HÉLYOT Pedro, em religião P. Hipólito, filho de Benigno Hélyot e de Margarida Musnier, nasceu em Paris em 1660. Sua família, de origem inglesa, transferira-se para a França para permanecer fiel à fé e distinguiu-se por sua piedade. Um dos tios-avós de Pedro, dom Ambrósio Hélyot, morreu santamente entre os cartuxos de Paris em 1667. Era sobrinho de Cláudio Hélyot, conselheiro na corte das ajudas († 30 de janeiro de 1686), de quem se possuem Œuvres spirituelles, in-8°, Paris, 1710; uma biografia de sua virtuosa esposa, escrita pelo P. Crasset, S. J., La vie de Mme Hélyot, in-8°, Paris, 1683, foi várias vezes reimpressa. Um outro de seus tios, Jerônimo Hélyot, cônego de Paris, deixara o mundo para ir terminar a vida entre os religiosos penitentes da terceira ordem de São Francisco da congregação da França, ditos de Picpus, do nome de seu mosteiro de Paris, de que foi benfeitor († 1687). Pode-se crer que foi ele quem atraiu seu sobrinho a essa congregação; este vestia o hábito a 1º de agosto de 1683, sob o nome de frei Hipólito. Suas virtudes e seu mérito granjearam-lhe bem depressa a afeição e a estima de seus confrades e de seus superiores, que por três vezes o escolheram para secretário da província da França e da Lorena. Eleito definidor no capítulo de 1710, faltou-lhe apenas um voto para ser nomeado provincial. Suas qualidades eram tão bem conhecidas e tão plenamente apreciadas que seu superior-geral o delegava em 1714 para presidir o capítulo da província de Lião. Fora, com efeito, por duas vezes enviado a Roma, para os negócios de sua congregação, e aproveitou essa viagem, bem como as outras que teve ocasião de fazer acompanhando o provincial em suas visitas, para recolher informações que deviam servir-lhe para a grande obra que tornou seu nome imperecível.
Antes disso, o P. Hélyot estreara como escritor por um pequeno volume, cuja ideia se quer que lhe tenha vindo durante uma doença que o conduziu às portas do túmulo: Idée d'un chrétien mourant, et maximes pour le conduire à une heureuse fin, contenant des instructions pour bien mourir et exhorter les malades à la mort, in-8°, Paris, 1695. O Journal des sçavans de fins de junho de 1708, t. xl, p. 578-590, publicava uma Dissertation do P. Hipólito Hélyot sobre o breviário do cardeal Quiñones, na qual demonstrava que o texto primitivo fora interpolado, em particular para o ofício da Imaculada Conceição, em que se tinham inserido passagens falsamente atribuídas a São Domingos e a São Tomás. No mês de março de 1711, p. 355, o mesmo jornal dava notícia de uma Lettre do P. Hipólito Hélyot sobre a nova edição da Histoire des ordres religieux de M. Hermant, cura de Maltot, na Normandia, in-4°, Paris, 1710. A primeira edição da obra do cura de Maltot aparecera em 1697, seguindo de perto a de Schoonebeck, Amsterdã, 1695, mas ambas eram tão incompletas e muitas vezes tão inexatas que o P. Hélyot concebera o projeto de tratar o mesmo assunto com mais amplitude e exatidão.
Em sua Lettre de 1710 prometia uma obra in-fólio; « está pronta para imprimir, acrescentava, e só depende dos livreiros »; rogava também àqueles que tinham « em seus gabinetes antigos hábitos de religiosos, que lhe enviassem um desenho deles ». Coignard, impressor e livreiro do rei, encarregou-se da publicação e conduziu-a rapidamente; levava por título: Histoire des ordres monastiques, religieux et militaires, et des congrégations séculières de l'un et de l'autre sexe, qui ont esté establies jusqu'à présent, les événements les plus considérables qui y sont arrivés, la décadence des uns et leur suppression, l'agrandissement des autres par le moïen des différentes réformes qui y ont esté introduites; les vies de leurs fondateurs, avec des figures qui représentent tous les différents habillements de ces ordres et de ces congrégations, 8 in-4°. Paris, 1714-1719. O autor não teve a satisfação de ver o fim da impressão desse grande trabalho, pois entregou a alma a Deus, no convento de Picpus, a 5 de janeiro de 1716, com apenas cinquenta e seis anos. O Journal des sçavans, ao anunciar essa morte, assegurava que a publicação da obra não sofreria nenhum dano, pois o autor deixara os quatro últimos volumes « escritos de sua mão ». Não foi, portanto, como se disse e repetiu, o P. Maximiliano Bullot quem concluiu o trabalho: quando muito foi encarregado por seu provincial, o P. Luís, de vigiar a edição.
Encontram-se exemplares da Histoire com a data de 1721; deve-se ver nisso uma reedição ou uma fraude? O abade Badiche inclina-se para esta segunda opinião. Uma verdadeira reedição, igualmente em 8 in-4°, apareceu em Paris em 1792. Com modificações pouco felizes, a obra foi reimpressa sob o título de Histoire complète et costumes de tous les ordres monastiques religieux et militaires, et des congrégations de l'un et l'autre sexe, par le R. P. Hélyot, avec une notice sur ce savant, des annotations et un complément fort étendu par V. Philippon de La Madelaine, ouvrage contenant plus de 600 portraits en pied dessinés par A. Henry, 8 in-4°, Paris, 1838. O abade Maria-Leandro Badiche, do clero de Paris, refundiu a obra do P. Hélyot, dispondo as notícias em ordem alfabética e completando-as com outros artigos, para dar-lhe lugar na Encyclopédie théologique do abade Migne (1e série, t. xx-xxiii), Paris, 1847-1859. O iv volume, que encerra notícias sobre as congregações modernas, não é obra do abade Badiche. Más pranchas, colocadas no fim de cada tomo, substituem muito imperfeitamente as belas gravuras da edição original, e uma boa reedição continuada e ampliada do trabalho de Hélyot teria sido muito preferível a este Dictionnaire des ordres religieux.
Uma tradução italiana: Storia degli ordini monastici, religiosi e militari..., devida ao P. José Francisco Fontana de Milão, clérigo regular da Mãe de Deus, 8 in-4°, apareceu em Lucca, 1737, sem as gravuras, que o editor achava demasiado caras e declarava simplesmente inúteis, dada a descrição exata de cada traje. Existe também uma tradução alemã: P. Hippolyt Helyots ausführliche Geschichte aller geistlichen und weltlichen Kloster und Ritterorden für beiderlei Geschlecht, 8 in-4°, Leipzig, 1753. A obra do P. Hélyot constitui em parte o fundo de uma Histoire du clergé séculier, des congrégations des chanoines et des clercs et des ordres religieux de l'un et l'autre sexe, qui ont été établis jusqu'à présent, avec des figures qui représentent les différents habillemens de ces ordres et congrégations. Nouvelle édition tirée du R. P. Bonanni, de M. Herman, de Schoonebeck, etc., 4 in-8°, Amsterdam, 1716. Foi também utilizada por todos os que, desde sua época, se ocuparam da história das ordens religiosas e de seus trajes, pois, sem ser isenta de defeitos, é o que existe de mais completo sobre o assunto; muitos, contudo, serviram-se dela sem nomeá-la, como, por exemplo, Wietz e Bohmann, em seu resumo histórico das congregações, publicado em alemão em Praga, 1821, e traduzido para o polonês, Rys historyczny zgromadzeń zakonnych, 3 in-8°, Varsóvia, 1848-1849, pelo P. Benjamin Szymanski, provincial dos frades menores capuchinhos da Polônia († 1873, bispo de Poldáquia). Pôde-se criticar o P. Hélyot, mas ainda não se o superou, nem sequer igualou.
Journal des savants, aux endroits cités, puis février et mars 1715, p. 150 et 213; septembre et octobre 1716, p. 322 et 375; juillet et août 1719, p. 73 et 160; Mémoires de Trévoux, aux années 1715, 1716, 1719-1721; Moréri, Dictionnaire historique; Michaud, Biographie universelle; Badiche, loc. cit.; Hurter, Nomenclator, Inspruck, 1910, t. iv, col. 903-904.
P. Édouard d'Alençon.
Autor original: P. Édouard d'Alençon
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