HUYGENS (GOMMAIRE)

HUYGENS (GOMMAIRE)

HUYGENS Gommaire nasceu em Lierre a 26 de fevereiro de 1631. Fez, ao que se crê, os seus estudos de humanidades na cidade natal. Enviado à universidade de Lovaina para seguir as lições de filosofia e admitido na « pedagogia do Falcão », foi proclamado segundo no concurso geral da faculdade de artes, em 1618. Entrou em seguida como estudante de teologia no grande colégio do Espírito Santo, que então era dirigido por João Sinnichius. Quatro anos depois, foi chamado de volta ao Falcão e encarregado de ali dar um curso de filosofia. Esse posto valeu-lhe, em virtude dos privilégios da universidade e da faculdade de artes, uma prebenda canonical no capítulo de São Bavão em Gand; só tomou, porém, posse de seu canonicato em 1665, e já em 1668 o resignou em favor de seu irmão Guilherme. Seu ensino no colégio do Falcão prosseguiu durante dezesseis anos com grande êxito. Mas ele levava simultaneamente adiante os seus estudos de teologia, e a 5 de novembro de 1668 obtinha o barrete de doutor nessa ciência.

Por volta do fim do mesmo ano, partiu para Roma com seu colega Odibric Randaxhe, a fim de negociar ali, em nome da universidade, a restituição do privilégio de nomeação para certos benefícios; e os dois deputados, após conversações bastante laboriosas, iniciadas sob Clemente IX e depois retomadas sob Clemente X, tiveram a satisfação de ver seus esforços coroados de êxito. Por breve apostólico de 10 de outubro de 1673, Clemente X restabeleceu a universidade de Lovaina em todos os seus direitos anteriores. De volta de Roma, Huygens foi nomeado leitor, ou professor de teologia, no colégio do papa Adriano VI. Essa nomeação marca o início de sua grande atividade literária. É então, com efeito, que ele começou essa longa série de volumes e de publicações na qual se lamenta perceber, com demasiada frequência, a influência das idéias jansenistas. Quando ainda estudante, havia-se mais ou menos enamorado das doutrinas do Augustinus. Em seguida, ligado por amizade a Antoine Arnauld e a Quesnel, pertenceu àquele grupo bastante compacto de seus aderentes lovanienses, ao qual pertenciam também van Vianen, De Swaen, Pasmans, Hennebel e van Espen. Suas opiniões e suas relações atraíram-lhe contradições e polêmicas cujo rastro reencontraremos adiante, na nomenclatura de seus trabalhos.

Sucedeu em 1677 a François van Vianen como presidente do colégio Adriano VI. Um de seus primeiros cuidados, nesse novo encargo, foi editar para o estabelecimento um regulamento em harmonia com as tendências severas e rigoristas do jansenismo. Continuou, aliás, a imprimir, como anteriormente, aos estudos teológicos ao seu redor um desenvolvimento considerável. Talvez jamais professor tenha redigido e feito defender sob sua direção tão grande número de teses públicas; e cumpre acrescentar que suas teses, ordinariamente escolhidas com grande preocupação de atualidade, são daquelas que apreendem e abarcam completamente os assuntos que abordam. Não podendo enumerá-las todas, daremos ao menos adiante alguns espécimes bastante característicos. Várias, como não surpreenderá, dizem respeito às controvérsias do autor, seja com os jesuítas Bolck e De Vos, seja com Martin Steyaert, também ele doutor de Lovaina, mas muito oposto às idéias e tentativas inovadoras.

Graças ao seu proselitismo científico e às múltiplas formas sob as quais ele se manifestava, Huygens gozava de alta consideração nos meios universitários. Eis a apreciação que dele dá uma coletânea contemporânea, os Fasti doctorales S. Facultatis theologiæ : Habebatur Huygenius scholæ theologicæ decus; in proponendis argumentis et solvendis difficultatibus adeo erat acutus, ut nihil eo tempore jucundius videretur quam audire in disputationibus academicis Huijgenium argumentantem et Steyaertium præsidentem, quocum illi fuerunt continua quoad doctrinam de gratia dissidia.

Em 1681, foi promovido a uma das cátedras mais importantes, aquela à qual competia o comentário do livro das Sentenças de Pedro Lombardo e da Suma teológica de São Tomás. A 30 de setembro de 1687, era eleito membro da « estreita faculdade de teologia », isto é, daquele grupo especial de professores que era depositário da autoridade diretriz na faculdade; mas por causa das tendências que refletiam seus livros, suas teses e todo o seu ensino, nem a Santa Sé nem o governo consentiram em ratificar a sua eleição, e suas diligências para triunfar sobre a desconfiança que inspirava a uma e ao outro foram vãs. Quando, em 1699, ele se lembrou, em desespero de causa, de reclamar a esse respeito junto ao conselho do Brabante, o rei proibiu o conselho de ocupar-se desse assunto. Por volta da mesma época, a 29 de abril de 1697, e pelas mesmas razões, o arcebispo de Malines, Humbert de Precipiano, retirando-lhe a jurisdição em sua diocese, o obrigava a cessar todo ministério de confessor e de pregador.

Mas essas humilhações merecidas não o impediram de prosseguir com rara constância a sua carreira de professor, de presidente e de escritor. Aliás, a despeito de suas polêmicas e de seus desentendimentos com as autoridades civis ou eclesiásticas, soube sempre conservar a estima e a simpatia de grande número de seus colegas da universidade. Por duas vezes, em 1678 e 1679, foi levado pela escolha deles às honras do reitorado, que então só era conferido por um semestre.

Morreu em Lovaina, a 27 de outubro de 1702, e foi sepultado na capela daquele colégio Adriano VI, cuja direção exerceu durante vinte e cinco anos. No epitáfio que lhe foi consagrado, é proclamado ingenio summus, doctrina et pietate eximius, laboribus pro Ecclesia indefessus, pro veritate fortis et constans, inter persecutiones invictus. Ao mesmo tempo que presta homenagem às suas grandes qualidades, a história imparcial é obrigada a constatar que suas lutas pela verdade, suas perseguições, suas virtudes de força, de firmeza e de resistência não são das que fizeram os mártires ou os confessores da fé católica. Huygens foi um trabalhador infatigável, um escritor abundante e fecundo, um espírito singularmente apto e ardente para o labor do estudo, do ensino e da controvérsia, mais dócil, infelizmente, às inspirações do amor-próprio e às influências das pequenas panelinhas do que às orientações da Santa Sé.

Eis a lista de seus principais trabalhos. Apenas um foi redigido em flamengo e um em francês; os demais são em latim. Indico-os sumariamente e seguindo, tanto quanto possível, a ordem cronológica das primeiras edições.

1° Aenleydinge tot de waerachtige liefde Godts, door de kennisse Godts ende door het uitleggen van dese navolgende ende meer andere vragen : Wat dat is Godt beminnen, op wat maniere, hoe seer, om wat reden Godt moet bemind worden, welck zyn de Merk-teekenen van dese liefde, en hoe men die liefde kan bekomen, in-12, Louvain, 1673. É, sobre o amor de Deus, um resumo completo, ou pouco falta, das teorias jansenistas.

2° Methodus remittendi et retinendi peccata, in-8°, Louvain, 1674. Três anos mais tarde, saiu dela uma tradução francesa : Méthode que l'on doit garder pour donner ou différer l'absolution dans l'usage du sacrement de pénitence, in-12, Prélart, 1677. Mas, por um decreto de 28 de agosto de 1681, a Inquisição espanhola proibiu este livro, « como contendo proposições ou já condenadas em Jansênio, ou temerárias, e uma doutrina que pode afastar os fiéis da freqüentação e os confessores da administração do sacramento da penitência. » No próprio ano de sua publicação, a Methodus foi atacada num volume intitulado : Responsio brevis ad librum cui titulus : Methodus remittendi..., authore Francisco Carolo Reymakers, theologo, in-12, Louvain, 1674. Reymakers era um pseudônimo. O autor da Resposta, que saiu em Bruxelas e em Mogúncia aproximadamente ao mesmo tempo que em Lovaina, era o frade menor François Cauwe. Huygens replicou com :

3° Apologia Gummari Huygens Lyrani pro methodo remittendi et retinendi peccata, adversus Responsionem brevem authore, ut se vocat, Francisci Caroli Reymakers, in-8°, Louvain, 1674.

4° Compendium theologiæ, id est, thèses ex I, II et III, IV partibus D. Thomæ, hebdomadatim defensæ ab anno 1672 usque ad 1679, in collegio Adriani VI pontificis, præside ex. viro Gummaro Huygens, in-4°, Louvain, 1679. Esta coletânea, enriquecida com as teses dos anos seguintes, foi reimpressa em 1684 e 1687. Por volta da mesma época, a maioria dos lovanienses favoráveis ao jansenismo procurava igualmente difundir suas idéias por meio de teses lançadas ao público. Havia aí uma tática sabiamente combinada, que Steyaert, o irredutível adversário dos inovadores, assinalava nestes termos : Notum est, cum thèses hujusmodi majores hic volitare solerent, etsi e variis collegiis, ex una tamen mente eas prodiisse. Distributus erat labor, sed unum opus. In hac thesium collectione constare debebat tota theologia; jam discipuli Sylvios, Wiggeros et nescio an non Aquinates ipsos venum exponere cœperant. Omnia ipsis futura erat hæc thesium summa. Essas reflexões de um contemporâneo perspicaz bastariam para justificar a atenção que concedemos às teses e às outras produções semelhantes de Huygens. O Compendium foi posto no Índice por decreto do Santo Ofício datado de 17 de janeiro de 1691. O autor tentara em vão desviar o golpe por meio de sua memória :

5° Justificatio Compendii theologici eximii Huygens, domini G. S. th. doctoris Lovanii, adversus duodecim accusationis puncta, sanctissimo domino nostro Innocentio præsentata, in-4°, Cologne, s. d., mas seguramente impresso por volta de 1688.

6° Conferentiæ habitæ inter varias S. Theologiæ alumnos Lovanii, præsidente Gummaro Huygens. Huygens fez aparecer sucessivamente, com este título geral, cinco séries ou partes, como ele próprio diz, de conferências « realizadas sob sua presidência » e sobretudo, como bem se adivinha, sob sua inspiração. Seguindo a ordem de publicação, encontramos : Pars prima, in-8°, Louvain, 1678, contendo trinta e oito conferências realizadas em 1673 e 1674 e relativas aos tratados De Deo uno, trino, creatore, redemptore, et De Ecclesia; Pars secunda, in-8°, Louvain, 1690, encerrando dezenove conferências sobre os tratados De sacramentis in genere, De baptismo, De confirmatione, De eucharistia, De pœnitentia et indulgentiis; Pars tertia, in-8°, Louvain, 1692 : onze conferências De sacramentis extremæ unctionis et matrimonii; Pars quarta, in-8°, Liège, 1693 : dezenove conferências, cuja matéria é indicada no subtítulo : Conferentiæ de virtutibus theologicis vitiisque oppositis, de mediis quoque pro illis et remediis adversus hæc; Pars quinta, in-8°, Liège, 1693 : trinta e oito conferências, com este título especial : Conferentiæ de virtutibus cardinalibus mediis et annexis, vitiisque oppositis, de mediis quoque pro illis et remediis adversus hæc.

Coisa a notar : em nenhum lugar, nem em suas Conferentiæ, nem em seu Compendium, Huygens aborda a exposição da autoridade do sumo pontífice.

7° Instructio theologica valde utilis ac salutaris pastoribus et confessariis secundum doctrinam SS. Augustini, Thomæ, Caroli Boromæi, Salesii aliorumque SS. Patrum, in-8°, Louvain, 1687. Este volume não contém, quanto ao fundo, nada de novo. Reuniram-se nele simplesmente, sem que uma palavra de prefácio explique a razão e a oportunidade do fato, as obras mencionadas acima sob os números 2, 3, 4, assim como a Pars prima do n° 6. Em 1688, em dois opúsculos impressos em Mogúncia, um jesuíta, Gérard Bolck, sob o pseudônimo de Erasmus Pilius, criticou vivamente as opiniões de Huygens sobre as relações entre a liberdade e a graça. A resposta não se fez esperar. Apareceu sob a forma de :

8° Thèses theologicæ de libertate sive potentia amore libera generaliter, de libertate in beatifico, de libertate sive potentia libera sine gratia, adversus fictitium Erasmum Pilium, quas, præside Gummaro Huygens, defendet J.-B. Van Boterdael, Bruxellensis, in-4°, Louvain, 1688. Mas o P. Bolck voltou à carga, dando a lume Dogma Gummarianum de libertate, orbi natum anno 1679, renatum anno 1687, 10 Julii, ac rursum anno 1688, mense aprili, resuscitatum, suomet auctori considerandum ac sanctæ sedi judicandum proponitur. Daí duas novas respostas do acusado, a saber :

9° Thèses theologicæ de libertate in amore novum Erasmi cum beatifico, adversus libellum Pilii, cum Appendice contra thesim eximii cujusdam Patris; quas, præside Gummaro Huygens, defendet J.-B. Van Boterdael, Bruxellensis, in-4°, Louvain, 1688;

10° Thèses de libertate sine gratia adversus novum libellum Erasmi Pilii, cum Appendice contra alium libellum evulgatum vario nomine Cypriani a S. Hieronymo, quas præside Huygens Van G. defendet J.-B. Boterdael, in-4°, Louvain, 1688. Vê-se, pelos dois apêndices mencionados, que os ataques não vinham de um só lado.

11° Mémoire sur l'affaire de M. Huygens, docteur en théologie de la faculté de Louvain, in-4°, Louvain, 1688. Trata-se aqui da admissão na « estreita faculdade », de que se falou acima, e não há dúvida de que Huygens seja o autor da defesa pro domo, embora a coisa não seja dita expressamente.

12° Thèses theologicæ, id est, articuli theologorum Lovaniensium, exhibiti ill.mo ac rev.mo D.no archiepiscopo Mechliniensi causa concordiæ ineundæ cum RR. Patribus Societatis Jesu et aliis, quas præside G. Huygens defendet Joannes Brauwer, Gemblacensis, in-4°, Louvain, 1685. Estas teses, além do pensamento de seu inspirador, representavam o de três de seus colegas, que as haviam aprovado : van Vianen, Pasmans e Hennebel. Isso certamente não bastava para torná-las inatacáveis. Por isso mesmo o P. de Vos, jesuíta, opôs-lhes incontinenti Anti-thèses. Mas Roma pôs umas e outras no Índice, no decorrer desse mesmo ano. Queria-se, ao que parece, cortar uma discussão que, prolongando-se, só poderia azedar-se. Contudo, antes sem dúvida de essa dupla condenação ser conhecida em Lovaina, vemos, no curso de 1685, a disputa prosseguir de ambos os lados. Huygens, sempre na brecha, lançou ainda, de sua parte, em algumas semanas, três pequenas coletâneas :

13° Thèses theologicæ adversus Anti-theses oppositas nuperis thesibus nostris, id est, articulis theologorum Lovaniensium..., in-4°, Louvain, 1685 (20 août);

14° Thèses theologicæ refutatoriæ Apologiæ pro nuperis Anti-thesibus..., in-4°, Louvain, 1685 (31 août);

15° Thèses theologicæ quibus examinantur præliminaria per quæ Patres Societatis et alii conati fuerunt sese excusare ab exhibitione suarum sententiarum, ad quam per contractum de conferentia ineunda sese obstrinxerant..., in-4°, Louvain, 1685 (15 septembre).

16° Sob o título de Brèves observations, Huygens publicou em Liège, em seus últimos anos, uma longa série de pequenos tratados, cuja composição bastaria, ao que parece, para preencher uma vida menos ocupada e menos ativa que a sua. Para me limitar a uma enumeração cronológica, cito : 1. Breves observationes circa munus concionatoris, in-8°, 1693; 2. De actibus humanis et de passionibus animæ, item de virtutibus et vitiis in genere, in-8°, 1694; 3. De peccatis et legibus, item de justificatione et merito, in-8°, 1694; 4. De doctrina sacra et locis theologicis, item de Deo Opt. Max. et attributis divinis, in-8°, 1694; 5. De SS. Trinitate, de angelis et de homine integro et lapso, in-8°, 1695; 6. De Verbo incarnato, in-8°, 1695; 7. De sacramentis in genere et de tribus primis in specie, in-8°, 1695; 8. De sacrificio missæ, sacramentis pœnitentiæ, extremæ unctionis et ordinis, in-8°, 1696; 9. De sacramento matrimonii et quatuor novissimis, in-8°, 1697; 10. De prudentia, jure, justitia et restitutione, in-8°, 1697; 11. De religione et actibus ejus : oratione, voto, juramento, adjuratione, etc., in-8°, 1698; 12. De superstitione et sacrilegio oppositis religioni et virtutibus huic annexis, item de fortitudine et temperantia cum annexis, in-8°, 1698; 13. De contractu in genere et de speciebus contractuum, in-8°, 1701; 14. De fide, spe et charitate, suppletis iis quæ ob mortem auctoris deerant, in-8°, 1703 (póstumo); 15. De judiciis, de beneficiis, de simonia. Pro altero supplemento brevium observationum, in-8°, 1707 (póstumo); enfim, 16.

Tractatus historico-theologicus de gratia contra pelagianos et semi-pelagianos simulque adversus quorumdam catholicorum errores, serviens pro tertio supplemento brevium observationum, 2 in-8°, 1713. Estes dois últimos volumes não são, tais como estão, obra de Huygens; mas foram redigidos segundo suas notas e suas lições. Os quinze outros tratados desta coleção bastarão para fazer ressaltar sua espantosa fecundidade. Notar-se-á, com efeito, que não se trata, como no caso das teses, de simples esboços, de rascunhos magramente guarnecidos, de fascículos contando cada um uns 20, 30 ou 40 páginas, mas de volumes respeitáveis, oscilando na maioria entre 400 e 600 páginas.

Cumpre ainda mencionar, na categoria dos opúsculos ou tratados breves :

17. Responsio ad articulos quadraginta duos quos Martinus Harincx et Martinus Steyaert attestantur, authoribus Gummaro Huygens aliisque, ut loquuntur, unanimibus et confœderatis, quia clam quia palam serpere et circumferri, tradi et inculcari apud scholæ theologicæ alumnos, non sine ingenti periculo infectionis, in-4°, Louvain, 1691. Esta Responsio, que interessava a vários teólogos, nasceu também, ao que parece, da colaboração de vários. Mas Huygens é geralmente considerado como o autor principal ou, pelo menos, como um dos autores. Foi atacada numa Synopsis anônima, que provocou por sua vez :

18. Refutatio Synopseos opponendorum Responsioni ad articulos XLII Ex. D. Gummari Huygens et aliorum, in-4°, Louvain, 1691. Vieram em seguida : 19. Responsio Gummari Huygens ad accusationes contra se allegatas in libello cui titulus : Responsiones per Belgium disseminatæ, etc., in-4°, Liège, 1694; 20. Apologia doctoris Huygens adversus accusationes tres pertinentes ad officium confessarii, in-8°, Liège, 1697; 21. Epistola theologi Lovaniensis ad theologum Leodiensem de eximio domino Gummaro Huygens, in-4°, Liège, 1697; 22. Epistola altera theologi Lovaniensis ad theologum Leodiensem de eximio dom. G. Huygens, facultate concionandi et confessiones excipiendi, post triginta annorum possessionem, nuper interdicto, in-4°, Liège, 1697; 23. Declaratio Gummari Huygens de epistola a Steyaertio vulgata et tangente argumentum de sigillo confessionis et inquisitione complicis, in-4°, 1697; 24. Monitum occasione scripti cui titulus : Theologorum Lovaniensium resolutio practica de absolutione in articulo mortis, etc., in-8°, Louvain, 1699.

Que se julgue, a partir desta nomenclatura, se eu tinha razão em ver em Huygens um trabalhador e um polemista infatigável, um escritor de inesgotável produtividade. E ainda assim só assinalei uma ínfima parte das teses redigidas por ele para as discussões públicas que dirigia no colégio Adriano VI. Diante de tantos esforços, de tanta tenacidade e ardor no labor estudioso, de tal flexibilidade e virtuosidade de dialética, deve-se deplorar tanto mais vivamente que a melhor parte desses dons e de uma carreira tão cheia tenha sido consagrada à defesa de opiniões condenáveis ou já condenadas, e a lutas mais ou menos dissimuladas contra a autoridade legítima.

Paquot, Supplément des Fasti doctorales Lovanienses, manuscrit, dans les mss de la Bibliothèque royale de Bruxelles, fonds Goethals; Feller, Dictionnaire historique, Paris, 1828, t. ix; Hurter, Nomenclator, Inspruck, 1910, t. iv, col. 722-723; Reusens, art. Huygens, na Biographie nationale de Belgique, 1886-1887, t. ix, col. 729-746.

J. Forget.

Autor original: J. Forget

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