GRAVINA (JOSÉ MARIA)

GRAVINA (JOSÉ MARIA)

GRAVINA José Maria, moralista e controversista, nascido em Palermo em 17 de março de 1702, admitido no noviciado da Companhia de Jesus em 31 de outubro de 1716. Ensinou primeiro as humanidades, depois, durante nove anos, a filosofia; encarregado do ensino da teologia em Palermo durante quase dezoito anos, tomou parte ativa nas controvérsias incessantemente renovadas sobre a questão do probabilismo. A querela começou a propósito das conclusões defendidas no colégio de Palermo sobre o uso e o abuso da opinião provável, sob a direção do P. Gravina, prefeito dos estudos e autor das teses: Conclusiones lheologic.ee critico-elhicœ de usu et abusu opinionis probabilis, Palermo, 1752. Cf. Zaccaria, Thésaurus theolog., t. iv, p. 335-350. O P. Vicente Diez tomou imediatamente a defesa do probabiliorismo e do tuciorismo em seu Antiprobabilismus vindicalus, Palermo, 1753, e foi para responder aos ataques de que era objeto seu ensino que o P. Gravina compôs sua grande obra sobre o probabilismo: Trattenimenti apologetici sul probabilismo, 3 in-4°, Palermo, 1755, tratado capital na matéria.

O P. Vicente Avocati, dominicano, opôs-lhe sua Dr/ensio scholx thomisticœ ordinis prœdicalorum. Palermo, 1755, mas sem nada retirar da solidez das provas apresentadas pelo P. Gravina em favor da doutrina probabilista. Segundo Melzi, o P. Gravina seria o autor de uma última apologia do probabilismo: Il probabilismo soslenulo e diffeso, Palermo, 1757. Contudo, a autenticidade dessa obra está longe de ser estabelecida. A atividade intelectual do P. Gravina estendeu-se com igual êxito a matérias de ordem muito diferente. Possuímos dele um excelente tratado sobre os métodos de ensino da filosofia escolástica: Ratio tradendœ philosophiœ in scholis provincix Siculœ S.J., Palermo, 1754, e diversas obras de espiritualidade e de piedade, notadamente um comentário dos Exercícios de santo Inácio para uso dos Padres da Companhia: Jesuita rite inslilulus piis exercitationibus SS. Patris Ignatii de Loyola, 2 in-12, Palermo, 1746, obra de altíssimo valor.

A teologia dogmática lhe deve as Conclusiones polemicse de quinque jansenislarum erroribus in hœreses vergentibus, Palermo, 1755, reproduzidas no Thésaurus théologiens de Zaccaria, t. v, p. 433 sq., e uma Dissertalio anagogica, théologien, parssnetica de paradiso, Palermo, 1762, preparada pelo P. Bento Plazza e concluída por Gravina a partir do caput II de adjunctis resurrectionis, p. 404-728. O último capítulo De : eleclorum hominum foi condenado por decreto do Index, em 22 de maio de 1772, numa hora muito crítica para a Companhia de Jesus. Os ataques apaixonados que essa tese restritiva suscitou causaram ao santo ancião as mais vivas penas; confinou-se daí em diante na reclusão. Depois da publicação do breve Dominus ac redemptor, em 10 de agosto de 1773, retirou-se verossimilmente para Módena. A data de sua morte é incerta. Segundo Mira, morreu em Roma em 23 de novembro de 1775; segundo Caballero, viveu em Módena até por volta de 1780.

Sommervogel, Bibliothèque de la C" de Jésus, t. ni, col. 1719-1722 ; Hurter, Nomenclalor, 3e édit., Inspruck, 1913, t. v, col. 235 sq. ; Zaccaria, Sloria letler., t. vi, p. 393 sq.

P. Bernard.

Autor original: P. Bernard

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