ISOCRISTOS

ISOCRISTOS

ISOCRISTOS. Na primeira metade do século VI, as querelas origenistas reacenderam-se no Oriente. Já em 520, com efeito, Nono havia difundido o origenismo entre os monges da Palestina. Agapeto, abade da Nova Laura, julgou cortar o mal pela raiz expulsando alguns monges, mas seu sucessor Marnas os reintegrou: daí grande agitação. São Sabas, chefe supremo dos monges palestinenses, tentou em 531 deter a propaganda recorrendo ao imperador, mas morreu no ano seguinte. Quanto ao imperador, embora procurasse assegurar a unidade de doutrina, nem por isso deixou de se deixar envolver por dois origenistas, Domiciano e Teodoro Áscidas, que conseguiram captar-lhe o favor e se tornaram bispos, o primeiro de Ancira na Galácia, o segundo de Cesareia na Capadócia. Persistindo a agitação, Éfrem, patriarca de Antioquia, condenou o origenismo renascente, e Justiniano fez o mesmo em 543. Isso não impediu os origenistas de criar novos partidos. Uns, com efeito, com Damião, patriarca de Alexandria, puseram-se a combater os trítteístas, que, adotando a doutrina do filósofo João Ascunages, atribuíam a cada pessoa da Trindade uma natureza particular e tiveram em seguida por principais sectários João Filopono e Estêvão Gobar; mas, ao combatê-los, caíram num erro novo, porque divinizavam a alma de Cristo, cuja preexistência sustentavam: daí o nome de protoclistas. Eram também chamados damianitas, do nome de seu chefe, e tetraditas, como se adorassem um quarto deus na alma humana do Salvador. Os outros contentaram-se em sustentar que os apóstolos deviam ser iguais a Cristo: daí o sobrenome de isocristos. Apoiavam-se nesta palavra de um dos seus, Teodoro Áscidas, bispo de Cesareia: « Se os apóstolos fazem agora milagres e estão em tão grande honra, que vantagem receberão na ressurreição, se não forem tornados iguais a Jesus Cristo? » Evágrio, H. E., iv, 38, P. G., t. lxxxvi, col. 2780. A doutrina de Orígenes não autorizava de modo algum uma pretensão tão errônea.

Segundo Evágrio, loc. cit., esses isocristos teriam sido reprovados em seguida à condenação dos Três Capítulos, no concílio de Constantinopla, em 553. Mas, como observa Valois, loc. cit., sua condenação deve ter sido anterior; pois, no concílio de 553, só se tratou, segundo as atas, do caso dos Três Capítulos; e o principal instigador da condenação dos Três Capítulos foi precisamente o bispo de Cesareia na Capadócia, Teodoro Áscidas, que fizera o imperador conceber a esperança quimérica de reconduzir por esse meio os monofisitas à unidade, mas que procurava sobretudo fazer esquecer o rumor que se fazia em torno do nome de Orígenes. Pouco numerosos e sem influência apreciável nas controvérsias da primeira metade do século VI, esses isocristos não deixaram outro vestígio na história das heresias.

Evágrio, H. E., iv, 38, P. G., t. lxxxvi, col. 2780; Ceillier, Histoire générale des auteurs sacrés et ecclésiastiques, Paris, 1858-1868, t. xi, p. 878; Walch, Entwurf einer voll. Historie der Ketzereien, Leipzig, 1778, t. viii, p. 281; Migne, Dictionnaire des hérésies, Paris, 1847, t. i, p. 832; Wetzer e Welte, Dictionnaire de théologie, trad. Goschler, Paris, 1857-1865, t. xvi, p. 139-140; Funk, Histoire de l'Église, trad. Hemmer, Paris, 1891, t. i, p. 210, 221, 237.

C. Bareille.

Autor original: G. Bareille

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