FISHER (JOÃO), BEATO

FISHER (JOÃO), BEATO

FISHER John era originário de Beverley, em Yorkshire. Segundo Hall, nasceu em 1459; segundo Bridgett, dez anos mais tarde. Um e outro se fundamentando unicamente em conjecturas, pode-se escolher entre essas duas datas. Fez seus estudos em Cambridge, sob a direção de William de Melton. Era bacharel em artes em 1487, mestre em 1491. Seis anos depois, lecionava no colégio universitário de Michaelhouse. Em 1501, a universidade o elegia vice-chanceler. A partir dessa data começa sua atividade reformadora no seio da velha escola. Em 1504, era chanceler, e no ano seguinte, presidente do Queen's Collège. Ele gozava desde então do maior favor junto ao rei Henrique VII e sobretudo junto à sua mãe, Margarida, condessa de Richmond, de quem era o confessor. Graças a essas altas proteções e à de Richard, bispo de Winton, foi, nesse mesmo ano, elevado ao trono episcopal de Rochester. Foi a pedido de lady Margarida que ele compôs sua primeira obra: uma série de sete sermões sobre os salmos da penitência. Ele os pregou primeiro, seja em Rochester, seja em Londres, seja em Cambridge, na presença de sua benfeitora.

Depois os publicou ele mesmo em inglês, em Londres, em 1505, sob o título Treatyse concernynge the fruytfull sayings of Dauyd, the kynge and prophete in the seven penytencyall Psalmes. As edições se sucederam rapidamente. O doutor Fen fez uma tradução latina, na qual se encontra além disso um sermão sobre a justiça do cristão oposta à do fariseu, do qual não se tem o original inglês. Fisher havia tomado como modelo os Tractatus super psalmos de santo Agostinho. As considerações morais e práticas prevalecem em muito sobre os desenvolvimentos puramente dogmáticos. Um profundo sentimento de fé anima aliás o autor e faz compreender o sucesso, inaudito para essa época, de sua primeira obra. Essa grande piedade não havia fechado o espírito do chanceler de Cambridge às ideias novas, que, partindo da Itália, se espalhavam pouco a pouco por toda a Europa cristã. Erasmo, ainda quase desconhecido, acabava de desembarcar na Inglaterra. Foi em Cambridge que ele foi recebido por Fisher, que lhe abriu as portas da universidade e se ligou de amizade com o grande humanista. Por seus conselhos, ele reformou o ensino, estabeleceu quatro examinadores para as belas-letras, a dialética, a matemática e a filosofia.

Organizou sobretudo os cursos de línguas antigas e nomeou um professor de grego para os estudantes mais jovens e um professor de hebraico para os mais avançados. O próprio Erasmo lecionou algum tempo sob os olhos de seu amigo. Ele explicou publicamente a Epístola aos Romanos em 1505. Sábios regulamentos introduziram sem violência essas reformas, que, alhures, deveriam suscitar debates tão grandes. Mas desde então sua influência se estendia muito mais além do círculo universitário. À morte de Henrique VII, foi escolhido para pronunciar sua oração fúnebre. Ele não se contentou com um vulgar panegírico. Traçou nele o plano de uma reforma na Igreja e no Estado que o falecido havia aprovado e que se preparava para realizar. Primeiro, reforma da justiça: os ministros da lei deveriam ser obrigados a proferir suas sentenças sem acepção de pessoas e sem favoritismo. Mas sobretudo reforma das promoções às dignidades eclesiásticas: dever-se-ia doravante exigir a virtude e a ciência de todos os que pretendessem às honras na Igreja. Essas medidas deveriam devolver ao povo da Inglaterra a paz e a calma de que tinha grande necessidade. Esse discurso, que teve grande repercussão, havia sido proferido em 10 de maio de 1509, na igreja catedral de São Paulo.

Fisher o publicou imediatamente sob o título Sermon at the funeral of Henry VII, Londres, 1509. Um mês depois, lady Margarida morria. O bispo de Rochester teve ainda de pronunciar a oração fúnebre em Westminster. Ela apareceu logo em seguida sob o título A mornynge remembraunce had at the moneth mynde of the noble Margarete, countesse of Rychemonde and Darbye. Fisher dizia nele tudo o que sua benfeitora havia feito pela restauração dos estudos sagrados em Oxford e em Cambridge. Os anos que se seguem são consagrados pelo chanceler à obra de reforma que havia empreendido. Mas as controvérsias do dia logo o obrigariam a se pronunciar sobre as questões que a crítica humanista havia suscitado. Para responder a uma indagação de Luísa de Saboia, mãe de Francisco I, a respeito de santa Maria Madalena, Lefèvre d'Étaples, o chefe do humanismo francês, havia sustentado que era preciso distinguir três Marias, a irmã de Lázaro, a pecadora, enfim a seguidora de Cristo na Galileia. Era contradizer a tradição eclesiástica, que, desde são Gregório Magno, identificava essas três personagens evangélicas e não reconhecia senão uma única Maria Madalena. A tese de Lefèvre provocou na França vivas discussões que comoveram a autoridade eclesiástica.

Justamente nesse momento, o bispo de Paris, Étienne Poncher, cumpria na Inglaterra uma missão diplomática. Teve a ocasião de encontrar o bispo de Rochester, a quem confiou suas perplexidades sobre esse assunto e de quem solicitou o parecer. Depois de tomar conhecimento da obra de Lefèvre e da de Clichtove em favor da unidade do personagem, e, em favor das três Marias, do opúsculo de Marc Grandval, monge de Saint-Victor, Fisher publicou, em 23 de fevereiro de 1519, seu tratado De unica Magdalena. Nele refutava a tese de Lefèvre e defendia muito vivamente a opinião tradicional. Os humanistas franceses não responderam diretamente ao bispo de Rochester. Mas reproduziram seus argumentos, Clichtove, em sua Disceptationis de Magdalena defensio, Lefèvre, em uma 3ª edição de sua Disceptatio de Magdalena e, em agosto de 1519, em sua De tribus et unica Magdalena disceptatio secunda. Fisher respondeu separadamente aos seus adversários. Contra Clichtove publicou, antes do mês de agosto, Eversio munitionis: quam Jodocus Clichtoveus erigere moliebatur adversus unicam Magdalenam. Contra Lefèvre fazia aparecer, em 3 de setembro, Johannis Fisheri: Roffensis episcopi confutatio secundae disceptationis J. F. Stapulensis de Magdalena.

Todas essas obras foram impressas em Paris. Erasmo deplorava nelas os ataques violentos e as insinuações pérfidas. Mas nem por isso deixava de atribuir a vitória ao bispo de Rochester. Por uma vez, a Sorbonne foi de sua opinião e, em um julgamento célebre de 9 de novembro de 1521, deu razão a Fisher contra seus adversários. Mas a maioria dos humanistas, entre outros Pirckheimer, se declarou em favor de Lefèvre. Cf. J.-A. Clerval, De Judoci Clichtovei vita operibus, et Paris, 1894, p. 26 sq. Mas essa discussão, por mais sintomática que fosse, versava sobre uma questão de importância secundária. No momento em que ela ocorria, as ideias de Lutero começavam a se espalhar, mesmo na Inglaterra. Logo as autoridades civis e eclesiásticas compreenderam seu perigo e buscaram os meios de deter sua difusão. Em 8 de março de 1521, o bispo Warham escrevia ao todo-poderoso ministro Wolsey para se queixar da invasão de Oxford pela heresia luterana. Instava-o a pedir ao bispo de Rochester ou ao de Londres, Tunstall, a lista das obras que era preciso proscrever. Wolsey, que aspirava então ao chapéu de cardeal, apressou-se em aproveitar essa ideia. Ficou decidido que se queimariam solenemente os livros condenados de Lutero e de Carlstadt.

A cerimônia ocorreu em 12 de maio, na praça de São Paulo. Wolsey presidia. Uma grande multidão de povo havia comparecido ao espetáculo. Fisher, encarregado de pregar, proferiu um verdadeiro tratado contra os erros de Lutero. Nas quatro partes de seu discurso examina sucessivamente as teses sobre as indulgências, as teorias sobre os sacramentos, sobre a autoridade da Igreja e enfim sobre o primado do sumo pontífice. Essa obra apareceu logo em seguida sob o título The mode: sermon against ye pernicious doctryn of Martin Luther. Henrique VIII ficou tão satisfeito com ela que encarregou imediatamente seu secretário para as cartas latinas, Richard Pace, de dela fazer uma tradução. Intitulou-a Concio in Johannem, xv, 26, habita Londini, eo: commissa Cam- die quo Lutheri scripta flammis sunt, bridge, 1521. Mais tarde, quando Fisher atraiu sobre si a animadversão do rei, este deu ordem de procurar todos os exemplares dela e de enviá-los ao primeiro-ministro Thomas Cromwell. Este estava encarregado de destruí-los. Por isso os exemplares dela são de grande raridade. Henrique VIII ainda não estava aí em 1521. Apesar das tentativas de conciliação vindas de Erasmo, ele se declarava cada vez mais abertamente, sob a influência de Wolsey, contra os reformadores.

Este havia colocado em suas mãos o De captivitate babylonica de Lutero e lhe havia sugerido a ideia de refutá-lo. Em seu discurso, Fisher havia anunciado esse trabalho e agradecido de antemão ao rei por merecer assim o título de defensor da fé. A obra de Henrique: Assertio septem sacramentorum contra Martinum Lutherum, apareceu em Londres em julho de 1521. Mas o próprio Lutero levantou a questão de saber se a Assertio é verdadeiramente obra do rei. A maioria dos historiadores alemães, Kolde, Walther, Köstlin-Kawerau, acolheram a dúvida do reformador. Seria Fisher quem, em sua maior parte, seria o autor da Assertio. Os historiadores ingleses, Froude, Gairdner, Pollard, Bridgett, sustentam em geral a tese contrária. Eis a conclusão a que chega o último autor que se ocupou da questão: « Nem a ciência, nem a latinidade deste escrito exigem a suposição de uma habilidade fora do comum. Não obstante, creio que a ajuda recebida por Henrique ultrapassou a medida de seu próprio trabalho. » Preserved Smith, English historical review, 1910, p. 659. Seja como for, essa colaboração, por mais verossímil que seja, só pode ser afirmada por via de conjectura.

Mas os sentimentos do bispo de Rochester a respeito de Lutero não são menos claros por isso. Enquanto o rei da Inglaterra atacava o De captivitate babylonica, Fisher compunha uma resposta ao panfleto que o reformador havia publicado contra a bula de Leão X que condenava, sob o título Assertio omnium articulorum per novissimam: X damnatorum bullam Leonis (1520). Nele seguia o método que empregou doravante em suas obras de controvérsia. Tomava, um após o outro, os trinta e seis artigos do livro de Lutero, reproduzia textualmente suas palavras, e lhes opunha a doutrina católica. Os dois artigos sobre os quais mais insiste são o do livre-arbítrio e o do primado do papa. Prepara assim, pelo menos no que se refere ao primeiro ponto, a polêmica de Erasmo contra o reformador. Cf. K. Zickendraht, Der Streit des Erasmus und Luther über die Willensfreiheit, Leipzig, 1909, p. 183. A obra foi impressa em Paris por Rembolt e apareceu na casa de Claude Chevallon, em 22 de agosto de 1523, sob o título: Assertionis lutheranae confutatio. Entretanto Lutero não havia querido deixar sem réplica a obra de Henrique VIII. Em julho de 1522, havia publicado, em alemão e em latim, uma violenta resposta ao seu real adversário.

Este empregou toda a sua diplomacia para atingir o reformador. Sem sucesso, aliás. Fisher se encarregou do lado literário da questão. Ao mesmo tempo em que compunha sua Assertionis lutheranae confutatio, redigia uma obra paralela, mas exclusivamente consagrada à polêmica do rei. Seu verdadeiro título, desfigurado por todos os autores que dele trataram, é Assertionum regis Angliae de fide: babylonicam catholica adversus Lutheri captivitatem defensio. A obra foi publicada em Colônia, pelos cuidados do dominicano Jean Host, de Romberg, e sob os auspícios do célebre professor da universidade de Colônia, Arnold de Tongres. Cf. N. Paulus, Die deutschen Dominikaner im Kampfe gegen Luther, Fribourg-en-Brisgau, 1903, p. 134 sq. Mas só apareceu em 1525. Fisher dá ele mesmo, no prefácio, a razão desse atraso. Certos indícios lhe haviam feito crer que o reformador e seus partidários pareciam dispostos a voltar a melhores sentimentos. Ele havia querido poupar-lhes o azedume dessa polêmica. Mas vendo que se havia enganado, decidiu-se a publicar sua obra. Em doze capítulos, refutava as inovações do reformador na doutrina dos sacramentos, insistindo especialmente sobre a eucaristia e a missa, a ordem e o matrimônio.

Essa polêmica à qual queria escapar não o poupou. Mal havia terminado a Assertionis lutheranae confutatio quando o bispo de Londres, Tunstall, chamou sua atenção para um libelo cujo objetivo principal era provar que o apóstolo Pedro nunca estivera em Roma. Foi publicado sob o nome de Ulrichus Velenus Minhoniensis. — Fisher não parece conhecer de outra forma o autor sic enim sese nominabat, diz ele em seu prefácio. Seus historiadores, antigos ou modernos, não estão mais adiantados do que ele. De qualquer modo, a tese do panfleto derrubava de alto a baixo a parte mais importante da Confutatio que estabelecia o primado de são Pedro e de seus sucessores sobre a sé de Roma. O bispo de Rochester retomou então a pena, e, sob o título de Confutatio calumniarum Ulrichi Veleni, Minhoniensis, quibus Petrum nunquam Romae fuisse cavillatur, reproduziu as afirmações de seu adversário, seguidas cada uma de sua refutação em regra. A obra apareceu em 1525, em Paris, na casa de Conrad Hesch. Fisher recorria à história para provar, contra Velenus, a realidade da estada do príncipe dos apóstolos em Roma e de seu episcopado nessa cidade.

O ponto particular das inovações luteranas que o bispo de Rochester, desde a primeira hora, se dedicara a refutar, era a doutrina do reformador sobre os sacramentos. Este, prosseguindo logicamente seu desenvolvimento, publicava em 1523 seu tratado De abroganda missa privata, no qual negava o caráter de sacrifício da eucaristia, e pedia em consequência a abolição da missa. Fisher, que já havia tocado nesse assunto em sua obra Assertionum regis Angliae defensio, voltou a ele com mais detalhes em um novo tratado publicado sob o título Sacri sacerdotii defensio contra Lutherum, que apareceu em 1525, em Antuérpia. Mostrava, já no Antigo Testamento, o caráter de sacrifício ligado à morte do Messias, depois no Novo, esse caráter afirmado explicitamente pelo próprio Salvador. Sua demonstração passou para todos os nossos tratados de teologia modernos. Fisher não se contentava aliás em escrever. No mesmo ano, recebeu a visita de João Eck, a quem confiou uma carta endereçada ao duque da Baviera, Alberto. Exortava esse príncipe a combater os hereges pelas armas e lhe demonstrava a perversidade das novas doutrinas, que provavam demasiado evidentemente os excessos da guerra dos Camponeses.

Dois anos depois, Fisher publicava uma nova obra sobre o ponto que tanto lhe tocava o coração. Era dirigida dessa vez contra o teólogo reformado Ecolampádio, que havia sustentado que o único efeito da eucaristia era unir-nos a Cristo pela fé. Foi para refutar esse erro que Fisher consagrou este tratado De veritate corporis et sanguinis Christi in eucharistia. A obra apareceu em fevereiro de 1527, em Colônia. Era dedicada a Richard, bispo de Winton, em quem Fisher se comprazia em reconhecer seu maior benfeitor. Resumia assim ele mesmo todo o plano da obra: « Eu não nego de modo algum que sejamos unidos ao corpo de Cristo pela fé somente. Mas, pela manducação do corpo e do sangue de Cristo somos incorporados a ele muito mais profunda e solidamente do que pela fé somente. É isso que demonstramos abundantemente não somente pelas afirmações de Ireneu, de Crisóstomo, de João Damasceno, de Cirilo, de Hilário e dos demais antigos teólogos, mas ainda pelos testemunhos mais claros das Escrituras » (Prefácio). No juízo de seu historiador Bridgett, essa obra, a mais longa de Fisher, é também a mais importante. Até então o papel de defensor da fé assumido por Fisher não lhe havia trazido outros inconvenientes senão os ultrajes do reformador e de seus discípulos.

A afirmação corajosa dessa fé iria reclamar dele um outro testemunho. Desde 1527, Henrique VIII tendia cada vez mais para o cisma. Essas tendências tomam corpo, já em 1529, no projeto de reforma da Igreja da Inglaterra apresentado à Câmara dos Comuns. Fisher se opôs vivamente a esse projeto que continha em germe todas as reformas posteriores. Mas sobretudo foi, no caso do divórcio do rei e de Catarina de Aragão, o infatigável campeão da validade do matrimônio. Era o confessor da rainha, e até o fim, permaneceu seu conselheiro. Não contente em ajudá-la com seus pareceres, resumiu, em um memorial, as razões que se opunham a anulação desse matrimônio. Esse memorial apareceu em Salamanca, em 1530, sob o título De causa matrimonii Angliae regis liber. Em um aviso, o impressor, Miguel de Eguia, anuncia ao leitor que o manuscrito dessa defesa lhe foi entregue pelo arcebispo de Toledo, a quem o próprio Fisher a havia enviado. Diante da obstinação de Henrique VIII, Fisher não podia evitar a desgraça. Ela foi completa. No fim do ano de 1533, foi convocado diante do parlamento para se justificar das acusações que pesavam contra ele. Em 28 de janeiro de 1534, escreveu a Thomas Cromwell, o todo-poderoso ministro, e invocou seu triste estado de saúde para não comparecer. Cromwell recusou qualquer prazo. Em 25 de março, Fisher foi condenado à prisão preventiva e confisco de bens e, além disso, à prisão perpétua.

Em razão de seu estado de saúde, sua pena foi comutada em uma multa de trezentas libras. Henrique acreditava com isso ter reduzido sua resistência. Contava sem o valor do bravo ancião. Convidado, em 13 de abril, a prestar o juramento ao ato de sucessão que consagrava o divórcio, Fisher recusou, como seu amigo sir Thomas More. Ambos foram imediatamente encarcerados na Torre de Londres. Aproveitou esse retiro para dirigir a sua irmã Elisabeth uma exortação cristã à resignação. Ela foi publicada somente em 1577, em Londres, sob o título A godly treatise declaring the benefits, fruits and commodities of prayer: A spiritual consolation to his syster Elizabeth. O ódio do rei não parou aí. Ele queria consumar o cisma. Fisher, acusado de alta traição, foi declarado destituído de sua sé de Rochester. Thomas Cromwell em pessoa e alguns conselheiros do rei vieram exigir dele em sua prisão que reconhecesse Henrique VIII como o chefe supremo da Igreja da Inglaterra. Ele recusou. Daí nova acusação de alta traição. Nesse ínterim, o papa Paulo III, que estava na ignorância completa desses acontecimentos, criou Fisher cardeal com o título de São Vital. Esse ato deixou o rei furioso.

Ele respondeu dando ordem de continuar o processo, que, depois de comoventes peripécias, terminou pela condenação à morte e execução do cardeal em 22 de junho de 1535. O papa respondeu a essa crueldade declarando Henrique destituído da realeza. Um decreto da S. C. dos Ritos de 9 de dezembro de 1886 reconheceu a Fisher o título de venerável. Depois de sua morte apareceram, sob seu nome: 1° Opusculum de fiducia et misericordia Dei, Colônia, 1556; 2° Psalmi seu precationes, Lyon, 1572; 3° John Fisher, His sermon upon this sentence of the Prophet Ezechiel Lamentationes, — Carmen — et V, s. n. d.: 1. Uma edição incompleta de suas obras foi publicada em Würzburg, em 1597. Enfim, John E. B. Mayor publicou, em 1876, para a Société des anciens textes anglais, um 1º volume de suas obras inglesas. As Letters and papers do reinado de Henrique VIII contêm a indicação e a análise de algumas cartas inéditas. Outras ainda estão manuscritas no Record Office. [Richard Hall], Life of John Fisher, publicada por Th. Baily, Londres, 1665; John Lewis, Life of John Fisher, publicado por Turner, Londres, 1855; R. E. Bridgett, Life of blessed John Fisher, Londres, 1888; Letters and papers of the reign of Henry VIII, edit. Brewer Gairdner, Londres, 1862 sq., p. iv-x; J. Gairdner, The English Church in the sixteenth century, Londres, 1905; Id., Lollardy and the Reformation in England, Londres, 1908; W. Walther, Heinrich VIII von England und Luther, Rostock, 1908; Preserved Smith, Henry VIII and Luther, dans English historical review, 1910, p. 656-669. A obra de Bridgett foi traduzida para o francês pelo abade J. Cardon, Vie du bienheureux Jean Fisher, Lille, 1890.

Autor original: A. Humbert

A extração e a tradução foram feitas por IA e em caso de algum erro podem entrar em contato com o editor