GREGÓRIO XI, papa (1370-1378). Pedro Roger de Beaufort, nascido no castelo de Maumont em 1329, cardeal-diácono de Santa Maria Nova (28 de maio de 1348), foi eleito papa a 30 de dezembro de 1370, ordenado sacerdote a 4 de janeiro de 1371, depois sagrado e coroado em Avinhão no dia seguinte. Foi o último papa de Avinhão. Seu predecessor, Urbano V, ao voltar de Roma, onde se havia crido por um momento que ele iria reinstalar o papado, exilado desde 1305, como todo o mundo na Itália o pedia, provocara nesse país um notável recrudescimento de reação contra o papado francês. Gregório XI viu-se diante de uma liga formidável constituída entre Bernabò Visconti, Florença, Joana de Nápoles e outras cidades, que atacava os "maus pastores" enviados de Avinhão para governar os Estados pontifícios e o próprio poder temporal. Depois de negociações vãs, teve de excomungar os florentinos e enviar tropas sob a condução de Roberto de Genebra. Foi então que estes lhe dirigiram uma embaixada com santa Catarina de Sena.
Os conselhos dessa ilustre santa, somados ao grande perigo que o papado corria de perder os restos de seu poder na Itália, triunfaram enfim das hesitações de Gregório XI que, apesar das instâncias de seu círculo e do rei da França, partiu de Avinhão a 13 de setembro de 1376 e, após diversas peripécias, entrou em Roma a 17 de janeiro de 1377. Mas, mal regressado, o papa viu-se de novo em meio a grandes dificuldades com os florentinos e os romanos, sempre hostis ao domínio da Igreja, apesar de sua promessa: o massacre de Cesena por Roberto de Genebra (11 de fevereiro de 1377) aumentou as animosidades. Gregório, no fim de maio, retirou-se para Anagni até o mês de novembro e continuou penosas negociações com os florentinos, que desembocaram em um congresso marcado para Sarzana, nos primeiros dias de 1378. De volta a Roma a 7 de novembro, junto aos romanos mais calmos, morreu a 27 de março de 1378, em consequência do clima e das preocupações, não sem ter temido o cisma a que a eleição de seu sucessor ia dar lugar, e que suas últimas precauções não puderam prevenir. Foi o último papa francês.
Era bom, instruído, favorável ao bom humanismo, e digno da estima de santa Catarina de Sena e de santa Brígida, que lhe escreveram em diversas ocasiões. Seu grande mérito é ter reconduzido o papado a Roma; todavia teve o erro de nomear cardeais franceses demais, o que foi uma causa do grande cisma. Ocupou-se também de reprimir, com o rei da França, hereges como os valdenses, os beguardos e os albigenses, de fazer realizar concílios provinciais e de obrigar os bispos à residência.
Baluze, Vitœ paparum Avenionensium, Paris, 1693, t. i, p. 425 sq.; Noël Valois, La France et le grand schisme d'Occident, Paris, 1901, t. m; 1902, t. IV; J. P. Kirsch, Die Ruckher der Päpste, 1898; Pastor, Geschichte der Päpste, 4e édit., t. i, p. 101-114.
A. Clerval.
Autor original: A. Clerval
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