LA TASTE Luís Bernardo (1692-1754) nasceu em Bordeaux em 1692, entrou ainda jovem na congregação de São Mauro e tornou-se, em 1729, prior do mosteiro dos Blancs-Manteaux, em Paris; foi assistente do superior geral da congregação em 1736; mas seus escritos contra a bula Unigenitus lhe suscitaram numerosas dificuldades em sua ordem. Foi nomeado, em 1º de dezembro de 1738, bispo titular de Belém, título de bispado sem território, erigido no Nivernais, em Clamecy, e foi sagrado em 15 de abril de 1739 por Mons. de Vintimille, arcebispo de Paris. Obteve a comenda de Moiremont, na diocese de Châlons-sur-Marne. Nomeado superior das carmelitas de Saint-Denis em 1740, tornou-se visitador geral de toda a ordem na França. Fez parte da comissão encarregada de examinar a Histoire du peuple de Dieu, de Berruyer. Morreu em Saint-Denis, em 22 de abril de 1754, e foi sepultado na capela das carmelitas.
Dom La Taste compôs numerosos escritos, dirigidos, quase todos, contra os convulsionários de São Medardo. Pode-se citar: Requête du promoteur de l'Officialité de Paris contre cinq des miracles de Saint-Médard, 1735; Réflexions sur une enquête ordonnée par le cardinal de Noailles au sujet des miracles, 1736. Mas a obra mais célebre é: Lettres théologiques aux écrivains défenseurs des convulsions et autres prétendus miracles du temps, 2 vol. in-4°, Paris, 1740. Nessas 21 cartas, das quais a primeira é datada de 15 de abril de 1733 e a última de 1º de maio de 1740, La Taste ataca com vivacidade os milagres e as convulsões de São Medardo; a 19ª, que refuta os seus adversários uns pelos outros, foi condenada por um acórdão do Parlamento de 4 de janeiro de 1738, porque ridicularizava alguns magistrados, partidários das convulsões. Essas cartas foram muito atacadas pelos jansenistas (ver Nouvelles ecclésiastiques, tables, t. ii, p. 121-125.)
La Taste editou as Lettres de sainte Thérèse, traduzidas do espanhol para o francês pela Sra. de Maupéou, carmelita, e pelo abade Pélicot, 2 vol. in-12, Paris, 1748; as Nouvelles ecclésiastiques (15 de maio de 1749, p. 160) lhe atribuem Lettres aux carmélites du faubourg Saint-Jacques; a Réfutation des lettres pacifiques, datada de 1º de janeiro de 1753, é dirigida contra a obra de Luís Adriano Lepaige, da qual ataca as cinco primeiras cartas; essa Réfutation foi logo acompanhada de duas sequências, Nouvelles ecclésiastiques, de 15 de maio e 24 de julho de 1753, p. 77-78, 118-119. A Biblioteca Nacional possui vários manuscritos de La Taste; são materiais para as Immunités ecclésiastiques: ms. fr. 15 760 e 15 761; papéis relativos ao jansenismo, ms. fr. 15 802-15 804; miscelâneas e correspondências, ms. fr. 17 714 e 17 715; miscelâneas sobre a história e a administração espiritual e temporal dos conventos de carmelitas descalças, ms. fr. 17 719-17 720, e enfim uma correspondência, ms. fr. 19 668-19 669.
Michaud, Biographie universelle, t. xii, p. 74-75; Hœfer, Nouvelle biographie générale, t. xxix, col. 795-796; Quérard, La France littéraire, iv, p. 598-599; dom François, Bibliothèque générale des écrivains de l'ordre de Saint-Benoît, t. iii, p. 112-114; Tassin, Histoire littéraire de la congrégation de Saint-Maur, p. 701-703; Henry Wilhem, Nouveau supplément à l'histoire littéraire de la congrégation de Saint-Maur, publié par Ursmer Berlière, Antoine Dubourg et Ingold, p. 332-335 (esse autor, p. 335, confunde evidentemente La Taste com outro bispo de Belém que vivia no início do século XVIII); Le Cerf de la Viéville, Histoire de la constitution Unigenitus en ce qui regarde la congrégation de Saint-Maur, in-12, Utrecht, 1736, p. 272-273; Nouvelles ecclésiastiques, tables de 1767, t. ii, p. 121-126 (exagerado e injusto contra La Taste); Emile Gigas, Lettres des bénédictins de la congrégation de Saint-Maur, t. ii, p. 185-180, 198-201, 205-236, 238-239; D. Yves Laurent, Dom de la Taste, bénédictin, évêque de Bethléem, no Bulletin de Saint-Martin de Ligugé, 1903, t. xi. p. 276-280, 298-310, 337-346, 366-373 (tirado à parte, in-8°, Paris, 1903); Fisquet, La France pontificale, métropole de Sens, Nevers, Bethléem, p. 170-171; Chronique de l'ordre des Carmélites depuis leur introduction en France, ms. Troyes, 1861, p. 346-363; Vanel, Les bénédictins de Saint-Germain-des-Prés et les savants lyonnais, in-8°, Paris, 1894, p. 263-285.
J. Carreyre.
Autor original: J. Carreyre
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