HUGO DE BALMA

HUGO DE BALMA

HUGO DE BALMA, escritor cartuxo da segunda metade do século XIII, autor de uma obra sobre as vias interiores, cuja paternidade lhe foi por muito tempo contestada. Essa obra é conhecida sob três títulos diversos. Nas obras de são Boaventura, é intitulada Theologia mystica, e foi muitas vezes considerada uma das verdadeiras obras do doutor seráfico. Em 1534, os cartuxos de Colônia a fizeram aparecer numa coletânea de opúsculos espirituais de Dionísio, o Cartuxo, e lhe deram o seguinte título, que ela trazia em quatro velhos manuscritos: Hugonis carthusiani authoris vetusti, de triplici via ad sapientiam et divinorum contemplationem, opusculum plane aureum. Enfim, segundo o uso dos antigos copistas, chamava-se-a, na Idade Média, o Viæ Sion lugent, isto é, o tratado cujo começo é formado por essas palavras de Jeremias. Cf. Mougel, La Chartreuse de Dijon, Montreuil-sur-Mer, 1898, t. i, p. 414.

Quando a crítica severa não permitiu mais manter a atribuição da Theologia mystica a são Boaventura, sustentou-se que o autor só poderia ser um frade menor, provavelmente Henrique de Baume, parente e confessor de santa Coleta, falecida em 1439. Ver VI, col. 2190 sq. No século XVII, o P. Teófilo Raynaud, jesuíta, pretendeu que Gerson era o verdadeiro autor dessa obra. Cf. Opera, t. xi, p. 285. Em nossos dias emitiu-se a hipótese de que o autor bem poderia ser certo Hugo de Balma, bisontino, mestre em artes em Paris, em 1403. Cf. Études religieuses, 1900, p. 695, nota 1. Mas a honra de ter composto a Theologia mystica cabe a um cartuxo, cuja época precisa e o mosteiro em que vivia fixaremos em breve. Com efeito, o texto publicado pelos cartuxos de Colônia ex quatuor vetustissimis manuscriptis exemplaribus, diz o editor no fol. 290 a, revela a profissão cartusiana de seu autor, que, na I parte, tratando da vida purgativa e falando dos benefícios particulares recebidos da divina bondade, propõe antes de tudo a seu discípulo o conselho de render graças a Deus por tê-lo chamado à ordem dos cartuxos, onde a vida solitária é modelada sobre a vida de Nosso Senhor no deserto e sobre a de seu precursor, são João Batista.

Na verdade, na edição da Theologia mystica feita em Estrasburgo, em 1495, no t. ii das obras de são Boaventura, e em alguns manuscritos, essas palavras elogiosas aos cartuxos foram corrigidas, completadas por uma frase sobre a pobreza, e adaptadas ao gênero de vida dos filhos de são Francisco; mas nem por isso é menos certo que, independentemente do texto publicado em Colônia, em 1534, a maior parte dos manuscritos só fala dos cartuxos e atesta que, na edição estrasburguesa, uma interpolação foi feita de propósito em favor dos religiosos franciscanos. Aliás, a doutrina da obra convém inteiramente à vida contemplativa dos cartuxos, e nem sempre corresponde às exigências da vida apostólica de um frade menor. É a observação judiciosa que fazia, no século XVII, dom Charles Le Couteulx. Annales ord. cartus., t. iii, p. 311-312. Ele diz também que, em seu tempo, a Theologia mystica se encontrava manuscrita nos arquivos de várias casas da ordem e sempre com a atribuição a um cartuxo.

O exemplar da Grande-Chartreuse, que tinha à sua disposição e que estimava ter sido escrito no século XV, está atualmente conservado na biblioteca da cidade de Grenoble, no códice n. 863, fol. 230 a-270 b. É intitulado Theologia mystica sub duplici tractatu : primo, theorico et speculativo ; secundo, practico et quasi activo, fratris Hugonis de Balma, cartusiensis. Ver Catalogue général des mss de la ville de Grenoble, p. 145, n. 406. Os redatores desse Catálogo julgaram, como dom Le Couteulx, que o códice é do século XV. Outro manuscrito da mesma época (depois de 1448) encontra-se em Paris, na Bibliothèque nationale, n. 13605. No mundo literário, é muito conhecido sob o nome de códice Allatianus ou Biscianus da Imitação de Jesus Cristo atribuída a João de Canabaco. Ora, entre os numerosos opúsculos reunidos pelo mesmo copista nesse códice, a Theologia mystica Hugonis de Palma, cartuxo, ocupa as folhas 101-145. Cf. Puyol, L'auteur du livre De Imitatione Christi, 1ª seção, Paris, 1899, p. 228, 235; Descriptions bibliographiques des mss du livre De Imitatione Christi, Paris, 1898, p. 15 sq., 477.

Pelo fim do século XVI, o doutor Francisco Lamata, que fez imprimir em Roma uma nova edição dos opúsculos de são Boaventura, num aviso ao leitor, reconheceu que, na edição de Estrasburgo, o texto da Theologia mystica fora interpolado, e que um manuscrito antigo, cuja época não precisava, trazia a menção favorável aos cartuxos. Em nossos dias, os sábios editores das obras completas de são Boaventura, os frades menores do colégio de Quaracchi, perto de Florença, foram levados duas vezes a tratar da questão do verdadeiro autor da Theologia mystica e, com louvável imparcialidade, concluíram sempre que essa obra foi composta por um cartuxo. A primeira manifestação de seu juízo encontra-se nos Prolegômenos do t. viii (1898), c. a. 2, n. 11, p. CXI, onde, contrariamente ao parecer de Wadding, observam que já os antigos editores duvidavam da atribuição dessa obra ao doutor seráfico, seja por causa da diferença de estilo, seja por causa do testemunho dos manuscritos, de Gerson e de vários outros autores que a atribuem a fr. Hugo ou Henrique de Balma. Existem ainda, dizem eles, mais de cinquenta manuscritos que, com exceção de alguns anônimos, trazem o nome de Hugo de Balma com a menção expressa de que é cartuxo. Um número muito pequeno de códices, e todos de data recente, trazem o nome de são Boaventura. É porque a Theologia mystica é intitulada em vários manuscritos De triplici via ad sapientiam, que é também o título de um tratado autêntico de são Boaventura, que se confundiram as duas obras e que foram atribuídas ao santo doutor.

Em 1892, na dissertação I do t. x, p. 24, os sábios editores completaram seu primeiro juízo com várias observações capazes de determinar de modo mais preciso o nome do autor e a época em que vivia. Dizem que a biblioteca de Trèves possui uma coletânea de obras manuscritas do século XIV-XV, n. 234 (antigo 158), que contém o Tractatus de triplici via ad Deum. Viæ Sion lugent, etc. A escrita desse tratado pareceu ao P. Fidelis a Fanna, paleógrafo muito perito, ser do século XIII. Sine dubio, dizia ele numa nota, est e seculo XIII. À margem do códice, um anônimo do século XV escreveu: Dominus Henricus de Balma dicitur auctor sequentis libri, qui fuit carthusianus. Os franciscanos concluem: « Se quisermos ater-nos ao testemunho dos manuscritos, é preciso admitir que o autor é um cartuxo. Temos conhecimento de cerca de 70 códices, incluindo os fragmentos e as traduções, sete italianas e duas espanholas. Um bom número desses manuscritos é anônimo; só três trazem o nome de (são) Boaventura, dois trazem o de João de Balma (ou dos frades pregadores, ou do excelente professor); uns quinze pelo menos são favoráveis a um cartuxo, chamado às vezes Henrique ou Hugo de Balma. Enfim, é preciso notar também que jamais se acrescentou a esse último nome a menção de que tivesse sido frade menor. »

Graças a uma benévola comunicação dos mesmos religiosos, sabemos que o P. Fidelis havia anotado seis traduções italianas manuscritas: Florença, biblioteca Laurenciana, n. 19 da biblioteca Leopoldi Biscionianae, em papel, in-8°, do século XIV-XV; Údine, biblioteca do arcebispado, Q. 26, VI, 2, em pergaminho, in-4°, pelo fim do século XIV ou começo do XV; Gênova, biblioteca da universidade, A. III, 30, em papel, in-4°, século XV; Veneza, biblioteca de São Marcos, 1ª categ., LVIII, em papel, in-16, século XV; Verona, biblioteca da cidade, n. progressivo 498-503, em papel, in-4°, do século XIV-XV; Nápoles, biblioteca nacional, D. I. E. 29. Enfim, parece que a biblioteca da cidade de Siena possuía outrora outra tradução italiana do século XV, indicada no catálogo pelas letras F. V. 20, pequeno in-fol., em papel.

Em 1852, o P. Bartolomeu Sorio, do Oratório, publicou em Verona uma tradução italiana da Theologia mystica com vários outros opúsculos de são Boaventura traduzidos nel Trecento, isto é, no século XIV. A Theologia mystica ocupa o primeiro lugar no volume e traz este título: La Teologia mistica attribuita a S. Bonaventura gia volgarizzata prima 1367 da Domenico da Montecchiello Gesuato. Testo di Lingua citato dagli Accademici della Crusca. etc. Na dissertação preliminar, o sábio editor reivindica a obra para o cartuxo Hugo de Balma. Assim, de todos os lados, a crítica contemporânea, apoiada pela autoridade dos manuscritos e pelo próprio texto da obra, exclui qualquer outro candidato à paternidade da Theologia mystica e a atribui ao seu verdadeiro autor, Hugo de Balma, filho de são Bruno.

Mas em que época e em que mosteiro vivia Hugo de Balma? Até estes últimos tempos, tendia-se a seguir a conjectura de dom Charles Le Couteulx, que, Annales ord. cartus., an. 1205, t. iii, p. 313, havia julgado que Hugo de Balma, cartuxo de Meyriat, na Bresse, bem poderia ser o autor da Theologia mystica. Cf. Opera S. Bonaventurae, Quaracchi, t. x, p. 24. Mas se essa conjectura é uma realidade no que diz respeito ao mosteiro onde viveu Hugo de Balma, o mesmo não se dá quanto ao autor da Theologia mystica. Duas citações feitas nessa obra do comentário do célebre Tomás Gallo, abade de Santo André de Vercelli, sobre a Teologia mística do pseudo-Dionísio Areopagita, demonstram que o cartuxo Hugo de Balma, antigo cavaleiro e viúvo, entrado em Meyriat por volta do ano 1100 (cf. dom Le Couteulx, op. cit., t. I, p. 215, an. 1116) e morto por volta do ano 1205, não pode ser o verdadeiro autor procurado. Com efeito, Tomás Gallo, vitorino, foi primeiro prior de Santo André de Vercelli, de 1223 a 1226. No mês de fevereiro desse último ano 1220, um diploma de Frederico II já lhe dá o título de abade. Em 1243, ainda vivia, e só em 1246 teve um sucessor na pessoa do abade Aufossus, que governou o mosteiro até 1282. Ele provavelmente faleceu, portanto, por volta de 1240. Cf. Puyol, L'auteur du livre De Imitatione Christi, etc., p. 106-105.

Embora se ignore a época em que Tomás Gallo compôs seu comentário, a qualidade de commentator Vercellensis que lhe dá o texto do cartuxo prova que este não conhecia Tomás senão como abade de Vercelli. Ora, na Idade Média, os escritores tomavam emprestado sem escrúpulo textos das obras de seus contemporâneos, sem indicar as fontes em que haviam haurido sua doutrina, a menos que as citações fossem tiradas dos Padres e dos doutores mais célebres. Cf. Puyol, op. cit., p. 420-422. Ao citar esses dois autores, Hugo de Balma revela ele mesmo a época em que escrevia, a saber, a segunda metade do século XIII. Parece ter ignorado as obras de são Boaventura, como o santo doutor parece não ter conhecido seu tratado. Com efeito, Gerson, De elucidatione scholastica Mysticæ theologiæ, diz que, sobre uma questão importantíssima da vida interior, quod amor est absque cognitione, são Boaventura, em seu Itinerarium, é do mesmo sentimento que Hugo de Balma em seu De triplici via, e contudo em nenhum desses dois tratados se encontra o nome de seus autores.

Segundo um estudo feito recentemente por um religioso anônimo da cartuxa de Parkminster (Inglaterra), Hugo de Balma, autor da Theologia mystica, é o cartuxo Hugo de Dorchiis, da nobre família de Balmey ou de Balma, que, depois de alguns anos de vida religiosa em Meyriat, foi julgado digno de ser prior desse mosteiro pelo fim do século XIII. Cf. dom Le Couteulx, op. cit., t. i, an. 1116, p. 214. A aproximação dos diversos textos desse historiador parece ter dissipado todas as dúvidas sobre o nome e sobre a época em que vivia o autor da Theologia mystica e esclarecido felizmente a questão.

A família de Balmey, ou de Balma, de la Baulusc, de Balmelo, teve durante vários séculos relações muito íntimas com a ordem dos cartuxos, e vários de seus membros abraçaram esse instituto. O venerável Ponce de Balmey, escolástico e cônego penitenciário da igreja metropolitana de Lião, fundou, em 1116, a cartuxa de Meyriat, na Bresse. No ano seguinte, fez-se cartuxo na Grande-Chartreuse; em 1118, foi nomeado prior de Meyriat, que governou até sua promoção ao bispado de Belley (1121). Em 1128 (ou 1135), demitiu-se de seu bispado e voltou a Meyriat, onde morreu em 13 de dezembro de 1140, em odor de santidade. Sua fundação de Meyriat foi aprovada por seus irmãos. Garnerius de Balmeto et Wilhelmus dominus Dorchiae miles, praedicti Pontii fratres, praedictam donationem approbaverunt et laudaverunt in praesentia nostra, diz o capítulo da igreja metropolitana de Lião no ato de fundação. Cf. dom Le Couteulx, op. cit., t. i, p. 212-213. Garnier, depois da morte de sua mulher, entrou também em Meyriat, na qualidade de irmão converso. Guilherme de Balmey, senhor de Dorche, continuou sua raça, e é desse ramo dos Balmey de Dorche que descende, no século XIII, dom Hugo de Balma de Dorche, prior de Meyriat e autor da Theologia mystica. Seria difícil encontrar outro cartuxo homônimo e contemporâneo a quem se possa, com tanta probabilidade, atribuir essa obra. Por isso, parece que a questão da identidade do autor, bem como a de sua qualidade de cartuxo, foram suficiente e definitivamente resolvidas.

A honra que se fez várias vezes a este tratado de atribuí-lo a são Boaventura, de dizer que nem o estilo nem a doutrina eram indignos desse grande doutor, cf. Puyol, La doctrine du livre De Imitatione Christi, Paris, 1898, p. 561, de propagá-lo em manuscritos e de publicá-lo em latim e em língua vulgar sob o seu nome, demonstra claramente que a Theologia mystica, ou o De triplici via ad sapientiam, é produto de uma « inteligência elevada e firme » (cf. Puyol, op. cit., p. 558) ou, como se exprime o P. Sorio, editor da tradução italiana, é « um tratado de metafísica cristã tão sublime quanto sólido ». Op. cit., p. 8. Dionísio, o Cartuxo, confessa que, pela doutrina de seu livro, o autor se revela como um homem muito experimentado na vida espiritual, dotado de um espírito profundo e contemplativo em alto grau. Cf. De contemplatione, l. iii, a. 16, p. 437, da coletânea intitulada Dionysii carthusiani opuscula aliquot quae ad theoriam mysticam egregie instituunt, Montreuil-sur-Mer, 1894. Hugo de Balma tinha estudado a escolástica. Mostra-se habituado a tratar as questões mais difíceis « com um vigor de raciocínio e uma abundância de provas » que impressionam. Cf. Puyol, op. cit., p. 558-562, e Dionísio, o Cartuxo, op. cit., a. 14, 15, p. 426-437. Conhecia a fundo as obras do pseudo-Dionísio, e suas doutrinas atraíram a atenção dos grandes mestres da mística vindos depois dele. Cf. Dionysii carthusiani Opera omnia. Tournai, 1902, t. xvi, p. 492, e Gerson citado acima. Definiu excelentemente a teologia mística, e sua definição faz autoridade ainda hoje. Cf. Puyol, op. cit., p. 448, nota 1.

Há uns dez anos, o R. P. Frediano Gianorini, dos frades menores, custódio da Terra Santa, elevado depois à dignidade arquiepiscopal, fez aparecer seu livro intitulado: Studi sulla scuola francescana, Siena, 1895, cujo último capítulo é consagrado ao estudo do misticismo de são Boaventura.

Certamente, o piedoso e douto autor poderia ter tirado das próprias obras do doutor seráfico a definição do misticismo e a descrição genérica de seus principais fenômenos; poderia também ter consultado com grande proveito os numerosos mestres de sua escola; mas a precisão dos termos empregados por dom Hugo de Balma para definir essa ciência divina é tão notável que o Padre, embora confessando que a Theologia mystica não era obra de são Boaventura, empresta contudo a esse tratado a definição do misticismo para fazer dela a base de seu estudo! Se é verdade que Tomás Gallo é o primeiro escritor de espiritualidade em que se encontra o uso dos termos purgatio e illuminatio no sentido dos modernos, cf. Puyol, L'auteur, etc., 1ª seção, Paris, 1899, p. 189, nota 1, deve-se dizer que Hugo de Balma realizou em seu livro a precisão feita por Mons. Puyol nestes termos: « Não é ainda a fórmula tornada vulgar de vida purgativa, iluminativa e unitiva, mas pressente-se que ela não tardará a produzir-se. » Ibid. Com efeito, o próprio título da obra de Hugo de Balma, De triplici via ad sapientiam, manifesta a feliz distinção que estabeleceu na doutrina espiritual para bem precisar as misteriosas ascensões da alma para Deus.

Mas terá sido Hugo de Balma o primeiro escritor de uma obra metódica sobre as vias interiores? É difícil resolver essa delicada questão. É no século XIII que os místicos começaram a fazer uso dessa distinção fundada na natureza das coisas e já indicada pelo pseudo-Dionísio. Cf. Puyol, op. cit., p. 189-190; Opera S. Bonaventurae, Quaracchi, t. ii (1885), p. 127, nota 2; p. 267, nota 4. Dom Hugo de Balma é, sem contestação, um dos primeiros escritores ascéticos em que a vida interior é regularmente descrita segundo a fórmula das três vias progressivas, purgativa, iluminativa e unitiva. O códice manuscrito do século XIII conservado na biblioteca de Trèves e a tradução italiana feita antes de 1367 e publicada em 1852 provam a grande estima que a Idade Média teve por sua obra.

O cartuxo dom Henrique Eger, de Calcar (+ 1408), em seu Exercitatorium monachale, reproduziu várias passagens da doutrina de seu confrade sobre a vida purgativa, sem indicar, segundo o uso de seu tempo, a obra de onde as havia haurido. Esse silêncio e a obscuridade que tanto tempo envolveu a origem da Theologia mystica foram a causa da falsa opinião que pretendia que o opúsculo de dom Eger fosse anterior ao De triplici via. O l. I, c. xxi, do De contemplatione de Dionísio encontra-se igualmente na obra de Hugo de Balma e no opúsculo de Eger de Calcar. Mas o empréstimo mais importante que Dionísio fez ao De triplici via são as indústrias que propõe, l. I, a. 24, para ajudar a alma a elevar-se até o cume da contemplação. As dez indústrias indicadas são o resumo exato das oito indústrias enumeradas por Hugo de Balma, salvo a ordem da exposição, que foi invertida por Dionísio.

Os escritores místicos citaram frequentemente a obra de dom Hugo de Balma, atribuindo-a ora a são Boaventura, ora ao confessor de santa Coleta, ou a algum outro religioso franciscano. Nomeemos o cardeal Bona, o P. Honorato de Santa Maria, o P. Scaramelli, o P. Schram. A Theologia mystica foi publicada entre as obras de são Boaventura, em Estrasburgo, 1495; em Veneza, Roma, Mogúncia, 1504, 1564 e 1751; em 1588; em 1609; em Lião, 1668; em Paris, no t. vii da edição Vives, 1866-1874. A edição feita em 1534 pelos cartuxos de Colônia foi reimpressa em Munique, em 1603, in-16. Hugo de Palma, ord. carth., Theologia mystica seu Trivium sacrum quod agit de triplici via animae, purgativa, illuminativa, unitiva. Edidit Franciscus de Monte, in-16, Amsterdam, 1647. O cartuxo Gerardo Kalckbrenner, prior da casa de Colônia (+ 1566), em seu Hortulus devotionis, inseriu o Exercitium viae purgativae ex libello De triplici via Hugonis carthusiani, in-12, Colônia, 1541, 1577 e 1579. Essa publicação fez atribuir toda a coletânea Hortulus a dom Hugo de Balma. Cf. Petrejus, Bibliotheca cartusiana, 1609, p. 147, 145 e 103. Uma tradução espanhola da Theologia mystica feita pelo P. Jerônimo Gracián, carmelita, foi impressa em Madri, em 1607, pela imprensa real. Opere ascetiche di San Bonaventura volgarizzate nel trecento contenute in questo volume : La Teologia mistica, L'Albero della croce, L'esposizione della Salve Regina, Lo specchio della vita spirituale, La leggenda del B. Santo Francesco, in-4°, Verona, 1852. Tradução alemã, in-8°, Amsterdam, 1696.

S. AUTORE.

Autor original: S. Autore

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