LAINEZ Tiago, segundo geral da Companhia de Jesus, nascido em 1512, em Almazan (Castela), † 1565. Mestre em artes pela universidade de Alcalá em 1532, não teve mais que um desejo, o de reunir-se em Paris a Inácio de Loyola, de quem ouvira contar tantas coisas maravilhosas. Foi um dos seis primeiros companheiros de Inácio que se ligaram por um voto de apostolado na igreja de Nossa Senhora, na colina de Montmartre, em 15 de agosto de 1534. Recebido doutor em teologia pela universidade de Paris, reuniu-se a Inácio de Loyola em Veneza e veio a Roma com seus companheiros pedir ao papa Paulo III a autorização de passar à Palestina. Não tendo esse projeto vingado, Paulo III encarregou Lainez de ensinar teologia escolástica na universidade romana da Sapiência.
Tendo sido o novo Instituto aprovado por Paulo III, em 27 de setembro de 1540, Lainez, cujas pregações detiveram os progressos da heresia em Veneza, em Vicenza e na própria Roma, foi escolhido, com Salmeron, como teólogo do papa no concílio de Trento. Ambos estavam encarregados de dirigir as discussões dos teólogos nas Congregações. Um dos dois devia sempre falar primeiro, para pôr nitidamente as questões; o outro devia falar por último, para retificar o que pudesse ter sido avançado de inexato no curso das discussões. O discurso pronunciado por Lainez em 26 de outubro de 1546 sobre a «justiça imputada» produziu profunda impressão; foi conservado integralmente nas atas do concílio. Cf. S. Ehses, Acta concilii Trident., pars alt., p. 612-629. O decreto sobre a justificação foi aprovado unanimemente pelos Padres do concílio, em 13 de janeiro de 1547, segundo as doutrinas defendidas por Lainez contra opositores sutis e tenazes. Ver Justificação, col. 2169 sq. Os decretos e cânones da XIV sessão foram igualmente redigidos por Lainez, Cartas de S. Ignacio, t. i, p. 491, cujo papel, durante toda a duração do concílio, foi preponderante.
Por morte de Inácio de Loyola, em 1556, Lainez foi escolhido como geral da Companhia de Jesus. Recusara firmemente o chapéu de cardeal. Não deixou de ser designado pelo partido da reforma para suceder a Paulo IV, no conclave de 1559: circunstâncias ainda mal esclarecidas vieram, no último momento, entravar esse projeto. Doze votos já se tinham reunido sobre o seu nome. Sua única ambição era servir aos pobres e aos doentes nos hospitais, longe de todas as honras. Enviado por Pio IV como teólogo ao colóquio de Poissy, em 1561, com o cardeal Hipólito d'Este, legado do papa, «foi o único, diz Linguet, que fez ouvir a voz da razão.» Os espíritos estavam excitados demais para que uma reconciliação fosse possível. Mas tal foi a impressão favorável produzida pelo saber, pela sabedoria e pela modéstia de Lainez, que ele obteve sem dificuldade, para a sua ordem, a autorização de estabelecer-se na França.
Pela terceira vez, Lainez voltou ao concílio de Trento, onde tomou parte ativa nas discussões sobre o sacrifício da missa. Sua intervenção foi decisiva na questão da origem da jurisdição episcopal, em que defendeu, contra os bispos espanhóis, os direitos do soberano pontífice. Em recompensa dos eminentes serviços prestados à Igreja por Lainez e seus companheiros, o concílio de Trento quis dar sua aprovação à Companhia de Jesus. Esgotado por tantos trabalhos, Lainez extinguiu-se suavemente em Roma em 19 de janeiro de 1565.
Restam do P. Lainez vários escritos esparsos em diversas coleções, cuja lista exata se encontrará em Sommervogel. O P. Grisar recolheu e editou em dois volumes as Disputationes tridentinae, Inspruck, 1886, e as Disputationes variae ad concilium Tridentinum spectantes, ibid., 1886.
Astrain, Historia de la Compañia de Jesús, Madrid, 1902, t. I, p. 511 sq.; Tacchi-Venturi, Storia della Compagnia di Gesù in Italia, Roma, 1910, t. i, passim; Sommervogel, Bibliothèque de la Cie de Jésus, t. iv, col. 1596-1600; Hurter, Nomenclator, 3ª edição, t. III, col. 6 sq.
Autor original: P. Bernard
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