JOÃO DE JERUSALÉM, presbítero e procurador, com seu confrade Tomás, do episcopado do Oriente no sétimo concílio geral, segundo de Niceia (787). Antes dessa época, fora síncelo ou vigário-geral, primeiro do patriarca de Jerusalém, por volta de 760, depois do de Antioquia, por volta de 780. Entre essas duas datas, provavelmente por volta de 764, por ocasião do sínodo realizado pelo episcopado oriental contra Cosmas, bispo iconoclasta, em Epifânia, compôs um Synodicum contra o conciliábulo iconoclasta de 754. Essa peça, que lhe é expressamente atribuída em grande número de manuscritos, como os Mosquenses 201 (Wladimir), f° 131-139, e 197, f° 192-199, ambos do século IX, foi em seguida ligeiramente modificada pelo próprio autor ou por um anônimo, na época do concílio de 787, e publicada, sob o nome errôneo de João Damasceno, por Combefis no t. II de seu Auctarium, reproduzido em P. G., t. xcv, col. 309-341.
No manuscrito 1117 de Paris, encontra-se, ao lado do Synodicum, um relato dos progressos do iconoclasmo na Síria absolutamente idêntico à exposição feita pelo próprio João, no decurso do VII concílio, ao fim da quinta sessão. A paternidade de João de Jerusalém quanto a esse tratado parece, pois, solidamente estabelecida. Mas o que se ignorava é que ele quase nada fez, nesse pastiche, senão reproduzir uma Nouthesia ou Exhortatio sobre o culto das imagens contida no Mosquensis 197, f° 142-171 v°. Com efeito, esse documento corresponde, em sua 2ª e 3ª partes, ao discurso citado acima do pseudo-Damasceno, mas com a diferença de que nele não se faz nenhuma alusão ao conciliábulo de 754; deve, portanto, ter sido composto entre 750 e 754, ao passo que o discurso do pseudo-Damasceno é posterior à morte de Constantino Coprônimo (775) e anterior ao concílio de 787, que nele ainda não é mencionado.
Concorda-se em atribuir a Nouthesia a Jorge de Chipre, o antagonista do bispo herético Cosmas, aquele mesmo que teve a honra de ser condenado em 754 com Germano e João Damasceno. João de Jerusalém, limitando seu trabalho a alguns retoques, terá, portanto, feito sua a obra de Jorge, arriscando-se a ser por sua vez pilhado não somente pelo pseudo-Damasceno, mas ainda por outros. Possui-se, com efeito, do patriarca de Constantinopla Metódio, um discurso sobre as santas imagens, publicado por Arsénij segundo o Mosquensis 412, f° 143-147, que não é em sua maior parte senão um centão do pseudo-Damasceno.
B. Mélioranskij, Georges de Chypre et Jean de Jérusalem, deux champions peu connus de l'orthodoxie au VIIIe siècle, São Petersburgo, 1901, xxxix-131 p. in-8° (em russo); Byzantinische Zeitschrift, 1902, t. xi, p. 538-543.
L. Petit.
Autor original: L. Petit
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