EPISCOPALIANA (IGREJA). Chama-se com esse nome uma comunhão cristã que pretende ocupar uma espécie de posição intermediária entre o catolicismo e o protestantismo. Ela conserva numerosas instituições católicas, a hierarquia entre outras, donde o nome sob o qual é geralmente designada. Ao mesmo tempo, privada de uma autoridade espiritual capaz de se impor, ela tem dificuldade em se defender contra as influências protestantes. A luta entre a «Alta Igreja» (High Church), mais «romanizante», e a «Baixa Igreja» (Low Church), mais próxima do protestantismo continental, aparece em todas as épocas da história do episcopalismo. «Em qualquer outro lugar fora da Inglaterra, diz com razão o Sr. C. V. Langlois, onde as instituições, mesmo pouco viáveis em princípio, duram uma vez estabelecidas, ainda que se transformem e se adaptem a novos modos de existência, o estabelecimento anglicano ter-se-ia decomposto bem cedo; metade de seus fiéis teria voltado ao catolicismo romano..., a outra metade o teria abandonado pelo protestantismo propriamente dito.» Art. Église na Grande encyclopédie, t. XV, p. 631. É, com efeito, na Grã-Bretanha, nas colônias inglesas e nos Estados Unidos, que a Igreja episcopaliana conseguiu manter-se e desenvolver-se, apesar dos elementos de dissolução que traz em si.
Na Inglaterra, ela toma o nome de Church of England. Ver Anglicanismo, col. 1281 sq. Na Irlanda, t. i, o de Church of Ireland. Na Escócia, onde a religião oficial é o presbiterianismo, o de Scottish Episcopal Church. Nos Estados Unidos, desde 1785, seu nome oficial é Protestant episcopal Church, mas em 1877, na convenção geral, a maioria dos eclesiásticos presentes votou a mudança desse nome para o de American branch of the Church Catholic. Ver América, t. i, col. 1050, 1074 sq. Sínodos «pan-anglicanos» reúnem de tempos em tempos representantes dos diversos ramos da igreja episcopaliana. O mais recente, e também o mais brilhante, realizou-se em Londres, de 15 a 21 de junho de 1908; contou mais de 7 000 delegados leigos ou eclesiásticos e 240 bispos. Na cerimônia de encerramento, «serviço de ação de graças», que teve lugar em Saint-Paul de Londres, no dia 24 de junho, os metropolitanos presentes se agruparam nos degraus, diante do altar-mor, na seguinte ordem: primeiro degrau, o arcebispo de Canterbury; segundo degrau, os arcebispos de York e de Dublin, e o primus da Igreja episcopaliana da Escócia; terceiro degrau, o arcebispo de Rupertsland, o bispo presidente dos Estados Unidos, o arcebispo de Toronto; quarto degrau, o arcebispo de Brisbane, o arcebispo de Melbourne, o arcebispo de Sydney, o bispo de Calcutá, o arcebispo das Índias Ocidentais.
O arcebispo de Canterbury, que oficiava, deu sozinho a bênção, recebida de joelhos pelos demais metropolitanos. De 6 de julho a 5 de agosto, os 240 bispos presentes realizaram uma Conferência no palácio de Lambeth. O congresso não emitia votos e se limitava a uma troca de pontos de vista; os relatórios, muito interessantes, de suas sete seções foram reunidos pela Society for promoting Christian knowledge, em sete vols., Londres, 1908: Pananglican congress, general report. Os artigos muito bem cuidados do Times, que davam conta diariamente das sessões, foram reunidos numa brochura, mais acessível ao comum dos leitores e provida de um útil Index: The pananglican congress, Londres, 1908. A Conferência de Lambeth publicou uma encíclica e resoluções oficiais, precedidas dos relatórios das comissões e seguidas de interessantes apêndices: Conference of the bishops of the anglican communion, Londres, 1908. Nada pode dar melhor ideia da vitalidade da Igreja episcopaliana, do magnífico florescimento de suas obras econômicas, caritativas, educadoras, como também de sua incurável fraqueza no domínio propriamente religioso.
Trate-se da autenticidade dos Livros santos, da administração dos sacramentos, da admissão de tal ou qual formulário de fé, é sempre a mesma impotência para realizar essa «unidade sem uniformidade» que o congresso reclamava com todos os seus votos. Um redator da grande revista católica o Tablet concluía nestes termos um estudo muito simpático dedicado ao congresso e à conferência: «Duzentos bispos instruídos, piedosos, zelosos a seu modo, atravessaram mares e terras para realizar uma conferência, reunidos, dizem-nos, para altos debates, agrupados para uma ação eficaz. E eis que, em virtude do próprio sistema, são absolutamente incapazes de produzir com autoridade uma única decisão dogmática, a respeito das controvérsias que arruínam a paz da Igreja, de produzir um único cânon dogmático ou disciplinar que possa ser imposto com autoridade a seus membros... O congresso nos mostrou evidentemente a excelência, a laboriosidade, o profundo senso religioso do povo anglicano. Ele revela ao mundo inteiro a desesperadora impotência dogmática da Igreja anglicana.» Tablet, 18 de julho de 1908, p. 83 sq. Resumi em dois artigos, nas Études, os trabalhos do congresso e da conferência: Le congrès pananglican de Londres et la conférence de Lambeth, Études, 1908, t. cxvi, p. 721 sq.; t. cxvii, p. 13 sq
Autor original: J. de la Servière
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