HERBORN (Nicolau Ferber de), frade menor da observância, assim chamado do nome de sua cidade natal, em Nassau, vira a luz por volta de 1480. Encontra-se uma primeira vez seu nome, com o título de guardião do convento de Marburgo, ao pé de uma carta que dirigia, em 10 de janeiro de 1525, a Filipe, landgrave de Hesse, suplicando-lhe que seguisse as pegadas de seus antepassados, em particular de santa Isabel, e permanecesse fiel à religião de seus pais.
Foi em vão que o P. Nicolau apelara para os sentimentos religiosos do landgrave; no ano seguinte, no fim de outubro, este reunia em Homberg uma conferência à qual o guardião de Marburgo foi convidado, mas ele se recusou a entabular diante de juízes incompetentes uma controvérsia com seu confrade apóstata, Francisco Lambert de Avinhão, vindo para sustentar e desenvolver seus « Paradoxos ». De volta ao seu convento, o P. Nicolau publicou as Assertionés trecentx ac viginti sex fratris Nicolai Herbornci guardiani Marpurgensis, verse orthodoxse advcrsus Franeisci Lamberti exiticii monachi paradoxa impia ac erroris plena, in Hombergiana Hessorum congregalione proposila, ac plus quam hœreticissime deducta et exposita, in-8°, Colônia, 1526. Nesse pequeno volume Herborn retoma os Paradoxos de seu adversário e responde a eles com uma ou várias Asserções. Nas três últimas dá os motivos pelos quais se recusou a entrar em discussão com Lambert.
Este fez então aparecer uma Carta aos habitantes de Colônia, datada de 15 de fevereiro de 1527, à qual o P. Nicolau, que fora transferido ao convento de Brühl como guardião, respondeu no mês de novembro pela Epislola ad Coloniensem felicissimam urbem, qua hortatur eamdem, uti pergal majorum suorum inhserere vesligiis... qua item paucis rcspondet impudenlissimis Franeisci Lamberti seductoris Hassise mendaciis, Colônia, 1527. Essa carta foi logo seguida de um opúsculo em língua vulgar sobre as obrigações dos clérigos, acompanhado das razões pelas quais se recusava a submeter seus escritos ao julgamento dos protestantes: Eyn kurzer Berycht von den dreic n gelobten der Gegstlichen... Item Ursach, ivarum ich Bruder Niklas Herborn meine Schrifften den lutherischen Richtern Lchre und Vrtheil nicht unterwerfen wil und sol, Colônia, 1527.
Embora guardião de Brühl, permanecia em Colônia na qualidade de pregador ordinário, como se lê no título de seu outro opúsculo: Locorum communium advcrsus hujus lemporis hserescs enchiridion, ibid., 1528. No ano seguinte dava dele outra edição aumentada de dois opúsculos novos: Tractatulus de notis verse Ecclesiœ ab adultéra dignoscendse; Methodus prœdicanli verbi divini concionaloribus cum ulilis tum accommoda. Editava ainda um livro apologético e ascético, desfigurado infelizmente pelas injúrias contra os inovadores, intitulado: Monas sacrosanche evangeliese doctriiur ab orthodoxis palribus in hœc usque sœcula, veluti per munus tradila. Abslersœ sunt fœculenliores Franeisci l.ampcrli Aven, aposlalse aspergines, quibus immaculatam Chrisli sponsam impudentius fœdare admolilus est, seguido de uma Epislola ad minorilas, quod oplima apologia est veleris vitse emendatio, Colônia, 1529. No mesmo ano fazia ainda aparecer In psalmum lxxviii enarratio lamentatoria pro miseranda populi chrisliani depopulatione instituta ac édita, e um opúsculo alemão, Ob eyne weliliche Oberkcyl es mœge hallcn voie sie bedunket zu verantworten vor Gott.
Enquanto o P. Nicolau se entregava a esses trabalhos, foi nomeado ministro da província religiosa de Colônia, no mês de agosto de 1529. Onze meses depois, partia dela para ir a Copenhague, a convite do bispo de Aarhus, a fim de tomar parte numa conferência na qual católicos e protestantes deviam expor e sustentar suas razões (2 de julho-2 de agosto de 1530). Fiel a seus princípios, o P. Nicolau escreveu um opúsculo a ser apresentado ao rei, De non agenda disputatione religiosa coram populo judice. Para responder às razões que faziam valer os ministros protestantes, ajudado talvez por um carmelita, o P. Paulo Helie, nosso infatigável controversista escreveu uma refutação, da qual apenas uma parte foi então impressa, traduzida em dinamarquês: Menige Danmarkis Rigis Biscoppers och Prelaters christelige oc relsindige geenswar lill the Lutheriansche artickle, in-4°, Aarhus, 1533. Em 1902, o P. Luís Schmitt, S. J., que já publicara um estudo sobre o autor, editou-a, segundo o manuscrito da biblioteca real de Copenhague: Confutatio luthcranismi Danici, anno 1530 conscripta a Nicolao Slagefyr seu Herborneo, in-8°, Quaracchi. Stagefyr ou Stagebrand era uma alcunha que os protestantes dinamarqueses davam em seus escritos ao P. Herborn.
Wadding, Annales, t. xvi, p. 304, relata que compôs e mandou imprimir um tratado no qual estabelecia a validade do casamento do rei da Inglaterra, Henrique VIII, tratado já muito raro em seu tempo. Publicou também uma Oratio extemporalis coram clero Groningensis oppidi, Colônia, 31 de maio de 1531. Um ano mais tarde encontramos o P. Nicolau em Toulouse, aonde fora para tomar parte no capítulo geral de sua ordem, em 18 de maio de 1532. Ali foi eleito comissário geral para as províncias cismontanas, isto é, quase a totalidade das províncias situadas fora da Itália. No ano seguinte, em consequência da deposição do ministro geral, foi nomeado vigário geral.
Essas funções o haviam retido na França, onde o encontramos durante os últimos anos de sua vida, que terminou em Toulouse, em 15 de abril de 1534. Até o fim o P. Nicolau continuara suas publicações, das quais eis as últimas que nos resta mencionar. Como comissário geral encarregado das missões de sua ordem na América, deu uma carta pastoral aos religiosos: Epitome convertendi génies Indiarum ad fldem Christi adeoque ad Ecclesiam sacrosanctam cutholicam et aposlolicam, Colônia, setembro de 1532, reproduzida no volume intitulado: Novus orbis, id est navigaliones primse in Americam, Roterdã, 1616, depois por Wadding em seus Annales, t. xvi, p. 31 l-2vi. Tem-se ainda dele as Enarraliones lalinse evangclorium qaadragesimatium, Antuérpia, 1533; Paris, 1513, aumentadas nessa segunda edição do Monotcssaron passionis Domini nostri Jesu Christi.
Em Toulouse travara conhecimento com uma nobre e piedosa mulher, Catarina de Byron, edias de Aduranlia, a quem dedicava seus Paradoxa theologica seu theologicœ assertiones divinis eloquiis advcrsus neotericos hsercticos doctissime simul et elegantissime roboratse, que publicava o P. João Azafra, in-8°, Paris, 1534. Atribuem-se ainda ao P. Herborn Comentários sobre os salmos, que teriam sido editados em Paris. A Retalio de novis insulis, que se diz manuscrita, bem poderia não ser outra coisa senão o Epitome que citamos, assim como o 1º livro, que teria escrito, de um Opus tripartiium de conversione gentium.
Wadding et Sbaraglia, Scriptores ordinis minorum, Rome, 1806; Nebe, N. Herborn, 1862; Louis Schmidt, S. J., Der Kolner Theologe Nikolaus Slage/yr und der Franziskancr Nikolaus Herborn, dans Stinunen ans Maria-Laach, Fribourg-en-Brisgau, 1886, et son édition de la Confutatio, Quaracchi, 1902; Hurter, Nomenclator, Inspruck, 1906, t. il. col. 1255-1256; Allgemeine deutsche Biographie, t. xn, p. 12-45, Kirchenlexikon, t. iv, col. 1348; t. xi, col. 704.
P. Edouard d'Alençon.
Autor original: P. Édouard d'Alençon
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