HEISS

HEISS

HEISS Sebastião, controversista alemão, nascido em Augsburgo em 1572, admitido ao noviciado da Companhia de Jesus em 1591, ensinou as humanidades e a filosofia com o maior êxito e foi encarregado da cátedra de controvérsia em Munique, depois em Dillingen e por fim, de 1599 a 1613, em Ingolstadt, onde morreu em 20 de junho de 1614. Aluno do P. Gretser, que o distinguira entre todos, Heiss orientou seus estudos e seu ensino no mesmo sentido que seu mestre e com o mesmo método rigoroso, no terreno candente da luta com os hereges. Suas teses teológicas tiveram grande repercussão; a maioria foi traduzida para o alemão: De vera Christi in terris Ecclesia, proprietatibus ejus et notis quibus facile ab omnibus falsis hœreticorum ecclesiis internoscatur, in-4°, Munique, 1600; in-8°, Ingolstadt, 1610; De Scriptura in génère et in particulari, in-4°, Munique, 1600; De triumphante in cœlis Ecclesia, seu statu beatorum, ibid., 1600; De cultu et invocatione sanctorum, veneratione sacrarum imaginum atque reliquiarum, ibid., 1601; De sacratissimo dominicœ incarnationis mysterio adversus lutheranos ubiquitarios, ibid., 1601; De natura, obligatione et relaxatione voti, ibid., 1602; De augustissimo corporis et sanguinis Christi sacramento ac missœ sacrificio, ibid., 1605; trad. alemã pelo P. Conrad Vetter, in-8°, Ingolstadt, 1606.

O rumor que suscitou desde seu aparecimento o livro de Tiago Hailbronner: Uncatholisch Pabstthumb, Wittenberg, 1605, que pretendia defender os artigos da Confissão de Augsburgo pelos textos dos Padres, dos concílios e do direito canônico primitivo e que desnaturava o sentido das discussões travadas entre católicos e protestantes no colóquio de Ratisbona em 1601, levou o P. Heiss, por desejo expresso de seus superiores, a publicar uma refutação positiva, baseada na crítica dos textos alegados e em documentos novos, que se davam então como o último termo da ciência. O êxito dessa obra foi decisivo. Essa defesa da verdade histórica apareceu sob este título: Volumen acatholicorum XX articulorum Confessionis Augustanœ editum a Jacobo Hailbronner nomine Palatinorum Neuburgensium, approbatione electoralium Saxonicorum et Wittembergensium theologorum, recognitum et castigatum, in-4°, Dillingen, 1709. Uma 2ª edição enriquecida de notas e apêndices sucedeu quase imediatamente à primeira, enquanto uma tradução alemã devida à pena do P. Conrad Vetter, in-4°, Ingolstadt, 1610, tornava essa obra popular.

O P. Heiss tomou também parte muito ativa nas violentas polêmicas suscitadas pelas controvérsias de Belarmino. Defendeu a doutrina do sábio teólogo em duas dissertações sobre a Escritura e sobre a canonicidade dos Livros santos: De verbo Dei. Haberi scriptum aliquod Dei verbum et quibus in libris contineatur, adversus impugnatores Roberti cardinalis Bellarmini, Dillingen, 1609; Disputatio secunda theologica de verbo Dei. Vere divinos esse libros quos hodie sectarii e canone ab Ecclesia recepto excludunt, in-4°, ibid., 1602. Cumpre mencionar ainda entre suas obras de controvérsia: Disputatio theologica de purgatorio lutheranorum, in-4°, Ingolstadt, 1610; traduzido para o alemão pelo P. Vetter, ibid., 1611; Disputatio de adoratione religiosa, in-4°, Dillingen, 1609; Très quœstiones breviter discussœ et ceu faculœ ad internoscendam Christi in terris Ecclesiam prolatœ, ibid., 1610; esta obra é uma resposta às asserções dos ministros protestantes de Augsburgo, particularmente dirigida contra o pastor Ruelich.

Seus outros escritos dizem respeito a questões de pura doutrina: Assertiones theologicœ de natura et principiis sacrœ theologiœ, Dillingen, 1609; De Filio Dei humanœ naturœ unito, ibid., 1609; Thèses de origine animœ, Ingolstadt, 1610, reproduzidas nas Très quœstiones discussœ, ibid., 1610; Disputatio theologica de dominio, ibid., 1610; De restitutione, prœcipuo justitiœ actu, ibid., 1612; De triplici bapthmo, Ingolstadt, 1613. O P. Heiss deixou além disso grande número de comentários sobre diversas partes da Suma de São Tomás, que a morte não lhe permitiu terminar. As questões atuais prevaleciam para ele sobre todas as outras e, quando lhe pediram que interviesse para defender as doutrinas da Companhia, abandonou logo esse comentário, fruto de seu longo ensino, e pôs um cuidado escrupuloso em levar a bom termo a apologia doutrinal de sua ordem na obra: Ad aphorismos doctrinœ jesuitarum aliorumque pontificiorum e dictis, scriptis actisque publicis collectos, declaratio apologetica, Ingolstadt, 1609. Ninguém era mais qualificado do que ele para esse trabalho de ciência precisa e de método rigoroso. Heiss fora um dos colaboradores mais ativos do P. Gretser em sua obra De cruce; a coleção dos manuscritos da biblioteca de Munique já não tinha segredos para ele.

Sommervogel, Bibliothèque de la Cie de Jésus, t. iv, col. 229-232; Hurter, Nomenclator, 3ª edição, Innsbruck, 1907, t. iii, col. 431 sq.; B. Duhr, Geschichte der Jesuiten in den Ländern deutscher Zunge, Friburgo em Brisgóvia, 1913, t. II b, p. 394; A. Hirschmann, Gretsers Schriften über das Kreuz, em Zeitschrift für katholische Théologie, t. xx, p. 484 sq.

P. Bernard.

Autor original: P. Bernard

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