JOLY (JOSÉ-ROMANO)

JOLY (JOSÉ-ROMANO)

JOLY (José-Romano), nascido em Saint-Claude a 15 de março de 1715, entrou cedo entre os frades menores capuchinhos da província de Franche-Comté. Sua vida religiosa permanece-nos desconhecida; não é assim quanto à sua vida intelectual. Produziu muito: « teologia, moral, crítica, literatura, história, poesia, tudo era da alçada desse laborioso escritor, e contudo não pôde prender ao seu nome a menor celebridade. Não se lhe podem recusar, entretanto, conhecimentos variados, mas faltava-lhe gosto para pô-los em obra, e parece ter ignorado que o estilo é uma das qualidades que mais convêm para assegurar o sucesso de uma obra. » Esse juízo de Weiss, na Biographie universelle de Michaud, é um tanto severo. Joly foi um escritor muito desigual; em suas poesias, as mais criticadas de suas obras, encontram-se passagens belíssimas, e seus outros livros não são de desprezar. Gloriava-se de ser membro da Academia dos Árcades de Roma, mas não conseguiu ser admitido na de Besançon, com a qual teve frequentes discussões. Diz-se que foram essas rixas com a Academia de Besançon que causaram o seu êxodo para a capital. Em data indeterminada, o P. Joly obteve ser incorporado à província dos capuchinhos de Paris; em 1790 escrevia ser « há trinta e dois anos encarregado gratuitamente do serviço espiritual junto aos presos detidos na porta Saint-Bernard », na prisão da Tournelle, à espera de sua transferência para as galés. Nessa data qualificava-se: « Bibliotecário dos capuchinhos do Marais. » Isolado e silencioso durante a Revolução, José-Romano continuava seus trabalhos e retomava a sua publicação logo que passou a tormenta, embora tivesse ficado cego desde 1796. Morreu em Paris a 22 de outubro de 1805, em seu octogésimo primeiro ano. Falaremos aqui somente das obras do P. Joly que se relacionam mais ou menos diretamente com a teologia:

Le diable cosmopolite, ou les aventures d'Astarot, in-18°, 1761, poema satírico contra os filósofos em geral; Lettres historiques et critiques sur les spectacles adressées à Mlle Clairon, dans lesquelles on prouve que les spectacles sont contraires à la religion catholique, in-8°, Avignon (Paris), 1762; Histoire de la prédication ou la manière dont la parole de Dieu a été prêchée dans tous les siècles. Ouvrage utile aux prédicateurs et curieux pour les gens de lettres, Paris, 1767. O prefácio é precedido de uma carta em que se ataca « o autor de um folheto intitulado la Prédication », que era o abade Gabriel-François Coyer, cujo opúsculo havia aparecido no ano anterior; segundo Joly, Adão e os patriarcas foram os primeiros pregadores, instituídos por Deus; Conférences pour servir à l'instruction du peuple, sur les principaux sujets de la morale chrétienne, 6 in-12, Paris, 1768; Conférences sur les mystères, 2 in-12, Paris, 1771; Dictionnaire de morale philosophique, 2 in-12, Paris, 1771; Lettres sur divers sujets importants de la géographie sacrée et de l'histoire sainte, avec des planches et des cartes géographiques, in-4°, Paris, 1772; reapareceu sob o título de Géographie sacrée, ibid., 1784; Atlas sur la géographie sacrée, 1786, é a mais importante obra do P. Joly e que não é, ainda hoje, desprovida de interesse; Le Phaéton moderne, in-8°, Paris, 1772, poema satírico contra Voltaire; L'Égyptienne, poème épique en douze chants, in-12, Paris, 1776, que reapareceu dez anos depois sob o título mais completo de l'Égyptiade, ou le voyage de S. François d'Assise à la cour du roi d'Égypte (« certamente não é sem defeito, escrevia o abade Dinouart, no Journal ecclésiastique, mas encontram-se nele trechos de poesia de que nossos maiores poetas se honrariam;)

Le guide des missionnaires, avec trois conférences sur la mission, le jubilé et la religion chrétienne, et deux lettres touchant les qualités nécessaires aux confesseurs et la prolixité des confessions, in-12, Paris, 1781; Les aventures de Mathurin Bonice, premier habitant de l'isle de l'Esclavage, 4 in-12, Paris, 1783; Le porte-feuille de Mathurin Bonice, servant de suite à ses aventures, 2 in-12, 1787, é um romance moral e alegórico; Placide, tragédie, in-8°, Paris, 1786, dramatização da história de S. Eustáquio, mártir; Abrégé de la théologie, ou sommaire de la doctrine chrétienne, 2 in-12, Paris, 1790; L'ancienne géographie universelle comparée à la moderne... ensuite la géographie ecclésiastique... avec une table générale en forme de dictionnaire de tous les noms anciens comparés aux noms modernes, 2 in-8°, Paris, 1801, com um Atlas de 18 cartas, in-4°. O P. Joly deu um prefácio e enriqueceu de tábuas a Histoire critique et apologétique des chevaliers du Temple, dits templiers, escrita pelo P. Lejeune, premonstratense, e editada pelos cuidados de seu confrade P. Baudot, 2 in-4°, Paris, 1789. Escreveu, além disso, Cartas e artigos sobre os assuntos mais diversos, em prosa e em poesia, que apareceram na Année littéraire, no Mercure e em outros jornais. A Biblioteca Nacional possui (Mss. Français, 13 923) uma Histoire du quiétisme, que permaneceu inédita; algumas cartas se conservam na de Besançon.

Michaud, Biographie universelle; Quérard, Supercheries littéraires et France littéraire; Hurter, Nomenclator, 3ª edição, t. vii, col. 672; Morey, Les capucins en Franche-Comté, Paris, 1882.

P. Edouard d'Alençon.

Autor original: P. Edouard d'Alençon

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