ESTRIX (ESSCHERIX) Gilles, nascido em Malines a 15 de setembro de 1624, entrou na Companhia de Jesus a 30 de setembro de 1641, ensinou filosofia durante quatro anos e teologia durante sete anos em Louvain; foi provincial de sua ordem na Bélgica; tendo ido a Roma, em 1687, para a eleição do geral da Companhia, ali foi retido pelo recém-eleito, o P. Thyrse Gonzalez, que o nomeou primeiro censor dos livros, depois secretário da Companhia. Na Bélgica, o P. Estrix foi um adversário infatigável do jansenismo e do rigorismo, que perseguiu notadamente nos escritos de vários professores da universidade de Louvain. Defendeu contra eles sobretudo a suficiência da atrição no sacramento da penitência. Em sua Diatriba theologica de sapientia Dei benefica, Anvers, 1672, onde critica a Instructio ad tironem theologum de methodo theologica do cônego van Buscum, sustenta uma proposição, que será condenada por Inocêncio XI em 1679, sobre a compatibilidade da fé sobrenatural e salutar com o conhecimento apenas provável da revelação. A Diatriba e mais dois escritos, nos quais tentou justificar essa proposição, foram postos no índice em 1674, por decretos do Santo Ofício de 24 de fevereiro e de 19 de junho, o terceiro donec corrigatur; mas a obra de van Buscum foi igualmente proibida.
Estrix tomou o pseudônimo Franciscus Simonis para denunciar à Santa Sé os excessos do rigorismo patrocinado pelos doutores de Louvain, em Status, origo et scopus reformationis hoc tempore attentatœ in Belgio circa administrationem et usum sacramenti pœnitentiœ juncta piorum supplicatione ad Clementem X M., Mayence, 1675, dois tomos in-12, edições. Os professores atacados ripostaram denunciando a Roma os erros dos casuístas e a prática « relaxada » que propagavam na administração dos sacramentos, sobretudo da penitência. Inocêncio XI, na congregação do Santo Ofício de 2 de março de 1679, condenou 65 proposições de moral, sem designar-lhes os autores. Logo apareceu nos Países Baixos um pequeno volume anônimo sob o título Décret de N. S. P. le pape Innocent XI contre plusieurs propositions de morale, contendo o texto latino com tradução francesa da sentença e das proposições atingidas e, em seguida, as « Règles générales pour confirmer de ce décret un long l'utilité »; depois, um Avertissement sur l'histoire de la condamnation, no qual se presta sobretudo homenagem aos esforços dos doutores de Louvain, e por fim uma « Table des livres et autres écrits, où les propositions de morale condamnées par le décret de N. S. P. le pape Innocent XI ont été ci-devant flétries, et dans lesquelles on en avait déjà demandé ou prononcé la condamnation ».
Nessa tabela, que remete frequentemente às Provinciales de Pascal, cada uma das proposições condenadas é atribuída a autores explicitamente nomeados; são, na maior parte, jesuítas, com certo número de franciscanos flamengos. O P. Estrix, muito maltratado no Avertissement e na Table, replicou com uma Refutatio accusatoris anonymi damnatas ab Innocentio XI propositiones adscribentis ordinum religiosorum theologis ac præcipue Societatis Jesu, in-12, Mayence, 1679. Esse opúsculo, que havia assinado com um pseudônimo, Wilbrordus Sandœus, foi condenado pelo Santo Ofício em 7 de fevereiro de 1679. Uma edição em francês foi igualmente posta no índice, em 18 de junho de 1680, mas, dessa vez, junto com a publicação que Sandœus pretendia refutar e que era proibida propter annotationes adjectas. Sommervogel indica ainda outros escritos anônimos ou pseudônimos, atribuídos a esse teólogo belicoso. Em Roma, tornado secretário do geral e da Companhia, ajudou com todas as suas forças o P. Gonzalez a conseguir a publicação de seu famoso Fundamentum theologiœ moralis, dirigido contra o probabilismo. Nos últimos meses de sua vida, tentou condensar a doutrina desse livro numa espécie de demonstração matemática.
Esse trabalho foi publicado depois de sua morte, sob o título Logistica probabilium : datum... adjuncta difficultatis potissimœ explicatione, in-12, Rome, 1695; foi muitas vezes reeditado. O P. Estrix morreu em Roma, em 23 de abril de 1694. De Backer-Sommervogel, Bibliothèque de la C. de Jésus, t. iii, col. 466-474; Hurter, Nomenclator, t. iv, col. 328-331; Biographie nationale (belge), t. v; Döllinger-Reusch, Geschichte der Moralstreitigkeiten, t. i, p. 140, 173, etc.; Reusch, Der Index, t. ii, p. 519 sq.; Doctrinæ theologicæ per Belgium manans ex Academia Lovaniensi ab anno 1644 usque ad annum 1677 in partes seu specimina quatuor digestæ per theologos Belgas fidei orthodoxæ et apostolicarum constitutionum studiosos, in-4°, Mayence, 1681
Autor original: J. Brucker
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