HERINCX Guilherme, nascido em Helmond, no Brabante setentrional, em 1621, entrou ainda jovem entre os frades menores recoletos da província da Baixa Alemanha. Nomeado lente de teologia em Lovaina em 1653, desempenhou esse encargo com tanto êxito que lhe pediram que compusesse um curso de teologia destinado a servir de manual aos jovens religiosos de sua província. Pôs mãos à obra e publicou uma Summa theologica scolastica et moralis in quatuor partes distributa, 4 in-fol., Antuérpia, 1660-1663. O P. Hérincx era então ministro provincial e, como tal, dirigiu-se a Roma no ano seguinte, para assistir ao capítulo geral de sua ordem. Sua reputação de teólogo estava tão bem estabelecida que foi convidado a dirigir uma defesa pública diante do capítulo, e dedicou então a dom de Gardenas as Thèses ex universa theologia... quas propugnabit fr. Guilielmus Van Sichen, in-4°, Roma, 1664.
Sua teologia, na qual sustentara o probabilismo apoiando-se nos grandes doutores, São Tomás, São Boaventura, Santo Antonino, Escoto, pedia para ser revista e tornada conforme aos decretos de Alexandre VII, publicados em 1665 e 1666; o P. Guilherme van Goorlaeken foi encarregado disso pelo capítulo de sua província. Desempenhou-se da tarefa de comum acordo com o autor, e a segunda edição, ab auctore recognita, foi impressa em Antuérpia, 1672-1675. Encontram-se exemplares dela com a data de 1680 e o autor ali é qualificado de bispo de Ypres, dignidade que lhe fora conferida em 1677. Sagrado em 24 de outubro, dirigiu-se imediatamente à sua diocese e começou a visitá-la, mas morreu antes de ter cumprido inteiramente esse dever de seu cargo, em 17 de agosto de 1678. Uma 3ª edição de sua teologia apareceu depois de sua morte, Antuérpia, 1702-1704. Encontra-se ainda uma breve carta de Hérincx, dirigida a um apóstata de sua ordem, Pedro Valois, publicada por este em seu livro Causa Valesiana epistolis ternis prœlibata, in-8°, Londres, 1684.
O P. Hérincx distingue-se entre todos os teólogos por sua concisão e sua clareza. Foi escotista por dever, como todos os escritores franciscanos dessa época, mas o foi com modéstia, combatendo as opiniões tomistas apenas com respeito pelo doutor angélico e separando-se de São Boaventura apenas com pesar. Uma unção toda particular transparece em suas páginas, pois, dizia ele, o ensino teológico não deve limitar-se à busca da verdade, mas deve servir ainda à santificação daquele que estuda, a fim de trabalhar pela de seu próximo.
Servais Dirks, Histoire littéraire et bibliographie des frères mineurs de l'observance en Belgique, Antuérpia, 1886, p. 256-260; Hurter, Nomenclator, Innsbruck, 1910, t. iv, col. 48-49.
P. Edouard d'Alençon.
Autor original: P. Édouard d'Alençon
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