HOPKINS Samuel. I. Vida. II. Doutrina. III. Influência. — I. Vida. Nascido em 1721 em Walerburg, no Estado de Connecticut (Estados Unidos), S. Hopkins fez seus estudos no colégio de Yale, em New Haven, e mais tarde estudou teologia sob a direção do célebre Edwards (Jonathas), ministro congregacionalista, que teve sobre o desenvolvimento de suas ideias uma influência considerável. Exerceu sucessivamente o ministério em duas paróquias, Great Barrington (Massachusetts) e Newport (Rhode Island), onde morreu em 1803. Pastor zeloso, evangelizou não somente os membros de sua congregação, mas também os índios da vizinhança, e interessou-se muito pela causa dos negros e por sua libertação. Mas foi sobretudo um escritor infatigável, trabalhando por vezes dezoito horas por dia. Além de numerosos sermões, publicou vários tratados teológicos, entre outros: The wisdom of God in the permission of sin (A sabedoria de Deus ao permitir o pecado); The truc statc and characler of Ihc unregcnerate (Do verdadeiro estado e condição dos não regenerados); An inquiry concerning the future state of those ivho die in their sins (Estudo sobre o estado futuro dos que morrem no pecado); A System o/ doctrines containcd in divine révélation (Síntese das doutrinas contidas na revelação).
II. Doutrina. Sua doutrina é uma espécie de « calvinismo mitigado ». Ver Calvinismo, t. ir, col. 1398-1421. Ele pertence, com efeito, a essa seita dos « congregacionalistas », que era então muito numerosa na Nova Inglaterra e que, nessa época, admitia em quase todos os pontos, exceto na questão da constituição eclesiástica, as doutrinas de Calvino tais como haviam sido formuladas na Inglaterra na Confissão de Westminster. Mas seu bom senso americano e seu amor inato pela liberdade não lhe permitiram reter o determinismo e o pessimismo do teólogo de Genebra. Sem dúvida insiste, como este, nos direitos de Deus, em sua soberania absoluta, na predestinação gratuita de uns e na reprovação de outros; mas esforça-se por conciliar essas doutrinas com a bondade de Deus e a liberdade humana; por aí aproxima-se dos arminianos. Ver t. i, col. 1968-1971.
Eis o resumo de sua doutrina: 1° Todos os atributos morais de Deus se resumem em sua bondade, não sendo sua própria justiça senão uma manifestação de sua benevolência para com o conjunto das criaturas. 2° Jesus morreu por todos os homens, e não somente pelos eleitos; resgatou-nos, não por sofrer o castigo legal merecido pelos pecadores, mas por glorificar a Deus e seus atributos por seus sofrimentos e sobretudo por sua morte. 3° Todo homem é livre e pode escolher entre o bem e o mal; não se pode impor-lhe o que não tem o poder de cumprir. 4° Contudo, essa liberdade não exclui a ação de Deus, que, por seus decretos e sua cooperação, contribui para o bem e o mal que fazemos. Se Deus permite o mal, e até concorre para ele, é sempre em vista de um bem maior.
5° Antes da justificação, os atos do homem são todos pecados (nisso se liga a Calvino), não certamente no sentido de que o homem peque necessariamente, mas porque, desprovido de graça, peca infalivelmente. É preciso, portanto, exortá-lo a converter-se imediatamente, a fazer para si um coração novo, a fim de que possa assim abster-se do pecado. Se morre em seu pecado, a culpa é sua, pois pode converter-se com o auxílio da graça; deve, portanto, bendizer a mão que o fere e admirar a justiça divina, que só o castiga para o maior bem do universo. 6° A justificação é uma mudança de coração produzida pela intervenção especial do Espírito Santo. Uma vez regenerado, o homem pode fazer o bem e o faz infalivelmente; sem dúvida pode em si perder a fé e fazer o mal, pois permanece livre; mas, ajudado pela graça, está seguro de fazer o bem e de salvar-se. Assim, pois, Hopkins conserva do calvinismo tudo o que não se opõe à bondade de Deus e à liberdade humana, sem mostrar, contudo, como essa bondade se concilia com a reprovação de um grande número de homens, e como, sob a ação da graça, o homem regenerado faz sempre o bem sem perder a liberdade.
III. Influência. Por sua ponderação, este sistema de Hopkins correspondia bem ao senso reto das populações da Nova Inglaterra, que, embora apegadas ao puritanismo, tinham fugido da mãe-pátria para encontrar nela mais liberdade. Foi bem acolhido por J. Edwards, que nele reconheceu várias das ideias inculcadas em seu antigo aluno, e por teólogos de valor, tais como os doutores Bellamy, Stephen West, Nathanael, Emmons e Samuel Spring. Começou-se a chamá-lo hopkinsianism ou sistema de Hopkins, ainda em vida do autor; ou sistema « de Edwards », por causa do papel importante que este tivera na educação de Hopkins. Logo ficou conhecido sob o nome de « teologia da Nova Inglaterra » (New England theology), porque se propagou rapidamente nessa parte dos Estados Unidos; e quando foi introduzido na Inglaterra por André Fuller e Robert Hall, deu-se-lhe o nome de « teologia americana ». Vários dos que o adotaram introduziram nele ligeiras modificações, entre outros o doutor Emmons, Asa Burton, Nathaniel Taylor e Charles Finney, mas sem lhe alterar o espírito.
Perpetuou-se numa célebre escola de teologia, o Andover tlieological scminary, fundado no início do século XIX e que subsiste ainda em nossos dias. Essa fundação foi o resultado de um compromisso entre os calvinistas moderados, que desejavam conservar em sua integridade a Confissão de Westminster, e os discípulos de Hopkins, que queriam abrandar-lhe as fórmulas demasiado rígidas. No fundo, estes últimos levaram a melhor, pois de fato as fórmulas de Westminster foram abrandadas no Credo de Andover, embora um pouco menos do que o haviam sido nas obras de Hopkins. Em suma, esse compromisso estabeleceu certa unidade entre os calvinistas da Nova Inglaterra, fazendo desaparecer o que havia de demasiado duro em seus primeiros símbolos.
Grande foi a atividade literária de Andover: de valor real saíram de suas prensas numerosas obras e gramáticas hebraicas, comentários sobre a Sagrada Escritura, tratados de filosofia e de teologia, e duas revistas bíblicas: o American biblical repository e a Bibliotheca sacra. É nessas diversas publicações que se pode dar conta das modificações sofridas, no decorrer dos tempos, pelas primeiras teorias de Samuel Hopkins.
Além das obras de S. Hopkins já assinaladas, ver as de seu mestre o presidente Edwards e de seus principais discípulos, bem como suas biografias: Edwards, God glorified in man's dependence, 1731; An essay on the freedom of the will, 1754 The great cliristian doctrine of original sin. 1758; D' Stephen ; West, Autobiography D' Hopkins; A of J. Ferguson, memoir of D' Hopkins, 1830; Ed. A. Park, A memoir of D' Hopkins, 1854; J. Bellamy, True religion delineated, na coleção de suas obras publicada em Nova York em 1811 S. West, Essay on moral agencg, 1772; Ezra Styles Ely, Contrast ; calvinism and hopkinsianism, betiveen 1811 Nath. Emnions, IVorAs, 1842; N.W. Taylor, Essays... on ; 1859; H. B. Smith, sélect topics of reuealed theology, édit. Address on the idea of Christian theology as a System Essay on Emmons G. The System ; the theology of ; P. Fisher, of D' N. W. Taylor in connection with prior New England theology its •y'Woods, History of the Andover theological seminary, Boston, 1885.
A. Tanquerey.
Autor original: A. Tanquerey
A extração e a tradução foram feitas por IA e em caso de algum erro podem entrar em contato com o editor