JOÃO DE NÁPOLES (OU JOÃO DE REGINA)

JOÃO DE NÁPOLES (OU JOÃO DE REGINA)

57. JOÃO DE NÁPOLES ou, segundo certos atos notariais, JOÃO DE REGINA, dominicano do século XIV. — Oriundo de uma nobre família napolitana, tomou o hábito em sua cidade natal, no convento de San Domenico Maggiore. De 1315 a 1317 ensinou em Paris as Sentenças de Pedro Lombardo. O capítulo geral de Pamplona designou-o, em 1317, para seu convento de origem a fim de ali ensinar teologia, e foi durante esse tempo de magistério que, em 1º de agosto de 1319, foi chamado a testemunhar no primeiro inquérito sobre a vida e a santidade de frei Tomás de Aquino. Todo o seu depoimento mostra bem que João de Nápoles não conheceu pessoalmente o ilustre mestre; limita-se a relatar o que frades mais antigos lhe haviam dito. João de Nápoles não é, portanto, discípulo imediato de são Tomás; pertence à segunda geração de alunos do mestre.

Em 1323 o encontramos em Avinhão com o título de procurador para a canonização de frei Tomás. Nessa qualidade, devia pregar diante do papa em 14 de julho de 1323, mas a doença o impediu. Em 1324 toma parte no capítulo geral de Bordeaux e na eleição de Barnabé de Vercelli. Em seu testamento de 14 de março de 1325, Bartolomeu de Cápua, logóteta e protonotário do reino de Nápoles, designa-o como um de seus executores testamentários. Enfim, o último dado relativo a João de Nápoles é um documento notarial de 9 de junho de 1336, referente à liquidação do dito testamento. João morreu no convento de Nápoles.

A atividade literária desse teólogo parece ter sido bastante considerável, quer durante sua estadia em Paris, quer em Nápoles. Compôs um Comentário sobre as Sentenças; dois Quodlibeta (Bibl. de Toulouse ms. 744 I. 96); um Tratado da pobreza de Cristo (Veneza, Bibl. de São Marcos, cl. VIII, cod. 176, século XV, f° 258 r°-295 v°); Quaestiones disputatae e Sermões. De todos os escritos de João de Nápoles, somente as Quaestiones disputatae foram editadas, em Nápoles, em 1618, pelo P. Domingos Gravina, O. P. Aderente muito fiel da doutrina de são Tomás, João dela quase não se afasta. Cf. Dr. C.-J. Jellouschek, O. S. B., Johannes von Neapel und seine Lehre vom Verhältnisse zwischen Gott und Welt, Viena, 1918. — João de Nápoles publicou à parte o segundo quodlibet: Utrum licite possit doceri Parisius doctrina fratris Thomae quoad omnes conclusiones ejus? fazendo-o preceder de uma curta introdução, de modo a fazer dele um pequeno tratado especial sobre o assunto. Paris, Bibl. nat., mss. lat. 14549, f°. 130-131.

Quétif-Echard, Scriptores ord. prœd., Paris, 1719-1721, t. i, p. 464; Mandonnet, Premiers travaux de polémique thomiste, na Revue des Sciences philosophiques et théologiques, 1913, t. vii, p. 253-258. Uma bibliografia completa encontra-se em Jellouschek, op. cit., p. xiii-xvi.

P.-M. SCHAFF.

Autor original: P.-M. Schaff

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