JANSSENS (FRANCISCO ELINGA)

JANSSENS (FRANCISCO ELINGA)

JANSSENS Francisco Elinga, teólogo dominicano (1684-1715). — Nascido em Bruges, por volta de 1631, fez seu noviciado no convento dos dominicanos de sua cidade natal; professo em 28 de janeiro de 1654, foi enviado a Lovaina para ali estudar teologia. Licenciado em 1665, passa à casa de Antuérpia, onde exerce as funções de segundo e depois de primeiro regente dos estudos. Em 1675 obtinha de Rocaberti, geral da ordem, a dignidade de mestre em teologia. Passou pelos principais cargos da província da Alemanha inferior: definidor em 1677 e delegado da província ao capítulo geral da ordem; provincial em 1684, e depois uma segunda vez em 1696. Conservará esta última função até 1702; nessa data retira-se para a casa de Bruges, onde morre em 22 de novembro de 1715. Janssens foi um escritor fecundo; exerceu-se principalmente na controvérsia, na teologia escolástica e no direito canônico.

1° As primeiras obras de Janssens são consagradas a uma discussão muito viva com o franciscano Pedro d'Alva a respeito da doutrina da imaculada conceição. Cf. t. i, col. 925-926. Entre outras obras em que defendia o privilégio mariano, o frade menor fizera publicar em 1661 um livro em que atacava vivamente a autoridade de São Tomás, atrás da qual se abrigavam os defensores da tese maculista: Nodus indissolubilis de conceptu mentis et conceptu ventris; hoc est inter immunitatem ab omni defectu et errore angelicæ doctrinæ S. Thomæ Aquinatis et ejus exclusionem ab illis universalibus regulis : omnis homo mendax et locuti sunt falsa; omnes declinaverunt, etc., et præservationem ab omni culpa et macula purissimæ virginis Dei matris Mariæ, et istius exceptionem ab istis : omnes in Adam peccaverunt; omnes nos quasi oves erravimus, etc., ac de utriusque approbationibus apostolicis, ecclesiasticis atque revelatis. Bruxelles, 1661.

A esse ataque contra São Tomás, que facilmente resvalava para a diatribe, Janssens respondeu publicando: Auctoritas S. Thomæ Aquinatis, quinti Ecclesiæ doctoris, nodo indissolubili per R. P. F. Petrum de Alva et Astorga... nuper revincta, nunc vero soluta, non inanibus et calumniosis verbis sed stylo et veritatis efficacia, seu calamo et rei veritate, Gand, 1664. Um amigo de Pedro d'Alva retrucou com as: Allocutiones pacificæ pro immaculata conceptione Deiparæ virginis Mariæ, habitæ a P. Hippolyto Marraccio, Lucensi, e congregatione clericorum regularium Matris Dei, cum R. P. F. Francisco Janssens Elinga, O. P., Lovanii philosophiæ professore, occasione opusculi nuper ab isto editi de auctoritate D. Thomæ Aquinatis, in quo eadem immaculata conceptio contra bullam Alexandri VII in favorem præservationis virgineæ ab originali editam, factis protestationi contrariis impugnatur. Ao mesmo tempo d'Alva voltava à carga por meio de um folheto de algumas folhas. A isso Janssens opôs outro opúsculo de 22 páginas: Certissimum quid certissimæ veritatis pro doctrina S. Thomæ contra « Certum quid certissimæ falsitatis » adversum F. P. de Alva et Astorga, Gand, 1664; depois passou pelo crivo o vocabulário do frade menor: Cribratio vocabularii R. P. de Alva et Astorga, Anvers, 1664. No ano seguinte fazia ainda publicar em Antuérpia uma Responsio ad epistolam alicujus de ordine F. F. minorum publicatum sub larva summulistæ minoris, sempre sobre a questão da autoridade de São Tomás. Tendo o P. Hauzeur intervindo na querela por meio de um folheto intitulado: Statera causæ inter R. P. Petrum de Alva et RR. PP. dominicanos, Janssens replicou ainda com uma pequena obra: Reverendus P. M. Hauzeur, O. F. M., seu defensa ab eodem causa Petri de Alva et Astorga, appensa in statera, et inventa minus habens, Anvers, 1665.

2° Outra parte da obra de Janssens é consagrada às controvérsias relativas à infalibilidade pessoal do papa. Ele já tomara claramente posição em favor dessa verdade nas dissertações com que fez preceder uma edição da Summa conciliorum, de Bartolomeu Caranza, que mandou imprimir em Lovaina em 1668: Summa conciliorum... nunc iterato recognita et quatuor controversiis ad concilia præambulis ac quibusdam conciliis et notulis marginalibus... aucta. Depois dos acontecimentos de 1682 julgou dever acentuar suas conclusões: a uma carta do bispo de Tournai, Gilberto de Choiseul du Plessis-Pralain, um dos prelados que haviam tomado assento na famosa assembléia do clero da França, Janssens opôs um tratado intitulado: Suprema romani pontificis auctoritas, ejusque extra concilium generale definientis infallibilitas, adversus epistolam Ill. ac. Reverend. D. Gilberti episcopi Tornacensis propugnata, Bruges, 1698. Essa mesma verdade defendeu-a contra seu célebre confrade Noël Alexandre, que, neste ponto, abandonara a doutrina da ordem: Summa totius doctrinæ de pontificis authoritate et infallibilitate, XIII articulis comprehensa, et a nuperis cavillationibus Natalis Alexandri et Felicis Deschamps aliorumque argumentis vindicata, Bruges, 1690. A esses tratados eruditos podem-se acrescentar duas pequenas obras em flamengo contra os protestantes; uma publicada em Antuérpia em 1673, a outra intitulada: La forme et l'essence de l'Église de Jésus-Christ, qui ne se trouve que chez les catholiques romains. Anvers, 1702.

3° Janssens foi levado também a defender as doutrinas de sua ordem sobre as relações da graça e da liberdade: Veritas manifestata pro authoritate R. P. Thomæ Turci, magistri generalis O. P., circa prædeterminationem physicam. Item decretum R. P. Joannis Thomæ de Rocaberti, ejusdem ordinis generalis, contra opera P. F. Josephi de Vita, Siculi; ac exhibitio authentica bullæ Urbani V, pro authoritate angelici doctoris, Anvers, 1675. Voltou ao mesmo assunto em suas Dissertationes XXVI theologicæ selectæ... additum est authenticum apographum manuscriptum R. P. Thomæ Turci... quo veritas de mente et verbis ejusdem circa præmotiones physicas, ab authore harum dissertationum ante annos viginti manifestata, amplius stabilitur et decisivum confirmatur, Bruges, 1708.

Quétif-Echard, Scriptores ordinis prædicatorum, t. ii, p. 789; cf. la 2e édit. par le R. P. Coulon, fasc. iii, Paris, 1911, p. 224-227 ; de Jonghe, Belgium dominicanum, Bruxelles, 1719, p. 186; Paquot, Mémoires pour servir à l'histoire littéraire des dix-sept provinces des Pays-Bas, Louvain, 1763, t. ii, p. 271-270; a notícia de Paquot foi simplesmente copiada na Biographie nationale belge, t., col 135-139; Touron, Biographie des hommes remarquables de la Flandre occidentale, Bruges, 1S -19, t. iv, p.

E. Amann.

Autor original: E. Amann

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