JOÃO XIII (PAPA)

JOÃO XIII (PAPA)

JOÃO XIII, papa, sagrado em 1.º de outubro de 965, morto em 6 de setembro de 972. Desde 6 de dezembro de 963, isto é, desde o pacto concluído entre o imperador Oto I e sua criatura, o papa Leão VIII, a designação do sumo pontífice pertencia, de direito como de fato, a Oto e a seus sucessores. Assim, por morte de Leão VIII, em março de 965, os romanos, sem se preocuparem com o infeliz Bento V, ainda exilado em Hamburgo, enviaram uma deputação ao imperador germânico para lhe pedir um papa. Este fez acompanhar a deputação romana por dois missi, um dos quais era Liutprando, bispo de Cremona; chegados a Roma, os enviados do imperador fazem então proceder, por todo o povo, à eleição de João, bispo de Narni, que se torna o papa João XIII (1.º de outubro de 965). Com ele era a casa de Teofilacto que subia de novo ao trono pontifício, pois parece estabelecido que João era filho da segunda Teodora, neto, por conseguinte, de Teofilacto e da primeira Teodora.

Imposto pelo estrangeiro, o papa imperial logo se tornou insuportável aos romanos; ao cabo de dois meses e meio rebentou um motim dirigido por Rofredo, conde da Campânia, e pelo prefeito da Cidade, Pedro. O papa foi lançado no castelo de Santo Ângelo, depois expulso; não parece que se tenha pensado imediatamente em dar-lhe um substituto. Aliás, os romanos não tiveram por muito tempo o ócio de refletir na singularidade dessa situação; ao cabo de alguns meses, João XIII reaparecia sob os muros de Roma com um exército imponente: ao mesmo tempo, soube-se que, pela quarta vez, o imperador acabava de transpor os Alpes e marchava sobre Roma. Estava ali no Natal de 966, e castigou duramente os autores e fautores da revolta. Essa repressão tornou os romanos mais ajuizados e, ajudando a presença quase contínua de Oto, João XIII pôde manter-se sem outra dificuldade. Teve, aliás, de fazer-se o humílimo servidor da política germânica. A 25 de dezembro de 967, João coroava Oto II na basílica de São Pedro, na presença de seu pai, assegurando assim a dignidade imperial à nova dinastia; quatro anos mais tarde, a 14 de abril de 972, celebrava na mesma basílica o casamento do jovem imperador com Teofano, filha do basileu Nicéforo Focas.

Esse resultado não fora obtido sem dificuldade. A negociação do casamento havia sido confiada a Liutprando, desde 968; este foi bastante mal recebido pelo basileu; trocaram-se, de parte a parte, palavras muito desagradáveis. Uma carta de João XIII agravou ainda a situação; pedia a Nicéforo, imperador dos gregos, que travasse relações de amizade com Oto, imperador dos romanos. Jaffé, n. 3727. Nada podia ser mais desagradável a um basileu, que sempre se considerava o imperador romano por excelência, do que tal designação. Nicéforo entrou em violenta cólera. As ingênuas pretensões de Oto, que pedia como dote de Teofano as últimas possessões bizantinas da Itália, acabaram de exasperá-lo. As negociações foram rompidas, e o basileu pensou em erigir Otranto em arcebispado dependente diretamente de Constantinopla e em suprimir o rito latino na Itália meridional. A tragédia de 10 de dezembro de 969 pôs fim a esses projetos; Nicéforo morreu assassinado. Seu sucessor, João I Tzimisces, consentiu no casamento da jovem Teofano com o herdeiro de Oto, o Grande.

O papa João XIII serviu igualmente, na Alemanha, à política de seu imperador. É a pedido deste que organizou o território metropolitano de Magdeburgo, as circunscrições episcopais de Meissen, Merseburgo e Zeitz, todos eles bispados destinados a levar às populações eslavas de além do Elba a influência germânica. Jaffé, n. 3731, 3732. Acrescentemos, para ser justos, que o fundador do Sacro Império Romano da nação germânica pretendia fazer servir à reforma da Igreja o poder de fato e de direito de que dispunha. Percebem-se, sob o pontificado de João XIII, as primeiras veleidades da grande empresa que os papas do século XI iniciarão. Um concílio realizado em Ravena em abril de 967 pelo papa, na presença do imperador, teria, entre outras prescrições úteis à Igreja, recolocado em vigor as leis demasiado esquecidas sobre a continência dos clérigos: de mulierositate relinquenda. Jaffé, p. 172. O favor crescente demonstrado à reforma cluniacense é igualmente indício das boas disposições de João XIII. Cf. Jaffé, n. 3711. Por fim, algumas intervenções do papa na Espanha e na Bretanha mostram que o horizonte das preocupações pontifícias de novo se alargou. Jaffé, n. 3746, 3750, 3756.

Liber Pontificalis, t. ii, p. 252-234; Jaffé, Regesta, t. i, p. 470-477; Watterich, Pontificum rom. vitæ, t. i, p. 44, 64-65, 685-686; o relato da embaixada de Liutprando a Constantinopla em P. L., t. cxxxvi, col. 309-338; para as relações de João com Rathier, bispo de Verona, ver o Liber apologeticus deste último, P. L., Ibid., col. 629-642; Hefele, Histoire des Conciles, trad. Leclercq, t. iv b, p. 825-832; L. Duchesne, Les premiers temps de l'État pontifical, p. 187-188; Langen, t. iii, p. 354-363; Gregorovius, t. iii, p. 354-362; Baxmann, t. ii, p. 119-125; Hartmann, t. iv a, p. 17-34; A. Hauck, Kirchengeschichte Deutschlands, 3e édit., t. iii, p. 230-240.

E. Amann.

Autor original: E. Amann

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