ILUMINADOS DA BAVIERA (ORDEM DOS)

ILUMINADOS DA BAVIERA (ORDEM DOS)

ILUMINADOS DA BAVIERA (ORDEM DOS). — I. Objeto. — II. Organização. III. História.

I. OBJETO. 1° Fontes de informação. No último quarto do século XVIII constituiu-se, na Baviera, uma sociedade secreta cujo fim, meios de ação e de propaganda, organização e hierarquia só foram conhecidos em parte por algumas publicações anônimas da época, pelo depoimento feito sob juramento de alguns adeptos desiludidos, pela apreensão e publicação de certos documentos originais. Entre essas publicações é preciso enumerar: 1. Der œchte Illuminat, Édesse (Francfort-sur-le-Mein), 1788; é um ritual que contém a preparação, o noviciado, os graus de minerval, de iluminado menor e de iluminado maior, cuja autenticidade não poderia ser posta em dúvida, pois o barão de Knigge (+ 1796), que redigira quase todo o código da seita, confessa em seu Endlische Erklârung, Hanôver, 1788, p. 96, que todos esses graus são absolutamente tais como saíram de sua pena; 2. Die neuesten Arbeiten des Spartacus und Philo, Munique, 1794; esses últimos trabalhos de Spartacus e de Filon são obra de um antigo iluminado, onde se encontram dois dos graus mais notáveis da seita, os de sacerdote e de regente; 3. Kritische Geschichte der Illuminatengrade, história crítica dos graus do iluminismo, onde tudo se apoia nas próprias cartas dos grandes adeptos; 4. Endlisches Schicksal des Freimaurerordens, discurso pronunciado no encerramento de uma loja maçônica, em que o orador expõe as razões que a loja tem para renunciar a seus trabalhos desde que os iluminados penetraram na franco-maçonaria.

Entre os depoimentos é preciso contar os dos dois sacerdotes, professores em Munique, Cosandey e Renner, do conselheiro áulico Utzschneider e do acadêmico Grunsberger. Mas as peças principais são os poucos documentos originais apreendidos pela polícia bávara em casa de Zwack e do barão de Bassus, e publicados em Munique, em 1787, por ordem do eleitor da Baviera, sob o título de Einige Originalschriften des Illuminatenordens, etc., e von weiteren Originalschriften, etc. À frente dessa publicação reveladora lê-se o seguinte aviso: « Aqueles que tivessem alguma dúvida sobre a autenticidade desta coletânea só precisariam dirigir-se aos Arquivos secretos de Munique, onde se tem ordem de lhes mostrar as peças originais. »

2° O fundador da seita. Foi um jovem professor de direito na universidade de Ingolstadt, Adam Weishaupt (1748-1830), que fundou o iluminismo. Antigo aluno dos jesuítas, dos quais se tornou inimigo implacável, adversário de toda religião, e constatando o poder das sociedades secretas, então tão difundidas na Alemanha e na Europa, e o partido que delas se podia tirar, com um fim determinado, por meio de uma organização hierarquizada como a da Igreja e de uma subordinação estreita como a dos membros da Companhia de Jesus, Weishaupt resolveu fundar uma ordem nova com o fim real, mas não confessado, de arruinar de alto a baixo a autoridade paterna na família, a autoridade civil nos Estados, a autoridade religiosa nas Igrejas, sob o pretexto de reconduzir a humanidade a seu estado original, à idade patriarcal, à época em que não havia nem propriedade privada, nem sociedade organizada, nem governo estabelecido, nem Igreja.

Ele considerava, com efeito, a liberdade e a igualdade como direitos essenciais do homem. Ora, a propriedade privada fere a igualdade; a sociedade e os governos são contra a liberdade; e, como o único apoio da propriedade e dos governos se encontra na lei religiosa e civil, era preciso, para restabelecer o homem em seus direitos primitivos de igualdade e de liberdade, destruir toda religião, toda sociedade, toda propriedade. Um fim tão nitidamente revolucionário devia permanecer profundamente secreto; pois importava não chocar de frente as opiniões e os preconceitos e enganar os candidatos, mantendo sobre a autoridade, a religião e o cristianismo a linguagem corrente; era preciso saber esperar, por uma preparação suficiente, o momento propício antes de levantar uma ponta do véu. Esse fim último só devia ser conhecido de alguns adeptos, bastante discretos para dissimulá-lo e bastante audaciosos para persegui-lo.

Weishaupt aplicou-se a isso com habilidade consumada e por meios desprovidos de todo escrúpulo, mas combinados de maneira a preparar gradualmente os espíritos, a agrupar as inteligências de elite e as vontades decididas, de maneira também a captar ao mesmo tempo a confiança dos príncipes e dos superiores e a submetê-los, sem que o suspeitassem, à sua direção soberana.

3° Recrutamento e escolha dos adeptos. Para atingir tal resultado, convinha escolher adeptos de docilidade absoluta, fazendo-lhes entrever, além da importância e da grandeza do papel que eram chamados a desempenhar em vista da perfeição do gênero humano, as vantagens que deviam colher pessoalmente, tais como funções lucrativas na Igreja e no Estado, o convívio das mais altas inteligências, a aquisição de ciências ocultas, o conhecimento do verdadeiro cristianismo primitivo. Feita essa escolha, era preciso formar pouco a pouco os candidatos, iniciá-los gradualmente, utilizando-os segundo suas aptidões, seu saber-fazer e sua boa vontade.

Para isso devia-se dirigir de preferência aos jovens estudantes, tão acessíveis ao que lisonjeia o orgulho e a ambição, transformá-los em chefes capazes de levantar, arrastar e alistar os outros, de maneira a espicaçar a curiosidade e a fazer nascer o desejo de progredir no conhecimento do segredo da seita. Esse papel de irmão insinuante, de propagandista e de apóstolo era capital: de seu êxito dependia não somente o recrutamento da ordem, mas ainda a promoção a um grau superior daquele que soubesse desempenhá-lo bem.

4° Condições de admissão. Para ser admitido na seita, todo candidato devia fazer previamente uma confissão escrita de seus preconceitos, de seus erros, de seus defeitos, de suas faltas, não hesitar em revelar os segredos de sua família e de seus amigos, único meio, pretendia Weishaupt, de dar a conhecer sua aptidão para receber ulteriormente a comunicação de certas doutrinas políticas e de certas opiniões religiosas; na realidade, meio insidioso de Weishaupt para assegurar-se da servidão do adepto e tirar proveito de suas revelações. Além disso, o candidato devia fazer o abandono e o sacrifício de sua vontade, de sua liberdade, de sua honra, de sua família, de sua pátria, de sua religião, e se necessário de sua vida, para obedecer fielmente às ordens recebidas, por mais imorais ou injustas que pudessem parecer aos olhos do vulgo: o interesse do iluminismo exigia tal atitude. Enfim, o candidato devia aprender a dissimular-se, a copiar documentos, a procurar livros raros ou manuscritos preciosos, a espalhar falsos rumores, a relatar tudo o que pudesse descobrir de segredos; atos que, assegurava-se, nada tinham de repreensível desde que tivessem por fim servir à seita, em nome deste duplo princípio, a saber, que tudo o que é útil é um ato de virtude, e que o fim justifica os meios: princípios monstruosos que deviam servir para justificar não somente a hipocrisia e a delação, a calúnia e o furto, mas ainda o envenenamento e o homicídio.

5° Precauções tomadas. Compromissos tão graves deviam dar o que pensar e fazer temer a intervenção dos poderes públicos. Mas não, assegurava Weishaupt, nenhum risco a correr, nenhum temor a ter sob a proteção onipotente da ordem. A polícia nada podia, nem sobre os adeptos, todos disfarçados com um nome de guerra, nem sobre a correspondência de uma sociedade que tinha sua linguagem própria e usava de uma geografia especial. Weishaupt chamava-se Spartacus; o barão de Knigge, Philon; Zwack, Caton; o marquês de Constanze, Diomède; o barão de Bassus, Annibal; etc. A Baviera era a Acaia; a Suábia, a Panônia; a Francônia, a Ilíria; a Áustria, o Egito; etc. Munique tornara-se Atenas; Bamberg, Antioquia; Inspruck, Samos; Viena, Roma; Wurzbourg, Cartago; Heidelberg, Útica; Ingolstadt, Éfeso ou Elêusis, etc. A seita usava além disso da era persa que começa em 630, de um calendário especial; o ano começava em 21 de março, tornado o 1º Pharavardin, etc.

Apesar de tantas precauções, podia-se ser preso e ameaçado; mas restava então um expediente supremo, o de recorrer ao suicídio: palet exitus, a saída está livre. Esse último meio permitia assim subtrair-se a todo perigo. A única coisa proibida sob pena de morte era a divulgação do segredo; pois, sem recorrer à força pública, o veneno ou o punhal de um irmão bastava para punir o traidor. Para ter êxito com semelhantes meios, Weishaupt contara sem dúvida com a curiosidade de todos, a credulidade ou a tolice de uns, a ambição ou a celeradeza de outros. O fato é que teve êxito. Em menos de dez anos, chegou, com a ajuda de Caton-Zwack primeiramente, depois e sobretudo com a de Philon-Knigge, a pôr de pé o iluminismo.

II. ORGANIZAÇÃO DA SEITA. — 1° Hierarquia e graus. A questão dos graus e da hierarquia não foi resolvida de saída. No começo, Weishaupt contentara-se com dois ou três graus, que pareceram insuficientes quando francos-maçons se afiliaram à seita. Pareceu bom levar em conta o ritual da franco-maçonaria e seus três graus, assim como a franco-maçonaria escocesa, e coroar o conjunto por graus superiores, exclusivamente próprios do iluminismo. Encarregado de pôr a ponto a hierarquia da seita, Knigge enviou a Munique, em 20 de janeiro de 1782, um projeto que repartia os iluminados em três classes: a primeira, ou viveiro, compreendia os graus de noviço, de minerval e de iluminado menor; a segunda, ou franco-maçonaria, compreendia os de aprendiz, de companheiro e de mestre, e os de iluminado maior ou noviço escocês e de iluminado dirigente ou cavaleiro escocês; a terceira, classe dos mistérios, compreendia os pequenos mistérios com os graus de epopta ou sacerdote e de príncipe ou regente, e os grandes mistérios com os graus de mago ou filósofo e de homem-rei. ... weiteren Originalschriften, etc., t. i, p. 108. Esse projeto não recebeu mais modificações, e Knigge redigiu logo tudo o que concerne a esses graus até os pequenos mistérios inclusive; os grandes mistérios só deviam ser redigidos mais tarde.

Acima dessas três classes assentava o conselho da ordem, ou areópago, composto de doze membros, e à frente de toda a associação, como grão-mestre único e chefe absoluto, Spartacus-Weishaupt, cuja personalidade e ação só deviam ser conhecidas dos areopagitas.

2° Iniciações sucessivas e revelação progressiva do segredo. A entrada em cada grau tinha um ritual próprio, cujos principais pormenores se podem ver em Le Forestier, Les illuminés de Bavière et la franc-maçonnerie, Paris, 1914, p. 251-297; mas o que é interessante constatar é a ideia geral da ordem dos iluminados dada por Knigge no caderno preparatório da primeira iniciação. Tratava-se ali de irmãos « que possuíam os conhecimentos mais extensos, que tinham feito sua educação em mais de uma escola de sabedoria, que tinham confidentes à frente de todas as sociedades secretas e de todos os sistemas maçônicos, que sabiam assim de modo certo o que era bom, autêntico e útil, e cujo fim supremo era tornar o mundo melhor e mais sensato, arruinar em seu princípio os obstáculos que se opõem ao bem, e que tinham escolhido, a fim de atingir esse fim, os meios melhores e mais seguros para recompensar a virtude neste mesmo mundo, para se fazerem temer pelo vício, pôr a maldade em cadeias e combater o preconceito com tanta coragem quanta prudência. »

Era de molde a atrair os mais recalcitrantes, deixando-lhes entrever, por uma ascensão gradual, a iniciação cada vez mais explícita sobre o fim último a atingir. É verdade que a iniciação progressiva correspondia à elevação em grau e que a elevação em grau dependia antes de tudo, para cada candidato, de seu saber-fazer, do ardor de seu zelo e do êxito de sua propaganda: bom meio para excitar a emulação e o apostolado e para recompensar os serviços prestados. Não é, porém, senão na classe dos mistérios que a linguagem da iniciação despojava-se de todo artifício e tomava uma significação mais precisa. Com efeito, desde sua entrada nos pequenos mistérios, o epopta ou sacerdote aprendia que o homem deve retornar à igualdade e à liberdade primitivas e que, por conseguinte, devia combater os inimigos desses bens, a saber, a propriedade e o poder, a sociedade civil e suas leis, causas de todos os vícios e de todas as desgraças do gênero humano. Aprendia também que a verdadeira moral consiste unicamente, para o homem, em tornar-se maior, e que a razão sozinha deve servir-lhe de religião.

3° Sobre Jesus Cristo. Sem dúvida ainda se tratava de Jesus Cristo no grau dos epoptas, mas era com a pretensão de fazer de sua doutrina a garantia do iluminismo. Um pouco de exegese complacente bastava para escamotear o ensino evangélico em proveito da seita. Philon-Knigge escrevia, com efeito, a Caton-Zwack: « Jesus não estabeleceu simplesmente uma nova religião, quis restabelecer em seus direitos a religião natural. Dando ao mundo um laço geral, espalhando a luz e a sabedoria de sua moral, dissipando os preconceitos, sua intenção era ensinar-nos a governar-nos a nós mesmos e restabelecer, sem os meios violentos das revoluções, a liberdade e a igualdade entre os homens. Sua religião tão simples foi em seguida desnaturada, mas manteve-se pela disciplina do segredo, e nos foi transmitida pela franco-maçonaria. » Einige Originalschriften, t. ii, p. 104.

Weishaupt dizia por sua vez: « Ninguém se pôs tão prudentemente ao alcance de seus ouvintes e ninguém ocultou tão bem o sentido sublime de sua doutrina. Ninguém, enfim, abriu à liberdade vias tão seguras quanto nosso grande mestre Jesus de Nazaré. Ocultou, é verdade, absolutamente em tudo esse sentido sublime e essas consequências naturais de sua doutrina; pois tinha uma doutrina secreta, como vemos em mais de uma passagem do Evangelho. » E Weishaupt citava esta passagem: « A vós foi dado conhecer o mistério do reino de Deus, ao passo que aos outros é anunciado em parábolas. » Luc, viii, 10. Mas guardava-se bem de lembrar esta ordem: « O que vos é dito ao ouvido, publicai-o sobre os telhados. » Matth., x, 27. Citava ainda, para isso: « Os reis das nações dominam sobre elas; vós, não façais assim, mas que o maior entre vós seja como o último. » Luc, xxii, 25, 26.

Desse preceito e de todos os conselhos da humildade cristã, Weishaupt fazia preceitos de uma igualdade desorganizadora, inimiga de toda superioridade dos tronos e dos magistrados. Mas guardava-se igualmente de lembrar a lição de Jesus Cristo e dos apóstolos sobre o dever de dar a César o que é de César, de pagar o tributo e de reconhecer a própria autoridade de Deus na da lei e dos poderes constituídos. Se Jesus Cristo pregou o amor fraterno, é o amor da igualdade, pretendia Weishaupt; se inspirou a seus discípulos o desprezo das riquezas, é com o fim de preparar o mundo para a comunidade dos bens que deve fazer desaparecer toda propriedade privada.

E Weishaupt conclui: «Se o objetivo secreto de Jesus, mantido pela disciplina dos mistérios e tornado evidente pela conduta e pelos discursos desse divino Mestre, era devolver aos homens a sua igualdade e a sua liberdade originárias, e preparar-lhes os caminhos, quantas coisas que pareciam contraditórias e ininteligíveis tornam-se claras e naturais! Agora se concebe em que sentido Jesus foi o Salvador, o libertador do mundo. Agora se concebe o que é o estado de pura natureza, o da natureza decaída e corrompida, e o reino da graça.» Nachtrag von weileren Originalschriften, t. II, p. 106; Die neuesten Arbeiten, p. 58.

4° Novas revelações. O epopta, assim posto a par, podia elevar-se ao grau de príncipe ou de regente, se mostrasse habilidade bastante para tomar parte na direção política da ordem, isto é, se soubesse unir à prudência a liberdade de pensar e de agir, combinar as precauções e a ousadia, a firmeza e a flexibilidade, e se estivesse assim inteiramente entregue aos interesses da seita. No novo grau, devia aspirar a mudar o estado atual da sociedade. Aprendia então que a moral é a arte de ensinar os homens a sacudir o jugo da sua menoridade, a dispensar as autoridades reinantes e a governar-se a si mesmos. Depois disso, restava apenas levantar o último canto do véu e exprimir em termos explícitos que a religião deve ser destruída em favor do ateísmo, que os governos humanos devem ser derrubados em favor de uma independência absoluta, que a propriedade privada deve ser suprimida para restabelecer a vida patriarcal. E tal é o objeto das revelações feitas na iniciação aos graus superiores. Assim, ao tornar-se mago, o iluminado aprendia o dever de assegurar o triunfo do ateísmo sobre toda religião, não tendo a palavra religião sido empregada até então senão para desviar as atenções, e significando apenas a quimera da superstição e do fanatismo, favorecida pela ambição e pelo despotismo para manter o gênero humano na escravidão. É isso, com efeito, o que resulta claramente de certas cartas de Spartacus-Weishaupt a Catão-Zwack. Einige Originalschriften, t. I, carta iv; t. ii, carta xv.

5° A fraude piedosa. Tudo o que precedia, nas iniciações anteriores, era portanto uma mentira, uma comédia, um embuste, ou, como diz Fílon-Knigge a Catão-Zwack, uma fraude piedosa para enganar os iniciados. «Tivemos muitos preconceitos a destruir antes de vos persuadir de que essa pretensa religião de Cristo não era senão obra dos sacerdotes, da impostura e da tirania. Se assim é desse Evangelho tão proclamado, tão admirado, que devemos pensar de todas as outras religiões? Aprendei, pois, que todas elas têm as mesmas ficções por origem, que todas igualmente se fundam na mentira, no erro, na quimera e na impostura. Eis o nosso segredo. Os rodeios e os desvios que foi preciso tomar, as próprias promessas que foi preciso fazer-vos, os elogios que foi preciso dar a Cristo e às suas pretensas escolas secretas, a fábula dos franco-maçons durante muito tempo de posse da verdadeira doutrina, e do nosso iluminismo hoje único herdeiro dos seus mistérios, já não vos surpreendem neste momento. Se, para destruir todo o cristianismo, toda a religião, fingimos ter só nós o verdadeiro cristianismo, só nós a verdadeira religião, lembrai-vos de que o fim santifica os meios, de que o sábio deve tomar, para o bem, todos os meios que o mau toma para o mal. Os que usamos para vos libertar, os que tomamos para libertar um dia o gênero humano de toda religião, não são senão uma fraude piedosa que nos reservamos para desvendar neste grau de mago ou de filósofo iluminado.» Citado por Barruel, Mémoires pour servir à l'histoire du jacobisme, 3ª edit., Augsbourg, 1799, t. iii, p. 177.

A mesma fraude piedosa, escusado dizer, é desvendada na iniciação do homem-rei. O eleito aprende que o pretenso retorno à idade patriarcal já não merece reter-lhe a atenção; o império não tem mais realidade do que o sacerdócio. O verdadeiro fim é a destruição da autoridade paterna em nome da igualdade e da liberdade: nem Estados, nem pátria, nem família; o homem não deve ter outras leis senão as da razão; o homem é seu próprio senhor. Restava ainda um último segredo a desvendar, o da própria origem do iluminismo; seu conhecimento era reservado a alguns iluminados do grande conselho, aos areopagitas. Essa sociedade cercada de tanto mistério, que se aplicou a desarraigar do coração e do espírito todos os princípios de religião, todos os sentimentos de amor doméstico e nacional, todas as pretensões ao direito de propriedade, que tanto trabalhou para mostrar o despotismo e a tirania das leis civis, que proclama a liberdade, a igualdade e a soberania do homem, não é de modo algum obra da antiguidade, mas da filosofia moderna, obra de Weishaupt.

III. História. 1° Os começos. Weishaupt iniciou a sua obra com dois estudantes, Massenhaussen, chamado Ájax, e Merz, chamado Tibério, a 1º de maio de 1776, em Ingolstadt. Ájax-Massenhaussen conquistou logo Catão-Zwack, que se tornou o adepto favorito de Spartacus e implantou o iluminismo em Munique, enquanto Weishaupt continuava a sua propaganda, em Ingolstadt mesmo, entre os estudantes, seus alunos ou seus pensionistas.

Em menos de três anos a seita, espalhada pela Baviera, pela Suábia, pela Francônia e pelo Tirol, contou com grande número de lojas e mais de mil afiliados, como constatou Weishaupt numa de suas cartas a Catão-Zwack, datada de 13 Abenmeh 1148, isto é, de 23 de novembro de 1778. Einige Orlginalschri/len, t. i. carta xxv. Entre os areopagitas desse período, além de Catão-Zwack, encontram-se um sacerdote católico, Marius-Hertel, um médico, Celso-Baader, um professor, Cipião-Berger, um comerciante, Coriolano-Tropanero, um barão, Aníbal-Bassus, um marquês, Diomedes-Constanze, um conselheiro, Alcibíades-Hohenelcher. Os iluminados já ocupam por toda parte os melhores postos. Catão-Zwack escrevia: «Pelas intrigas de nossos irmãos, os jesuítas foram afastados de todas as cátedras de professor; purgamos deles a universidade de Ingolstadt. A duquesa viúva, para o instituto dos cadetes, dispôs tudo segundo o plano feito por nossa ordem. Essa casa está sob nossa proteção. Pela recomendação dos irmãos, Pílades tornou-se conselheiro fiscal eclesiástico. Ao lhe obtermos esse posto, pusemos à disposição da ordem o dinheiro da Igreja. Nossos irmãos eclesiásticos foram, por nossos cuidados, providos de benefícios, de paróquias ou de preceptorados.» Ver outros pormenores igualmente característicos sobre esses primeiros êxitos da seita nas notas de Catão-Zwack, Einige Originalschriften, t. i, passim.

2° Segundo período: a intrusão do iluminismo na franco-maçonaria. Desde 1777, Weishaupt se fizera afiliado à franco-maçonaria para lhe surpreender os segredos sem lhe revelar os seus. Deu ordem a seus areopagitas de fazerem o mesmo e pensou mesmo em incorporar a seita dos franco-maçons à sua ordem. Para realizar esse desígnio, o homem de que precisava foi um barão de Hanôver, von Knigge, já franco-maçom e de certo modo discípulo do charlatão Schroeder, o Cagliostro alemão. Com efeito, no momento em que, sob a proteção do duque de Brunswick, teve lugar em Wilhemsbad, em 1781, a assembleia geral das lojas maçônicas, Knigge travou conhecimento com o marquês de Constanze e entrou, graças a ele, na seita dos iluminados sob o nome de Fílon, prometendo-se fazer entre os deputados franco-maçons uma ativa propaganda em favor do iluminismo. Tornou-se assim o homem-lígio de Weishaupt e abriu à sua seita as portas da franco-maçonaria. Habilmente secundado por Bode, que ele conquistara e que lhe proporcionou poderosos protetores entre os maçons de alto grau, Knigge fez da maçonaria o seminário do iluminismo e assegurou a este imensos progressos em toda a Alemanha e nos países do Reno. E já em 1783 elaborou um quadro das lojas alemãs afiliadas a Weishaupt.

Essas lojas, agrupadas por região sob 35 diretores, estavam divididas em províncias: as províncias da Baviera, da Suábia e da Francônia estavam sob a dependência de um primeiro inspetor; as dos eleitorados do Reno, dos círculos do Alto Reno e da Vestfália, sob a dependência de um segundo inspetor; e as da Alta e Baixa Saxônia, sob um terceiro inspetor. Esses três inspetores estavam eles mesmos submetidos a um único diretor, o diretor nacional da Alemanha. Cada nação, semelhantemente organizada, devia depender de um diretor nacional, e os diversos diretores nacionais do conselho da ordem ou do areópago, com Spartacus-Weishaupt à frente. É dizer a prodigiosa difusão da seita dos iluminados, apenas sete anos após a sua fundação.

3° Terceiro período: descoberta e condenação do iluminismo. Tantos êxitos e tão grande extensão não podiam passar despercebidos, sobretudo na Alemanha, tanto mais que surgira uma viva desavença entre Spartacus-Weishaupt e Fílon-Knigge e que já haviam aparecido algumas publicações imprudentes. A polícia bávara, em particular, foi posta em alerta. Sem dúvida os iluminados souberam de início afastar-lhe as suspeitas e frustrar-lhe as investigações. Mas, em 1784, o eleitor da Baviera nem por isso deixou de decretar a proibição de toda comunidade, seita ou confraria secreta não aprovada pelas leis. Ora, nesse mesmo ano, um professor de Munique, Babo, começou a desvendar os projetos ocultos do iluminismo num livro intitulado Ueber Freimaurer. Warnung, besonders in Baiern, ou primeiro aviso sobre os franco-maçons. Além disso, em 1785, após o depoimento prestado sob juramento, a 3 e a 7 de abril, por Cosandey e Renner, completamente desenganados, Weishaupt foi destituído de sua cátedra de professor e refugiou-se em Ratisbona, de que fez momentaneamente a sua nova Elêusis, tão determinado quanto antes a prosseguir em suas tenebrosas maquinações.

Ali, enquanto passeava com um de seus adeptos, o sacerdote apóstata Lanz, que devia levar suas instruções à Silésia, esse sacerdote foi subitamente atingido por um raio, e, no primeiro momento de desordem, a polícia pôde apoderar-se de alguns papéis secretos que ele trazia escondidos nas vestes. Enfim, a 9 de setembro do mesmo ano, outros dois iluminados, Utzschneider e Grunsberger, contribuíram, por seus depoimentos, prestados igualmente sob juramento, para mostrar todo o veneno da seita. Weishaupt, em 1786, quis enfrentar o perigo.

Publicou, sob anonimato, uma carta a Utzschneider, outra a Cosandey, artigos e folhetos, tais como Gedanken über die Verfolgung der Illuminaten in Baijern; Apologie der Illuminaten e uma Vollständige Geschichte der Verfolgung der Illuminaten in Bayern. Nesses escritos procurou mostrar a inanidade das censuras dirigidas aos iluminados, a indignidade de seus denunciantes, a mentira dos depoentes, a ilegalidade das perseguições. Mas os quatro depoentes aceitaram o desafio. Reeditaram, completando-os, os Drei merkwürdige Aussagen die innere Einrichtung des Illuminatenordens in Bayern betreffend e publicaram Grosse Absichten des Ordens der Illuminaten. Além disso, Kandler, em seu Höchst nötige Beilage zu der vollkommenen Geschichte der Verfolgung der Illuminaten in Bayern, estabelece que Weishaupt, em sua história da perseguição dos iluminados, havia deturpado os fatos e reproduzido de maneira voluntariamente inexata as atas dos interrogatórios.

Era uma guerra de penas, cujo interesse foi de muito superado pela apreensão e publicação de documentos originais. Com efeito, a 11 e 12 de outubro de 1786, a polícia fez uma batida em Landshut, na casa de Catão-Zwack, e apoderou-se de várias peças originais que não deixaram a menor dúvida sobre o caráter antirreligioso, antissocial e anárquico do iluminismo. Havia ali mais de 200 cartas de Weishaupt a Zwack, Massenhaussen e Hertel, cartas de diversos areopagitas que «revelavam em seus autores ambições desmedidas e opiniões religiosas pouco ortodoxas». «Assim, acrescenta Le Forestier, Les illuminés de Bavière, p. 500, a maior parte das acusações lançadas contra os iluminados achavam-se justificadas: eram ímpios, conspiradores que queriam arruinar a religião, subjugar o governo civil, envenenadores, falsários, criminosos de direito comum.» Todos esses documentos foram publicados por ordem do eleitor da Baviera, a 26 de março de 1787, sob este título: Einige Originalschriften des Illuminatenordens, welche bei dem gewesenen Regierungsrath Zwack durch vorgenommene Hausvisitation zu Landshut den 11 und 12 Oktober 1786 vorgefunden worden. Massenhaussen e Hertel foram encarcerados.

Quanto a Weishaupt, refugiado então em Ratisbona, já não podia negar; alegou ao menos circunstâncias atenuantes em dois folhetos, um, Einleitung zu meiner Apologie, outro, Bemerkungen über einige Originalschriften, aparecidos em 1787, nos quais lançava suspeita sobre a autenticidade dos documentos impressos e pretendia que eles não justificavam nenhuma das acusações lançadas contra os iluminados. Eram, dizia ele, opiniões privadas, referentes a uma época de tateamentos, da qual se havia sabiamente saído, e publicou Das verbesserte System der Illuminaten mit allen seinen Graden und Einrichtungen, para mostrar a ordem sob uma luz diferente e de modo algum repreensível. «Infelizmente para a sinceridade de Weishaupt, diz Le Forestier, Les illuminés de Bavière, p. 520, é impossível considerar esse pretenso sistema como outra coisa que um embuste destinado a desencaminhar a opinião pública, apresentando-lhe um documento forjado para as necessidades da causa.» Essa impostura de Weishaupt devia ser denunciada, em 1794, pelo autor anônimo da Histoire critique des grades illuminés.

Entrementes, a polícia, numa busca feita em casa de Bassus, no castelo de Sandersdorf, apoderara-se de novas peças originais, que foram igualmente publicadas sob o título: Nachtrag von weiteren Originalschriften, welche die Illuminatensekte überhaupt, sonderbar aber den Stifter derselben Adam Weishaupt gewesenen Professor zu Ingolstadt betreffen und bei der auf dem Baron Bassusischen Schlosz zu Landersdorf, einem bekannten Illuminaten Neste, vorgenommenen Visitation entdeckt, etc. Essas novas revelações esmagavam Weishaupt, que retomou a pena para escrever duas novas memórias defensivas: uma Kurze Rechtfertigung meiner Absichten, breve justificação de suas intenções, depois um suplemento a essa justificação, Nachtrag zur Rechtfertigung meiner Absichten, que não conseguiram branqueá-lo.

4° Quarto período: o declínio. 1. Weishaupt abandona a luta. A descoberta e a publicação desses documentos comprometedores desferiram um golpe funesto à seita dos iluminados. Foram tomadas sanções na Baviera; o eleitor mandou condenar vários adeptos, uns ao exílio, outros à prisão, mas esteve longe de atingi-los todos, e sua repressão não teve todos os resultados desejáveis, tanto mais que foi o único na Alemanha a intentar processos. O grande chefe encontrara um refúgio seguro junto ao duque de Saxe-Gotha, conhecido na seita pelo nome de Timoleão. Parece ter-se desinteressado doravante de sua obra, e passou os quarenta últimos anos de sua vida a compor obras de filosofia e de moral, cujas características distintivas, no dizer de Le Forestier, Les illuminés de Bavière, p. 558, são o empolamento, a insipidez e a monotonia.

2. Vã tentativa de Bode e de Bahrdt. Condenada na Baviera, a seita não conseguiu manter-se fora dela. Foi somente na Saxônia que Amélio-Bode tentou proporcionar-lhe novos aderentes. Para desviar a atenção pública da ordem dos iluminados, imaginou fazer correr o boato de que a maçonaria era secretamente dirigida pelos jesuítas.

Tendo conseguido recrutar alguns adeptos, em 1787 julgou ter salvado a ordem; procurou mesmo emendá-la sob um nome novo, mas sem o conseguir. Morreu em 1793. Por outro lado, alguns iluminados, para aumentar sua influência, tentaram utilizar a União alemã dos vinte e dois, Die deutsche Union der Zweiundzwanziger, fundada por Bahrdt; era uma sociedade de propaganda racionalista e anticristã por meio do livro, do jornal, das revistas, das bibliotecas e dos círculos de estudos. Mas essa União foi atingida, em 1788, por Frederico Guilherme da Prússia, por seu transbordamento de impiedade. Todas as tentativas de continuar a obra de Weishaupt permaneciam vãs. A ordem dos iluminados já não existia; conservou apenas alguns adeptos secretos no seio das universidades.

3. O iluminismo e a Revolução francesa. Teria ele tomado parte na conspiração das lojas francesas que preparavam a revolução? É certo que, desde 1782, Spartacus-Weishaupt e Fílon-Knigge haviam formado o projeto de fazer penetrar sua sociedade na França; mas, por receio de alguma explosão prematura que poderia traí-los, não se apressaram em levar suas conquistas além de Estrasburgo. Havia, porém, na França, além de Diétrich, prefeito de Estrasburgo, um iluminado de marca, Mirabeau, que, durante uma de suas viagens à Alemanha, se fizera receber em Brunswick pelo professor Mauvillon, discípulo de Knigge. E quando, em 1787, Amélio-Bode e Bayard-Busch foram a Paris para conferenciar com as lojas, Mirabeau dirigiu esses irmãos vindos da Alemanha ao comitê dos Amigos Reunidos, onde se reuniam, de todas as lojas parisienses, os partidários mais resolutos da revolução e os mais adiantados nos mistérios. Que resultou dessa visita? É o que nenhum documento nos ensina; mas não é temerário crer que o fim secreto perseguido pelos iluminados não desagradava aos exaltados e não deve ter permanecido alheio às decisões tomadas pelo clube dos Jacobinos.

4. Influência racionalista do iluminismo. Se a ordem dos iluminados já não existia, contava sempre com alguns representantes, notadamente nas universidades, entre os professores eclesiásticos que propagavam o espírito novo. Um sacerdote de Liefenbach, da diocese de Spira, Filipe Brunner (†1829), conhecido na seita pelo nome de Pico della Mirandola, havia traçado para a Alemanha o plano de uma academia de ciências, sob a alta proteção do coadjutor de Mogúncia, Crescens-Dalberg. Entre os membros dessa academia achavam-se antigos religiosos e sacerdotes, entre outros Werkmeister (†1823), F. Blau (†1798) e Wreden, partidários de um racionalismo que ameaçava o sobrenatural e a fé. Ora, eram iluminados comprovados, e não eram os únicos na Alemanha.

Entre os mais conhecidos contam-se dois teólogos em Mogúncia, F. Blau, já nomeado, e Lourenço Isenbiehl (†1818); em Bonn, Eulogius Schneider, que, depois de se pôr a serviço do bispo constitucional de Estrasburgo, morreu no cadafalso, em 1794, e um dos patronos do josefinismo, Ph. Hedderich (†1808); em Wurzburgo, o historiador F. Berg (†1821), de quem Hurter disse: Vir liberrimæ sentiendi licentiæ, in cujus dictis jam semina reperiuntur illius criticismi sæculi XIX omnia in dubium vocantis et religionem catholicam funditus evertentis, Nomenclator literarius, Inspruck, 1886, t. iii, p. 837; e Oberthur, cujas tendências protestantes Perrone assinalou. Prælect. theol., t. vii, De sacramentis in genere, n. 76. Como antigos iluminados ainda detinham o comando do ensino e das administrações eclesiásticas, importava prevenir o perigo que faziam correr à fé e à disciplina. As concordatas assinadas pela Santa Sé com a Baviera, em 1817, e com a Prússia, em 1821, contribuíram em parte para paralisar sua ação, sem conseguir destruí-la completamente.

Um antigo iluminado, que fora vigário-geral de Constança, o barão de Wessenberg, não pôde obter a aprovação do papa para ser elevado ao episcopado e continuou suas intrigas. Outro iluminado, o conde de Spiegel (†1835), tornado arcebispo de Colônia, abrira aos hermesianos as portas de seu cabido e da universidade de Bonn. Foi só aos poucos que desapareceram os restos do iluminismo e que a Igreja eliminou o racionalismo de que ele havia imbuído vários membros do clero.

Robison, Proofs of a conspiracy against all the religions and governments of Europe, carried on in the secret meetings of the freemasons, illuminati and reading societies, Edimbourg, 1797; Barruel, Mémoires pour servir à l'histoire du jacobisme, 3ª edit., Augsbourg, 1799; Starck, Der Triumph der Philosophie in XVIII Jahrhundert, Germantown, 1803; Mounier, De l'influence attribuée aux philosophes, aux francs-maçons et aux illuminés sur la Révolution de France, Tubingue, 1801; Zschokke, Bayerische Geschichte, Aarau, 1828, t. viii; Jarka, Vermischte Schriften. Munich, 1839, t. ii; Ruland, Series et vitæ professorum SS. theologiæ qui Wiceburgi usque ad annum 1834 docuerunt, Wurzbourg, 1835; Bruck, Die rationalistischen Bestrebungen in katholischen Deutschland, Mayence, 1865; Schwab, Franz Berg, geistlicher Rath und Professor der Kirchengeschichte an der Universität Würzburg, Wurzbourg, 1869; Kloss, Bibliographie der Freimaurer und der mit ihr in Verbindung gesetzten geheimen Gesellschaften, Francfort, 1844; Wolfstieg, Bibliographie der freimaurerischen Literatur, 1911; Funk, Histoire de l'Église, trad. franc., Paris, 1891, t. ii, p. 302; Wolframm, Die Illuminaten in Bayern und ihre Verfolgung, Erlangen, 1899, 1900; Engel, Geschichte des Illuminatenordens, Berlin, 1906; Le Forestier, Les illuminés de Bavière et la franc-maçonnerie allemande, Paris, 1914; Migne, Dictionnaire des hérésies, Paris, 1847, t. i, p. 825-826; Kirchenlexikon, 2ª edit., t. vi, col. 603-608; Realencyklopädie für protestantische Theologie und Kirche, Leipzig, 1901, t. IX, p. 61-08.

G. Bareille.

Autor original: G. Bareille

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