JÚLIO III (PAPA)

JÚLIO III (PAPA)

JÚLIO III, papa de 7 de fevereiro de 1550 a 23 de março de 1555. — Depois da morte de Paulo III (10 de novembro de 1543), os cardeais, reunidos em conclave, assinaram um compromisso. Juraram todos executar certo número de condições, caso obtivessem a tiara. Obrigaram-se, entre outras coisas, a reformar a Igreja e a concluir o concílio geral que, de fato, estava suspenso desde a primavera de 1547. O entendimento não se estabeleceu facilmente entre eles. Após intrigas que duraram mais de dois meses, o cardeal Giovanni Ciocchi, dito del Monte, foi eleito em 7 de fevereiro de 1550 e coroado papa em 22 de fevereiro seguinte, sob o nome de Júlio III.

O novo pontífice nascera em Roma, em 19 de setembro de 1487. Júlio II lhe dera o cargo de camareiro. Tornou-se, em seguida, arcebispo de Manfredônia (18 de março de 1513), prefeito de Roma, cardeal-presbítero do título de São Vital (15 de janeiro de 1537), depois do de Santa Praxedes (11 de outubro de 1542), bispo de Palestrina (5 de outubro de 1543). Como legado da Santa Sé (1545), fora um dos presidentes do concílio de Trento. Era um homem hábil, mas conhecia-se nele um temperamento indolente, o que não excluía, da parte dele, acessos de ímpeto de uma estranha violência. Amigo de seus confortos, construiu para si, na via Flamínia, nas proximidades do Tibre, uma magnífica vila que ainda hoje se admira.

Júlio III foi fiel à palavra dada no início do conclave. Os cardeais Pole, Morone e Cervini foram postos à frente de uma congregação de reforma, que concluiu, desde 23 de abril, pela retomada do concílio, e os bispos da cristandade foram convocados, em 13 de novembro de 1550, a se reunir de novo em concílio em Trento no 1º de maio seguinte. O concílio trabalhou muito ativamente no decorrer do ano de 1551, em que se realizaram as duas importantes sessões xiii e xiv, relativas aos sacramentos da eucaristia e da penitência. Não dependeu de Júlio III que os trabalhos não continuassem. Mas a situação política tornava-se cada vez mais confusa. Na primavera de 1552, os Padres, assustados com a aproximação das tropas protestantes comandadas por Maurício de Saxe, dispersaram-se por longo tempo. Ver sobre tudo isso o art. Trento (Concílio de).

A atenção de Júlio III voltou-se sobretudo para as questões políticas. Após o fracasso de sua diplomacia no caso de Parma, o papa consagrou os últimos anos de sua vida a fazer-se o apóstolo da paz junto de Carlos V e do rei da França. Foi sob o pontificado de Júlio III que ocorreu a efêmera reconciliação da Inglaterra com a Santa Sé, sob os auspícios do cardeal Pole, enviado especialmente como legado junto à rainha Maria (dezembro de 1553). Muito favorável à Companhia de Jesus, recentemente fundada por santo Inácio, Júlio III confirmou e ampliou, pela bula Exposcit debitum de 21 de julho de 1550, os privilégios que já lhe haviam sido reconhecidos por Paulo III (Constituição Regimini, de 27 de setembro de 1540). Em 31 de abril de 1552 assinou a bula de ereção do Colégio Germânico. Depositava as maiores esperanças na atividade da jovem Companhia, tanto na Europa quanto nas missões estrangeiras. Foi sob os auspícios desse papa que são Francisco Xavier começou a conquista do Japão. Júlio III morreu em 23 de março de 1555, sem ter podido realizar seus generosos desígnios.

— Fontes. Journal de Jean-François Firmano, maître des cérémonies... sous Clément VII, Paul III, Jules III, em Notices et extraits des manuscrits, t. ii; as correspondências dos núncios publicadas em Nuntiaturberichte aus Deutschland; A. Druffel, Monumenta Tridentina, Beiträge zur Geschichte des Konzils von Trient, Munique, 1884-1899; S. Merkle, Concilii Tridentini diaria, t. ii; em particular, ver p. 146, a obra de Panvinio, De Julii III vita ante pontificatum, que ali foi reimpressa; Pallavicini, Istoria del concilio di Trento, Roma, 1656-1664.

— Trabalhos. Todos os trabalhos relativos ao concílio de Trento, à história da Reforma, ao cisma anglicano dão naturalmente um lugar maior ou menor a Júlio III. Como trabalhos mais especiais citar-se-ão apenas L. Pastor, Geschichte der Päpste, 1913, t. vi, p. 1-250; G. Constant, Une rivalité franco-allemande en conclave. L'élection de Jules III, em Revue hebdomadaire, 18 de fevereiro de 1922, p. 333-343; G. de Leva, L'elezione di papa Giulio III, em Rivista storica italiana, t. i, p. 21-37; L. Romier, Les origines politiques des guerres de religion, t. i: Henri II et l'Italie (1547-1555), Paris, 1913, p. 216-528.

G. Mollat.

Autor original: G. Mollat

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