Alemanha e a necessidade de manter a paz para lutar contra os turcos. A carta de Latomus e a resposta de Sturm foram publicadas em Epistolae duorum amicorum Bartholomaei Latomi et Joannis Sturmii de dissidio periculoque Germaniae et per quos stat quominus concordiae ratio inter partes ineatur, Estrasburgo, 1540 e 1566.
A partir de sua instalação em Coblença, Latomus vai ser envolvido muito mais intimamente nas querelas religiosas da época. Naquele momento, o arcebispo de Colônia, Hermann von Wied, resolvido a introduzir a Reforma em sua diocese, havia chamado Bucer para pregá-la. O reformador conhecia Latomus havia vários anos e o julgava ganho, como tantos outros humanistas, à nova doutrina; esperava por meio dele poder também separar da Igreja o eleitor de Tréveris. Era um erro grave. Latomus censurou abertamente as tentativas feitas em Colônia; daí uma discussão entre Bucer e o conselheiro do eleitor, cujos principais monumentos foram impressos. Em 1544 Bucer fazia publicar em Estrasburgo uma carta de Latomus e a sua própria resposta: Scripta duo adversaria D. B. Latomi LL. Doctoris et Martini Buceri theologi de dispensatione Eucharistiae, invocatione divorum, coelibatu clericorum, Ecclesiae et episcoporum communione, auctoritate, potestate, criminationibus arrogantiae, schismatis et sacrilegii, quae sunt intentatae Statibus qui vocantur Protestantes. A carta de Latomus ocupa somente as páginas 9-30; o conjunto do volume, que conta 263 páginas, é ocupado pelo texto de Bucer.
O humanista católico não podia ficar nisso; replicou com um livro bastante considerável: B. Latomi adversus M. Buccerum de quibusdam ad religionem pertinentibus controversiis altera plenaque defensio, Colônia, 1545, pequeno in-4° de 144 folhas não numeradas. Uma réplica de Bucer provoca uma nova resposta: Refutatio calumniosarum M. Bucceri insectationum, quibus nouissimis libellis editis in B. Latomum extra ordinem invectus est, ipso Latomo authore, Colônia, 1546, pequeno in-4°, 26 folhas não numeradas. Nesses mesmos anos Latomus acompanhava seu arcebispo às dietas de Espira e de Worms; em 1546 está no colóquio de Ratisbona, cujos debates resume em suas Handlungen des Colloquiums zu Regensburg; em 1557 encontramo-lo ainda no colóquio de Worms, onde publica contra os calvinistas Spaltung der Augsburgischen Confession durch newen und die streitigen Theologen mit kurtzer Widerlegung der unbestendigen Lehre derselben.
Tendo esse escrito sido violentamente atacado por P. Dathenus, ministro calvinista, passado de Flandres para a Alemanha, Latomus retruca com uma Responsio B. Latomi ad impudentissima convitia et calumnias Petri Dathœni scripta Frankfordiae in conventu Caesaris et Principum electorum Imperii, mense martio, anno 1558, in-4°, 11 folhas não numeradas; Dathenus replica uma primeira vez. Latomus lhe desfere Ad furiosas P. Datheni criminationes absurdas eiusdem et de Verbo Dei et Scriptura sententias... altera responsio, Colônia, 1560, in-8°, 88 folhas não numeradas. Mas o calvinista volta à carga e faz imprimir suas duas respostas juntas em Frankfurt em 1560: Ad B. Latomi rhetoris calumnias, quibus Augustanae confessionis theologos anno 1557 Wormatiae colloquio collectos gravat ac traducit Petri Datheni responsio prima et secunda. A polêmica nesse momento degenerou infelizmente em personalidades.
Outra polêmica, no mesmo tom, no ano de 1553, com um pastor de Gœppingen: De docta simplicitate primæ Ecclesiœ et de usu calicis in Synaxi et de eucharistico sacrificio, adversus petulantem insultationem Jacobi Andreæ, pastoris Guppingensis, B. Latomi responsio, Colônia, 1559, in-4°, 35 folhas não numeradas. Latomus morreu em Coblença em 3 de janeiro de 1570.
Valère André, Bibliotheca Belgica, Lovaina, 1643, p. 106; E. du Pin, Nouvelle bibliothèque des auteurs ecclésiastiques, t. xvi; J.-F. Foppens, Bibl. Belgica, Bruxelas, 1739, t. i, p. 126; Paquot, Mémoires pour servir à l'histoire littéraire des Pays-Bas, t. ii, Lovaina, 1763, p. 110-124; L. Roersch, Barthélémy Latomus, le premier professeur d'éloquence latine au Collège royal de France, em Bulletin de l'Académie royale de Belgique, IIIe série, xiv, p. 132-176 do mesmo t.; a notícia da Biographie nationale publicada pela Académie royale de Belgique, t. xi, Bruxelas, 1890-1891, col. 425-434.
E. Amann.
Autor original: E. Amann
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