GAUTIER (GUALTERO) DE SAINT-VICTOR, do nome da célebre abadia na qual, cônego regular de Santo Agostinho, vivia no século XII, e da qual se tornou prior, adquiriu por suas lições o renome de teólogo. Mas, em vez de se inspirar no espírito amplo de um Hugo de Saint-Victor e de tentar, depois dele, conciliar entre si os diversos métodos teológicos, como muitos de seus contemporâneos, ele manifestou uma áspera hostilidade contra a tentativa de fundar a teologia sobre a dialética e a metafísica, contra a escolástica, em uma palavra, sem contudo poder deter-lhe os progressos. Na cegueira de seu zelo pela pureza da fé, chegou a desacreditar violentamente os quatro primeiros escolásticos, Abelardo, Pedro Lombardo, Gilberto de la Porrée, Pedro de Poitiers, a quem chama « os quatro labirintos da França », pela razão, diz ele, « de que, ao sopro do único Aristóteles, ousaram, com leviandade de estudante, abordar os inefáveis mistérios da trindade e da encarnação ». O panfleto de Gautier, escrito em 1180, permaneceu inédito. Du Boulay, contudo, Hist. univers, paris., t. II, p. 628 sq.; P. L., t. CXIX, col. 1127-1175, citou dele amplos extratos, e Denifle, Archiv für Literatur und Kirchengeschichte, t. I, p. 105 sq., deu-lhe uma análise. Ceillier, Histoire générale des auteurs ecclésiastiques, 2ª edição, t. XIV, p. 741-742; Daunou, Histoire littéraire de la France, t. XIV, p. 549-553; Plank, Studien und Kritiken, 1811, p. 823 sq.; Kuhn, Einleitung in die katholische Dogmatik, Tubinga, 1859, p. 448; Kirchenlexikon, t. XII, col. 1200; Hurter, Nomenclator, Innsbruck, 1906, t. II, col. 95. P. Godet.
Autor original: P. Godet
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