GUILHERME DE RENNES, assim denominado por seu lugar de origem, tomou o hábito dominicano no convento de Dinan, em data que não nos é possível precisar. Sabemos, contudo, que desde meados do século XIII ele se havia feito um nome como jurista. Muito cedo, porém, parece que os autores se empenharam, deformando seu nome, em tornar essa personagem mais difícil de identificar. Echard tentou devolver-lhe sua verdadeira personalidade. Scriptores ordinis prœdicatorum, t. I, p. 130.
Seu qualificativo de Redonensis tornou-se, sob a pena de Lusitanus (Antônio de Siena), Bibliotheca fratrum ordinis prœdicatorum, Paris, 1585, p. 102, Celdonensis, que ele depois corrige nos errata para Cerdonensis. Como observa Echard, essa denominação lembra um pouco seu verdadeiro nome de Redonensis, mas os escritores ou bibliógrafos posteriores lhe conservaram o nome de Celdonensis, entre eles Possevin, Pio, Fernandez, Altamura. Até Gilbert de la Haye, em sua Bibliotheca belgo-dominicana (manuscrito), o denomina Geldonensis, e faz dele assim um flamengo, originário de Jodoigne. Outros, enfim, como Bandellus, em seu tratado De conceptione beatæ Virginis, o chamam episcopus Meiensis; e Alva, querendo corrigi-lo, em Sol veritatis radius, 1663, col. 1355, propõe a leitura episcopus Mimatensis.
Seja como for de todos esses erros sobre o verdadeiro nome de frei Guilherme, e que Echard justamente apontou para devolver sua verdadeira personalidade a esse eminente canonista, sabemos que ele foi um dos discípulos ou êmulos de são Raimundo de Penyafort, cuja Suma comentou. A obra figura na Tabula scriptorum, publicada por Denifle, Archiv, t. II, p. 232, sob esta rubrica: Fr. Wilhelmus Aurelianensis scripsit apparatum super Summam Raymundi.
O Apparatus foi atribuído a João, o Leitor, ou de Friburgo. Esse erro foi cometido pelos editores de são Raimundo: Summa S. Raimundi de Peniafort et de pœnitentia et matrimonio cum glossis Joannis de Friburgo, in-fol., Roma, 1603. Echard mostrou com evidência que essa obra não pertencia de modo algum a João de Friburgo, mas que sempre fora atribuída a Guilherme de Rennes. João de Friburgo declara ele próprio que é apenas o autor do índice, tanto da Suma de são Raimundo quanto do Apparatus. Ver Echard, loc. cit. Laget, O. P., em sua edição da Suma de são Raimundo, in-fol., Paris, 1720, reivindicou, no próprio título de seu trabalho, para Guilherme de Rennes, as glosas da Suma. Ver Scriptores ordinis prœdicatorum, ed. Coulon, século XVIII, p. 424.
Echard, Scriptores ordinis prœdicatorum, Paris, 1719, t. I, p. 130-131; B. Hauréau, Histoire littéraire de la France, 1885, t. XXIX, p. 602-606; F. Lot, na Romania, 1899, t. XXVIII, p. 329-333; Schulte, Geschichte der Quellen und Litteratur des can. Rechts, t. II, p. 413; Denifle-Chatelain, Chartularium universitatis Parisiensis, t. III, p. 649; Denifle, Archiv fur Literatur und Kirchengeschichte, Berlin, 1886, t. II, p. 232; Stintzing, Geschichte rom.-canon. Rechts Deutschlands, 1867, p. 500-503.
R. Coulon.
Autor original: R. Coulon
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