FERNAND Carlos, beneditino, nascido em Bruges por volta de meados do século XV, morto em Saint-Vincent du Mans, em 10 de junho de 1517. De família pobre, veio a Paris com seu irmão João, e ambos, aproveitando seus conhecimentos musicais, fizeram parte da capela real. Uma tradição relatada por Trithemius, Script. ecclesiastici, mcxxxv, mas que não parece apoiada em provas sérias, apresenta-nos Carlos Fernand como acometido de cegueira, o que não parece poder conciliar-se com os diversos cargos que teve de exercer. Nos momentos de lazer que lhe deixava seu encargo de músico, comprazia-se em estudar as belas-letras: a leitura de Cícero era seu deleite, e granjeou prontamente reputação ao começar a ensinar literatura latina. Fez para si grande reputação e foi considerado um dos restauradores da boa latinidade. Mas esses sucessos não lhe traziam a tranquilidade que sua alma desejava, de modo que se decidiu a renunciar ao mundo e a professar a regra beneditina por volta de 1492, ingressando na abadia de Chezal-Benoît, onde seu irmão João o seguiu. Alguns anos depois, Carlos Fernand foi enviado à abadia de Saint-Vincent du Mans, onde teve de exercer as funções de cantor e de bibliotecário.
Ali morreu, segundo o necrológio desse mosteiro, em 10 de junho, e, ao que tudo indica, no ano de 1517. Dentre os escritos desse beneditino, cabe mencionar um comentário sobre o tratado de Robert Gaguin contra o dominicano Vincent Baudello, que num escrito havia atacado o privilégio da imaculada conceição: Roberti Gaguini adversus Vincentium de Castro-novo : de conceptioni et mundicia Mariae Virginis decertatio cum commentario Caroli Fernandi, in-4°, Paris, 1489 ; Oratio de sancta Catharina, in-fol., Paris, 1505 ; Epistolae familiares, in-8°, Paris, 1506 ; De animi tranquillitate libri duo F. Caroli Fernandi oratoris clarissimi et benedictinae institutionis observantissimi, in-4°, Paris, 1512 ; Epistola paroenetica observantioris regulae disciplinae, ad Sagienses monachos, F. Caroli Fernandi ejusdem institutionis accuratissimi et dissertissimi professoris, in-8°, Paris, 1512 ; Speculum disciplinae monasticae religiosi docti perquam et diserti patris Caroli Fernandi, in-4°, Paris, 1515 ; Confabulationes monasticae bonae eruditionis et casti eloquii plenissimae ; venerandi et diserti admodum patris Caroli Fernandi monachi sancto Benedicto professi in quatuor libellas divisae. Cum eorum sententiarum quarundam et rerum explanatione a fronte posita, in-8°, Paris, 1516. Valère André, Bibliotheca belgica, p. 120, 121 ; Paquot, Mémoires pour servir à l'histoire littéraire des Pays-Bas, t. VII, p. 405 ; Du Boulay, Historia universitatis Parisiensis, t. V, p. 814 ; dom Calmet, Commentaire sur la règle de saint Benoît, t. I, p. 78, 593 ; Jean Colomb, Mémoires pour servir de supplément et de correctif aux écrivains qui ont parlé de Charles Fernand, dans le Journal de Verdun, dezembro de 1755 ; Ziegelbauer, Historia rei literariae ord. S. Benedicti, t. III, p. 203 ; IV, p. 178, 382, 585, 637, 711 ; [dom François], Bibliothèque générale des écrivains de l'ordre de S. Benoît, t. I, p. 321 ; dom Piolin, Histoire de l'Église du Mans, t. V, p. 211, 212, 257 ; U. Berlière, Charles et Jean Fernand de Bruges, dans Revue bénédictine, 1900, 261, 337
Autor original: B. Heurtebize
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