HOSPITALÁRIOS. Os hospitalários organizaram na sociedade cristã o exercício da caridade para com os doentes, os pobres, os abandonados e os viajantes. Essa virtude, recomendada com insistência por Nosso Senhor a seus discípulos, foi atribuída aos bispos por são Paulo como estreitamente ligada a seu ministério. A Igreja fez questão de honra de não a esquecer.
1° Hospitalários eclesiásticos. — O bispo teve o encargo, em sua Igreja, dos serviços caritativos compreendidos na palavra hospitalidade: provia a eles com os recursos da comunidade eclesiástica. Os diáconos foram empregados nisso desde cedo por ele; tinham para secundá-los as diaconisas. Tudo se fazia sob a responsabilidade episcopal. Os membros da comunidade enfermos ou indigentes beneficiavam-se disso, assim como os cristãos das Igrejas vizinhas, que estavam em viagem munidos de cartas de comunhão. A domus ecclrsiœ nem sempre bastava às exigências desse serviço; nesse caso, o bispo e o primeiro dos diáconos tomavam suas providências. Estamos muito mal informados sobre o funcionamento dessa caridade cristã durante as perseguições. O edito de Milão permitiu exercê-la à luz do dia (313). A Igreja teve o direito de possuir, adquirir, administrar seus bens e receber legados. Viu-se logo que tomou a seu cargo as obras de assistência. Como seus meios não lhe permitiam fazer face a elas, Constantino mandou entregar-lhe rações de trigo para distribuí-las aos pobres. Valentiniano e Marciano renovaram essas generosidades (454). Os bispos exortavam as famílias ricas a repartir sua fortuna com os que carecem de tudo. Foi possível assistir os indigentes que afluíam às cidades, recolher os órfãos, resgatar os cativos, aliviar numerosas misérias. As diaconias serviam a essas distribuições de socorros.
Os estabelecimentos hospitalares não tardaram a multiplicar-se no Oriente. Ao menos a literatura eclesiástica, particularmente abundante nessas regiões, não deixa ignorar sua existência. Foram os xenodochia, destinados aos viajantes e aos estrangeiros sem recursos; os nosncomia, onde eram recebidos os doentes; os gerontocomia, ou asilos de velhos, e os orphanotrophia ou orfanatos. Essas instituições são consideradas bens de igreja; seus administradores são colocados sob a jurisdição eclesiástica. Os imperadores não se desinteressam delas, contudo; encorajam-nas e dão socorros; mas não lhes vem ao espírito despojar a Igreja do monopólio dos serviços hospitalares. Justiniano o fortaleceu e consagrou por sua legislação. A situação foi a mesma no Ocidente. A diferença de condição prende-se ao desaparecimento do império. A Igreja se viu muito mais só diante dos doentes e dos indigentes. O papel dos bispos tornou-se preponderante. No tempo de são Gregório I, o papado assumiu o que se poderia chamar a direção universal da assistência pública. Os sucessores desse pontífice não puderam cumprir essa missão. Cada Igreja particular provia ela mesma às necessidades locais, e os príncipes bárbaros ganhos para a fé cristã as secundaram. O clero recebeu doações para esse fim. Começava-se a saber que os pobres têm um direito sobre seu patrimônio. Suas rendas serviam às necessidades de sua vida, à manutenção das igrejas, à recepção dos estrangeiros e ao alívio dos pobres. O terço pelo menos da fortuna eclesiástica era, pois, reservado à hospitalidade e à assistência.
O Ocidente teve, ainda que em número menos considerável, seus xenodochia, destinados aos pobres, aos doentes e aos peregrinos. Houve-os em Roma, em Lião, em Autun e alhures. Os reis merovíngios fundaram estes dois últimos. Mas, em geral, o estabelecimento hospitalar era uma simples dependência da casa episcopal ou da abadia. As coisas se passaram assim sob os carolíngios. A Igreja se apresenta ao limiar da Idade Média com o monopólio das obras hospitalares, que será universalmente respeitado.
2° Hospitalários monásticos. — Os mosteiros do Oriente e do Ocidente foram considerados desde o século V como estabelecimentos hospitalares. Todos deviam ocupar-se dos pobres e receber os estrangeiros. Alguns, cujo número se tornou bastante grande, acrescentaram a essa primeira forma de hospitalidade o cuidado dos doentes; conhecemos melhor, durante esse longo período, a hospitalidade monástica do que a exercida pelo clero secular. Os monges orientais haviam recebido de são Basílio, de são Gregório de Nazianzo e de são João Crisóstomo lições e exemplos que puseram em prática. A maior parte dos hospícios de Constantinopla era dependência de mosteiros ou tinha monges ou monjas para servi-los. Essa hospitalidade e assistência monásticas foram em honra em Antioquia, em Cesareia, na Palestina e no Egito. São Bento consagrou em sua regra essa tradição religiosa, organizando em torno de seu mosteiro a recepção dos hóspedes e o alívio dos pobres, de hospitibus suscipiendis; desde então, a hospedaria foi um dos serviços importantes da abadia. Era composta de modo a prover às diversas formas de hospitalidade. As comunidades de clérigos, regulares ou não, adotaram a mesma linha de conduta.
Situados junto aos santuários frequentados por numerosos peregrinos ou ainda ao longo dos vales que atravessavam os rios ou cursos d'água conhecidos, ou nas vizinhanças das antigas vias romanas, os mosteiros ofereciam pousada aos viajantes e aos peregrinos, numa época em que as hospedarias não se haviam tornado uma instituição comercial. Cada um encontrava junto aos monges o que lhe era preciso para reparar suas forças e continuar o caminho. Os habitantes das ilhas da Grã-Bretanha, conhecidos então sob o nome de Bretões ou de Scots, que eram grandes viajantes, fundaram mosteiros para hospedá-los nas estradas que levavam a Roma ou ao Oriente. As ricas abadias fundadas nas regiões vizinhas dos Alpes escalonaram ao longo dos vales e dos desfiladeiros abertos aos passantes priorados, sobre os quais pesava o encargo da hospedaria. As fundações desses priorados-hospícios pelos beneditinos e pelos cônegos regulares multiplicaram-se nos caminhos que seguiam os peregrinos de São Tiago da Galiza, dos dois lados dos Pireneus ocidentais.
O cuidado dos pobres incumbia praticamente aos monges, que lhes reservavam o dízimo de suas rendas. Frequentemente esses pobres habitavam na vizinhança da abadia; as basílicas monásticas ou canonicais das cidades tinham seus pobres inscritos ou mairicularii. Além dos pobres, havia os velhos e os enfermos, que encontravam lugar nos hospícios monásticos. Não damos nomes, pois seria preciso citar todos os grandes mosteiros. Faltam-nos informações sobre o funcionamento desses serviços hospitalares monásticos. Seria em vão procurar neles os traços de uma organização propriamente dita; cada casa fazia como podia. As iniciativas locais podiam ir bem longe; por exemplo, certas abadias do século VII praticaram em escala bastante grande o resgate dos cativos; foi o caso de Jumièges.
3° Ordens hospitalárias. Idade Média. — No século X e durante o período que se seguiu, os serviços hospitalares continuaram como antes das invasões normandas. Dependiam da Igreja. Os bispos e o clero secular, as abadias monásticas ou canonicais tinham o encargo deles. Uma mudança se fez na época das cruzadas: elas trouxeram a fundação de ordens religiosas votadas especialmente à hospitalidade. A primeira foi a de São João de Jerusalém, fundada em Jerusalém para o serviço de um hospício destinado aos peregrinos (1125-1153). Raimundo do Puy deu-lhe uma constituição apoiada na regra de santo Agostinho. Serviu de modelo à ordem hospitalar teutônica, que se liga à ordem de Cister, à ordem do Espírito Santo, fundada por Guido de Montpellier no fim do século XII, à ordem de Santo Antão, fundada no Delfinado para aliviar as vítimas do mal dos ardentes (1095). A ordem de São Tiago do Alto Passo de Lucca teve um estabelecimento em Paris; a de São Tiago da Espada, na Espanha, tinha por missão assistir os peregrinos de Compostela; a de Roncesvales, os Irmãos da Caridade de Nossa Senhora, os religiosos do São Bernardo, fundados por são Bernardo de Menthon para assistir os viajantes nas passagens difíceis dos Alpes (1051), a ordem de São Lázaro, votada mais especialmente ao cuidado dos leprosos; a da Mercê, fundada por são Pedro Nolasco (1223) e a da Trindade, fundada por são João de Matha e são Félix de Valois (1200). Estas duas últimas ordens eram mais particularmente votadas ao resgate dos cativos; os trinitários tiveram sempre hospitais. Esses religiosos hospitalários multiplicaram suas fundações em toda a Europa cristã. A maior parte das ordens militares começou assim.
Esse período se caracteriza sobretudo pela fundação de numerosos hospitais nas cidades e nos campos sob o nome genérico de casas-de-Deus ou hotéis-Deus. Suas origens são muito obscuras, mas encontram-se em grandíssimo número no século XIII um pouco por toda parte. Seu estabelecimento era devido aos bispos, aos mosteiros, a famílias ricas, a comunidades urbanas. Os fundadores exerciam um direito de padroado. Prestavam-se ali aos pobres, aos doentes, aos viajantes todos os serviços da hospitalidade cristã. Esses hospícios rurais ficavam muitas vezes perto das estradas. Havia entre esses estabelecimentos grande desigualdade de recursos. Sua fortuna consistia em terras, que cada um explorava ou administrava. A medida das rendas fixava a da caridade. Os serviços internos eram desempenhados por uma comunidade de irmãos e irmãs, ligados a cada casa e cujo número variava com sua importância. O mestre do hospital tinha a direção dela.
Essas casas gozavam de autonomia, mas em cada diocese estavam sob o governo episcopal. O bispo dava aos religiosos e religiosas os estatutos que deviam observar. M. Le Grand, que publicou uma coletânea deles, diz que essa promulgação de estatutos se fez no fim do reinado de Filipe Augusto e sob o de são Luís. Os bispos do norte da França reunidos em concílio em Paris (1212) haviam dado a ordem disso, que foi renovada no concílio de Rouen. O hôtel-Dieu de Montdidier recebeu os seus do bispo de Amiens (1217); ligam-se à regra de santo Agostinho e reconhece-se neles uma influência dos estatutos de São João de Jerusalém. Os estatutos do hôtel-Dieu de Paris (1212-1221) apresentam grande analogia com os de Montdidier.
Esses regulamentos, juntamente com os de Saint-Julien de Cambrai, serviram de modelo na região. Os do Hôpital-Comtesse de Lille, que também gozaram de grande voga, ressentem-se de uma influência dominicana. Os franciscanos tiveram o seu em outras regiões. Houve, em suma, uma extraordinária variedade. Os bispos abandonaram aos cônegos a administração do hospital (hôtel-Dieu) vizinho da catedral; de bom grado se desobrigavam da direção dos outros em seus arquidiáconos. Por vezes encarregavam um visitador especial da inspeção e da correção desses estabelecimentos e do controle financeiro. Esses serviços hospitalares deram satisfação durante a paz e a prosperidade da Idade Média. Mas não puderam resistir, mais que as demais instituições, aos efeitos desastrosos da desorganização que se seguiu à Guerra dos Cem Anos. Os abusos multiplicaram-se então, como por toda parte.
As leprosarias (maladreries) eram ao mesmo tempo casas de caridade e lugares de reclusão; remontam ao século XIII e foram muito numerosas. Havia pelo menos cinquenta só na diocese de Paris. A elas se deve o desaparecimento da lepra. Os senhores de alta justiça das comunidades de habitantes contribuíam para a sua fundação; essas comunidades podiam associar-se para ter uma. Os bispos tinham a direção desses estabelecimentos de caridade no âmbito de suas dioceses. Decidiam, por si mesmos ou por meio do arquidiácono ou do oficial, quais doentes deviam ser encerrados, tomando o parecer dos médicos. A reclusão assumia caráter religioso, realizando-se com um cerimonial litúrgico. Os cuidados eram prestados por um pessoal religioso, semelhante ao das casas de Deus (maisons-Dieu), e sujeito, como este, ao controle do bispo e à visita de seus delegados. As leprosarias desapareceram todas durante a Guerra dos Cem Anos, e já não se falou de restabelecê-las.
4° Tempos modernos. — Durante os primeiros séculos e por toda a Idade Média, a hospitalidade foi, portanto, exclusivamente eclesiástica. As autoridades civis interessaram-se por ela, mas não procuravam dirigi-la. Sua atitude mudou nos tempos modernos. Os reis já haviam vinculado à Grande Esmolaria a direção dos estabelecimentos de caridade de fundação real. A insuficiência dos hospitais e as desordens de sua gestão levaram, no século XVI, às intervenções do Estado e das municipalidades. A legislação procurava restringir a mendicância. A polícia imiscuía-se na assistência; caminhava-se para a caridade legal. No século XVII, o impulso da fé retardou a laicização da assistência por meio de suas múltiplas fundações. Luís XIV impôs às paróquias o encargo de seus pobres e instituiu nas cidades os hospitais gerais, onde se reuniam os pobres sem domicílio. Houve um esforço do governo para submeter o regime hospitalar a uma regulamentação uniforme. A gestão temporal dos hospitais era exercida, em nome do Estado e sob sua direção, por leigos. Os religiosos e religiosas conservavam o cuidado dos doentes, e a Igreja tinha a direção espiritual da caridade oficial. A iniciativa privada não perdeu seus direitos; multiplicou as fundações. Nota-se um progresso em relação aos períodos anteriores: neste, a assistência se especializa em razão das necessidades. Nesse caminho, a Igreja continua a prestar os maiores serviços.
A Revolução empreendeu unificar pela extensão dos direitos do Estado e laicizar os serviços internos. Houve na França, durante o século XIX, uma reação contra esse regime, que depois foi retomado pelo governo da República. As antigas ordens hospitalares continuaram seus serviços, mas fundaram-se muitas outras, a maioria com um fim muito especial. Vinculam-se de bom grado à regra de santo Agostinho. Algumas agregam-se às ordens terceiras de são Francisco ou de são Domingos. Muitas dão-se estatutos originais. As congregações de mulheres superam as dos homens em número e importância. A iniciativa caritativa jamais fora tão longe. Cresceu ainda mais no século XIX, quando foi vista organizar com êxito a assistência a domicílio. Já não há miséria que não encontre, na sociedade cristã, uma instituição religiosa e caritativa votada ao seu alívio. Não podendo enumerar aqui todas essas congregações, nomearemos as mais conhecidas, começando pelas de homens.
1. Congregações de homens. — Irmãos da Caridade, fundados por são João de Deus, em 1537 ou 1540, em Granada, aprovados por são Pio V (1571), propagam-se rapidamente na Espanha, em Portugal, na Itália, na Alemanha e na França, onde tiveram trinta e oito casas às vésperas da Revolução. — Ministros dos enfermos, fundados por são Camilo de Lellis (1582) em torno do hospital de Saint-Jacques, em Roma, com o quarto voto de assistir os moribundos mesmo em tempo de peste, aprovados por Sisto V e difundidos na Itália, na Hungria e na França. — Somascos, fundados por são Jerônimo Emiliani (1528), para receber e educar os órfãos em Veneza, erigidos em congregação por Paulo III (1540), propagaram-se na Itália, na Alemanha, na Suíça e na França. — Irmãos da Caridade de Saint-Hippolyte, fundados na Cidade do México por Bernardino Alvarez, em 1585, tiveram seus hospitais na América Latina.
— Obregons ou Irmãos hospitaleiros ou da ordem terceira de São Francisco, fundados em Toledo por Bernardino de Obregón (1569), propagaram-se na Espanha e nos Países Baixos. — Bons fieux, terciários de São Francisco, fundados em Armentières (1615), cuidaram dos doentes nos hospitais de Dunquerque, Bergues e Ypres. — Irmãos cinzentos da Caridade, fundados em Nápoles, em 1859, por Luís de Casoria, para o cuidado dos incuráveis. — Cloneettini ou Filhos da Imaculada, fundados em 1854 para o cuidado dos doentes. — Irmãos de Nossa Senhora da Misericórdia, fundados em Malines pelo cônego Schepers (1839) para a educação das crianças, o cuidado dos doentes e dos alienados, são numerosos na Bélgica.
2. Congregações de mulheres. — Nossa Senhora do Refúgio, fundada em Nancy (1624) pela madre Isabel da Cruz de Jesus para arrancar da devassidão algumas de suas vítimas, teve casas em Nancy, Avinhão, Arles, Toulouse, Lyon, Montpellier etc. O Padre Eudes fundou com intento semelhante as Irmãs do Bom Pastor em Caen, em 1644. Maria Le Pelletier formou, com a casa de Angers, uma congregação distinta (1835), que tomou considerável extensão no mundo inteiro. O P. Molé, capuchinho, havia instituído com o mesmo fim (1618) as Madelonnettes, que tiveram casas em Paris, Rouen e Bordéus. Outras associações religiosas já existiam ou foram fundadas sob a invocação de santa Madalena com esse mesmo fim. A senhora Polaillon atribuiu mesmo esse fim às Filhas da Providência de Deus, que fundara em 1643. — Hospitaleiras da Caridade de Nossa Senhora, fundadas por Françoise de la Croix, em Paris, em 1624, ocupavam-se especialmente das mulheres doentes e tiveram hospitais em Paris, Toulouse, Béziers, Bourg, Albi etc. — As Filhas da Caridade, fundadas pela senhora Le Gras sob a direção de são Vicente de Paulo (1633), espalharam-se rapidamente nos hospitais e nas diversas obras de assistência. Foram chamadas à Espanha e à Itália. Tornaram-se ainda mais numerosas depois da Revolução. Seu número aproxima-se de 10 000, e são encontradas no mundo inteiro. — Irmãs de São Carlos de Nancy, fundadas em 1629 nessa cidade, de onde se espalharam pela Lorena e pelos países vizinhos.
— Irmãs de São Tomás de Villanova, fundadas pelo P. Prout, agostiniano, em 1679, em Lamballe, tiveram numerosos estabelecimentos e reconstituíram-se depois da Revolução. — Irmãs de Santo Aleixo em Limoges (1659), que foram conhecidas sobretudo na diocese de Limoges. — Irmãs de São José, fundadas pelo P. Médaille, jesuíta, em Le Puy (1630), com a missão de exercer todas as obras de misericórdia para com as mulheres; confiaram-lhes hospitais; propagaram-se na Auvérnia, no Lyonnais, no Delfinado, no Vivarais e na Provença e, durante o século XIX, nos Estados Unidos. — Filhas de Santa Genoveva ou Miramionettes, fundadas em Paris (1661) pela senhora de Miramion, ocupavam-se da educação e da visita aos doentes. — Hospitaleiras de Dijon e de Langres, fundadas por J. Joly na primeira dessas cidades em 1687. — Hospitaleiras de Beaune, que forneceram membros aos hospícios de Dole, Besançon, Auxonne, Vesoul, Chalon, Saint-Claude, Belfort e serviram de modelo às religiosas que atendiam os de Beaujeu, Cluny, Marcigny, Paray etc. — Hospitaleiras da Caridade de Lyon, que passavam por sabiamente organizadas. — Irmãs de Ernemont, fundadas pelo arcebispo Colbert (1698), fixaram-se em Rouen em 1711. Tinham em 1880 dezoito casas de caridade. — Agostinianas da Misericórdia de Jesus, constituídas em Dieppe, em 1630, e espalhadas pelo oeste. — Irmãs da Apresentação da Santíssima Virgem, fundadas em Sainville pela senhora Poussepin (1684), transferidas para Tours (1813), dirigem hospitais, asilos de mendicância, colônias penitenciárias. — Filhas da Sabedoria, fundadas em Saint-Laurent, diocese de Luçon, pelo B. Grignion de Montfort (1783), atendiam, em 1880, 95 hospitais, 6 asilos de alienados, 130 departamentos de beneficência.
— Batistinas, fundadas por Giovanna Solimani, em Moneglia (1730), não saíram da Itália. — Irmãs do Pobre Menino Jesus, fundadas em Aix-la-Chapelle (1843), ocupam-se das crianças abandonadas. — Irmãs da Instrução cristã e dos doentes, fundadas em 1807, em Saint-Gildas-des-Bois. — Irmãs de Maria-José, fundadas em Lyon e em Le Dorat (1806), pela senhorita Duplex, para ocupar-se dos prisioneiros. — Irmãs da Bem-Aventurada Virgem Maria, em Saint-Laurent-d'Olt, diocese de Rodez, para as mulheres pobres e as órfãs (1809). — Hospitaleiras de Rennes, Hospitaleiras de Santo Agostinho em Marselha; São José de Chambéry, fundadas em 1815; Irmãs de Nossa Senhora do Calvário, na diocese de Cahors (1833); Franciscanas de Saint-Philibert-de-Grandlieu, para os epiléticos (1840). — Pequenas Irmãs dos Pobres, fundadas em Saint-Servan, diocese de Rennes, por Jeanne Jugan e o abade Le Pailleur (1840), para hospedar os anciãos de um e outro sexo. — Servas dos pobres, fundadas por dom Le Duc, beneditino de Solesmes, em Angers, para tratar dos doentes pobres a domicílio. — É também o fim das Pequenas Irmãs da Assunção, fundadas em Paris pelo P. Pernet, e de um grande número de outras congregações religiosas. Frequentemente as religiosas que dirigem as escolas rurais ocupam-se dos doentes.
Terminamos esta lista muito incompleta acrescentando que numerosos hospitais (hôtels-Dieu) e hospícios, na França e em outros países, conservaram suas comunidades hospitalares da Idade Média, as quais tiveram de modificar suas constituições. Algumas, por meio de fundações, tornaram-se sede de congregações.
Lallemand, Histoire de la charité, Paris, 1902-1911, em curso de publicação, 4 vol. saíram; Hélyot, Histoire des ordres religieux et militaires, 8 in-4°, Paris, 1792, passim; Heimbucher, Die Orden und Kongregationen der katholischen Kirche, 2 in-8°, Paderborn, 1896, passim; Martin Doisy, Dictionnaire d'économie charitable ou exposition historique et pratique de l'assistance religieuse, publique et privée, ancienne et moderne, in-4°, Paris, 1855 (Encyclopédie Migne); Keller, Les congrégations religieuses en France, leurs œuvres et leurs services, in-8°, Paris, 1880; de Champagny, La charité chrétienne dans les premiers siècles de l'Église, in-12, Paris, 1856; Roger Lagrange, De l'assistance publique à Rome, in-8°, Paris, 1891; Marin, Les moines de Constantinople, in-8°, Paris, 1897; L. Le Grand, Les maisons-Dieu, leurs statuts au XIIIe siècle, na Revue des questions historiques, julho de 1896, p. 95-131; Statuts d'hôtels-Dieu et de léproseries, em Recueil de textes du XIIe au XVe siècle, in-8°, Paris, 1901; Les maisons-Dieu et léproseries du diocèse de Paris au milieu du XIVe siècle, nas Mémoires de la Société d'histoire de Paris, 1897, t. xxiv, p. 61-365; t. xxv, p. 17-178; Cam. Bloch, L'assistance et l'État en France à la veille de la Révolution, in-8°, Paris, 1908; Hubert-Valleroux, La charité avant et depuis 1789 dans les campagnes en France, avec quelques exemples tirés de l'étranger, in-8°, Paris, 1890.
J. Besse.
Autor original: J. Besse
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