EPIGRAFIA CRISTÃ

EPIGRAFIA CRISTÃ

EPIGRAFIA CRISTÃ. I. A epigrafia cristã em geral. II. A epigrafia cristã como lugar teológico.

I. — NOÇÕES E DIVISÕES. — 1º Noção. A epigrafia cristã é a parte da ciência arqueológica que tem por objeto as inscrições cristãs. Essas inscrições, chamadas em grego , foram postas regularmente por cristãos e devem se referir de algum modo à religião cristã. Essa relação ou vínculo resulta geralmente seja do próprio texto dos monumentos, seja do lugar onde foram encontradas ou para o qual foram erigidas, seja enfim dos sinais gráficos, próprios do cristianismo, que as acompanham. Assim definida, a epigrafia abrange a antiguidade cristã, a Idade Média e os tempos mais recentes. Aqui não consideraremos senão os monumentos pertencentes aos cinco primeiros séculos da Igreja. Daremos certa preferência às inscrições encontradas em Roma, porque são as mais antigas e as mais numerosas e porque representam a fé dessa Igreja de onde o cristianismo se espalhou para diversas regiões do Ocidente. A epigrafia provincial depende, em parte, da capital. Diferenças essenciais só existem propriamente para o Oriente, onde o formulário e o estilo são frequentemente bem outros. 2º Divisão. Nenhuma divisão adequada foi dada até agora.

Para o objetivo que perseguimos, ateremo-nos à do manual de M. Kaufmann, p. 204: inscrições sepulcrais ou epitáfios propriamente ditos, documentos epigráficos de caráter mais monumental, textos epigráficos sobre pequenos objetos conhecidos em arqueologia sob o nome bastante vago de instrumentum domesticum. 1. Tratar-se-á sobretudo, na sequência, dos epitáfios propriamente ditos. 2. A última categoria abrange os monumentos mais diversos: lâmpadas, tijolos, telhas, ampolas, pequenos bronzes, placas ou lâminas de chumbo, colheres, selos, fivelas, anéis, medalhas de devoção, amuletos, vidros de fundo dourado, objetos de marfim, etc. 3. Os documentos epigráficos merecem menção particular por causa do caráter oficial de que se revestem.

Compreendem-se sob esta rubrica epitáfios em sentido mais amplo da palavra, por exemplo, o de Asclepia sobre um sarcófago salonitano, do século IV, publicado por Jelić na Rom. Quartalschrift, t. V (1891), p. 113 sq., 277 sq., o elogio métrico atribuído ao papa Libério, publicado por M. De Rossi, Bullet., 1883, édit. franc., p. 6-62, ou outros semelhantes; em seguida textos honoríficos, por exemplo, os numerosos elogios compostos por santo Dâmaso em honra dos mártires e dos santos e colocados por ele em diversas catacumbas e igrejas de Roma; inscrições votivas, dedicatórias ou outras gravadas em monumentos públicos, tais como os textos sobre a estátua de santo Hipólito no Latrão, a inscrição em mosaico do papa Celestino na basílica de Santa Sabina em Roma, os versos compostos por são Paulino de Nola para diversas igrejas de seu tempo, ou aqueles que vários arqueólogos atribuem a santo Ambrósio; inscrições relatando a construção, a dedicação, os reparos de igrejas, altares, batistérios, etc. É a esta segunda categoria que se pode ligar, sem grande inconveniente do ponto de vista lógico, as inscrições métricas, das quais se tratará mais adiante.

— II. HISTÓRIA DAS COLETÂNEAS EPIGRÁFICAS. A epigrafia cristã, como ciência propriamente dita, é de data recente. Todavia, os começos remontam muito alto. Devem ser buscados nas coleções de textos epigráficos, tanto cristãos quanto profanos, das quais se queria servir para a composição de novas inscrições métricas. O monumento mais antigo desse gênero, o pergaminho de Scaliger, conservado em estado de fragmento, foi redigido entre 550 e 839. O célebre manuscrito de Einsiedeln, recentemente editado por Lanciani e por Huelsen, data da época carolíngia. Depois vêm as outras coleções publicadas por De Rossi, por exemplo, a Palatina, a de Klosterneuburg-Göttweig, a « sylloge » de Verdun. Durante os séculos da Renascença colecionaram-se novamente os monumentos epigráficos. Naturalmente os humanistas deram preferência aos da antiguidade profana. É preciso citar, para os séculos XIV e XV, Cola Rienzi, Giovanni Dondi (por volta de 1375), Poggio Bracciolini, Maffeo Vegio, Ciriaco de' Pizzicolli (Cyriacus d'Ancône), Felice Feliciano, Giovanni Marcanuova, Giov. Jucundo, Pietro Sabina. Várias inscrições cristãs se encontram igualmente na mesma época nos volumosos manuscritos de Aldo Manúcio, o Jovem, em Martin Santhius, nas Inscriptiones sacrosanctae vetustatis (Ingolstadt, 1534) de Pierre Apian e Bartholomée Amantius e nas Inscriptiones antiquae totius orbis Romanorum, publicadas (2 vol., 1603), em Heidelberg, por Janus Gruter, bibliotecário dessa cidade, completadas em 1682 pelo Syntagma inscript. antiquarum do médico Thomas Reinesius, e reeditadas em Amsterdã, em 1707, por Gudius, Grævius e Burmann.

Em todas essas coleções, as inscrições cristãs ocupam apenas um lugar pouco importante. Contudo a descoberta das catacumbas em 1578 trouxe também a descoberta de novas inscrições cristãs. Bosio reuniu um bom número delas, mas só foram publicadas por Severano, em 1632, e por seu tradutor latino, P. Aringhi, em 1651. Infelizmente as que J. B. Doni havia colecionado foram negligenciadas pelos editores de suas obras póstumas, em 1731. Jacques Spon, Mabillon (no Iter Italicum), Montfaucon e Sirmond também anotaram certo número delas. Encontramo-las também em Fabretti e nos Vetera monumenta de Ciampini. Para o século XVIII, uma única grande coleção é notável, o Novus thesaurus veterum inscriptionum de L. A. Muratori (Milão, 1739-1742), ao passo que o Novissimus thesaurus de Seb. Donati (1755) não contém senão uma única inscrição cristã. Outros sábios, sobretudo na Itália, limitaram suas investigações aos monumentos de certas províncias, por exemplo, Fr. Ant. Zaccaria, Gori e outros. Fabretti, Buonarruoti, Marc-Antoine Boldetti, Lupi, Marangoni compuseram monografias muito interessantes.

Apenas dois autores se propuseram a agrupar sistematicamente os textos cristãos para uso dos teólogos: o P. Danzetta, cuja obra permaneceu inédita, e Zaccaria, cujo livro muito medíocre não é senão uma imitação da do seu confrade em religião. Foi o século XIX que havia de criar a ciência epigráfica cristã. Em 1815 morreu Mons. Gaetano Marini, autor de Iscrizioni antiche delle ville de' palazzi Albani (1785) e de Gli atti e monumenti... Arvali (1795). Suas numerosas fichas sobre as inscrições cristãs, conservadas em 31 vol. na Biblioteca Vaticana, serviram primeiro, em 1831, ao cardeal A. Mai para o t. V da Nova collectio scriptorum veterum, e depois a G.-B. De Rossi, que iria dar à epigrafia o que lhe faltava até então: uma base sólida, regras e princípios verdadeiramente científicos. De Rossi começou seu trabalho em 1842. O 1º vol. de suas Inscriptiones christianae urbis Romae apareceu em 1861; a 1ª parte do II em 1888. Este último contém as diferentes « sylloges » ou coleções de que falamos acima, até Pierre Sabina; o primeiro dá todas as inscrições datadas encontradas em Roma. Em seu prefácio, De Rossi expõe o plano de sua obra e fornece prolegômenos muito extensos sobre as antigas cronologias cristãs.

Em 1877, saiu de sua pena o Museo epigrafico Pio-Lateranense, estudo consagrado à bela coleção do Latrão. Igualmente ricos em materiais são os 3 vol. da Roma sotterranea do mesmo autor, assim como os diversos anos do Bullettino, continuado após sua morte (1894) sob o título de Nuovo bullettino por seus discípulos. Dentre estes últimos, vários se ocuparam particularmente da epigrafia cristã em obras especiais, por exemplo, Stevenson, Armellini, Marucchi, Wilpert. A continuação das Inscriptiones foi confiada pelo próprio De Rossi a M. Gatti. Dificuldades materiais detiveram até agora a sua publicação. Entre os outros trabalhos epigráficos publicados na Itália durante a segunda metade do século XIX, mencionamos o de Gazzera sobre o Piemonte, do P. Bruzza sobre Vercelli, de Sanguinetti sobre a Ligúria, de Orsi e de Strazzula sobre a Sicília, etc. Alhures, não se ficou atrás. M. Le Blant reuniu em 3 belos vol. os textos epigráficos das Gálias, dos quais já se haviam ocupado, para certas regiões, Comarmond, Boissieu e Texier. Kraus, de Friburgo, deu os das margens do Reno. O epigrafista Hübner publicou as inscrições da Espanha e da Inglaterra.

O solo africano forneceu nestes últimos anos um número considerável de monumentos cristãos. M. Renier havia reunido certo número deles em suas Inscriptions romaines de l'Algérie. Os textos epigráficos dessa província, assim como os da Tunísia, estão contidos no Corpus inscriptionum latinarum, t. VIII e suplemento. Outros trabalhos serão indicados na bibliografia. As inscrições cristãs escritas em língua grega foram um tanto negligenciadas. A publicação do grande Corpus inscriptionum græcarum (C. I. G.), empreendido pela Academia de Berlim, havia de tirá-las desse esquecimento. M. Adolphe Kirchhoff reuniu um número muito grande delas na segunda parte do IV vol., remetendo, para as já publicadas, aos volumes anteriores. Encontram-se outras na obra de Kaibel e de Fr. Hiller de Gärtringen. Para a Ática pode-se sempre recorrer ao estudo de M. Bayet, para a Ásia Menor às publicações de Le Bas e de Waddington e ao estudo mais recente de M. Cumont nos Mélanges de l'École française de Rome (1895). Para a Palestina, a Revue biblique mantém seus leitores a par das últimas descobertas.

O grande Corpus inscript. græcarum christianarum, tal como foi projetado por MM. Laurent e Cumont, preencheria uma lacuna muito sensível de nossa ciência. Cf. Atti del II° Congresso internaz. di archeologia cristiana, Roma, 1902, p. 173 sq.; Bulletin de correspondance hellénique, t. XXII, p. 410-415. As inscrições coptas são bastante numerosas. Infelizmente ainda não se fez delas uma coletânea completa. Assinalaremos, ao final do artigo, os mais importantes dos trabalhos epigráficos mais recentes, que têm por objeto questões de detalhe.

III. A EPIGRAFIA CRISTÃ E A EPIGRAFIA PROFANA. Já observamos alhures, t. I, col. 1996, que o cristianismo, saído do judaísmo e espalhado pelo mundo greco-romano, não criou uma epigrafia própria, assim como não criou uma arte especial. Viveu de empréstimos. Só pouco a pouco se encontraram as fórmulas para exprimir as ideias novas. A principal lei sempre observada foi a de excluir tudo o que apresentasse um caráter essencialmente pagão. Assim, encontramos, na epigrafia cristã, ao lado de elementos comuns, dados de caráter puramente cristão. Entre os primeiros, poder-se-ia primeiramente destacar a forma de cartela destinada a receber o texto epigráfico, Kaufmann, Handbuch, p. 216; Lupi, Epitaphium Severae, pl. I, n. 5; depois a forma de estela ou de cipo dada a certos monumentos funerários sobre túmulos cristãos ao ar livre, dos quais vários se encontram no museu do Latrão, De Rossi, Bullet., 1877, pl. I, iii-iv, no museu Kircher e no museu arqueológico de Florença. Rom. Quartalschrift, t. XXI (1907), p. 56; t. XXIV (1910), p. 58. Com exceção dos mármores para os loculi, as pedras comuns que recebem uma inscrição não diferem, quanto à forma exterior, dos monumentos pagãos.

Quanto ao formulário epigráfico, notemos primeiro as siglas D. M. ou D. M. S. (Dis manibus, dis manibus sacrum), em grego: Θ. Κ. (Θεοῖς καταχθονίοις)). Sua ausência quase completa durante os dois primeiros séculos, e, a partir do IV, as mudanças que nelas se operam, por exemplo, intercalando às vezes o monograma de Cristo, como no museu do Latrão, p. VIII, 7. Perret, op. cit., pl. 7, n. 11, mostram bem que essas letras iniciais se repetiam por força de um hábito tomado dos lapicidas e que não tinham mais outro objetivo senão o de atestar a destinação funerária dos monumentos. Ver os estudos de Becker e de Greeven citados na bibliografia e dom Leclercq em Cabrol, Dictionnaire d'arch. chrét., t. I, col. 165 sq.

O mesmo se dá com outras fórmulas características bastante raras que, não só comportam perfeitamente uma explicação cristã, como até a exigem, seja por causa do contexto, seja por causa dos símbolos que a acompanham. Tais são as fórmulas domus æternalis ou οἶκος αἰώνιος, das quais falaremos mais adiante, nemo immortalis, οὐδεὶς ἀθάνατος, esta última sobretudo frequente na Ásia Menor, De Rossi, Bullet., 1892, p. 72; ὁ βίος ταῦτα, Kirsch, Acclamationen, p. 5; memoriæ æternæ. Le Blant, Inscriptions chrétiennes, t. I, p. 19, 20. Extremamente raras são as siglas S. T. T. L. (sit tibi terra levis), que se encontram numa pedra datada de 423 em Saint-Laurent de Roma e talvez num mármore da Dácia. Kaufmann, Jenseitsdenkmäler, p. 226; De Rossi, Bullet., 1892, p. 155. Quanto à aclamação Ave, vale, o acréscimo das palavras in pace nos indica o sentido cristão que se lhe deve dar. Kirsch, op. cit., p. 4.

Se em monumentos posteriores à paz da Igreja se fala da Lachesis acerba para designar a morte, do Tartarus ou Erebus para marcar o inferno, do rector Olympi para indicar Cristo, do nemus elysium para nomear o céu, etc., é preciso bem notar que se trata aí de adaptações muito tardias à linguagem profana, de licenças poéticas facilmente explicáveis e empregadas numa época em que os pagãos entravam em massa no cristianismo, mas em que as grandes verdades que essas fórmulas exprimiam estavam perfeitamente fixadas. Ver Kaufmann, Jenseitsdenkmäler, p. 91, 92; Le Blant, op. cit., p. 406, 407; Strazzula, em Rom. Quartalschrift, t. X (1897), p. 507-529.

Inútil insistir sobre outros detalhes comuns, mas muito inofensivos, que ainda se encontram seja no formulário seja mesmo na decoração gráfica. O fato constatado e provado por M. Le Blant de que frequentemente os lapicidas trabalhavam a partir de modelos explica muitas dessas analogias. Le Blant, Manuel d'épigraphie chrétienne, p. 60, etc.; Revue de l'art chrétien, 1859, p. 367-379. Para o detalhe, ver Martigny, Dictionnaire des antiquités chrétiennes, 2ª ed., Paris, 1877, p. 366 sq.

Além desses pontos de contato com a epigrafia profana, os elementos de caráter estritamente cristão são muito numerosos, por exemplo, a decoração simbólica e as imagens bíblicas, as aclamações com fórmulas exclusivamente cristãs, expressões especiais para designar verdades escatológicas ou outras verdades religiosas unicamente conhecidas dos cristãos, etc.

IV. A TÉCNICA OU O ELEMENTO MATERIAL DAS INSCRIÇÕES. 1º As inscrições cristãs, como as profanas, podem se dividir em várias classes: as inscrições gravadas com o cinzel, as inscrições escritas, as inscrições traçadas com a ponta, as inscrições em mosaico. Do mesmo modo, todos os materiais sólidos foram mais ou menos empregados: em particular o mármore e a pedra calcária, às vezes também o travertino, a argila, os metais, o vidro, o marfim, a madeira, etc.

1. As inscrições gravadas em relevo côncavo na pedra, chamadas tituli, são de longe as mais numerosas e as mais importantes. Bastante frequentemente os caracteres são tornados mais visíveis pelo emprego da cor vermelha no sulco das letras. Em certos monumentos notou-se até dourado no vazio dos traços, por exemplo, no epitáfio do bispo Flávio de Vercelli. Gazzera, op. cit., p. 106.

2. Para certo número de inscrições as letras são escritas a mínio, aplicado com o auxílio do pincel seja sobre o tijolo, o que geralmente é o caso, De Rossi, Bull., 1881, pl. vii, viii, seja sobre placas de mármore, seja sobre o reboco das paredes. Chamam-se pelo nome italiano dipinti. Citemos como mais conhecidas a inscrição de Filomena em Santa Priscila, a da virgem Adeodata em Siracusa e o epitáfio de Severa, ilustrado pelo P. Lupi e conservado hoje no Latrão. Nuovo bullet., 1906, p. 258; Fuhrer, Forschungen, p. 116. No mesmo museu veem-se outros monumentos cujo texto é traçado a carvão ou com o auxílio de outra substância negra; o mesmo em Santa Priscila. Rom. Quartalschrift, xx (1906), p. 15 sq., pl. v-vi; De Rossi. Bull., 1892, pl. iv. Em Santa Inês encontrou-se uma matéria branca sobre um tijolo vermelho; o mesmo se dá com uma pedra do Latrão. Marchi, Monumenti delle arti cristiane, p. 112; Rom. Quartalschrift, t. xix (1905), p. 142, n. 1.

3. As inscrições em mosaico são compostas de pequenos cubos de pedra ou de vidro como as demais partes dessa pintura monumental. São raras nas catacumbas de Roma, mais frequentes nas igrejas e também nos monumentos funerários da África. Boldetti, Osservazioni, p. 547; Leclercq, em Dictionnaire d'archéologie chrétienne, t. I, col. 715-723; Revue archéologique, 4ª série, t. iv (1904), p. 352; Hübner, Inscr. Hisp. Supplem., p. 83, n. 410 (do século IV-V).

4. Os graffiti são inscrições traçadas com a ponta sobre a cal fresca dos loculi, sobre o reboco seco das paredes ou ainda, embora mais raramente, sobre a pedra. Os primeiros, que se poderiam chamar graffiti sepulcrais, datam do momento da sepultura; os outros provêm de peregrinos que visitaram os cemitérios e os santuários cristãos e são fáceis de distinguir dos primeiros, mesmo do simples ponto de vista paleográfico. Alguns trazem uma indicação cronológica, por exemplo, o de 374, descoberto em Santa Priscila. De Rossi, Bull., 1888-1889, pl. vi-vii; 1890, p. 72-80. Por causa do emaranhado das palavras a leitura nem sempre é fácil. Para se convencer disso, basta lançar um olhar seja sobre os graffiti da capela dos papas, publicados por De Rossi, Roma sotter., II, p. 17 sq., 161, e reproduzidos com a transcrição nos manuais de Marucchi, p. 246, 247, de Kaufmann, p. 254, 255, do P. Xystus, t. II, p. 336, 337, seja sobre os graffiti da cripta dos Santos Pedro e Marcelino que nos dá o Nuovo bulletino, 1898, pl. xiii-xvi.

Digamos desde já, para não voltarmos a isso mais adiante, que os graffiti têm importância considerável, não só do ponto de vista arqueológico e topográfico, por exemplo, para a determinação das criptas históricas, mas ainda do ponto de vista dogmático. Eles nos atestam o costume de visitar os túmulos e de rezar pelos mortos. Vários deles contêm invocações análogas às que encontramos nos mármores epigráficos: invocações dirigidas seja a Deus pelos defuntos, seja aos santos pelos sobreviventes, seja aos defuntos pelos sobreviventes. Além disso, provam que, desde a mais alta antiguidade, vinha-se de muito longe em peregrinação visitar os túmulos dos santos, recomendar-se à sua poderosa intercessão, invocar o seu socorro para a vida e para a morte. Ver Comunhão dos santos, t. III, col. 454 sq., e Santos (Culto dos). É por engano que se associaram aos graffiti as pequenas inscrições que às vezes se encontram em medalhas, vasos, selos, vidros de fundo dourado. Para esses pequenos objetos serviu-se muito frequentemente de uma técnica especial que interessa mais particularmente à arqueologia.

2º As inscrições opistógrafas são pedras escritas dos dois lados. Para ganhar tempo, ou sobretudo por economia, os cristãos serviam-se às vezes de mármores que já traziam um texto seja cristão, seja pagão, seja profano, e gravavam no verso a nova inscrição, voltando para o interior do túmulo o texto primitivo. De Rossi, Inscript, christ., t. I, p. 44, n. 122; p. 117, n. 238; p. 172, n. 391 (a. 391); p. 176, n. 403 (a. 392), etc.

3º Notemos enfim, quanto à forma dos epitáfios, que as lajes mais finas serviram para o fechamento dos loculi; as de Roma são geralmente anteriores ao ano 410. As mais espessas cobriam túmulos a céu aberto ou pelo menos colocados horizontalmente. As pedras em forma de cipo ou de estela são menos raras no Oriente do que no Ocidente e atestam sempre uma alta antiguidade. Tais são os monumentos de Abércio, de Alexandre e outros.

— V. DA PALEOGRAFIA PROPRIAMENTE DITA. Os monumentos cristãos apresentam quase a mesma paleografia que os pagãos, exceto que estes últimos se distinguem geralmente por mais regularidade e arte. A capital é a escrita usual. Mas, já no fim do século III na África, no IV em Roma, no V nas Gálias, constatam-se diversas mudanças que anunciam a escrita uncial.

As letras A, D, M, começam a se arredondar; outras, como F, R, B, L, tornam-se mais alongadas. Nuovo bullet., 1901, p. 240; De Rossi, Inscript, christ., t. I, p. 173, n. 395. A cursiva aparece num mármore do ano 296. De Rossi, Inscript, christ., t. I, p. 25, n. 18. É sobretudo dela que se serve nos graffiti. Quanto à execução, pode-se dizer que, em geral, nos séculos I e II, as letras são muito bem formadas; são-no menos bem no III; tornam-se disformes nos séculos IV e V. As tábuas acrescentadas às grandes publicações de MM. De Rossi, Le Blant, Hübner, Roller, Perret permitem facilmente acompanhar essa decadência da escrita. Naturalmente essa regra sofre mais de uma exceção. A uniformidade nem sempre existe. Assim, nas inscrições mais antigas, De Rossi pôde distinguir dois tipos paleográficos particulares: o tipo pricilianista e o tipo ostriano.

Outra exceção bem conhecida dos arqueólogos diz respeito aos caracteres totalmente típicos inventados para as inscrições do papa Dâmaso por seu secretário Furius Dionysius Philocalus. Perret, op. cit., t. V, pl. 39; De Rossi, Roma sotter., II, pl. ii; Inscript, christ., t. I, p. 145, n. 329; Bull., 1884-1885, p. 7 sq.; Carini, Epigrafia e paleografia del papa Damaso, Roma, 1887; Le Blant, Paléographie des inscriptions latines du IIIe siècle à la fin du VIIe, na Revue archéologique, IIIe série, t. xxix-xxxi (1896, 1897).

VI. — DA LÍNGUA E DA ORTOGRAFIA DOS TEXTOS. Os textos epigráficos em língua latina são os mais numerosos. Os textos gregos predominam no Oriente. Além disso, o Egito produziu-os em língua copta. Durante os três primeiros séculos, o grego foi frequentemente empregado em Roma, por exemplo, para quase todos os epitáfios dos papas do século III, às vezes até nas Gálias. Em alguns monumentos encontram-se as duas línguas ao mesmo tempo. Perret, op. cit., pl. 23, 38, n. 127; Corp. inscr. lat., t. v, n. 6195. Alhures, o texto latino é escrito em letras gregas, por exemplo, os graffiti citados por De Rossi, Bull., édit. ital., 1863, p. 2, 3, o epitáfio de uma certa Severa, do ano 269, De Rossi, Inscript, christ., t. I, p. 18, n. 11 ou ainda o texto seguinte, publicado por Wjelert, Malereien, p. 185: ΔΕΟΥϹ ΧΡΙϹΤΟϒϹ ΟΜΝΙΠΟΤΕ(Ν)Ϲ ϹΠΙΡΙΤ(ΟϒΜ) : ΤΟϒ(ΟϒΜ) ΡΕΦΡΙΓΕΡΕ(Τ). O inverso é mais raro. De Rossi, Bull., 1886, p. 68, n. 73; p. 70, n. 77. Uma única inscrição cristã de Roma está em caracteres hebraicos. De Rossi, Roma sotter., t. I, p. 386.

2º Os textos mais antigos são os mais corretos. A partir do século IV aparecem palavras novas tomadas da linguagem popular. Na mesma época, os erros de ortografia de toda espécie tornam-se muito numerosos. Ora a causa está nos lapicidas, que eram gente do povo como aqueles para quem trabalhavam; ora é preciso ver nisso o efeito de uma pronúncia defeituosa ou de singularidades de provincianismos. As particularidades ortográficas, sobre as quais não podemos nos estender aqui, estão indicadas nas tábuas das diferentes publicações epigráficas, por exemplo, em Muratori, Le Blant, os volumes do Corpus. As mais comuns estão reunidas nos dicionários de Martigny, 2ª ed., p. 364, 365, e de Kraus, t. II, p. 45, nos manuais de Kaufmann, p. 197, e do P. Xystus, loc. cit., p. 8, 9. Ver Audollent, De l'orthographe des lapicides carthaginois, em Compte rendu du IVe Congrès scientifique internat, des catholiques, Friburgo, 1898, t. vi, p. 195 sq. Kübler, em Archiv für lateinische Lexikographie und Grammatik, t. viii (1892), fasc. 2; Le Blant, Manuel, p. 193 sq.; Carnoy, Le latin d'Espagne d'après les inscriptions, no Muséon, 1902 (vários artigos); Pirson, La langue des inscriptions latines de la Gaule, em Bibliothèque de la faculté de philos, et lettres de l'Université de Liège, Liège, 1901, fasc. 11, p. 1-326.

VII. DA DIREÇÃO DA ESCRITA E DA PONTUAÇÃO. 1º A direção da escrita é a dos romanos e dos gregos: vai da esquerda para a direita. As exceções são muito raras. Epitáfios escritos da direita para a esquerda encontram-se em Boldetti, op. cit., p. 555, e em Perret, op. cit., t. v, pl. 64, n. 5 (em parte). Sobre as impressões dos selos e as marcas dos tijolos, esta última direção é natural. A escrita em coluna é menos rara nos objetos delgados. Ver um exemplo na inscrição damasiana do papa Eusébio, em Marucchi, Éléments, t. i, p. 227.

2º A pontuação não é sem valor para a cronologia. Certo número de antigas inscrições, assim como a maior parte das dos séculos IV e V, dela carecem. Essa observação vale particularmente para os monumentos das Gálias. O ponto triangular é indício de altíssima antiguidade. Depois vem o ponto redondo. A folha de hera, hedera distinguens, é frequente no século III e ainda no IV. Mon. lat., n. 3173, 3210, 3269, etc. Raramente se fez uso do asterisco, de uma letra do alfabeto mais ou menos bem feita (X, Y, Y, α, 0, V, deitado horizontalmente), de uma pequena palma, da cruz grega.

Regularmente os sinais de pontuação só deveriam encontrar-se dentro das linhas para separar as palavras umas das outras e ficar à meia altura; mas a exceção não é rara e a pontuação dos monumentos cristãos é frequentemente muito irregular. Para as indicações que precedem, as pranchas de De Rossi, Le Blant e Perret fornecem exemplos em grande número; assim Inscript, christ., t. i, p. 38, n. 39; p. 42, n. 48; p. 61, n. 96; p. 87, n. 154; p. 179, n. 411, etc.

— VIII. SIGLAS, ABREVIATURAS, LIGADURAS. As siglas compõem-se da inicial da palavra, por exemplo, M. para MARCUS, V.C. para vir clarissimus, D.M. para DIS MANIBUS. A abreviatura comum é uma redução das palavras, seja às suas primeiras letras tomadas em grupo compacto, o que é o caso mais frequente, por exemplo, DIAC. para DIACONUS, CONS. para CONSULE, seja a várias letras tomadas em intervalos no corpo da palavra, por exemplo, IHS para IHCOYC ou JESUS. Frequentemente um traço horizontal indica que faltam letras. As ligaduras se obtêm quando se ligam de tal modo entre si as letras que se seguem, que têm traços em comum (litterae ligatae), por exemplo, em mármore o A de Abércio e os sinais monogramáticos. Consultar, além do excelente manual de M. Cagnat, as indicações de Mowat no Bulletin épigraphique, 1884, p. 127 sq., do P. Leclercq, em Cabrol, Dictionnaire, t. I, col. 155 sq., de Kraus, Roma sotterranea, 2ª ed., p. 614 sq., e Real-Encyklopädie, t. ii, p. 47-51, de Martigny, Dictionnaire, p. 375-378, de Kaufmann, Handbuch, p. 199, 200.

IX. A CRONOLOGIA. A importância dos textos depende em grande parte de sua antiguidade. Bastantes inscrições são datadas: a mais antiga, hoje no museu do Latrão, p. iv, 1, parece ser do ano 71. Raras no século II, já são bastante numerosas no III e tornam-se mais frequentes a partir do IV. Os monumentos não são datados em toda parte da mesma maneira, tampouco entre os pagãos. Frequentemente só se marcavam os cônsules ordinários que entravam em exercício a 1º de janeiro. Já no fim do século IV, os nomes dos imperadores figuram em certos monumentos. Com o auxílio das listas consulares publicadas por De Rossi, Inscript, christ., t. I, p. 587-613, e reproduzidas por Marucchi, op. cit., p. 176-179; Kaufmann, Handbuch, p. 258-274; o P. Xystus, op. cit., t. ii a, p. 357-392, é fácil reduzir essas indicações cronológicas às datas da era cristã.

Mais tarde, marca-se também o nome dos reis bárbaros. O monumento mais antigo é o que traz o nome do visigodo Turismundo (451-453). Leclercq, Dictionnaire, t. II, col. 1070. Teodorico, o Grande, é mencionado em vários monumentos da Itália. O nome dos papas não figura aí antes do século IV, como nota cronológica. Júlio I é o primeiro que encontramos. Ver mais adiante, col. 319. Em 397, encontramos misturado a outras notas cronológicas o nome de um bispo Pascásio. De Rossi, Inscript, christ., t. I, p. 192, n. 442. Já no começo do século V, encontram-se datas determinadas pelas indições. Às vezes esta última é empregada sozinha. Nesse caso, é praticamente sem valor. Em Roma, tinha-se a era da fundação da cidade. Em certas províncias seguiam-se outras. A era da Espanha, aera hispana, em uso durante séculos na península ibérica, parte de 1º de janeiro de 38 antes de Jesus Cristo (716 da fundação de Roma); a da Maurentânia, de 1º de janeiro do ano 40. A era frígia, que se encontra, por exemplo, na estela de Alexandre, cujo texto não é senão uma cópia incompleta da de Abércio, começa no ano 84 depois de Jesus Cristo.

A era síria, dita também de Antioquia, tem por ponto de partida o ano 49 antes de Jesus Cristo e não deve ser confundida com a era dos Selêucidas, que remonta ao ano 312 antes de Jesus Cristo. No Oriente, por exemplo, no Egito, conhece-se ainda uma era particular aos cristãos, a era dita dos mártires, aera martyrum, ἀπὸ μαρτύρων, que começa com o reinado do cruel Diocleciano, em 284. Quanto aos dias do mês ou da semana, seguia-se a princípio o uso pagão. A partir do século III, encontram-se denominações cristãs, por exemplo, dies dominica ao lado de dies solis, sabbatum ao lado de dies Saturni. De Rossi, Inscript, christ., t. I, p. 225, n. 529 (a. 404); na mesma página, lxxi, nota 6.

Quase ao mesmo tempo começa-se a usar como datas as festas de mártires NATALE DOMINI ASTERII; NATALE OVIS : D SITIRETIS (Solemn); (NATALE) DOMNES (sic) 309 (cf.): NATALE SANCTI LAURENTI; NATALE SANCTI MARCI; ἑορτὴ τῆς κυρίας μου Λουκίας. Nuovo bullet., 1900, p. 168, 169; 1904, p. 96, 97; Kaufmann, Handbuch, p. 204; De Rossi, Inscript. christ., t. I, p. 536, n. 1185; Anal. bolland., t. XXII (1903), p. 492; t. XXVIII (1909), p. 179; Wilpert, La più antica epigrafe con data cristiana, dans Miscellanea di storia eccles., 1904, p. 91-94. Para os monumentos desprovidos de indicações cronológicas propriamente ditas, determina-se a data aproximadamente com o auxílio de certos critérios, a saber: a forma do monumento, a nomenclatura, a língua, a paleografia, o formulário epigráfico, o sistema de ornamentação, etc. As indicações que damos aqui sobre este ponto bastarão ao leitor.

O FORMULÁRIO OU A FRASEOLOGIA EPIGRÁFICA. A DECORAÇÃO ICONOGRÁFICA. São sobretudo os epitáfios propriamente ditos que temos aqui em vista.

1° O formulário epigráfico, tanto quanto a arte cristã, não foi criado de um só golpe; desenvolveu-se aproximadamente, sobretudo em Roma, nesta ordem: as inscrições mais antigas são as mais simples. Dão o nome do defunto no dativo ou no nominativo, como se pode ver em vários dos dipinti, em Santa Priscila. Quanto ao sistema pagão de inscrever os três nomes, é de uso raro na epigrafia cristã e atesta uma alta antiguidade. Em seguida acrescenta-se uma piedosa aclamação de forma muito concisa: pax, pax tecum, ἐν εἰρήνῃ, in pace, ou então Deo; um símbolo, como a âncora, o peixe, a pomba, o bom Pastor, a orante, a ânfora. Desde a segunda metade do século III menciona-se também a sepultura, a deposição depositio, depositus, κατάθεσις. Marca-se a idade do defunto; mas também, às vezes, muito raramente, a data consular. Dá-se ao defunto algum epíteto referente ao seu mérito ou ao seu caráter. As indicações muito breves a respeito do parentesco com aquele que colocou o monumento tornam-se menos raras. As aclamações também se desenvolvem um pouco: Vivas in Deo; in bono; in refrigerio; Deus tibi refrigeret e outras encontram-se com frequência. Rom. Quartalschrift, t. XX (1906), p. 11 sq. Às vezes, no Oriente, encontra-se o título de cristão, χριστιανός. Tornada livre a Igreja, cessa a simplicidade primitiva. Frequentemente exprime-se a dor causada aos sobreviventes pela morte daquele que já não é mais.

As indicações sobre a profissão, seja civil seja eclesiástica, raras antes de 300, tornam-se frequentes. As aclamações também mudam, ao menos em parte, para depois desaparecer quase completamente. Um pouco mais tarde, relata-se a preparação do túmulo, a compra do loculus ou do sarcófago, o fossor que a isso se prestou, o preço que se pagou, o lugar onde se encontra a sepultura. Depois faz-se conhecer ainda certas circunstâncias da vida ou da morte do defunto. O epíteto sanctus só recebe seu significado estrito no fim do século IV. Em seu lugar encontra-se bastante frequentemente a palavra dominus. Anal. bolland., t. XXVIII (1909), p. 161-200. Enfim, fórmulas de anátemas contra os violadores dos túmulos, muito raras antes de Constantino, sobretudo no Ocidente, tornam-se muito mais frequentes e são de uma rigidez por vezes surpreendente. Ver, a este respeito, os numerosos textos publicados por Diehl, op. cit., p. 29-38; Realencyklopädie für protest. Theologie und Kirche, t. X, p. 829-831; no Dictionnaire d'archéol., t. I, col. Michel, 1932-1935. Tal é, muito sumariamente esboçado, o desenvolvimento da fraseologia funerária. Naturalmente, as exceções são numerosas, sobretudo nas províncias mais afastadas, menos na Gália e na África. Bastante numerosas também são as expressões ou fórmulas particulares às diferentes regiões ou países. Para esses detalhes, remetemos o leitor aos manuais de Le Blant e Kaufmann, aos dicionários de Martigny e Kraus e aos índices das coletâneas de inscrições orientais.

— 2° A decoração gráfica. Compõe-se de sinais ideográficos, de símbolos, de cenas tiradas da Bíblia, de imagens que aludem ao ofício do defunto ou de outras traçadas ora sozinhas, ora várias sobre as mesmas pedras. A âncora é talvez o símbolo mais antigo e se mantém bastante tempo; do mesmo modo a palma, a pomba sozinha ou em grupo, o peixe, o cordeiro, o pavão, a coroa, a orante sozinha, com o bom Pastor, no meio de ovelhas e pássaros, o navio sozinho ou dirigindo-se para o porto, o cavalo, o vaso sozinho ou ladeado de pássaros que se preparam para nele se saciar, o alqueire. Perret, op. cit., t. V, pl. 21, 18, 44 e 20, 21, 70, 73, 5, 9 e 67, 16 e 41, 50, 41 e 57, 22.

Da Bíblia são tomadas mais particularmente as cenas de Adão e Eva ao lado da árvore, Noé na arca, Moisés e o rochedo, Daniel na cova dos leões, Jonas e a baleia, a adoração dos magos, a ressurreição de Lázaro, o bom Pastor, a traditio legis ao príncipe dos apóstolos, o céu, morada de luz. Perret, op. cit., pl. 12, 77, 63, 12, 57, 12, 13, 15, 3, 24. Raramente veem-se as imagens dos príncipes dos apóstolos. Perret, op. cit., pl. 11; Nuovo bullet., 1901, pl. IX.

Mais frequente é o retrato do defunto em busto. Perret, op. cit., pl. 12, 41, 44, 67. Pode-se ver também o defunto exercendo seu ofício: um mercador de grãos, o bordador, o ferreiro golpeando a bigorna, a criança que apanha pássaros. Perret, loc. cit., pl. 26, 52, 52; Musée du Latran, p. xvi, n. 3; Diction. d'arch. chrét., t. I, col. 3145. Frequentemente contenta-se em traçar sobre a pedra os instrumentos do defunto, os pincéis e o compasso do decorador, o esquadro, a régua e o cinzel do cortador de pedras, a navalha e o espelho do barbeiro, etc. Perret, loc. cit., pl. 6, 47, 26. A administração do batismo figura sobre um mármore de Aquileia, os símbolos eucarísticos sobre uma pedra do museu Kircher, em Roma, o juízo da alma sobre uma outra do Latrão. Wilpert, Inschriften Aquileias, p. 39; cf. t. II, col. 234; Perret, loc. cit., pl. 47, 22. Um mármore de Urbino apresenta um túmulo, um candelabro de sete braços, uma balança, uma casa e um peixe. De Rossi, Inscript. christ., t. I, p. 210, n. 489; um outro, do Latrão, uma cena campestre. Perret, loc. cit., pl. 12. Esta decoração variada, cujo sentido simbólico será explicado no art. Symbolismo, encontra-se ainda em outros lugares além de Roma, por exemplo, na África. Delattre, dans les Missions catholiques, 1902, p. 357. Em compensação, é muito mais rara nas Gálias e quase desconhecida no Oriente.

O sinal gráfico mais conhecido é o monograma de Cristo. Antes de Constantino, encontra-se por vezes como compendium scripturæ ou sigla do nome Χριστός. A partir do reinado desse príncipe, apresenta várias formas: o do Labarum ☧ subsiste até o fim do século IV. As letras A e Ω acrescentam-se a ele frequentemente desde meados do século IV e se mantêm até por volta de meados do V. A cruz monogramática, ☧ ou ♩, pertence aproximadamente ao mesmo período. Já a partir do século V, a cruz nua, muito rara antes de Constantino, aparece frequentemente. A crux gammata (卐), também chamada Svástica, encontra-se antes e depois da paz da Igreja (séculos III e IV). O sinal ANKH ☥, de origem egípcia, é sobretudo frequente nas regiões do Nilo. Notemos enfim que se encontram sobre algumas pedras nomes próprios em forma de monogramas. De Rossi, Bullet. ital., 1863, p. 33 sq.; édit. 1887, 19; 1892, p. 110; Nuovo bullet., 1899, p. 29, I, n. 10; 1909, p. 208, n. 67; p. 211, 212, n. 73, 81; Perret, op. cit., pl. 30, n. 111; pl. 49, n. 23; pl. 57, n. 10; Röm. Quartalschrift, t. XX (1906), p. 23; Xystus, Notions d'archéol. christ., t. II, p. 43-52.

XI. INSCRIÇÕES MÉTRICAS. São bastante raras nos séculos II e III. Citemos, como monumentos verdadeiramente importantes, o mármore de Abércio, o monumento de Autun, a inscrição de Ágape em Santa Priscila, assim como a da mártir Zosima. Depois do ano 300, tornam-se mais numerosas, sobretudo com são Dâmaso, santo Ambrósio e são Paulino de Nola. Ao século V pertencem as inscrições de Aquiles, bispo de Spoleto, do papa Sisto III e outras. O próprio são Dâmaso foi imitado por outros. Weymann, dans la Revue d'histoire et de littérature religieuses, t. I (1896), p. 58 sq. Todavia, certas regiões, por exemplo, Siracusa e a África, apresentam muito poucas. Sua forma denota, em geral, a decadência da métrica. As regras nem sempre são fielmente observadas. No século IV e no V, os quasi versus são frequentemente empregados. De Rossi, Inscript. christ., t. II, p. cxv; Roma sotterranea, t. I, p. 45-48.

Quanto ao fundo, é certo, como fizeram notar o Sr. Le Blant e outros, que versos inteiros ou ao menos partes de versos são tomados de antigos poetas. Uma inscrição da Villa Borghese, do século III, reproduz uma passagem da Eneida, II, 143 sq. O 11º verso da inscrição do bispo Alexandre de Tipasa, na África, reúne dois hemistíquios virgilianos. Leclercq, Dictionnaire d'arch. chrét., t. I, col. 825. As palavras abstulit atra dies et funere acerbo : sit (Eneida, VI, 429; XI, 28) voltam por diversas vezes. De Rossi, Inscript. christ., t. I, p. IX; t. II; Le Blant, op. cit., p. 128, nota 1. Um epitáfio gaulês termina com o verso 57 da V écloga. Le Blant, loc. cit., p. 254, nota 1. O papa Dâmaso imita frequentemente o poeta de Mântua. Ihm, Damasi epigrammata, p. viii; Stornaiolo, Osservazioni letterarie e filologiche sugli epigrammi damasiani, dans Studi e documenti di storia e diritto, t. VII (Roma, 1886). Outros empréstimos ou alusões a Menandro, a Virgílio e a Horácio são citados pelos Monumenta lit., n. 2788, por Kirsch, Acclamationen, p. 35, nota 2, e Kaufmann, Jenseitsdenkmäler, p. 98. Os termos Tartarus, nemus, Styx, elysium, rector Olympi, etc., são evidentemente tomados dos autores clássicos. Strazzula, dans Röm. Quartalschrift, t. XI (1897), p. 507 sq.

A dicção é bastante pesada e pouco natural, mesmo nas produções de são Dâmaso. O estilo denota muita retórica. Acumula-se epíteto sobre epíteto e brilha-se muito mais pelas palavras do que pelos pensamentos. Naturalmente, a decadência se acentua ainda mais nos séculos V e VI, quando a simplicidade clássica dos primeiros tempos desapareceu. É um elogio oratório, quase uma oração fúnebre que se encontra nesses textos. Digamos, em desculpa de seus autores, que nem todos pertenciam à classe dos sábios ou dos poetas. De Rossi, Inscript. christ., t. II, p. VII sq.; Weyman, dans Blätter für das Gymnasialschulwesen, Munich, t. XXXI (1895), p. 529-556. Ver, para este parágrafo, De Rossi, Inscript. christ., t. IIa, p. XXXI sq.

XII. INSCRIÇÕES FALSIFICADAS; COLEÇÕES EPIGRÁFICAS. Na epigrafia cristã, como na epigrafia pagã, encontram-se textos falsificados. Todo mundo conhece os de Santa Martina e do Coliseu em Roma, de Aliscamps nas Gálias. Marucchi, Éléments, t. I (1900), p. 20, 21; Leclercq, Dictionnaire d'arch. chrét., t. I, col. 1212. Pirro Ligorio não foi o único falsário.

Basta, para disso se convencer, consultar, por exemplo, Hübner, Inscript. Hisp., t. II, p. 91-106 (n. 1*-101*), ou os Monumenta lit., t. I, p. CCXV. Quanto às coleções de inscrições cristãs originais, devemos mencionar, fora das catacumbas onde se encontra o maior número, os museus do Latrão e do Vaticano, o museu Kircher, os museus do Campo-santo dos Alemães, do Capitólio e do convento de São Paulo Extramuros. Vêm em seguida os museus de Ravena, de Nápoles, de Siracusa e de Palermo, de Cartago, do Cairo, de Alexandria, de Atenas, de Lyon, de Viena, de Trier, de Mainz, etc.

— II. A EPIGRAFIA CRISTÃ, LUGAR TEOLÓGICO. Todo mundo admite hoje a importância da epigrafia cristã como fonte teológica. Das inscrições em geral já se disse que constituem as fontes mais seguras da antiguidade, que nos mostram os homens e as coisas tais como realmente eram e nos fazem conhecer situações das quais nenhuma outra fala, ao passo que os documentos escritos foram muitas vezes alterados em razão das cópias que deles se fizeram e até mesmo, por vezes, corrompidos intencionalmente. Larfeld, Griechische Epigraphik, t. I (1908), p. 9. Ora, isto vale inteiramente para os textos epigráficos cristãos, tanto mais que neles não se encontra em parte alguma esses exageros ou falsidades de que certos textos oficiais profanos nem mesmo estão isentos.

Além disso, todos esses monumentos de que nos ocupamos têm caráter essencialmente religioso, um grande número mesmo caráter funerário, isto é, referem-se à sepultura e refletem antes de tudo as ideias, as crenças que dizem respeito à morte, ao túmulo e à eternidade. Outras crenças religiosas aí são igualmente expressas, embora de maneira antes secundária. Encontram-se aí também certas alusões às controvérsias suscitadas em Roma, no século III, a respeito da Trindade ou, no tempo de Diocleciano, a respeito da reconciliação dos lapsi. De Rossi, Bullet., 1866, édit. ital., p. 77 sq.; 1877, édit. franc., p. 29.

Aliás, a heresia também teve seus monumentos. Tal epígrafe de 318 menciona uma «sinagoga dos marcionitas», ao sul de Damasco, Le Bas et Waddington, Inscript. grecques et latines, t. III (1870), p. 582, n. 2558; outras tais falam do maniqueísmo, do gnosticismo, do montanismo. Revue d'histoire ecclésiastique de Louvain, t. IX (1908), p. 19-20; Batiffol, La littérature grecque, Paris, 1897, p. 115; Corp. insc. lat., t. VIII, n. 2272. O donatismo produziu uma epigrafia cuja extensão e importância nos foram recentemente reveladas pelo Sr. Monceaux, na Revue de philologie, 1909, t. XXXIII, p. 112-161.

Além disso, esses textos se distinguem geralmente por uma linguagem muito clara, muito simples, e não é raro encontrar-se neles palavras, fórmulas tomadas diretamente da Sagrada Escritura, das orações litúrgicas, às vezes até dos Padres da Igreja. Notemos ainda que apenas um pequeno número dessas inscrições se deve a personagens oficiais: como documentos públicos, elas têm um valor maior. As outras provêm da gente do povo, refletem as ideias do povo, foram colocadas para serem lidas pelo povo e formam assim uma verdadeira literatura popular. Como tais, são a expressão espontânea e natural do que ele sente, do que ele crê, do que ele espera. Aqui, o lado individual, subjetivo, que encontramos tão frequentemente nos documentos, desaparece. É o conjunto do povo cristão que se dá a conhecer, esse povo que, longe de ser para nós uma nação desconhecida e morta, viveu nos primeiros séculos de uma instituição à qual pertencemos, que ainda hoje continuamos.

Para apreciar esse valor dos monumentos do ponto de vista teológico, para determiná-lo, é preciso primeiro conhecer bem os textos, o formulário geral com as particularidades próprias a certas regiões, fixar-lhes a idade segundo as indicações dadas. Tudo isso pressupõe um conhecimento ao menos sumário da epigrafia clássica. É preciso em seguida, para bem compreender os textos, ter um conhecimento aprofundado do espírito cristão tal como no-lo revelam a literatura religiosa da época e a arte cristã com seu simbolismo. Depois é preciso servir-se disso com justeza e, para tanto, não torturar fórmulas de ordinário claras e fáceis de compreender, para nelas descobrir dados, sutilezas em que ninguém então pensara, e distinguir entre os monumentos que refletem as ideias do comum dos fiéis e aqueles que têm por autores personagens oficiais. Enfim, é preciso levar em conta a idade dos monumentos. Cumpridas essas condições, veremos que «embora as pedras sepulcrais nunca tenham sido na antiguidade, tampouco em qualquer outra época, um compêndio do catecismo e menos ainda da teologia dogmática, como muito bem observou» De Rossi, Bullet., 1877, édit. franc., p. 28, pode-se todavia aí encontrar indicações, alusões muito preciosas a respeito da fé de nossos antepassados. Para maior clareza, seguiremos a ordem adotada no art. Arte cristã primitiva.

A EPIGRAFIA CRISTÃ — e a teologia — dogmática geral. 1° A Sagrada Escritura. 1. Inscrições menos antigas exprimem-se por vezes sobre as relações entre os dois Testamentos, por exemplo, aquela que são Paulino de Nola, por volta de 403, destinava a um duplo pórtico () que reunia duas igrejas, separadas por um batistério construído por Sulpício Severo, P.L., t. LXI, col. 333; Le Blant, op. cit., t. II, p. 391: Aula duplex tectis ut ecclesia testamentis Una, sed ambobus gratia fontis adest. Lex antiqua novam firmat, veterem nova complet. In veteri spes est, in novitate fides. Sed vetus atque novum conjungit gratia Christi medio datas : Propterea tons est spatio.

2. Examinando mais de perto o formulário epigráfico, constata-se facilmente que nossos pais na fé frequentemente foram buscar inspiração nos santos Livros. Sobre um mármore de 302, um marido chama sua mulher Costa sia. De Rossi, Inscript. christ., t. I, p. 85, n. 151. A expressão é evidentemente tomada do Gênesis, II, 22. Um outro, do século III o mais tardar, faz-nos conhecer o pecado de Adão e a pena que se seguiu. Musée du Latran, p. XIV, n. 7. Cf. De Rossi, Bullet., 1884-1885, 73 sq. Sobre um terceiro, pertencente a uma virgem cristã, inscreve-se a passagem do livro da Sabedoria, IV, 13: et vita brevi explevit tempora multa. Wilpert, Jungfrauen, p. 97.

Frequentemente encontram-se versículos, mais ou menos completos, tirados dos salmos, cujo canto e recitação desempenhavam papel muito importante no ofício litúrgico e nos ritos fúnebres dos primeiros séculos. Ver de Waal e Wagner na Römische Quartalschrift, t. x (1890), p. 340 sq.; t. XII (1898), p. 247 sq.; e Michel, Gebet und Bild in frühchristlicher Zeit, 1902, p. 33, em J. Ficker, Studien über christliche Denkmäler, nova série, fasc. 1º. O versículo Exsurgat Deus et dissipentur inimici ejus (sl. LXVII) lê-se sobre uma lâmina de chumbo opistógrafa do século VI, encontrada em Reggio, na Calábria, Röm. Quartalschrift, t. I (1887), p. 197, pl. IV; Leclercq, Dictionnaire d'arch. chrét., 1902; primeiro do salmo sobre amuleto e em outros lugares, Leclercq, op. cit., t. I, col. 1822; as palavras In pace dormiam et requiescam (sl. IV, 9), sobre um mármore gaulês. Le Blant, Inscript. chrét., t. I, p. 450, n. 336C. Sobre uma pedra africana lê-se: In Deo sperabo; non timebo, quid michi (sic) faciat homo, sl. LV, 11. Leclercq, Dictionnaire, t. I, col. 713. Citações mais completas encontram-se no Oriente, por exemplo, o sl. XIV sobre uma pedra de Chipre, do século IV. Bulletin de correspondance hellénique, 1890, p. 349 sq. Ver ainda Corp. inscr. lat., t. VIII, n. 1120, 1127; Röm. Quartalschrift, t. X (1896), p. 339; Analecta bolland., t. XXIV (1905), p. 121; para a África, Leclercq, Dictionnaire d'arch. chrét., t. I, col. 940; para a Síria, Leclercq, Dictionnaire, t. I, col. 2402 sq. Revue bénédictine, XXII (1905), 431 sq.; t. I, p. 1822.

O Novo Testamento é igualmente citado. A saudação do anjo a Maria ὁ Κύριος μετὰ σοῦ, Lc, I, 28, encontra-se como aclamação à alma do defunto sobre uma das pedras mais antigas do cemitério de Santa Priscila. De Rossi, Bullet., 1892, p. 91, 92. A inscrição de Abércio alude à parábola do bom Pastor. Jo., X, 11-16. O Gloria in excelsis Deo... voluntatis encontra-se na África, De Rossi, Bullet., 1878, édit. franc., p. 12; Leclercq, Dictionnaire d'archéologie chrétienne, t. I, col. 940; P. Monceaux, Histoire littéraire de l'Afrique chrétienne, Paris, 1901, t. I, p. 155; o texto grego lê-se sobre monumentos da Síria, ver mais adiante; o Pai Nosso sobre um fragmento de vaso grego. Mitteilungen des Kaiserl. Deutsch. Archäol. Instituts (Athen. Abteil.), 1900, p. 313-324.

Os versículos 37-39 de são João, VII, estão em parte gravados sobre o arco interior da piscina batismal de Santa Priscila. Nuovo bull., 1902, p. 220. A saudação apostólica ἡ χάρις τοῦ Κυρίου Ἰησοῦ μεθ' ὑμῶν não é desconhecida na epigrafia cristã. Monumenta lit., t. I, p. cxxi. A II Epístola de são Paulo a Timóteo, IV, 7, forneceu o tema dos últimos versos do elogio da mártir Zosima, morta por volta de 275. De Rossi, Bullet., 1867, édit. franc., p. 82; Leclercq, Dictionnaire d'arch. chrét., t. I, col. 1518; a I de são Pedro, IV, 4, ao epitáfio de uma virgem cristã. Wilpert, Jungfrauen, p. 49. O monograma constantiniano, ornado do alfa e do ômega desde meados do século IV, assim como as letras A Ω (Jesus, Alfa, Ômega) sobre alguns fragmentos da Sicília citados por Strazzula, op. cit., p. 94, lembram a Epístola aos Hebreus, XIII, 8, e o Apocalipse, XXI, 6. Cf. ainda Le Blant, Inscript. chrét., t. II, p. 253 (Fil., I, 21); p. 302, 303 (sl. XXX, 15, e Lc, XXIII, 46); Kaufmann, Handbuch, p. 248; Leclercq, Dictionnaire d'arch. chrét., t. I, col. 1530, 1817; Delattre, Les citations bibliques dans l'épigraphie africaine, dans Compte rendu du IIIe Congrès scientifique internat. des catholiques, Bruxelas, 1895, p. 210-212. 3. As figuras que, desde o fim do século II, acompanham as inscrições e que representam acontecimentos bíblicos, dão-nos também indicações a respeito da divulgação do texto sagrado. Ver, mais acima, a decoração, col. 310.

4. Às vezes o texto difere um pouco daquele que temos hoje e permite certas conclusões a respeito das versões então em uso. Um grafito do século III, descoberto por Mons. Wilpert, dá-nos o início do sl. XXII: Dominus regit me : et nihil michi (sic) deest. A tradução de são Jerônimo põe o futuro deerit. Nuovo bullet., 1900, p. 68; Röm. Quartalschrift, t. XXII (1908), p. 88. Em Hübner, Inscr. Hisp., p. 27, n. 95, lemos: CREDO QUOD REDEMPTOR MEUS VIVET : ET IN NOVISSIMO DIE DE TERRA SUSSITABIT PELLEM MEAM ET IN CARNE MEA VIDEBO DOMINUM. Essas palavras são do livro de Jó, XIX, 25, 26, mas um pouco modificadas. Pode-se comparar com o texto que precede um outro menos antigo que lemos em Gazzera, op. cit., p. 106, 107; Muratori, op. cit., 1811, 5; 1805, 1; 1899, 1; 1955, 1. As inscrições da Síria mencionadas mais acima dão para Lc, II, 14, o nominativo εὐδοκία em vez do genitivo εὐδοκίας do texto ordinário. Recherches de science religieuse, t. I (1910), p. 70 sq.; Revue bénédictine, XXII (1905), p. 431. Um mármore de Salona traz (e) CCI (sic) AGNUS (cf) ET : QUI TOLLIS PECCATUM SECULI. De Rossi, 1891, Bullet., 125.

O Evangelho dá peccata mundi. Jo., I, 29. Duas pedras africanas apresentam, uma a fórmula SALUTIS PRINCEPS, a outra a de DOMINUS DEUS QUI EST SERMONI (sermo), e lembram assim, como nos afirmam expressamente Tertuliano, Adv. Praxeam, 5, P. L., t. II, col. 160, e Vigílio, bispo de Tapso, Contra Eutychen, l. V, c. XVI, P. L., t. LXII, col. 146, que nesses países se usava uma versão que, em são João, tinha a palavra sermo em vez de verbum e, na Epístola aos Hebreus, princeps salutis em vez de auctor salutis. De Rossi, Bullet., 1879, édit. franc., p. 163, 164. Ver ainda outros monumentos com citações bíblicas em Diehl, op. cit., p. 39-42.

Evidentemente, a ciência filológica escriturística só tem a ganhar com o estudo comparado desses monumentos, seja do Oriente seja do Ocidente. J. E. Walch, Observationes in Matthaeum ex graecis inscriptionibus, Jena, 1779; G. Lefebvre, Fragments grecs des Évangiles sur ostraca, dans le Bulletin de l'Institut français d'archéologie orientale. Le Caire, 1904, t. IV; G. Thieme, Die Inschriften von Magnesia am Mäander und das N. T., Göttingen, 1906; Monceaux, Histoire littéraire de l'Afrique chrétienne, Paris, 1901, t. I, p. 155-156; A. Bludau, Griechische Evangelienfragmente auf Ostraka, dans Biblische Zeitschrift, 1906, t. IV, p. 386-397; J. Genschien, De Scripturae sacrae vestigiis in inscriptionibus latinis christianis (Diss.), Greifswald, s. d. (1910). Cf. Dictionnaire apologétique de d'Alès, t. I, col. 1419-1425.

5. É a infância de Maria, passada no templo, tal como a conhecemos pelos apócrifos (Pseudo-Mateus), que recorda uma placa de mármore do século V, descoberta em Saint-Maximin, na Provença, e representando Maria orante empregada no serviço do santuário, como diz a inscrição colocada acima: MARIA VIRGO MINESTER (sic) DE TEMPULO : GEROSALE (sic). Le Blant, Sarcophages chrétiens de la Gaule, 1886, p. 148, pl. LVII, n. 542; Inscript. chrét., t. II, p. 1. 2° Os Padres. Várias fórmulas epigráficas são tomadas de autores eclesiásticos, cujos textos elas confirmam. Leclercq, Dictionnaire d'arch. chrét., t. I, col. 411 sq., vê nas palavras: quorum nomina scit is, qui fecit, ou então cujus nomen Deus scit, uma alusão à Passio sancti Jacobi et Mariani. A inscrição da criança Magus, de proveniência africana, hoje no museu do Latrão, p. IX, n. 31, é composta inteiramente, salvo as primeiras palavras, de textos que se encontram em diferentes obras de são Cipriano. Le Blant, Inscript. chrét., t. I, p. 93; Cabrol, Dictionnaire d'arch. chrét., t. I, col. 597, e sobretudo Revue d'histoire et de littérature religieuses, t. XI (1906), p. 232-239; Perret, op. cit., t. V, pl. 17, n. 20. O texto dos manuscritos é corrigido pelos dados deste epitáfio.

O mesmo Padre da Igreja forneceu, em seu livro De habitu virginum, 22, P. L., t. IV, col. 462, uma frase a um epitáfio de Autun: PER SÆCULUM SINE (sine) SUI (sic) CONTATIONI (contagione) TRANSIVIT... Le Blant, op. cit., t. II, p. 603. Outro epitáfio, encontrado em Roma em 1893, recorda uma passagem de seu tratado De mortalitate, c. XXVI, P. L., t. IV, col. 601. De Rossi, Bullet., 1894, p. 58. Em Tertuliano, Apologet., XXXIX, P. L., t. I, col. 541, lemos palavras que retornam sobre um mármore grego: um empréstimo a II Cor., VII, 2. Santo Ambrósio, De virginitate, l. II, c. IV, n. 7, P. L., t. XVI, col. 220, aconselha à virgem cristã: Nullum omnibus irridere, bene velle.

Um epitáfio de Arles diz do defunto Florentinus: NEQ. OPTARE MALUM STUDUIT NEC LÆDERE : QUEMQUAM. Le Blant, op. cit., t. II, p. 246 sq., n. 512. Por diversas vezes leem-se sobre monumentos versos de são Jerônimo ou de são Gregório Magno; são Paulino de Nola, Prudêncio e, um pouco mais tarde, Venâncio Fortunato não deixaram de influenciar o formulário epigráfico. Le Blant, Épigraphie chrétienne, p. 61-70. Assim, para citar apenas um exemplo, uma inscrição de São Pedro, em Roma, reproduzida no século VI na África, foi inspirada muito provavelmente pelos versos 249-255 do II livro contra Símaco. P. L., t. LX, col. 198 sq. O epitáfio do diácono Ursinianus, de Trier, publicado por Le Blant, Inscript. chrét., t. I, p. 399, n. 293, recorda uma passagem de Máximo de Turim, Homil., LXXXI, P. L., t. LVII, col. 427, 428; um mármore funerário inglês ornado do monograma constantiniano, as primeiras palavras do Te Deum. De Rossi, Bullet., 1892, p. 41, 42. Enfim, não esqueçamos que é a epígrafe da estátua de santo Hipólito, da primeira metade do século III, que nos dá, com seu ciclo pascal, a lista de suas obras, Kraus, Real-Encyclopädie, t. I, p. 661-663; A. d'Alès, La théologie de saint Hippolyte, Paris, 1906, p. III sq., 151 sq. Ficker, Die altchristl. Bildwerke; e um lintel de porta, em Éfeso, p. 169-175, sobre o qual se lia, ao menos em parte, a correspondência apócrifa entre Jesus e Abgar de Edessa. Commentarius authenticus do I Congresso de arqueol. cristã, Roma, 1900, p. 156, 163.

3° A Igreja. — 1. A Igreja em geral; seus caracteres. Sobre os monumentos dos três primeiros séculos, o termo ecclesia indica uma comunidade cristã local. De Rossi, Bullet., 1864, édit. ital., p. 28, e em outros lugares. Quanto à Igreja que abrange a universalidade dos fiéis, completamos aqui as indicações dadas, t. III, col. 454 sq. A Igreja é uma verdadeira mãe, mater. Ela dá a seus filhos a vida sobrenatural da graça como a mãe terrestre dá a vida física do corpo. Ela os concebe do Espírito de Deus em suas castas entranhas para colocá-los no mundo no momento do batismo, como diz a inscrição de Sisto III (432-448), em São João de Latrão: GENS SACRANDA POLIS HIC SEMINE NASCITUR : ALMO, QUAM FECUNDATIS SPIRITUS EDIT AQUIS... VIRGINEO FŒTU GENETRIX ECCLESIA NATOS, QUOS SPIRANTE DEO CONCIPIT, AMNE PARIT. De Rossi, Inscript. christ., t. I, p. 424; Grisar, Analecta Romana, t. I (1899), t. II p. 106.

Ela recebe os recém-nascidos com alegria: Læta novos geminis ut mater ecclesia partus excipiat sinibus, quos aqua protulerit, para alimentá-los com devoção com o leite da fé, assim como diz o epitáfio do papa Libério: Hæc nascentem suscepit : te ecclesia (sic) mater uberibus fidei nutriens devota. De Rossi, Bullet., édit. franc., 1883, p. 8; 1890, p. 131; Buecheler, Anthol. lat. epigr., p. 373, n. 787. Ela tem, pois, entranhas de mãe, pia viscera matris, como diz o papa Dâmaso. Ihm, op. cit., p. 20, n. 13; p. 36, n. 30; p. 42, n. 37. Ao mesmo tempo ela é virgem. Os fiéis de Lyon, em 177, e Hegesipo, por volta de 180, chamam-na παρθένος, mater virgo. Eusébio, H. E., IV, xxii, 4. Do mesmo modo, μήτηρ παρθένος. Clemente de Alexandria, Pœd., I, c. VI, P. G., t. VIII, col. 300. Assim também, o Sr. Dölger viu, não sem razões sérias, a Igreja católica designada pelas palavras παρθένος ἁγνή da inscrição de Abércio. Rom. Quartalschrift, t. xxiii (1909), p. 87-112; ΙΧΘΥΣ, p. 87-112.

A expressão sancta mater encontra-se frequentemente no século IV, por exemplo, no epitáfio do padre Sisínio, atribuído a são Dâmaso, onde se fala dos piedosos compromissos ou preceitos dessa mãe, fœdera sanctae matris. Ihm, op. cit., p. 33, n. 28. Ainda em vida, o papa Sirício (384-399) recebe o título de episcopus ecclesiae sanctae. Marucchi, op. cit., p. 107. De Rômulo de Fiesole, do século IV, diz-se: ECCLESIAE DIACONUS EST ORDINATUS : HONORE. De Rossi, Bull., 1883, édit. franc., p. 17; cf. Anal. bolland., t. xxviii (1909), p. 172, n. 3. Ela é digna de veneração, veneranda ecclesia. Anth. lat. epigr., 705. O Sr. Dölger vê igualmente a Igreja na Βασιλίσσα χρυσόστολος, χρυσοπέδιλος da inscrição de Abércio; observa que santo Justino, Dial., 63, édit. Archambault, p. 300, e Hermas, Pastor, vis. IV, 2, 1, dela falam em termos análogos. Ihm, Quartalschrift, loc. cit., p. 169.

Ela é universal; como tal, abrange os fiéis vindos do judaísmo e do paganismo. As duas matronas que simbolizam a Igreja no mosaico do papa Celestino (422-432) em Santa Sabina trazem o duplo título de ECCLESIA EX GENTIBUS, ECCLESIA EX CIRCUMCISIONE. Kaufmann, Handbuch, p. 248, e em outros lugares. Ela é chamada católica, sobretudo em relação às seitas heréticas ou cismáticas. Num tratto do cemitério de Thrason, da primeira metade do século IV, um certo Macedônio se intitula exorcista de katolika. Do mesmo modo, em 362, um leitor no cemitério de Domitila. Nuovo bullet., 1908, p. 144.

O bispo Alexandre de Tipasa, na África, percorreu os graus hierárquicos honoribus in aeciesia catholica defunctus. De Rossi, Bullet., 1894, p. 90. Cf. Leclercq, Dictionnaire d'arch. chrét., t. ii, col. 2624-2639. Ela é a única verdadeira Igreja. Assim, segundo o relato de são Dâmaso, santo Hipólito, autor de um cisma na primeira metade do século III, só se tornou um verdadeiro mártir de Cristo porque voltou à Igreja católica: Sic noster meruit confessus martyr ut esset. Ihm, op. cit., p. 42, n. 37. É ela que dispõe dos sacramentos. A avó de um certo Florêncio pede para ele o batismo para seu protegido moribundo: PETIVIT DE AECLESIA (sic), UT FIDELIS DE SECULO RECESSISSET. Musée du Latran, p. ix, n. 39; Mon. lit., t. i, n. 3429. Segundo Dölger, é dela que se diz na inscrição de Abércio que dá aos amigos o peixe simbólico, o pão e o vinho misturado com água. Rom. Quartalschrift, t. xxiii (1909), p. 110-112.

2. Sua hierarquia. A Igreja forma um imenso rebanho guardado por Cristo, segundo santo Dâmaso: Christus... numerum gregis ipse tuetur. Ihm, op. cit., p. 20, n. 13. Abércio o chama de santo Pastor, «o ποιμὴν ἀγνός, que conduz as ovelhas aos pastos, sobre as montanhas e nas planícies»; é a ele que deve os ensinamentos fiéis, γράμματα πιστά. É ainda Cristo quem dá à Igreja sua autoridade e comunica aos seus sacramentos sua eficácia. a) O primado de Pedro. Na Igreja, o apóstolo ocupa uma posição à parte. Numa inscrição de San Pietro in Ciel d'Oro, em Pávia, fazem-no dizer: ......τὸν θεὸν λόγον θε(ᾶσθε) χρυσῷ τὴν θεό(γλ)υπτον πέτραν, ἐν ᾗ βεβηκὼς οὐ κλον(ο)ῦμ(αι...)..., isto é, o fundamento inabalável da Igreja é Pedro; Cristo, Verbo de Deus, é o fundamento de Pedro. De Rossi, Inscript. christ., ii a, p. 33.

Essa posição é única: só há uma sé de Pedro, assim como só há um único e verdadeiro batismo: una Petri sedes, unum verumque lavacrum. Ihm, op. cit., p. 9, n. 7. É ele o porteiro do céu, de quem tem as chaves: Petro cui tradita janua caeli est; cui siderei (Christus) limina regni commisit, lia-se, no século IV, no batistério de Santa Priscila. Ihm, op. cit., p. 9, n. 5; 76, 72; Nuovo bullet., 1901, p. 87. Como Moisés, ele faz sair da rocha misteriosa que é Cristo, I Cor., X, 4, as águas da salvação. A taça de Podgoritza, hoje no Hermitage de São Petersburgo, mostra essa cena bíblica; ela traz como texto: Petrus virga percussit, fontes cœperunt (sic) currere. De Rossi, Bullet., 1877, édit. franc., pl. v-vi; Le Blant, Sarcophages d'Arles, Paris, 1878, pl. XXXV.

Por volta de meados do século V, Neon, bispo de Ravena, fez colocar sobre um mosaico os versos seguintes. De Rossi, Bullet., 1887, p. 24, 25: Euge, Simon Petre, per quem gaudet mens... Christi Lumen apostolicum cunctos ornare per annos. In te sancta Dei pollens ecclesia (sic) fulget. In te firma suae domus fundamenta locavit Principis aetherei clarus per saecula natus. Cunctis data tibi est virtus, censura fidesque principe: Bis senos inter fratres insisitis; Ipse loco legesque novae tibi dantur ab alto. Quis fera corda domas hominum, quis pectora mulces Christicolasque doces tu (animi) omnes esse per orbem.

Mas o mais magnífico elogio dogmático de Pedro é-nos dado numa inscrição que o bispo espoletano Aquiles (por volta de 402-418) havia colocado numa igreja dedicada ao apóstolo. De Rossi, Bullet., 1871, édit. franc., p. 119; Inscript. christ., t. ii a, p. 113, 114: Quidnam igitur mirum, magno si culmina Petro Quolibet existant aedificata loco, Cum, quae per totum celebratur ecclesia mundum, In fundamento fixa Petro maneat? Namque illi Deus, ipse caput qui corporis ex(s)tat, Propterea Petrae nomen habere dedit, Dicens: Esto Petrus, quoniam fundabo super te Quam mihi nunc molior toto orbe domum; In te per cunctas consistit ecclesia gentes; Vincit et inferni carceris imperium. Nam(que datis) clavibus Caelorum claudere portas Et reserare dedit pro meritis hominum: Quaecumque in terris fuerit sententia Petri, Haec erit in caelis scripta, notante Deo. Dixit enim: Tu es magno mihi nomine Petrus, Et tibi Caelorum torta claustra dedi. Hac dictione polens terra caeloque Petrus stat Arbiter in terris, janitor in superis.

O primado de Pedro está ligado à sé de Roma. A permanência do apóstolo e sua morte nessa cidade são provadas e pressupostas pelos dados da epigrafia. Santo Dâmaso diz que os romanos consideravam Pedro e Paulo como seus concidadãos: Roma suos potius meruit defendere cives. Ihm, op. cit., p. 31, n. 26. O nome de Pedro, pouco conhecido no mundo romano, aparece num certo número de epitáfios já desde o século III, e nele se vê gravada sua imagem. De Rossi, Bull., 1884, p. 77-84; 1886, p. 37, 43, 67, 82, 97, 103; Nuovo bullet., 1901, p. 92; 1902, p. 223, 224. A Roma acorrem, já desde o século III, os fiéis do Oriente. Abércio é enviado para lá pelo Pastor soberano e atesta a preponderância religiosa dessa Igreja brilhante, conhecida e reconhecida — reconhecia-o até mesmo Salomon Reinach. Leclercq, Dictionnaire d'arch. chrét., t. i, col. 83.

Frequentemente, no século IV e depois, Roma recebe o título Sedes apostolica, Sé apostólica por excelência. Ihm, op. cit., p. 58, n. 57; p. 76, n. 72; Nuovo bullet., 1901, p. 87. Sobre sua elevação a essa Sé, santo Dâmaso diz: Hinc mihi provecto Christus, potestas Sedis apostolicae concedere honorem. É a esse grandíssimo trono, iluminado pelos esplendores de Cristo, que o papa Libério foi elevado: Hanc tanti plenas sedi Christi splendore serenit electus fidei summasque sacerdos... De Rossi, Bullet., 1883, édit. franc., p. 9. Ocupar essa sé é, como diz a inscrição do papa Celestino no mosaico de Santa Sabina, ser o primeiro bispo do mundo: CULMEN APOSTOLICUM CUM CŒLESTINUS HABERET, PRIMUS ET IN TOTO FULGERET EPISCOPUS ORBE. De Rossi, Inscript. christ., ii a, p. 24, n. 27. Santo Dâmaso é chamado vigário de Cristo, o antistes Christi; Sirício é chamado magnus sacerdos; outro papa, pastor summus; o papa Libério, summus sacerdos. Ihm, op. cit., p. 9, n. 5; p. 96, n. 93; p. 77, n. 73. Em seus epitáfios ainda hoje visíveis, os papas do século III, sepultados em São Calisto, trazem o simples título de ἐπίσκοπος, episcopus. De Rossi, Roma sotterr., t. ii, pl. iii, etc. Nuovo bullet., 1909, p. 35; Analecta bollandiana, 1910, p. sq.

É indevidamente que se quis atribuir a esse título o sentido de bispo por excelência. O nome de papa, mais tarde reservado ao bispo de Roma, encontra-se desde cedo. No fim do século III, o diácono romano Severo declara que fez CUBICULUM DUPLEX..., JUSSU P(apa)E SUI MARCELLINI. De Rossi, Inscript. christ., p. cxv; Mon. lit., t. i, n. 2877. Uma mulher de Espoleto é confirmada A LIBERIO PAPA; o calígrafo Filocalo, de santo Dâmaso, se diz DAMASI PAPAE CULTOR ATQUE AMATOR. De Rossi, Bull., 1869, édit. franc., p. 24; 1873, pl. xii; Ihm, op. cit., p. 25, n. 18.

Um epitáfio mutilado, encontrado em Roma em 1903, traz a menção: SUB JULIO A(ntistite). A fórmula tem uma dupla importância: prova que, antes de meados do século IV, já se havia começado a datar segundo o governo dos papas; além disso, mostra que se errou ao ver um protesto contra o cisma de Félix e de Ursicino nas três fórmulas conhecidas até agora: SUB LIBE(rio papa), SEDENTE PAPA LIBERIO, SUB DAMASO EPISCO(po), que não têm outra significação além da de uma simples data cronológica. O mesmo se diga da menção SALVO SIRICIO PAPA e SALVO SIRICIO EPISCOPO ECCLESIAE SANCTAE. Nuovo bullet., 1903, p. 316; 1904, p. 252, 28.

b) Quanto aos outros membros da hierarquia, a epigrafia atesta a existência dos diferentes graus tais como ainda os temos hoje. Muitos clérigos permaneciam durante toda a vida numa ou noutra ordem inferior; outros avançavam por graus. O epitáfio do bispo Latino de Bréscia, que viveu no século IV, indica até os anos passados em cada ordem. De Rossi, Bullet., 1876, édit. franc., p. 104. Aquele que santo Dâmaso mandou colocar à entrada dos arquivos começa assim: Hinc puer, exceptor (notário), lector, levita, sacerdos. Ihm, op. cit., p. 58, n. 57. O elogio métrico de seu predecessor Libério fornece as mesmas informações. Em contrapartida, encontrar-se-ia, segundo Armellini, Archeol. crist., 1898, p. 539, num mármore de Fiésole, do século IV, um exemplo de ordenações feitas per saltum. Várias vezes os textos epigráficos mencionam clérigos casados, Pelka, Altchristliche Ehedenkmaler, p. 76-94, mas não nos dizem muito claramente quando o casamento foi contraído. Entre os bispos casados que se conhecem, nenhum pertence à lista de Roma. No epitáfio do presbítero Valente de Villeneuve-lez-Avignon, de 586, lê-se: IURA SACERDOTII SERVANS NOMENQUE IUGALIS. Será isso um indício da continência praticada pelo titular, como Le Blant acreditou, ou antes uma oposição pouco disfarçada ao celibato, como admite Leclercq? Le Blant, Inscript. chrét., t. II, p. 418, n. 597; Nouveau recueil, n. 298; Leclercq, Dictionnaire d'arch. chrétienne, t. ii, col. 2823-2827.

— c) Bispos. Além de um epitáfio que traz o simples nome de LINUS, no qual De Rossi, Bullet., 1864, édit. ital., p. 50; 1870, édit. franc., p. 99, 320, quis ver o nome do primeiro sucessor de Pedro, e de um mármore frígio que traz a inscrição Μητροδώρῳ, ἐπισκόπῳ, que os Mon. lit., t. i, n. 2789, fazem remontar a cerca do ano 200, os monumentos mais antigos que fornecem nomes de bispos encontram-se no cemitério de São Calisto: ΑΝΤΕΡΩΣ ΕΠΙ(σκοπος); ΦΑΒΙΑΝΟΣ ΕΠΙ(σκοπος); ΛΟΥΚΙΣ (Lucius) (Lucius); ΕΥΤΥΧΙΑΝΟΣ ΕΠΙΣ(κοπος); ΟΥΡΒΑΝΟΣ (?); ΠΟΝΤΙΑΝΟΣ ΕΠΙΣ(κοπος) (?); ΕΠΙΣ(κοπος); Γ(αιο)Υ ΕΠΙ(σκόπου)); CORNELIUS MARTYR EP(iscopus). Mon. lit., p. cix, note 5.

Dom Leclercq, Dictionnaire d'arch. chrét., t. i, col. 1097, situa no fim do século III um epitáfio de Santo Alexandre, na via Nomentana: PETRUS EPISCOPUS PACE...; do mesmo modo, De Rossi, Bullet., 1876, édit. franc., p. 101. Fl. Latino, de Bréscia, viveu no século IV; do mesmo modo, Juliano, bispo de Aieta, na Calábria. L. Petrônio Dexter morre bispo de Chiusi em 322. Na mesma época viveu Eugênio de Laodiceia, primeiro oficial, depois confessor sob Maximino Daia, em seguida bispo durante um quarto de século. Expositor, 1908, p. 389 sq., 546 sq.; 1909, p. 307 sq.; 1910, p. 51 sq.

Um monumento de Tipasa faz belo elogio do bispo Alexandre: ALEXANDER EPISCOPUS LEGIBUS IPSIS ET ALTARIBUS NATUS, STATIBUS HONORIBUSQUE IN ECCLESIA CATHOLICA FUNCTUS, CASTITATIS CUSTOS, KARITATI PACIQUE DICATUS, CUIUS DOCTRINA FLORET INNUMERA PLEBS TIPASENSIS PAUPERUM AMATOR, ELEMOSYNAE DEDITUS OMNIS, CUI NUNQUAM FUERE, UNDE OPUS CAELESTE FECISSET. Outro epitáfio africano, do século IV, está assim redigido: ...NOBILIS ANTISTES PERPETUUS QUE PATER: NAVIGIUS POSUIT CRISTI LEGISQUE MINISTER. De Rossi, Bullet., 1876, p. 97-121; 1894, p. 90, 91; 1886, p. 26 sq.; Ihm, op. cit., t. ii a, p. 180-185. Vários desses bispos eram casados; mas não sabemos a época de seu casamento. Pelka, Ehedenkmaler, p. 77, 78. Um monumento de 491 ou 526, encontrado em Terni, na Úmbria, menciona uma mulher que recebe o título de episcopa. Diehl, op. cit., p. 15, n. 65; Corp. insc. lat., t. xi, n. 4339.

d) Presbíteros. As inscrições que mencionam presbíteros são antigas. A seguinte, de Santa Domitila, é provavelmente do século III: ΦΛ(άβιος) ΠΤΟΛΕΜΑΙΟΣ ΠΡ(εσβύτης) ΚΑΙ ΟΥΛΠΙ(α) ΚΟΝΚΟΡΔΙΑ CYMB(ιος). De Rossi, Bullet., 1871, édit. franc., p. 31, faz remontar a quase a mesma época outra, descoberta em Santa Inês: AVR. HELIODORUS. PRT (presbyter?). Um presbítero-médico foi sepultado, o mais tardar no século III, na cripta dita de São Cornélio: ΔΙΟΝΥΣΙΟΥ ΙΑΤΡΟΥ ΠΡΕΣΒΥΤΕΡΟΥ; museu de Latrão, p. x, n. 10 (decalque). De Rossi, Roma sotter., t. I, pl. XXI, n. 9; Mon. lit., n. 2986. Na Frígia, no século III, Aurélio Dionísio, πρεσβύτερος, estabelece em vida um cemitério reservado a todos os seus irmãos. Mon. lit., n. 2795. Na escadaria que desce à basílica de Santa Inês, lê-se num mármore do século IV-V: LOCUS VALENTINI PRAESB.

O modelo do presbítero é-nos pintado com alguns traços de pincel na inscrição seguinte, atribuída a santo Dâmaso: Presbyter hic voluit Sisinnius ponere membra, Omnibus acceptus populis dignusque sacerdos. Qui sciret sancte servare fœdera matris, Blandus amore Dei semper qui vivere nosset Contentusque suo nesciret principis aulam. Ihm, op. cit., p. 33, n. 28. Várias vezes os monumentos mencionam presbíteros casados. Nuovo bullet., 1902, p. 237, 238. Mais raramente encontra-se o nome de presbytera ou presbyterissa. Armellini, Arch. crist., p. 396; Corp. insc. lat., t. x, n. 8079; Diehl, op. cit., p. 12, n. 45. O título de presbítero-econômo, οἰκονόμος, que era especialmente encarregado do cuidado dos bens eclesiásticos, encontra-se numa pedra funerária da Licaônia. Cf. Ramsay, Luke the physician, Londres, 1908, p. 321 e às p. 332-410. O título de arcipreste encontra-se numa de Brive, sobre uma pedra do século VI, sobre uma estela de Bolonha, Le Blant, Nouveau recueil, p. 218, etc. xin, 222a; Corp. insc. gr., t. iii, n. 3928; G. Leclercq, Dictionnaire d'arch. chrét., t. i, col. 2497 sq.; — Leclercq, ibid., col. sq.

Diáconos. Os diáconos são chamados διάκονοι, por exemplo, Corp. insc. gr., n. 9268 (século IV), por exemplo, Corp. insc. lat., t. iii, n. 2654; diaconi, por exemplo, museu de Latrão, pl. x, 15; Perret, t. v, pl. 41, n. 14; De Rossi, Roma sotter., t. i, p. 190, n. 6; levitæ, por exemplo, De Rossi, Inscript. christ., t. i, p. 331, n. 753; p. 371, n. 843; Ihm, op. cit., p. 8, n. 4; p. 28, n. 21; p. 29, n. 23; p. 39, n. 34; p. 58, n. 57; às vezes também ministri. Nos primeiros anos do século III, um diácono (διάκων) de nome ABIRKIOS manda fazer um túmulo em Prymnessos, na Frígia, para si, sua mulher e seus filhos. Mon. lit., n. 4351. Em São Calisto, o epitáfio do diácono Severo foi colocado entre 296 e 302. De Rossi, Inscript. christ., t. i, p. cxv; Bucheler, op. cit., t. i, p. 310, n. 656. Vários outros, ainda datados, remontam ao século IV, por exemplo, o do diácono Fl. Júlio, de Salona, morto em 358. Corp. insc. lat., t. iii, n. 2654. Um mármore pertencente a um certo Redentus, de São Calisto, dá-nos a conhecer as duas ocupações do levita romano. Ihm, op. cit., p. 28, n. 31. Do mesmo modo, os dos arquidiáconos romanos do século V — publicados por De Rossi, Roma sotter., t. iii, p. 239-242; Bullet., 1864, p. 33. Cf. — Xystus, op. cit., t. ii, p. 189-194. édit. ital., p.

Subdiáconos. O nome de subdiácono, subdiaconus, ὑποδιάκονος, é bastante raro e mal aparece antes do século IV. Perto do túmulo de são Proto, P. Marchi, Monum. dell'arte crist., t. i, p. 239, leu o seguinte grafite: Agatio subd(iacono) peccatori miserere d(eus). Mon. lit., n. 3457. Várias outras inscrições de subdiáconos são referidas por De Rossi, Inscript. christ., t. i, p. 324, n. 743; Kaibel, Insc. gr., n. 853 (Nápoles); Corp. ins. gr., n. 928 (Esmirna); n. 9192 (Cilícia); Le Blant, Inscript. chrét., t. i, p. 39 sq., n. 293; — Xystus, op. cit., t. i, p. 194, 195.

g) Clero inferior. A distinção entre clérigos e leigos foi acentuada por são Clemente, papa. I Cor., 40-43. A expressão clerus, clero, não é rara no século IV. De Rossi, Bullet., 1874, édit. franc., p. 155 sq. Ihm, op. cit., p. 46, n. 42. O termo clericos lê-se em monumentos da Sicília, de Tortona, da África. Vühler, Forschungen, p. 161, n. 15; Mon. lit., p. cxi-iii; De Rossi, Bullet., 1879, édit. franc., p. 161. Sobre a própria caiação de um loculus, em Santa Domitila, indicou-se o título de que dependia o clérigo ou a igreja: CLERICUS (de) FASCIOLA. Marucchi, op. cit., t. ii, p. 133.

h) Os acólitos. São mencionados tanto pelo papa Cornélio quanto por são Cipriano. O epitáfio romano de HYACINTHUS ACOLITUS é provavelmente do século III. Mon. lit., n. 3122. Uma inscrição narbonense de 445 apresenta a palavra latina SEQUENS, tradução literal do grego. Corp. insc. lat., t. xii, n. 5346; Le Blant, Inscript. chrét., t. ii, p. 466, n. 617. Conhecemos ainda um acólito Abundâncio, do título de São Vital (titulus Vestinæ), do século V; outro, chamado Vítor, da igreja de São Clemente, do século IV; um certo Romano, de São Lourenço, da mesma época. Cabrol, Dictionnaire d'arch. chrét., col. 531; De Rossi, Bullet., 1863, édit. ital., p. 16; t. i, ; Mas de Xystus, op. cit., p. 196-198, o mais célebre de todos seria Tarcísio, cujo elogio métrico o papa Dâmaso compôs, onde, recordando sumariamente seu martírio, o compara a santo Estêvão, que havia perecido do mesmo modo. Todavia — essa justaposição exerce função — parece antes indicar um clérigo revestido do diaconato. Wilpert, em Rom. Quartalschrift, t. xxii (1908), p. 193.

i) Os leitores. Essa ordem é muito antiga, e os mármores que a mencionam remontam a época muito recuada. Situam-se no fim do século III duas inscrições romanas, das quais uma, hoje no palácio ducal de Urbino, está assim redigida: CLAUDIUS ATTICANUS LECTOR || ET CLAUDIA FELICISSIMA || CO(n)IUX. Na outra, ainda em seu lugar primitivo em Santa Inês, lê-se: FAVOR LECTOR. FAVOR (âncora). Armellini, Il cimit. S. Agnese, 104, pl. xi, n. 1; De Rossi, Bullet., 1871, édit. franc., p. 32. Outros monumentos um pouco menos antigos são citados em De Rossi, Bullet., 1876, édit. franc., p. 104 (do século III); 1875, édit. franc., 1884-1885, p. 46; Roma sotter., t. iii, p. 516; p. 57; Inscript. christ., t. i, p. 62, n. 97; p. 153, n. 347; p. 224, n. 622; Rom. Quartalschrift, t. xxii (1908), p. 162, pl. ii; n. ; Xystus, op. cit., p. 198-203. O grego ἀναγνώστης figura num monumento publicado por Bayet, op. cit., n. 107, e Corp. insc. græc, n. 9303.

j) Os exorcistas. O número de monumentos em que figura esse título é bastante restrito. O de Celer, sepultado em São Calisto, o de Macedônio, cujo túmulo estava na catacumba de Trasão, e o de um certo Irineu, são talvez ainda do século III. De Rossi, Bullet., 1868, édit. franc., p. 12; Marucchi, op. cit., t. ii (1900), p. 314; Mon. lit., n. 3114. O de Gelásio, em Santa Domitila, é do século IV; o mesmo se diga do de PAULUS EXORCISTA, em São Calisto. Marucchi, op. cit., p. 131; Rom. Quartalschrift, t. xii (1898), p. 281; Mon. lit., n. 3335. Outros foram encontrados em Milão, em Chiusi. Corp. insc. lat., t. v, n. 6252, 6276; t. xi, n. 2559. O epitáfio romano de um BASSLIANUS EXORCISTA (sic) está hoje em Velletri. Perret, op. cit., t. v, pl. 65, n. 5. k) Os porteiros. Em Trier estava sepultado um certo URSATIUS OSTIARIUS (sic), cujo mármore funerário está hoje no museu de Mannheim. Conhece-se igualmente um OSTEARIUS (sic) em CLUSUE (sic) SALONIT(an)I. Kraus, Christl. Inschriften, t. i, p. 84, n. 105; Corp. insc. lat., t. xiii, n. 3789. A Revue biblique, 1892, t. i, p. 563, 568, menciona vários porteiros, θυρωροί, da igreja de Jerusalém.

l) Os notários, (cantores) e os fossores. Numa pedra de Espoleto, nomeia-se um NOTARIUS ECLESIÆ. De Rossi, Bullet., 1871, édit. franc., p. 115. Segundo Leclercq, Dictionnaire d'arch. chrét., t. i, col. 385 sq., um fragmento de mármore em Santa Priscila com a palavra NOTARIO, remontaria ao século III. A expressão exceptor, na inscrição do papa Dâmaso, designa a mesma função. Ihm, op. cit., p. 58, n. 57; Nuovo bullet., 1903, p. 66, 68. Num monumento da Bitínia que, segundo os Mon. lit., n. 2785, seria do século II-III, diz-se do titular que lia as Escrituras e cantava na igreja. Para apreciar esse monumento, é preciso lembrar que os leitores exerciam frequentemente essa dupla função. O termo actuarius figura num titulus de Aquileia, Corp. insc. lat., t. v, n. 1595; o de cantores, num monumento espanhol. Hübner, Supplementum, n. 304.

Os fossores figuram em vários monumentos romanos. Museu de Latrão, pl. x, 24; Rom. Quartalschrift, t. xii (1898), p. 351, 532. A inscrição mais conhecida está pintada de vermelho num cartucho, numa galeria do século IV, na catacumba de Domitila: DIOGENES. FOSSOR. IN. PACE. DEPOSITUS. OCTABU. KALENDA. OCTOBRIS. Perret, op. cit., t. i, pl. 30; Wilpert, Malereien, p. 522, pl. 180. Duas outras encontram-se na catacumba Ostriana; uma pertence a uma família de fossores. Marucchi, op. cit., t. ii, p. 279, 280. Para a mesma catacumba, Marini havia anotado a seguinte: (uma picareta) DEBESTUS MONTANARIUS QUI || LABORAVIT || PER OMNIUM CEMITERIUM || MERITUS FECIT. De Rossi, Roma sotter., t. iii, p. 534; Mon. lit., n. 756; 19. O colégio dos fossores, OMNES FOSSORES, é mencionado num mármore de Commodilla, hoje no museu de Latrão, p. vi, n. 26. m) Virgens cristãs. Já desde meados do século III, a epigrafia atesta a existência de virgens cristãs. Wilpert, Die gottgeweihten Jungfrauen, p. 92-94; De Rossi, Inscript. christ., t. i, p. 25, n. 20. Nos séculos IV e V, seu número é muito considerável.

Segundo a célebre inscrição de Clematius, um convento de virgens teria existido, no século IV, em Colônia. Kraus, op. cit., p. 113 sq. Os monumentos trazem as seguintes denominações: virgo, virgo sacra, virgo Christi, virgo dicata, virgo sacrata Deo, virgo Dei, virgo benedicta, puella virgo, puella Deo sacra, puella Deo sacrata, ancilla Dei, παρθένος, παρθενεύσασα, devota Christi sanctimonialis. Wilpert, op. cit., p. 83, 92, 43, 91, 77, 90, 37, 87, 95, 93, 78, 38, 88; De Rossi, Bullet., 1863, édit. ital., p. 77; Kaufmann, Handbuch, p. 223; Mon. lit., n. 2782.

Na prática, é frequentemente impossível dizer com certeza se se trata de uma moça comum, ou oferecida a Deus por seus pais, ou de uma virgem consagrada por voto solene. Um epitáfio de 514, descoberto em Santa Inês, menciona uma SERENA ABBATISSA, morta aos 85 anos. É o monumento mais antigo que menciona essa dignidade. Nuovo bullet., 1901, p. 298 sq.; Leclercq, Dictionnaire d'arch. chrét., t. i, col. 1313. Sobre o título MAGNA ANCILLA DEI, dado a uma religiosa de nome Eusébia, ver Le Blant, op. cit., t. ii, p. 301, n. 545.

A virgem que se dá a Deus contrai com ele um casamento místico. Numa pedra do fim do século V, lemos: (GEORGIA)... DEUM ELEGIT FELICIORE TORO. Le Blant, op. cit., t. ii, p. 329, n. 560. Alhures diz-se: (JULIANA) NUBIT PER SACRA VELA DEO. De Rossi, Inscript. christ., t. iia, p. 63, 92; Corp. insc. lat., t. v, n. 6734. Num mármore gaulês de 450, Cristo é chamado seu esposo; do mesmo modo no epitáfio de Marcelina, irmã de santo Ambrósio. Le Blant, op. cit., p. 32, n. 392; Wilpert, op. cit., p. 79, pl. IV, n. 3. Uma virgem espanhola, Florentina, adormecida IN PACE JESU, QUEM DILEXIT. Hübner, op. cit., p. 7, n. 21.

O símbolo exterior é o véu; é bento pelo bispo e faz essencialmente parte do traje prescrito. De uma virgem milanesa, Denteria, morta em 409, diz-se: HIC JACET... CUM CAPITE VELATO... Corp. insc. lat., t. v, n. 6257. Na pedra funerária de quatro irmãs virgens de Vercelli, o texto epigráfico descreve assim a entrada no céu: INSIGNEIS ANIMO, CASTAE, VELAMINE SANCTO, CRINIBUS IMPOSITO, COELUM PETIERE SORORES. Wilpert, op. cit., p. 21.

Nesse estado, entrega-se à prática de toda sorte de virtudes. É o que atesta um monumento de 381, que citaremos em breve. Outro, de 431, diz-nos que essa vida está conforme os votos que se fizeram: VITAM SUAM, PROUT PROPOSUERAT GESSIT... TANTUM BEATIOR IN DNO CONDEDIT MENTEM. Le Blant, op. cit., t. i, p. 89, n. 44; Wilpert, op. cit., pl. v, n. 13. A fidelidade aos votos exige combates muitas vezes bem duros, durissima bella, contra a serpente infernal ou contra a perversidade e a inveja. De Rossi, Inscript. christ., t. ii, p. 173; Wilpert, op. cit., p. 39. Por isso as virgens cristãs são muito estimadas. Comparam-nas às virgens prudentes do Evangelho. Le Blant, op. cit., t. ii, p. 32, n. 392; Gazzera, op. cit., p. 93.

Celebram-se suas virtudes: «integridade do corpo, castidade da alma, exatidão no cumprimento das prescrições da lei e da regra», como diz um epitáfio de 381. De Rossi, Inscript. christ., t. i, p. 137, n. 304; Wilpert, op. cit., p. 84. Sua vida é, pois, bem meritória: VITA BREVI EXPLEVIT TEMPORA MULTA, afirma-se da virgem espanhola Florentia, já mencionada. Na igreja, elas ficam bem perto do coro; uma barreira as separa dos demais fiéis. Uma tábua de mármore, encontrada na Argélia e hoje conservada no Louvre, traz a inscrição: B(onis) B(ene) VIRGINUM CANC(ellis). Mélanges d'archéologie et d'histoire de l'École française de Rome, 1890, p. 506. Elas se distinguem também no outro mundo. É com Cristo que ressuscitarão... CHRISTUM CUM QUO RESURGET. Le Blant, op. cit., t. ii, p. 32, n. 392. É ele quem as recebe no céu: TE, VIRGO, TUUS TRANSVEXIT AD ÆTHERA SPONSUS, como diz o epitáfio de santa Marcelina. Wilpert, op. cit., p. 79. Ainda mais expressivo, embora menos antigo, é o mármore epigráfico já citado das quatro virgens de Vercelli. Wilpert, op. cit., p. 79.

n) As viúvas cristãs. O monumento mais antigo que as menciona é um epitáfio de Priscila: APKAC XHPA HTIC AITH. (ΜΗΤΡΙ (γλυκυ)ΤΑΤΗ. || ΑΦ(α)ΒΙΑ. ΘΕΟΦΙΛΑ (θυγατ)ΗΡ (ἐπ)ΟΙΗCEΝ. De Rossi, Bullet., 1886, p. 90; Kaufmann, Handbuch, p. 224. Numa pedra do Latrão, t. xi, n. 2, lê-se: OCTAVIÆ MATRONÆ VIDUÆ DEI. Às vezes as chamavam diaconissa. Um epitáfio de Pavia, de 539, está assim redigido: HIC IN PACE REQUIESCIT B(onæ) M(emoriæ) || THEODORA DIACONISSA. Corp. insc. lat., t. v, n. 6467; Diehl, op. cit., p. 10, n. 35.

O termo grego encontra-se em dois mármores de Jerusalém, do século V. Revue biblique, 1904. Uma delas faz clara alusão a são Paulo, Rom., xvi, 1: † ἐνθάδε κεῖται ἡ δούλη καὶ νύμφη Χριστοῦ Σοφία ἡ διάκονος ἡ δευτέρα Φοίβη... Xystus, op. cit., t. i, p. 209-213. Sobre os antigos mosteiros do Egito, que nos interessam menos diretamente, e os dados da epigrafia, ver Leclercq, Dictionnaire d'arch. chrét., t. ii, col. 3136.

— 3. Seu culto. Aqui não se trata nem do culto dos santos, nem das cerimônias dos sacramentos, que serão tratados alhures, nem da disposição das igrejas, nem da organização das catacumbas. São questões que dizem respeito antes à arqueologia propriamente dita, e para as quais a epigrafia fornece amplas informações. Trataremos aqui apenas da liturgia em geral e dos lugares de oração, para saber que ideia os primeiros cristãos disso faziam.

a) A liturgia. Desde os primeiros tempos, a Igreja procedia ao sepultamento de seus filhos acompanhando-o da recitação de orações especiais e da oblação do santo sacrifício. Uma vez determinadas as fórmulas litúrgicas, os fiéis delas fizeram uso de bom grado. Daí essas alusões bastante numerosas a antigas liturgias nos monumentos funerários, tanto no Oriente quanto no Ocidente. Às vezes encontram-se mesmo orações gravadas, inteiras ou em parte, nos mármores dos túmulos. Ver Le Blant, Étude sur les sarcophages d'Arles, Paris, 1878, p. xxi-xxxix Pren. Fragments; Leclercq, Of early Christian liturgies in Syrian inscriptions, em Transactions and proceedings of the american philological association, Boston, t. xxxiii (1902), p. 81-100, e sobretudo Leclercq, na Revue bénédictine, xxii (1905), p. 429-442; Kirsch, Die Acclamationen..., Colônia, 1897, p. 61 sq.

A Didaché, c. IX, contém uma fórmula doxológica em uso no fim do século I. Num epitáfio priscilianista, certamente anterior ao ano 250, lê-se uma quase idêntica: ΔΟΞΑ (âncora). De Rossi, Bull., 1888-1889, p. 31 sq. Já desde meados do século III, encontra-se a terminação Amen num certo número de epitáfios, por exemplo, em São Calisto: SPIRITUS TUUS IN PACE AMEN, e no Egito. De Rossi, Roma sotter., ii, pl. xlix, n. 6; Leclercq, Dictionnaire, t. I, col. 1158, 1159.

A fórmula como μνήσθητι κύριε, que se pode ver igualmente na Didaché, começa ordinariamente as comemorações litúrgicas, e é muito comum na epigrafia grega, em Roma, na Sicília, na Palestina. De Rossi, Bull., 1877, édit. franc., p. 36; Strazzula, Museum epigraphicum, p. 75, 77; Kaufmann, Handbuch, p. 216. Um epitáfio egípcio, de meados do século III, está assim redigido: Κύριος, μνησθῇ τῆς κοιμήσεως (sic) Θεοδότης καὶ ἀναπαύσεως Μ...... Leclercq, Dictionnaire d'arch. chrét., t. I, col. 1151. Em contrapartida, na epigrafia latina, a fórmula Memento Domine é muito rara. As palavras processit in pace leem-se em São Calisto, num mármore do século III, e em vários monumentos africanos do século IV. De Rossi, Roma sotter., ii, pl. xlvii, n. 44; Mon. lit., p. cxxviii. A expressão análoga processit in somno pacis encontra-se com bastante frequência, pouco depois da paz da Igreja, e lembra o texto litúrgico do Memento dos mortos. De Rossi, loc. cit., e Bullet., 1884, p. 96-101, pl. iv, n. 1; Le Blant, Inscript. chrét., t. I, p. 384; Nuovo bullet., 1903, p. 68; Mon. lit., p. lxxxvii.

Aliás, no Memento em questão quase não há palavra que não se encontre nos mármores do século III, onde se deseja frequentemente aos defuntos ou o refrigério, refrigerium, ou a luz, lux, ou a paz, pax. Às vezes reúnem-nas, como neste mármore romano que traz: PRIVATA DULCIS IN REFRIGERIO ET IN PACE. Mon. lit., p. lxxxvii. A aclamação epigráfica IN BONO (século III) reencontra-se numa oração litúrgica publicada por Martène, De antiquis Ecclesiae ritibus, p. 1076, ao passo que dois fragmentos epigráficos do mesmo século, comparados entre si, dão uma oração do antigo ofício dos mortos (da liturgia romana): Domine, qui dedisti omnibus animam, suscipe Bonifati per sanctum nomen tuum. De Rossi, Bullet., 1877, édit. franc., p. 36.

A partir da época constantiniana, os dados dos monumentos são mais desenvolvidos. Uma inscrição síria de 368 já apresenta a doxologia completa: ΔΟΞΑ ΠΑΤΡΙ ΚΑΙ ΥΙΩ ΚΑΙ ΑΓΙΩ ΠΝΕΥΜΑΤΙ. Leclercq, Dictionnaire d'arch. chrét., t. I, col. 2406. A fórmula antiga Dominus tecum, ὁ Κύριος μετὰ σοῦ, retorna agora com mais frequência. Mon. lit., n. 3360, 3365. Outra frequente: in spe resurrectionis, tira sua origem da liturgia grega. Mon. lit., p. cxxviii. Um epitáfio de Alexandria, do ano 409, contém uma oração litúrgica do ofício dos mortos. De Rossi, Bullet., 1877, édit. franc., p. 35, note 3; Leclercq, Dictionnaire d'arch. chrét., t. I, col. 1530. No do diácono Sabino, em São Lourenço, do início do século seguinte, lê-se a fórmula SABINUM LEVITAM NUNC QUOQUE ANGELICIS IUNGE CHORIS, que provém de antigas liturgias. Kirsch, Acclamationen, p. 69. Um mármore do Latrão, mais antigo que os precedentes, traz uma oração certamente litúrgica: DOMINE NE QUANDO ADUMBRETUR SPIRITUS VENERIS (nome da defunta). Musée du Latran, p. XVII, n. 14; Perret, op. cit., pl. 27, n. 48.

Encontram-se mesmo fórmulas caídas em desuso, ou pelo menos desconhecidas nos manuscritos que chegaram até nós, como a que se pode ler numa pedra de Carpentras: PRÆSTA QUORUM DEUS, UT SEPULCRAIUNXISTI FUNERE, TANTO EORUM FACIAS ANIMAS ASPECTUS TUI LIBERTATE GAUDERE. Le Blant, op. cit., t. II, p. 590. Assim está provado o vínculo íntimo entre a epigrafia e as mais antigas liturgias, bem como a alta importância de nossa ciência para fixar-lhes o formulário primitivo. Pois é evidente que, nessa aproximação de fórmulas, a prioridade não deve ser atribuída aos monumentos, mas aos textos litúrgicos que, anteriores à sua composição, remontam assim a uma época tanto mais recuada.

— b) Os lugares de oração. Os primeiros cristãos oravam não somente em casa, mas ainda nos santuários e junto aos restos de seus mortos. Já desde o século IV, as igrejas eram vistas como a casa do Senhor, dominicum. De Rossi, Bullet., 1863, édit. ital., p. 25 sq.; como um lugar de oração, oratorium; como a habitação do Espírito Santo. HIC DOMUS DEI, lia-se no lintel da porta de uma igreja africana do século IV. HIC AVITATIO (= habitatio) SPIRITUS SANCTI HOC EXAUDIETUR OMNIS QUI INVOCAT NOMEN DOMINI OMNIPOTENTIS. Nuovo bullet., 1899, p. 66; Diehl, op. cit., p. 22, n. 100.

O texto seguinte acompanhava o mosaico colocado por Constantino no abside da basílica Vaticana: Iustitiae sedes, fidei domus, aula pudoris... De Rossi, Inscript. christ., t. II, p. 21, n. 10. Encontra-se o mesmo texto numa igreja de Palestrina da mesma época e num santuário africano. Nuovo bullet., 1899, p. 233; De Rossi, Bullet., 1879, édit. franc., p. 165. Era nas igrejas que se retirava para meditar os santos Livros. Eis a inscrição que santo Paulino de Nola mandou colocar à esquerda do abside, Epist., xxxii, P. L., t. lxi, col. 338: Si quem sancta tenet meditandi in lege voluntas Hic poterit residens sacris intendere libris.

Por isso deve-se entrar na igreja com sentimentos que correspondam ao destino e ao caráter do lugar santo. Em São Lourenço Damaso, no século V, liam-se os versos seguintes. De Rossi, Inscript. christ., t. II, p. 151, n. 25; Ihm, op. cit., p. 102, n. 103: Quisque plena Deo mysteria mente requiris, Huc accede, domus religiosa patet. Hæc sunt tecta pio semper devota timori, Auditunique Deus commodat hic precibus. Ergo lætiferos propera compescere sensus, Jam propera sacras lætus adire fores...

Uma inscrição em mosaico de um santuário de Madaba, na Palestina, de aproximadamente a mesma época que a precedente, convidava os que ali entravam a purificar o espírito, o corpo e as obras, a fim de oferecer a Deus súplicas eficazes. Revue biblique, t. I (1892), p. 639 sq.; De Rossi, Bullet., 1892, p. 25. Outras, compostas por santo Paulino de Nola para a porta de entrada da basílica de são Félix, diziam: Pax tibi sit, quicunque Dei penetralia Christi pectore pacifico candidus ingrederis. Quisquis ab æde Dei perfectis ordine votis egrederis, remea corpore, corde mane. Epist., xxxii, P. L., t. lxi, col. 330.

Era pelo mesmo motivo que se pedia aos fiéis que se lavassem na fonte do átrio, antes de penetrar na igreja. O sentido bem claro deste uso santificado pela Igreja é indicado pelos textos epigráficos que traziam várias dessas fontes ou cânteros, precursores diretos de nossas pias de água benta. Em Constantinopla, via-se a inscrição frequentemente reproduzida (dobrada, uma à direita ou à esquerda, apresentava o mesmo texto): ΝΙΨΟΝ ΑΝΟΜΗΜΑΤΑ ΜΗ ΜΟΝΑΝ ΟΨΙΝ, lava teus pecados, e não somente o teu rosto. De Rossi, Bullet., 1867, édit. franc., p. 79 sq. Sobre um suporte de pia de água benta do século VI, encontrado na Toscana, lia-se: CHRISTIANE LABA MANUS ET ORA, UT REMITTANT PECCATA. De Rossi, Bullet., 1887, p. 95 sq.

Bem anteriormente, Leão I tinha feito colocar sobre o santuário de São Paulo os versos seguintes: Unda lavat carnis maculas, sed : ... amne crimina purgat purificatque animas mundior fides. Quisquis suis meritis veneranda sacra Pauli ingrediens supplex, ablue fonte manus. De Rossi, Inscript. christ., t. IIa, p. 80 sq., n. 13. A santidade dos edifícios do culto ressalta ainda de sua consagração, da deposição de relíquias em seus altares. Voltaremos a falar disso no art. Santos (Culto dos). Notemos aqui que duas inscrições africanas, uma de 359, outra de 402, nos atestam este uso. De Rossi, Inscript. christ., t. I, p. VI; Mélanges d'arch. et d'hist., t. x (Roma, 1890), p. 440 sq.

II. A EPIGRAFIA CRISTÃ E A TEOLOGIA DOGMÁTICA ESPECIAL: Deus; a Trindade. O grande dogma do cristianismo é a . Segundo o relato de Lactâncio, Div. inst., V, xi, os cristãos foram frequentemente chamados adoradores de Deus, cultores Dei, pelos pagãos politeístas que gostavam de se intitular cultores deorum. P. L., t. VI, col. 587.

Na Epigrafia, a fórmula monoteísta in nomine ou in nomine Dei é bastante frequente, por exemplo, em dois mármores do século III conservados no Latrão, p. vm, n. 1, 2, numa brica bastante antiga, etc. De Rossi, Bullet., 1877, édit. franc., p. 20; 1884, p. 37. É, como observa De Rossi, Bullet., 1877, loc. cit., a fórmula inicial de todo ato cristão solene, sendo a religião de Cristo o culto por excelência do Deus verdadeiro e único e a negação essencial do politeísmo. Pode-se dizer o mesmo da simples menção do nome de Deus no singular, que se encontra já desde o século II num número muito considerável de pedras. Mas os textos mais explícitos que se conhecem encontram-se, um em Boldetti, outro no museu Kircher, em Roma. No primeiro, da primeira metade do século III, diz-se do defunto: IN UNU(m) DEU(m) CREDEDIT IN PACE. Boldetti, op. 456; De Rossi, Bullet., 1860, loc. cit., p. 87, édit. ital., p. 45.

No segundo texto, composto por volta de 200, conjuram-se os cristãos PER UNUM DEUM a não molestar o morto. Liguemos a isso a fórmula que se encontra frequentemente no Egito e sobretudo na Síria, e que deve tirar sua origem do versículo do Deuteronômio, VI, 4, pelo qual começam os mandamentos. Os judeus faziam uso dela, e Jesus também. Deut., VI, 4; S. Cirilo de Jerusalém, Cat., x, 2, P. G., t. xxxiii, col. 661; Marc., XII, 29. Cf. Dictionnaire d'arch. chrét., t. I, col. 2402.

Este Deus único, os monumentos no-lo fazem conhecer melhor. Chamam-no o Mestre por excelência, Dominus, Κύριος, por exemplo, em dois mármores do século III, um de Domitila, onde se diz: RESTITUTUS FECIT HYPOGEUM SIBI ET SUIS FIDENTIBUS IN DOMINO; outro encontrado em Porto, onde se dirige ao defunto a saudação toda apostólica ἐν κ(υρί)ῳ χαίρειν. De Rossi, Bullet., 1865, édit. ital., p. 95; 1869, édit. franc., p. 48; 1866, édit. ital., p. 41. É o Deus Altíssimo, Θεὸς Ὕψιστος. Mon. lit., n. 3304. Este nome que os judeus davam a Jeová volta frequentemente nos monumentos do Oriente.

Um mármore opistógrafo do museu de Bucareste, do século II (?), designa, segundo Leclercq, Dictionnaire, t. I, col. 1816, Deus τὸν Θεὸν ὕψιστον, τὸν κύριον τῶν πνευμάτων καὶ σαρκὸς πάσης. Ele é o Ser supremo, summitas, como o chama um epitáfio romano do século III. De Rossi, Roma sotterr., III, pl. xxiv-xxv, n. 32; Bullet., 1865, édit. ital., p. 11. Ele é todo-poderoso: numa inscrição priscilianista do século III pede-se, UT DEUS OMNIPOTENS AGAPEN (a defunta) IN SÆCULA SERVET. Um grafito exprime em Santa Balbina uma prece análoga: Deus omnipotens, custodi Spiritum. De Rossi, Bull., 1884, p. 72; Roma sotterranea, t. I, p. 271. A inscrição dos mártires de Marselha, anterior a Constantino, termina pela aclamação: REFRIGERET VOS QVI OMNIA POTEST. Le Blant, op. cit., t. II, p. 305. Outra, de Salona, da primeira metade do século IV, contém a expressão DEUS OMNIPOTENS REX. Kaufmann, Jenseitsvorstellungen, p. 157.

É chamado Θεὸς ὕψιστος, num epitáfio de cerca do ano 200, Mon.: l'an n. 2789; θεὸς ἀείζωος, Deus sempre vivo, num monumento sírio anterior à paz da Igreja, Leclercq, Dictionnaire, t. ii, col. 618, 619; Deus imortal, ἀθάνατος θεός, num mármore de Apameia, de 259, Leclercq, loc. cit., t. i, col. 2519; o Deus que reina no céu, (θεὸν τὸν ἐπουράνιον), num mármore da Acaia, do século III, Leclercq, Dictionnaire d'arch. chrét., t. i, col. 332; o Deus santo e eterno, DEO SANCTO AETERNO, Leclercq, loc. cit., col. 627; o Deus juiz, τὸν κριτὴν θεόν, num monumento de Apameia, do século III. Mon. n. 2798; lit., Leclercq, Dictionnaire, t. i, col. 2519.

Mas ele é bom e ama os homens, ἀγαθὸς καὶ φιλάνθρωπος θεός; não conhece o pecado, é a justiça e a verdade: σὺ γὰρ μόνος θεὸς καὶ πάσης ἁμαρτίας ἐκτὸς ὑπάρχεις, καὶ ἡ δικαιοσύνη σου ἡ ἀλήθεια, como diz o epitáfio de Kaufmann, de Schnoudi, de 344. Jenseitsdenkmäler, p. 68 sq. Para Justino e Clemente de Alexandria, Deus é πατὴρ τῶν πάντων. A mesma expressão encontra-se num mármore da mesma época. De Rossi, Bullet., 1888-1889, p. 31 sq. Enfim, seu nome é grande e santo, SANCTUM NOMEN. Mon. 2798, μέγα ὄνομα, lit., n. 10; De Rossi, Bullet., 1877, édit. franc., p. 36.

2. A Trindade. O termo trinitas encontra-se pela primeira vez num mármore do Vaticano, do ano 403. De Rossi, Inscript, christ., t. i, p. 222, n. 523. A crença no mistério está atestada bem anteriormente. Nas palavras IN D(EO) ET D(OMINO) ET SPIRITO SANCTO, no epitáfio do bispo calabrês Juliano, que viveu no século III, De Rossi vê uma invocação à santa Trindade que deve ler-se «in Deo, Domino et Spiritu sancto». Bullet., 1876, édit. franc., p. 105 sq. Uma inscrição anteconstantiniana da região de Ampliatus, em Santa Domitila, traz, com os suplementos do mesmo arqueólogo, o seguinte texto: CUN(DIANUS) (qui credidit) IN CRISTUM (sic) JESU(M), vivit in PATRE ET FILIO ET SP(IRITO) SANCTO. Bullet., 1881, p. 71. Outra, de Siracusa, termina pela prece: μνησθῇ σου ὁ θεὸς καὶ ὁ χριστός καὶ τὸ ἅγειος (sic) Πνεῦμα (sic) πνεῦμα. Strazzula, op. cit., p. 192, n. 371. As três pessoas são expressamente nomeadas na doxologia apresentada por uma inscrição da Síria já citada acima. Leclercq, Dictionnaire d'arch. chrét., t. i, col. 2406; Revue bénédictine, t. XXII (1905), p. 433. As três pessoas são chamadas Deus; atribuem-se-lhes ações divinas.

O Pai. Uma inscrição priscilianista, provavelmente do século III, começa assim: DIXIT ET HOC PATER OMNIPOTENS... Esta última expressão encontra-se ainda num monumento da Villa Borghese, do século III. De Rossi, Bullet., 1884, édit. franc., p. 72 sq.; Inscript, christ., t. iia, p. ix. Talvez seja sobretudo a ele que se deva aplicar o título ὁ πατὴρ τῶν πάντων mencionado há pouco. Rendem-lhe graças pelos benefícios recebidos do céu: DEO PATRI OMNIPOTENTI OMNI(P)OTENTI GRATIAS AGIMUS, diz uma inscrição de Porto. De Rossi, Bullet., 1866, édit. ital., p. 49.

O Filho é Deus como o Pai. Nomeiam-se um e outro no mármore priscilianista já citado acima. O Filho é o Cristo do Pai. Numa inscrição publicada por De Rossi, Bullet., 1866, p. 49, lê-se: DEO PATRI OMNIPOTENTI ET XPO (Christo) EIUS; noutra afirma-se do defunto REQUIEM ACCEPIT IN DEO PATRE NOSTRO ET CHRISTO EIUS. Gruter, Inscript., p. 1052, 12; Corp. insc. lat., iii, n. 4221. Por isso associam-se ambos nas preces e nas aclamações pelos mortos, por exemplo, PAX DOMINI ET CHRISTI CUM FAUSTINO ATTICO; REFRIGERET TIBI DEUS ET CHRISTUS; Ἀγαθὴ ... χαρίσου τῷ Κυρίῳ καὶ τῷ Χριστῷ. Mon. lat., n. 2854; De Rossi, Bullet., t. iii, p. 308; Nuovo bullet., 1904, p. 124. Cristo é o Verbo do Pai. O titulus de Euélpio, de Cesareia da Mauretânia, anterior a Constantino, chama o cristão CULTOR VERBI. Mon. lat., n. 2808. «...é seu filho»; IN PACE ET IN NOMINE FILII EIUS. Xystus, op. cit., t. iia, p. 81.

Como tal, ele é distinto do Pai. Um monumento da via Ardeatina apresenta uma fórmula cujo sentido patripassiano mal se esconde: QUI ET FILIUS DICERIS ET PATER INVENIRIS. De Rossi, Bullet., 1866, édit. ital., p. 86, 95; Nuovo bullet., 1903, p. 303. Noutro, do século III, lê-se ao lado do peixe simbólico e do bom Pastor as palavras bem estranhas: DEO SANCTO. Será uma atestação da heresia de Noeto em Roma? Cf. 313, 314. — De Rossi, loc. cit., p. 87; — Nuovo Bull., 1903, p. 197.

O Espírito Santo. Vimos acima como, associando-o ao Pai e ao Filho, se afirma sua divindade. Em outros lugares diz-se que o Espírito Santo é o Espírito de Deus, o Espírito do Filho. Ele é o princípio de uma vida nova. Nele renasce-se nas águas do batismo; nele adormece-se para o outro mundo, revive-se para a eternidade. Um mármore romano, talvez ainda do fim do século II, traz: [] [ζ]: De ψυχὴ δὲ ἀνακαινισθεῖσα τῷ πνεύματι χριστοῦ. Rossi, Inscr. christ., t. I, p. cxvi. A inscrição de Euélpio já mencionada chama os cristãos SANCTO SPIRITU.

Outra, composta por volta de 403 por santo Paulino de Nola, caracteriza assim sua ação na administração do batismo. Le Blant, op. cit., t. II, p. 390; P. L., t. LXI, col. 332: Sanctus in hune cœlo descendit Spiritus amnem Cœlestique sacras fonte marital aquas. Concipit unda Deum sanctamque liquoribus almis Edit ab æterno semine progeniem. Num monumento de Milão afirma-se da defunta: SPIRITU SANCTO NATA EST IN GLORIA CHRISTI, UT CUM BEATIS POSSIT SERVIRE IPSI. De Waal, symbolo, p. 16.

Uma estela de São Hermes, hoje conservada no museu Kircher, em Roma, traz: Πρῶτος ἐν ἁγίῳ πνεύματι θεοῦ ἐνθάδε κεῖται. É de meados do século III. De Rossi, Bullet., 1877, édit. franc., p. 28; 1894, p. 18; Perret, op. cit., p. 50, n. 29. A aclamação VIVAS IN SPIRITO SANCTO termina um epitáfio de São Calixto, hoje no Latrão, p. viii, n. 5, enquanto outro mármore do mesmo museu, mas menos antigo (por volta de 300), diz do Senhor QUIQUE ANIMAM (Severiæ) RAPUIT SPIRITU SANCTO SUO... De Rossi, Inscript. christ., t. I, p. cxv. Enfim, um epitáfio de Bordeaux, do século IV, é notável sobretudo pela invocação bem rara da terceira pessoa da Trindade AUXILIA PASCASIA, ADIUTUS SPIRITUS SANCTUS. Le Blant, op. cit., t. ii, n. 372, 583; cf. Julian, Inscript. de Bordeaux, t. ii, p. 21, 22. Notemos todavia que as expressões Espírito de Deus, Espírito de Cristo, Espírito do Espírito Santo de Deus podem querer indicar o próprio Cristo. Vários Padres as empregaram assim. Neste caso, a aplicação que acabamos de fazer à terceira pessoa permanece ao menos duvidosa. Ver a este respeito Dölger, em Röm. Quartalschrift, t. xxiii (1909), p. 77-82; IX, p. 78 sq.

— 2º A criação. 1. Os anjos. Os monumentos atestam-nos sua existência. De Rossi, Inscript. christ., t. I, p. 31 (a. 310). Um mármore de Melos, do século III, menciona um anjo guardião dos túmulos. Mon. lit., n. 2182; Leclercq, Dictionnaire, t. I, col. 2141. Em três outros diz-se do defunto que foi recebido pelos anjos, ACCERSITUS AB ANGELIS, etc. Mon. lit., n. 2879, 3153, 3380. Os nomes de Miguel, Gabriel e Rafael não são raros nos monumentos da segunda metade do século IV e do século V. «O arcanjo Miguel, que deve conduzir à luz, é nomeado» numa inscrição egípcia de 409. Leclercq, Dictionnaire d'arch. chrét., t. I, col. 1152, 1153. Da mesma época é uma pedra encontrada na Acaia, na qual se invoca o chefe da milícia celeste dando-lhe o título ἅγιε καὶ φοβερὲ Μιχαὴλ ἀρχάγγελε. Leclercq, loc. cit., t. I, col. 338.

Vários escritores eclesiásticos do fim do século II e do começo do século III atribuíram aos anjos um corpo etéreo. Será essa a ideia que se quis exprimir no monumento de Julia Evarista, do século III, quando se diz da defunta ΑΓΓΕΛΙΚΟΝ CΩΜΑ ΛΑΒΟΥCΑ? Cf. Petau, Dogmata theolog., t. I, l. I, c. ii; Rossi, Inscript. christ., t. IIa, p. xxviii sq. Em alguns monumentos constata-se um culto de certos anjos que a Igreja jamais quis admitir. Le Blant, L'épigraphie chrétienne en Gaule, p. 46; Leclercq, Dictionnaire d'arch. chrét., t. I, art. Anges.

2. O demônio. Se a leitura proposta por Lenormant é correta, encontramos o nome de Satanás, Σαταννᾶς, numa amuleto cristão do século II (?). Mon. lit., n. 2803. Em geral, os amuletos são bastante explícitos sobre o demônio e sobre o mal que ele faz ao homem. Infelizmente o caráter desses monumentos e sua data incerta não nos permitem fazer deles grande uso. Cf. por exemplo, Leclercq, Dictionnaire, t. I, col. 1801 sq. Em alguns textos damasianos o demônio recebe o nome de princeps mundi, que lhe dá o Evangelho. Ihm, op. cit., p. 10, n. 7; p. 30, n. 30; p. 47, n. 43, etc. Um pouco mais tarde, é chamado princeps Averni. De Rossi, Inscript. christ., t. IIa, p. 258, n. 5. O epitáfio das quatro virgens cristãs de Vercelli chama-o ANGUIS INVISUS, ASPIS, SÆVUS DRACO, que atenta contra sua virtude. Wilpert, Jungfrauen, p. 39.

— 3. O homem. É Deus quem cria, como diz o mármore priscilianista do século IV já citado. De Rossi, Bullet., 1888, 31. No fim do século IV, o diácono romano Severus o chama FACTOR ET IUDEX. Segundo ele, é ainda Deus quem fez nascer sua irmã e lhe deu as faculdades de seu espírito: QUAM DOMINUS NASCI MIRA SAPIENTIA ET ARTE IUSSERAT IN CARNEM... De Rossi, Inscript. christ., t. I, p. cxv.

O homem é tirado do limo da terra e a ela retornará. O epitáfio do diácono romano Sabino faz-lhe dizer: NAM TERRAM REPETENS, QUÆ NOSTRA PROBATUR ORIGO, HIC TUMULOR MUTA MEMBRA SABINUS HOMO. De Rossi, Bullet., 1861, p. 39. Um mármore priscilianista do século V também faz alusão: HOC PATER OMNIPOTENS DIXIT ET CUM DE TERRA SUMPTUS (petent aditum) TERRÆ TRADERIS HUNC (mandas). De Rossi, Bullet., 1881, p. 73. O pecado original e sua pena são ainda recordados pelo desenho gráfico de Adão e Eva ao lado da árvore e por outro que mostra um homem conduzindo o arado e uma mulher sentada diante da casa fiando linho. Perret, op. cit., pl. 12, n. 3. O homem é composto de um corpo e de uma alma: terrenum corpus, cœlestis spiritus. Mon. lit., n. 4169; Leclercq, Dictionnaire, t. I, col. 1497, 1498.

O titulus já citado de Julia Evarista traz: ἡ σὰρξ ἐνθάδε κεῖται· ψυχὴ δέ... ἀγγελικὸν σῶμα εἰς οὐράνιον χριστοῦ βασιλείαν μετὰ τῶν ἁγίων ἀνελήμφθη ... Deo animam reddidit. A alma é, como lemos no epitáfio de um habitante de Carras (Harã), na Mesopotâmia, enterrado em Roma no século IV. De Rossi, Bullet., 1873, édit. franc., p. 162 sq. São Pedro, II Pet., i, 14, chama o corpo o tabernáculo da alma, σκήνωμα. Do mesmo modo uma inscrição grega do século IV. De Rossi, Bullet., 1890, p. 57, nota 3. O corpo é frágil como um vaso de argila. Num mármore de Aquileia traçou-se um homem quebrando um vaso. Wilpert vê nisso a figura do corpo humano, enquanto a alma é recebida no céu. Wilpert, Inschriften Aquileias, p. 15 sq. Cf. Leclercq, Dictionnaire, t. I, col. 2676. A epigrafia do século IV exprime ainda essa ideia pelas locuções esse incorpore, exire de corpore, corporeos nexus rumpere, hospita caro, etc. Wilpert, Jungfrauen, p. 95, 96; Le Blant, op. cit., p. 331, n. 226; De Rossi, Inscript. christ., t. I, p. 737, n. 303; t. iia, p. 116, n. 92, etc.

A alma é de origem divina, cœlestis spiritus. Leclercq, Dictionnaire d'arch. chrét., t. I, col. 1497, 1498. Na morte, o homem deve entregá-la a Deus. Daí as fórmulas epigráficas do fim do século III e do século IV: Deo animam, ou simplesmente: reddidit, spiritum reddidit; τὴν ψυχήν, τὸ πνεῦμα θεῷ ἀποδοῦσα, ἀπέδωκεν, παρέδωκεν. De Rossi, Bullet., 1873, édit. franc., p. 162 sq.; Rom. subterr., t. I, pl. v, n. 2 e 3; Armellini, Il cimitero di S. Agnese, pl. xiv, n. 1; Bullet., 1892, p. 79, 80; Mon. lit., n. 2857.

Ela é espiritual. Os termos anima, spiritus, ψυχή, πνεῦμα, que se encontram tão frequentemente nas aclamações do século II e do século III, indicam-no suficientemente. Ela é imortal. Esta crença não era desconhecida dos pagãos. H. Weil, L'immortalité de l'âme chez les Grecs, no Journal des savants, 1895, p. 213 sq., 304 sq. Mas ela é antes de tudo cristã e explica, entre outras coisas, esses votos de vida em Deus, em Jesus Cristo, que encontramos, a partir do século II, em epitáfios sem número. Várias vezes a imortalidade é categoricamente afirmada. Mon. lit., p. cxxxviii-cxxxix: ψυχὴ ἀθάνατος, etc. A fórmula pagã nemo immortalis, οὐδεὶς ἀθάνατος ἐν κόσμῳ, que se lê às vezes em mármores cristãos, não tem de modo algum o sentido de uma exortação a aproveitar a vida à maneira dos gentios. Mon. lit., loc. cit.

O homem virtuoso é o templo da divindade. Esta linguagem da Escritura e dos Padres é provavelmente confirmada por uma inscrição do fim do século III, hoje no Latrão, e assim redigida: DIONYSI VAS ☧ (= Christi). De Rossi, Bullet., 1867, édit. franc., p. 27. Santo Paulino afirma de Sulpício Severo: Totus et ipse (Severus) Dei templum viget, hospite Christo gaudentemque humili corde gerit Dominum. Le Blant, op. cit., t. ii, p. 391; P. L., t. lxi, col. 332.

Na inscrição métrica de santa Inês, ainda hoje conservada, o papa Damaso diz que a santa, exposta aos olhares do público, escondeu seus membros com sua abundante cabeleira, NE DOMINI TEMPLUM FACIES PERITURA (um olhar mortal) VIDERET. Ihm, op. cit., p. 44, n. 40. A alma humana, em particular, foi considerada como uma morada do Espírito Santo. Daí a denominação spiritus sanctus aplicada, nas inscrições da mais alta antiguidade, à alma dos fiéis, por causa da comunicação dos dons do Espírito Santo. De Rossi, Bullet., 1877, édit. franc., p. 28; Inscript. christ., t. I, p. 18, n. 11 (a. 269); p. 532, n. 1192.

— 3º A cristologia. — Eis os dados da epigrafia a este respeito. 1. Nomes e títulos. Já desde o século II, o Verbo feito carne é chamado ora Jesus, Ἰησοῦς, ora Christus, Χριστός, ora Jesus Christus, Ἰησοῦς Χριστός. Estes nomes são escritos por extenso ou abreviados. Encontramos as fórmulas seguintes: VIVAS IN (Christo) num loculus. De Rossi, Bullet., 1873, édit. franc., p. 24; IN NOMINE (Christi), no Latrão, p. viii, n. 8-11; Mon. lit., n. 3344, 3486; ἐν ὀνόματι Ἰησοῦ, Bullet., 1877, édit. franc., p. 174; ἐν ☧, Bullet., 1888, p. 31; I H X (= Jésus Christus), Bullet., 1888, p. 34, 35; ἐν IH XP (siglas de Ἰησοῦ Χριστοῦ)., Bullet., 1888, p. 35, 36. O uso da sigla IH para IHCOYC era conhecido já desde a primeira metade do século II. Bullet., 1888, p. 36, 37. Chama-se ainda o ichthys, IX, o Peixe simbólico, por exemplo, no monumento de Abércio, ἰχθὺς οὐράνιος na pedra de Autun, ἰχθὺς ζώντων na de Licínia Amias, do século II, hoje no museu Kircher, Perret, op. cit., pl. 44, n. 1, etc.; ἰχθὺς μέγ(α) num grafito em Santo Hipólito. De Rossi, Bullet., 1882, édit. franc., p. 56.

O acróstico IX Ἰησοῦς Χριστός θεοῦ υἱός (σωτήρ) era certamente conhecido em quase toda parte já desde meados do século II, de modo que se pôde interpretar a fórmula acima da seguinte maneira: Ἰησοῦς Χριστός θεοῦ υἱὸς σωτὴρ τῶν ζώντων, Röm. Quartalschrift, t. xxiv (1910), p. 65 sq. Frequentemente, aliás, representa-se-o sob o símbolo tão antigo e tão frequente do peixe, com ou sem a palavra, ou com outro nome indicando claramente Cristo figurado pelo símbolo, por exemplo, ἰχθὺς (peixe); IN ☧ (peixe). Mon. lit., n. 3366, 3108. Cf. n. 3101, 3287, 3447; Dölger, IX, p. 158-238. Jesus Cristo recebe ainda o título de Pastor. Num mármore de São Hermes, do século III no máximo, lê-se: ποιμὴν τοῦ λαοῦ. Kaufmann, Handbuch, p. 235. Abércio se diz discípulo do santo Pastor, μαθητὴς ποίμενος ἁγνοῦ. Numa laje do museu Kircher o nome ποιμένος está gravado em monograma ao lado da figura do bom Pastor. Wilpert, Fractio panis, Paris, 1896, p. 101. Ele traz ainda os nomes de salvador, mestre, senhor, rei, juiz, etc. Ver adiante col. 333, 334.

2. Sua divindade. A crença em sua divindade já está atestada pelo que precede. É evidente que na aclamação vivas ou vivis in nomine (Christi), tal como a lemos, por exemplo, em Domitila, o nome de Cristo substitui o de Deus. Wilpert, Malereien, p. 186. Em duas pedras funerárias do Latrão, p. viii, n. 3 e 4, lê-se a dupla fórmula: IN DEO CRISTO e IN ☧ DEO; noutra, também do século IV: ☧ DEO. De Rossi, Roma sott., t. II, pl. xxxi-xxxii; Röm. Quartalschrift, t. xxii (1908), p. 90.

Um mármore do século II termina pela aclamação ☧ (peixe). De Rossi, Bullet., 1890, p. 42; Leclercq, Dictionnaire, t. I, col. 2575. O pagão que, na primeira metade do século II, traçou com a ponta, numa câmara do Palatino, o crucifixo blasfemo, cujo caráter cristão é admitido por Harnack, Mission und Ausbreitung des Christentums, 2e édit., Leipzig, 1906, t. ii, p. 36, atesta-nos igualmente que os cristãos adoravam como Deus o Cristo crucificado: ΑΛΕ ΞΑΜΕΝΟC CEΒΕΤΕ ΘΕΟΝ. Mon. lit., n. 3520.

3. Sua humanidade. Jesus Cristo é homem. O Cristo dos marcionitas tem apenas um corpo fantástico. Não é este que professou, no século III, o jovem Sozon, cujo epitáfio termina assim: BEATUS (Veras) ISPIRITUM (animam accipiat) IN PACE ET PETE PRO NOBIS. De Rossi, Bullet., 1873, édit. franc., p. 78, pl. VI, n. 1. Ele tomou nossa natureza no seio da Virgem. É o que afirmaria claramente a inscrição de Abércio, se a expressão ἡ παρθένος ἁγνή designasse seguramente Maria, como admitem os Mon. lit., p. cxvi, cxvii, e não a Igreja, como quer o doutor Dölger. Röm. Quartalschrift, t. xxiii (1909), p. 87-112.

O mesmo se diga das siglas XMP, que se encontram, ao menos uma vez antes de 300, caso se devesse interpretá-las certamente no sentido de Χριστὸν Μαρία γεννᾷ. O P. Leclercq é a favor dessa interpretação, e os monumentos falam bastante a seu favor. Revue bénédictine, t. xxii (1905), p. 439 sq. E. Nestle, em Berliner philologische Wochenschrift, 1906, p. 381-384. Ver, a este respeito, Dölger, IX, p. 298-317. Em contrapartida, a inscrição dedicatória de Santa Maria Maior, composta por Sisto III em seguida ao concílio de Éfeso, é bem formal, De Rossi, Inscript. christ., t. II, p. 71: Virgo Maria, tibi Sixtus nova templa dicavi, Digna salutifero munera ventre tuo. Te Genitrix ignara viri te denique læta Visceribus salvis edita nostra salus, etc.

Os monumentos informam pouco sobre a vida de Jesus Cristo. São Dâmaso menciona a tempestade acalmada e as ressurreições operadas por Cristo, que são uma garantia de sua própria ressurreição. Ihm, op. cit., p. 13, n. 9. Da paixão só se fala explicitamente no século V, por exemplo, num mármore romano de 406, onde se diz do defunto: REDEMPTUS VULNE(re Christi), e numa pedra da Gália: HIC DALMATA CRUCE REDEMPTUS. De Rossi, Inscript. christ., t. I, p. 239, 563; Le Blant, op. cit., t. II, p. 198, n. 478.

Em compensação, recorda-se graficamente por meio das diferentes formas da cruz, que, como Wilpert provou, se encontram nos três primeiros séculos mais frequentemente do que se acreditava até agora. Em tal monumento é a cruz grega, noutro, a cruz latina; aqui, é o tau grego colocado intencionalmente no meio de um nome próprio; ali, é a âncora cruciforme unida ao peixe ou ao cordeiro, símbolo de Cristo, fazendo assim manifestamente alusão ao mistério do Calvário. Ver, para os detalhes, Wilpert, em Nuovo Bullet., 1902, p. 5-14; Dölger, IXΘΥΣ, p. 318-326. O sentido desses desenhos gráficos encontra-se na inscrição que santo Paulino de Nola mandou colocar sob uma figura semelhante numa igreja: Sub cruce sanguinea niveo stat Christus in agno. Epist., xxxii, 12, P. L., t. Lxi, col. 339. Cf. ainda Leclercq, Dictionnaire d'arch. chrét., t. I, col. 880; Nuovo 1899, 33, 34; Xystus, op. u. b., Bailleul, p. cit., t. I, p. 25, 26, 37 sq.

A paixão de Jesus Cristo é a causa da salvação dos homens. Dois monumentos mostram o monograma constantiniano flanqueado pelas duas letras A e Ω, em cima a barra transversal para indicar a cruz, o todo colocado sobre uma serpente, símbolo do demônio. A palavra SALVS escrita embaixo indica o sentido da figura. Garrucci, Storia dell' arte, t. I, p. 169-173; Cabrol, Dictionnaire d'arch. chrét., t. I, col. 23. Jesus merece, portanto, bem o título de salvador, que lhe dão certos monumentos, Dolger, op. cit., p. 207 sq., 406 sq., de ἁγίων (dos cristãos) e δέσποτα) que lhe confere o monumento de Autun. Ele é o mestre, o senhor por excelência. Daí estas aclamações do fim do século II e do III: (Vivas in) D(omino) N(ostro) (a. 268); Ζῇς ἐν θεῷ Κυρείῳ Κρειστῷ (sic). De Rossi, Inscript. christ., t. I, p. 16; de Waal, Il simbolo, p. 11; Mon. lit., n. 2962. Os cristãos se dizem de bom grado seus servos, por exemplo, na inscrição do catecúmeno Victor Δοῦλος τοῦ κυρίου Ἰησοῦ (= Jesus) X, ou no mármore de Varronia anterior a 250: δούλη Ἰησοῦ Χριστοῦ. De Rossi, Bullet., 1888-1889, p. 35; Dolger, IXΘYC, p. 104 sq., 376 sq.

Ao morrer, Jesus venceu a morte, como diz um monumento do século V ... Christus, qui antehac mortuus est. De Rossi, Inscript. christ., t. I, p. 107, n. 55. Após esta vitória única em seu gênero, ele subiu ao céu, onde já não morre nunca mais. Assim, a epígrafe romana de Marítima recorda παναθάνατον, enquanto a inscrição de Constantina em Santa Inês contém os versos seguintes: TARTAREAM SOLUS POTUIT QUI VINCERE MORTEM. CHRISTUS INVICTUS COELO SOLUSQUE INFERRET TRIUMPHUM NOMEN ADAE REFERENS ET CORPUS ET OMNIA MEMBRA A MORTIS TENEBRIS ET CAECA NOCTE LEVATA. De Rossi, Inscript. christ., t. II a, p. 45; Ihm, op. cit., p. 87, n. 84. Um monumento priscilianista, do século III, declara que no céu Cristo está sentado à direita do Pai ὁ θεὸς ὁ καθήμενος εἰς δεξιάν (OEZIA sic) τοῦ πατρός... (Kaufmann, Die Jenseitsdenkmäler, 61; Dölger, IXC, p. 344). Um mármore do século IV chama seu céu de reino onde recebe os eleitos: εἰς οὐράνιον Χριστοῦ βασιλείαν ἀνελήμφθη. De Rossi, Inscript. christ., t. I, p. CXVI. Ele é seu regente, ἄρχων, o grande rei, παμβασιλεύς. Corp. insc. graec., n. 8633. Ver IV, col. 408. Do céu, o Homem-Deus virá julgar os vivos e os mortos. Uma inscrição do papa Damaso começa assim, como atesta o antigo carmen repetisse pater: natum deis sedes atque iterum vexilhere credit, judice ut rediens pariterque sepultos... Ihm, op. cit., p. 91, n. 91. O mármore de Autun o chama «luz dos defuntos», φῶς τὸ θανόντων.

Ele é ainda o alfa e o ômega, o começo e o fim de todas as coisas. É o que dizem claramente tanto o epitáfio romano do século III, que, em lugar da aclamação IN PACE CHRISTO, traz a fórmula IN PACE ET IN PRINCIPIO, quanto o monograma constantiniano flanqueado pelo A e pelo Ω, tão frequente a partir de meados do século IV. A alusão ao quarto Evangelho, VIII, 25, ou ao Apocalipse, I, 8, é manifesta. Mon. lit., n. 3094; Revue biblique, t. IV (1895), p. 164, 165. Se em seguida lemos, no cemitério de Trasão, num mármore anterior (?) a Constantino, o seguinte texto: MERCURIANE QUAE VIXIT ANNIS XXXI, o autor desta inscrição quis evidentemente dizer que Cristo, o alfa e o ômega, é também a Vida. Cabrol, Dictionnaire, t. I, col. 17. Ele é o princípio da vida nova, sobrenatural, que se recebe no batismo. Mon. lit., n. 3348; Perret, op. cit., pl. 28, n. 26. Ele é o objeto de nossas adorações como φῶς de Alexâmeno, o objeto de nossa fé, de nossa esperança, de nosso amor.

Ver adiante, col. 347. O objeto de nossas preces, mesmo quando nos dirigimos aos santos, é-nos concedido por ele. Christo praestante, como afirma santo Damaso. Ihm, op. cit., p. 46, n. 42. Podemos ter toda confiança nele; ele vê tudo e nada lhe escapa, ὀφθαλμοὺς ὃς ἔχει μεγάλους πάντη καθορῶντας, como diz Abércio dele; onipotente, é ὁ παντοκράτωρ, como o chama um grafito do século II; tem todo poder Christus, cui filio summa potestas, como declara santo Damaso; este poder não tem fim, pois ele é o Eterno ὁ Θεός, ὁ παντοκράτωρ ὁ ὤν, προών καὶ μέλλων, Ἰησοῦς ὁ Χριστός, ὁ υἱός τοῦ Θεοῦ τοῦ ζῶντος, como o qualifica um texto epigráfico egípcio de 409. Ihm, op. cit., p. 57; Mon. lit., n. 3461; Leclercq, Dictionnaire d'arch. chrét., t. I, col. 1152.

4º Sacramentos. 1. Para o batismo e a eucaristia, ver BATISMO, t. II, col. 233-243, e EUCARISTIA segundo os monumentos da antiguidade cristã.

— 2. A confirmação. Nos primeiros tempos, o batismo e a confirmação, regularmente unidos, compunham o rito completo da iniciação cristã. Os testemunhos de Tertuliano, de Orígenes e de santo Cipriano não deixam dúvida a este respeito. Mas, como havia exceções a esta regra, deve-se perguntar se os epitáfios sempre contemplam a confirmação quando neles se encontram as expressões usuais para designar o batismo, tais como sigillum, νεόφυτος, νεοσωτιστός, ἀνακαινισθείς, renovatus, ἀνακαινισθείς, gratiam accipere, consequi. Quando o texto epigráfico menciona o batismo solene e designa assim a iniciação cristã completa, a confirmação deve estar compreendida nestes termos. É o que podemos admitir para um monumento de 403 publicado por De Rossi, Inscript, christ., t. I, p. 353, n. 810, e assim redigido: NATUS SEVERI NOMINE PASCASIUS DIES PASCALES : APRIL. PRID(ie) NON(as) IN DIE JOBIS FL(avio) CONSTANTINO ET RUFO II ANNORUM V. C. C. QUI VIXIT PERCEPIT ET ALBAS SUAS OCTABAS PASCÆ AD SEPULCRUM DEPOSUIT. Talvez ainda se pudessem citar os monumentos mencionados por Le Blant, Inscript, chrét., p. 478, 479. Um texto romano do século IV, publicado por De Rossi, Bull., 1869, édit. franc., p. 30, e mal explicado por Kaufmann, Jenseitsdenkmäler, p. 87, diz que a defunta foi ungida nos banhos do Senhor com óleo santo e imperecível, ΛΟΥΤΡΟΙΣ ΧΡΕΙΣΑΜΕΝΗ ΧΥ (= (Χριστοῦ) ΜΥΡΟΝ ΑΦΘΙΤΟΝ ΑΓΝΟΝ. Trata-se de uma adepta do gnosticismo.

Indiretamente este texto prova a favor da confirmação, porque a unção praticada pelos gnósticos era estranha a seu princípio e tomada de empréstimo ao rito católico. S. Irineu, Contra hœr., 1. I, c. XXI, n. 3, 4, P. G., t. VII, col. 661 sq. Para outros textos, a aplicação à confirmação é ao menos duvidosa. Rom. Quartalschrift, t. XIX (1905), p. 6-8, 10-12, 15, 17, 32. É bem diferente o caso de um epitáfio espoletano de 367, dado por De Rossi, Bull., 1869, édit. franc., p. 23, 24: PICENTIÆ LEGITIMÆ NEOPHYTÆ DIE V : KAL. SEP. CONSIGNATÆ PAPA LIBERIO MARITUS... POSUIT. Aqui, como em toda parte, o verbo signare é empregado para designar o sacramento da confirmação. Mais explícita ainda é a inscrição seguinte, quase contemporânea, que ornava uma capela onde se confirmavam os recém-batizados, infantes, De Rossi, Bull., 1867, édit. franc., p. 34, 88; 1869, édit. franc., p. 30; Inscript, christ., t. IIa, p. 139, n. 26; Ihm, op. cit., p. 77, n. 73: Istic insontes cœlesti flumine lotas Pastoris summi dextera signat oves. Huc undis generate veni, que sanctus ad unum Spiritus ut capias te sua dona vocat. Tu, cruce suscepta, mundi vitare procellas Disce, magis monitus hac ratione loci.

Trata-se manifestamente de uma ação simbólica distinta do batismo, pressuposto ao mesmo tempo que o nascimento para a vida da graça. Essa ação consiste num rito em forma de cruz, com o qual se marca a fronte do fiel e que, pela virtude do Espírito Santo, produz na alma um efeito sobrenatural: os dons do Espírito Santo e sobretudo o da fortaleza contra as tentações e as tempestades da vida no meio do mundo. Uma aproximação de nosso texto com a carta de Inocêncio I (402-417) a Decêncio, bispo de Gúbio, P. L., t. XX, col. 554 sq., mostra-nos que se trata realmente da confirmação. — Conforme as indicações do papa, o papa Libério e o summus pastor nos monumentos mencionados é o ministro ordinário do sacramento. Se não se trata explicitamente do santo crisma, fala-se dele ao menos na inscrição gnóstica supradita e talvez também num texto de Tolentino, do século IV, onde se diz de dois esposos: QUOS DEI SACERDOS PROBIANUS LAVIT ET UNXIT. Um testemunho mais seguro é o epitáfio de Clóvis I, onde se diz do defunto: MOX PURGATUS AQUIS ET CHRISTI FONTE RENATUS FRAGRANTEM GESSIT INFUSO CHRISMATE CRINEM.

A autenticidade deste texto, posta em dúvida por Le Blant, Inscript, chrét., t. I, p. 287, 288, é perfeitamente reconhecida por De Rossi, Bull., 1869, édit. franc., p. 30. Um último texto nos é fornecido pelo elogio do padre Maréas, morto em 555, De Rossi, Bull., 1869, édit. franc., p. 17 sq.: TUQUE SACERDOTES DOCUISTI CHRISMATE SANCTO TANGERE BIS NULLUM IUDICE POSSE DEO. Nossos conhecimentos históricos nos obrigam a afastar a ideia de que se poderia tratar aqui da repetição do sacramento da ordem. Diremos, pois, com De Rossi, Bull., 1869, édit. franc., p. 30, 31, ou com o Sr. Dölger, Röm. Quartalschrift, t. XIX (1905), p. 19, que se trata de uma proibição feita aos bispos ou padres, sacerdotes, em virtude de uma autoridade superior, iudice Deo, seja de reiterar o sacramento da confirmação, seja de conferi-lo, sendo apenas simples padre.

3. A penitência. Os pecados são remidos pelo batismo. Outro meio, esse extraordinário, para obter a remissão dos pecados graves cometidos depois do batismo, era o martírio. Sobre o túmulo de santo Eutíquio, que primeiro havia renegado a fé, santo Dâmaso colocou os versos seguintes, Ihm, op. cit., p. 32, n. 27; Bücheler, op. cit., t. I, p. 149, n. 307: ...sanctas omnia quæ lavat sanguis vaincra, intaleral mortis metuenda potestas.

Outro meio era o poder das chaves, estendendo-se até aos três grandes pecados canônicos. Sabe-se pela história quanto os papas Calisto, Cornélio e outros tiveram de lutar contra os rigoristas como Tertuliano, Novaciano e seus partidários. As lutas em torno do ano 300, nas quais intervinha sobretudo um certo Heráclio, são-nos conhecidas pelas inscrições que santo Dâmaso mandou colocar sobre os túmulos dos papas Marcelo e Eusébio. Do primeiro se diz: Veridicus rector lapsos quia crimina flere prædixit, miseris fuit omnibus hostis amaras, Ihm, op. cit., p. 51, n. 48; do segundo, Eusébio: Héraclius vetuit lapsos peccata dolere, miseras docuit sua crimina flere. Ihm, op. cit., p. 25, n. 18. O cismático Heráclio negava o poder da Igreja, mas o papa que ensina a verdade, veridicus rector, mantinha seu direito apesar da oposição que devia enfrentar e da pena do exílio que devia suportar. Quanto aos outros monumentos, raros e de época posterior, a palavra pœnitentia que neles se encontra nem sempre tem o mesmo significado. A expressão pœnitentiam accipere, consequi designa muito provavelmente a recepção do sacramento.

Constatamos uma fórmula análoga para o batismo, e uma passagem paralela de Gregório de Tours, Hist. Franc., 1. VI, c. XXVIII, P. L., t. LXXI, col. 395, que diz de um enfermo: lateris dolore detentus caput totondit atque pœnitentiam accipiens exhalavit spiritum, confirma talvez nossa afirmação. Sobre um monumento de Aix, do ano 492, nomeia-se um certo Adjutor que POST ACCEPTAM PÆNITENTIAM MIGRAVIT AD DOMINUM. Le Blant, Inscript., t. II, p. 487, n. 623. Um epitáfio de Lyon, do ano 508, traz: ... VIXIT (uma certa Susana) ANNUS (sic) XX PÆNITENTIA CONSECUTA EST OBIET IN PACE. Le Blant, op. cit., t. I, p. 144-146, n. 66. Em contrapartida, em outros monumentos, onde se diz do defunto que foi pœnitens, ou que fez penitência, agit pœnitentiam, durante certo número de anos, não é o sacramento que se visa, mas antes a vida penitente, provavelmente praticada em condições particulares. Ver De Rossi, Inscript, christ., t. IIa, p. 490 (an. 463); Le Blant, Inscript, chrét., t. II, p. 549, n. 663 (an. 589); p. 589, n. 697 (século VI); Hübner, Inscript. Hisp., p. 9, n. 29 (an. 627); p. 10, n. 33 (an. 578). Um mármore de Ravena, de 523, traz ao lado do nome próprio o título de P(A)NITENTIALIS. Devemos ver aí, com Diehl, loc. cit., p. 11, n. 44, o padre penitenciário, do qual nos falam os autores eclesiásticos, por exemplo, Cassiodoro, Hist. tripart., 1. IX, c. XXXV, P. L., t. LX, col. 1151?

4. A extrema-unção. Contrariamente ao que se acreditou, não encontramos alusão a esse sacramento nem na inscrição do sarcófago de Tolentino, onde se diz de dois esposos: QUOS DEI SACERDOS PROBIANUS LAVIT ET UNXIT, e onde se trata da unção do batismo ou da confirmação, nem num mármore grego do século III, citado pelos Mon. lit., n. 2780, onde a palavra χρηστόν está posta por χριστόν, nem num amuleto cristão do século II que, segundo o Sr. Lenormant, teria o seguinte teor: Ἐξορκίζω σε, ὦ Σαταννᾶς... ἵνα μήποτε καταλείπῃς τὸν τόπον σου... ἐπὶ τῷ τόπῳ τῆς... τὴν ἐπικέχρικα: eu te exorcizo, ó Satanás..., pronuncia na morada, sobre aquela na qual eu fiz a unção. Mon. lit., t. I, n. 2803. A leitura proposta pelo arqueólogo francês apresenta garantia demasiado escassa para ser aceita com toda a segurança, como o fez Leclercq, Dictionnaire d'arch. chrét., t. I, col. 1795, 1796. Ver Kirchhoff, Corpus inscr. graec, t. IV, n. 9064.

— 5. O matrimônio. A respeito do estado de matrimônio e do sacramento que o inaugura, a epigrafia nos fornece numerosas indicações. É Deus quem forma o vínculo conjugal. No sarcófago mencionado de Tolentino, cuja face representa o casamento de dois esposos, lê-se: QUOS PARIBUS MERITIS IUNXIT MATRIMONIO DULCI OMNIPOTENS DOMINUS. De Rossi, Bull., 1869, édit. franc., p. 23; Garrucci, Storia dell'arte, pl. 304, n. 8. Esse vínculo é um. A religião de Cristo proíbe o concubinato. Daí, em nossos monumentos, a ausência completa dos termos concubina, contubernium, contubernalis, bastante frequentes na epigrafia pagã. Esse vínculo é indissolúvel. De Rossi, Bull., 1866, édit. franc., p. 14 sq., cita um fragmento de inscrição de São Lourenço onde se diz: HOC SUE LEGE DEU(s) NUPTIS CONSORTIA VINXIT ESSET UT CORPORIBUS cunctis UNA CARO. Indiretamente esse caráter é indicado num monumento de 302, onde o marido chama a mulher de sua costela: VISCILIUS NICENÆ COSTÆ SUÆ. Ver comentário de De Rossi, Inscript, christ., t. I, p. 151. A alusão ao Gênesis, II, 20, é evidente. Sabe-se que os casamentos entre pagãos e cristãos, inevitáveis nos primeiros séculos, eram vistos com maus olhos pela autoridade eclesiástica.

Tertuliano e são Cipriano os condenam; o concílio de Elvira (por volta de 300) os proíbe formalmente. Por isso, inscrições pertencentes a esposos de religião diversa são muito raras. Citemos dois epitáfios africanos: um pertencente a uma cristã, Pescennia Quodvultdeus, cujo marido pagão C. Quintillus Marcellus é provavelmente aquele cônsul de 226 que no ano seguinte se tornou procônsul da África; o outro mencionando uma mulher cristã, enquanto o marido e o filho parecem ter permanecido pagãos. Corp. insc. lat., t. VIII, p. 870; De Rossi, dans Spicilegium Solesmense, t. IV, p. 509; Ephemeris epigr., t. VII, p. 114. A Igreja, contrariamente à lei civil, considerava perfeitamente válido e lícito o casamento entre um liberto e uma pessoa de posição senatorial. A decisão tomada pelo papa Calisto é confirmada por diversas pedras funerárias publicadas por De Rossi, Bull., 1866, édit. ital., p. 23 sq.; 1881, édit. franc., p. 72 sq. O valor de um ou outro desses textos poderá ser contestado. Pelka, Altchristliche Ehedenkmaler, p. 85; Leclercq, Dictionnaire, t. I, col. 2879. No matrimônio, marido e mulher são iguais.

Já antes de meados do século IV, dá-se-lhes o título, muito raro nos monumentos pagãos, de compar, por exemplo, numa pedra romana de 340, De Rossi, Inscript, christ., t. I, p. 67, n. 107, ou o de σύνζυγος, que lembra a imagem do jugo empregada por santo Ambrósio, Epist., 1. I, ix, e um mármore epigráfico. Pelka, op. cit., p. 41. Num mármore da catacumba dos Santos Pedro e Marcelino, do século III, um certo Primus chama sua mulher de collabora sua, colaboradora no governo da família, companheira no suporte das penas e das fadigas. Nuovo bull., 1902, p. 194. A denominação encontra-se igualmente entre os judeus. Bull. dell. Instit. di Corr. arch., 1876, p. 67; De Rossi, Roma sotter., t. III, p. 538. Deus deve também guiar os esposos durante toda a duração do matrimônio. VIVATIS IN DEO, tal é o desejo que encontramos num vidro de fundo dourado, provavelmente dado como presente a dois jovens esposos, cujo casamento ele representa. A-f-00 SECUNDE ET PROIECTA, VIVATIS IN CHRI(sto), lemos na célebre arqueta de prata do gabinete Blacas, que é do fim do século IV e que se encontra hoje no British Museum. Pelka, loc. cit., p. 115-123, pl. II-IV.

Consequentemente, eles se consideram como servos de Deus e de Cristo e, como Tertuliano, Ad uxorem, c. I, P. L., t. I, col. 1274, à sua esposa, dão-se mutuamente o título de conseruus, conserva, ou de σύνδουλος, por exemplo, em várias inscrições de Roma, De Rossi, Bull., 1886, p. 116; de Ravena, de Porto, De Rossi, Bull., 1879, édit. franc., p. 109 sq.; da Sicília. Kaibel, Inscript, graec, n. 531. Esta última se serve formalmente da expressão ΣΥΝΔΟΥΛΗ ΕΝ ΧΡΩ(= ΧΡΙΣΤῷ). Cf. Dölger, IX, p. 194 sq. Referindo-se ao Evangelho de são Mateus, I, 18, quis-se ver na expressão bene convenire, que se lê numa inscrição da catacumba de Santo Hermes, por volta de 200, um testemunho de fidelidade no dever conjugal praticado segundo a vontade de Cristo, figurado na pedra pelo símbolo do peixe. Todavia, outro mármore mais explícito, que se vê no Latrão, pl. VIII, n. 7, parece opor-se a isso; o marido diz de sua mulher: ...QUÆ EIUS OBSEQUIO SEMPER NOBIS CONVENIT. É, portanto, antes a união em Cristo que se quer indicar igualmente no primeiro monumento.

Frequentemente os cristãos praticavam a continência, ora temporária, ora perpétua. É a esta última que se poderiam referir dois epitáfios: um romano, anterior a Constantino, onde se diz da mulher, segundo De Rossi, Roma sotter., t. I, pl. XXXI, n. 13: ... VIXIT INLIBATA CUM VIRGINIO SUO... o outro, de Salona, na Dalmácia, do ano 378, que faz o marido dizer a respeito de sua esposa: QUAM A PARENTIBUS IPSIUS SUSCEPI ANNOS XVIII. QUI AEQUE INLIBATÆ MECUM VIXIT (qua-) (sic) ANNOS XXXII. Pelka, op. cit., p. 45. Outros monumentos visam antes a continência temporária, por exemplo, um mármore de 472 em Le Blant, Inscript, chrét., t. II, p. 30, n. 391, pl. 46, n. 275; Leclercq, Dictionnaire d'arch. chrét., t. I, col. 2492 sq.

Em seguida, desde meados do século III, insiste-se de bom grado no fato de que, ao entrarem no matrimônio, os dois esposos, contrariamente às práticas pagãs, ainda eram virgens. É esse o sentido do título de virginias, virgo, que numerosos epitáfios dão seja ao marido, seja à mulher. O mármore mais antigo que traz essa menção é do ano 291. De Rossi, Inscript. christ., p. 23, n. 17; Mon. lit., t. I, n. 2873. Ver Kraus, Real-Encyclopädie, t. II, p. 956-958; Pelka, loc. cit., p. 16-19. Contrair novas núpcias era malvisto: era uma prova de que não se era suficientemente senhor de si mesmo. Por isso, vários epitáfios insistem no fato de que tal pessoa só se casou uma vez: univira, uno contenta marito, etc. A corrupção dos costumes pagãos explica por que se encontra sobretudo nos mármores cristãos o elogio da castidade conjugal. A esposa é casta, castissima, casta vere casta, pudica, pudicissima, verecunda, ou então (no genitivo) vere castitatis, summae, egregiae castitatis, totius pudicitiae, intacti genialis tori femina, etc. Pelka, op. cit., p. 27, 30, 31. De uma esposa cristã de Roma se diz: CUIUS FIDELITATEM ET CASTITATEM ET BONITATEM OMNES VICINALES EXPERTI SUNT. QUAE ANNIS NUMERO XIII ABSENTIA VIRGINIS SUI SUAM CASTITATEM CUSTODIVIT. De Rossi, Roma sott., t. III, XXV, n. 4; Mon. lit., t. I, n. 2966.

Alhures registram-se outras virtudes. Assim, mármores nos atestam que, apesar dos inúmeros perigos, as mulheres seguiram seus maridos até o fim de suas peregrinações; várias não recuaram diante de distâncias muito consideráveis para honrar a memória do marido falecido no estrangeiro. Tal uma gaulesa, Martina, de quem se diz: VENIT DE GALLIA PER MANSIONES UT COMMEMORARET MEMORIAM DULCEM MARITI. Pelka, op. cit., p. 43. Os epitáfios mencionam também a felicidade e a paz que reinavam entre os esposos e a subordinação da esposa: bene mecum vixit, sine ulla laesione animi, sine ulla querela, sine ulla bile, macula, culpa, discordia, controversia, etc.; N., QUAE BENE VIVENDO MARITALI CONSECUTA EST DISCIPLINA. Pelka, op. cit., p. 42; Leclercq, Dictionn. d'arch. chrét., t. I, col. 1022. A verdadeira esposa nos é admiravelmente retratada nas linhas seguintes, gravadas num túmulo gaulês anterior ao século IV: CASTITAS, FIDES, CARITAS, PIETAS, OBSEQUIUM, ET QUÆCUMQUE DEUS FÆMINIS INESSE PRÆCEPIT HIS ORNATA BONIS SOPHRONIOLA IN PACE QUIESCIT. (Le Blant, Inscript. chrét., III, 438; — Pelka, op. cit., p. 42. — t. II, p. 11).

5º A escatologia. 1. A vida humana; a morte. A vida tem um caráter essencialmente passageiro. Ela é comparada a um navio que se deve conduzir ao porto da eternidade, em dois monumentos do Latrão, p. xiv, n. 49; XVI, 63, na epígrafe da virgem africana Castula, num mármore publicado por Passionei, onde o navio traz o nome do defunto, que por vezes ali figura sob o símbolo da orante ou da pomba. Wilpert, Jungfrauen, p. 48, 49; Passionei, Iscriz. ant., p. 125, n. 88; Perret, op. cit., pl. 32, n. 80 bis; 69, n. 7. Compara-se ainda a uma corrida, por exemplo, no último verso do belo elogio métrico da mártir Zósima (†275): nam fide servata cursum cum pace peregi. Rossi, Bullet., 1867, édit. franc., p. 82. A Escritura terá provavelmente fornecido a ideia dessa imagem. Ps. cxviii, 32; I Cor., ix, 24; II Tim., iv, 7. O cavalo, que figura em certos epitáfios do século III e que, em vários casos, tem significação certamente simbólica, exprime o mesmo pensamento. De Rossi, Bullet., 1873, pl. xi; Armellini, Il cimitero di Sant' Agnese, pl. xiv, n. 1; Röm. Quartalschrift, t. XV (1898), p. 399 sq.; Cabrol, Dictionnaire d'arch. chrét., t. I, col. 936, 937. Assim, viver na terra é viver no estrangeiro. Corp. insc. grœc., n. 9683; Mon. lit., n. 3278. A terra é apenas um lugar de passagem; o céu é nossa pátria. Le Blant, op. cit., 1, p. 7.

A morte, o cristão a encara de modo bem diferente do pagão. Para ele, morrer é debitum naturalem solvere, reddere debitum vitæ suæ. Domino rerum debitum commune omnibus reddere, De Rossi, Bullet., 1882, édit. franc., p. 57; 1873, édit. franc., p. 174; Inscript. christ., t. I, p. 392, n. 882; é esse substractum rebus humanis, esse translatum de sæculo, De Rossi, Bullet., 1881, édit. franc., p. 169; Roma sotterr., III, p. 45-48; é ainda decedere, exire de corpore, reddere Deo animam, terræ corpus, ire ad Deum, προσχωρεῖν πρὸς τὸν κύριον, migrare ad Dominum, ad astra, acceptum esse apud Deum, receptum esse ad Deum, cœlestia regna petere, etc. Wilpert, Jungfrauen, p. 95, 96; De Rossi, Bullet., 1873, édit. franc., p. 162 sq. Inscript. christ., t. I, p. 80, n. 140; Sicilia sotterranea, p. 163, n. 6; Le Blant, op. cit., t. II, p. 487, 493; De Rossi, Inscript. christ., t. I, p. 9, n. 5; Idem, op. cit., p. 10, n. 7. Todos morrerão, nemo immortalis, οὐδεὶς ἀθάνατος... ἐν τῷ κόσμῳ τούτῳ, ou ao menos, ἐν τῷ κόσμῳ τούτῳ, como explicam algumas inscrições encontradas no Oriente.

Mas a morte, a duração da permanência no túmulo, a admissão ao céu dependerão da vontade de Deus: Dei voluntate, quando Deus voluerit, cum Deus permiserit, etc. Leclercq, Dictionnaire d'arch. chrét., t. I, col. 3115; Perret, op. cit., pl. 39, n. 131 ter; 21, n. 5. Por isso, salvo casos particulares justificados por circunstâncias especiais, os cristãos evitam as manifestações de dor inconsolável, até mesmo violenta, dos pagãos. Não se é insensível, mas encara-se a morte de outra maneira. IN CHRISTO DATUS, escreve-se sobre a cal fresca de um túmulo de criança morta em 348. De Rossi, Bullet., 1879, édit. franc., p. 139. ORBATI NON SUNT, diz-se ainda de pais lioneses, na morte de dois gêmeos, DONA DEDERE DEO. De Rossi, loc. cit. Como conclusão prática, os monumentos apresentam as exortações seguintes: aos pais COMPREMATUR PECTORUM GEMITUS. STRUATUR FLETUS OCULORUM, Le Blant, op. cit., 1, p. 93; ao marido e aos filhos PARCITE CUM VOS LACRIMIS, DULCES CONIUGE NATÆ. VIVENTEMQUE DEO CREDITE FLERE NEFAS, De Rossi, Inscript. christ., t. I, p. 371, n. 843; ou então (à mãe): θανοῦσα γὰρ οὐ θάνῃ μούνῃ οὐδὲ πόσιν προλέλοιπεν καὶ εἰλίπεν νῦν ἔτι μᾶλλον οὐρανόθεν μιν ὁρᾷ καὶ τέρπεται ἠδὲ φυγάσσει [] ὁρᾷ καὶ τέρπεται ἠδὲ φυγάσσει, Bayet, op. cit., n. 118. A verdadeira razão nos é fornecida por um epitáfio gaulês: MORS NIHIL EST; VITAM RESPICE PERPETUAM. Le Blant, op. cit., t. I, p. 31, n. 12, pl. 3.

2. O túmulo é a morada transitória do corpo. É por vezes chamado domus, οἶκος. Boldetti, op. cit., p. 463; Dumont, Mélanges, p. 337. Alguns epitáfios do século III e do século IV apresentam a expressão CELLA ÆTERNA e sobretudo DOMUS ÆTERNA, οἶκος αἰώνιος, por exemplo, no Latrão, p. viii, 16; XVII, 36, na África, no Oriente. Essa fórmula, de origem egípcia, passou aos judeus, que a modificaram segundo suas ideias religiosas. Perles, dans Monatsschrift für Geschichte und Wissenschaft des Judenthums de Frankel, t. X (1861), p. 318, 349. A Escritura a conhece. Sap., XII, 5; II Cor., v, 1. Inofensiva como o D.M., ela não encerra de modo algum um argumento contra a fé na ressurreição, o que o contexto frequentemente nos indica. Num mármore romano diz-se que essa domus æterna é apenas temporária: IN FINEM SÆCULI FELICITAS DOMUM ÆTERNAM... PARA SIBI VIT, De Rossi, Roma sotterr., III, p. 456; e um mármore de Catânia começa assim: οἶκος αἰώνιος ἐν Χριστῷ. Leclercq, Dictionnaire d'arch. chrét., t. II, col. 2525. Bastante frequentemente encontra-se a denominação κοιμητήριον, sobretudo na Macedônia, onde, já desde o século III, acrescentam-se de bom grado as palavras ἕως ἀναστάσεως. Corp. insc. grœc., n. 9305-9314; De Rossi, Bullet., 1890, p. 58; Nuovo bullel., 1900, p. 76, 77; Mélanges d'archéologie et d'histoire, t. XX (1900), p. 229 sq.

A permanência no túmulo é um sono. Joa., XI, 11; I Thess., XV, 13-15. Daí a expressão dormire; εὕδειν (repousar no túmulo) em numerosos monumentos do século III, na Bitínia, em Autun e alhures. Mon. lit., n. 2785, 2826, 4278. Daí as fórmulas ἐν εἰρήνῃ ἡ κοίμησις αὐτοῦ· κοίμησις ἕως ἀναστάσεως, Nuovo bullel., 1901, p. 244; ⟦grego ilegível⟧, frequente também na Macedônia, De Rossi, Bullet., 1890, p. 54, 57; Nuovo bullel., 1900, p. 76, 77; in pace dormit, in pace Domini dormias, etc. Nuovo bullel., 1901, p. 244; De Rossi, Bullet., 1881, édit. franc., p. 72. Um epitáfio romano do século III começa pelas palavras: DORMITIONI T. FLA. EVTYCHIO... De Rossi, Roma sotter., t. I, p. 156. Nuovo bullel., 1904, 186. Alguns raros epitáfios, por exemplo, no Latrão, viii, n. 16, e no museu Kircher, n. 59, trazem a fórmula SOMNUS ÆTERNALIS. Perret, op. cit., pl. 18, n. 23; pl. 29, n. 71. É ainda um empréstimo ao formulário pagão que o próprio contexto já nos proíbe de tomar ao pé da letra.

3. A alma depois da morte. Para várias categorias de fiéis, por exemplo, para os mártires, as epígrafes afirmam sua admissão imediata ao céu. Para outros, há hesitação. Escritores eclesiásticos, mesmo dos mais notáveis, admitem uma permanência intermediária da alma, chamada por vezes seio de Abraão, que só terminará no julgamento. O eco dessa crença se reencontra, já desde o século III, nos monumentos, por exemplo, no epitáfio deste fiel gaulês, de quem se diz QUIESCIT IN PACE INTERCEDENTIBUS ET DIEM FUTURI IUDICII SANCTIS LETUS EXPECTAT (Le Blant, op. cit., t. II, p. 198, n. 478 (cf. ibid., t. II, n. 402 sq.); ou ainda nos últimos versos da inscrição métrica que são Paulino de Nola compôs para um certo Cynegius (Felici merito) HIC SOCIABITUR ANTE THRONUM: GREMIO ABRAHÆ pace De Rossi, Bull. 1872, édit. franc., p. 34; Diehl, op. cit., t. I, p. 323, n. 1084. Alhures, já o dissemos, afirmava-se categoricamente a entrada imediata no céu. De Rossi, Inscript. christ., t. I, p. 9; Bull. 1894, p. 58; Nuovo bull. 1901, p. 245, n. 23. Havia, pois, divisão e dúvida, como indicam os próprios monumentos. Leclercq, Dictionnaire d'arch. chrét., t. I, col. 1538; Le Blant, op. cit., t. II, p. 402 sq. Mas, já desde o início do século VI, o epitáfio do papa Félix III declara: CERTA FIDES IUSTIS CŒLESTIA REGNA PATERE. De Rossi, Inscript. christ., t. II a, p. 126, n. 3. Ver, sobre a questão, Le Blant, loc. cit., p. 397-411; Leclercq, em Dictionnaire d'arch. chrét., t. I, art. Ame.

— 4. A ressurreição dos corpos. A permanência no túmulo é apenas temporária, como indicam, já desde o século III, as seguintes expressões epigráficas: depositio, depositus est (ver Paul Allard, em: Les lettres chrétiennes, t. I (1880), p. 227 sq.), θέσις (inscr. de Abércio), ἀπόθεσιςµ (cf. II Pet., I, 14), dormitio, dormitorium, dormire, κοίµμησις, κοιμηµμητήριον (em oposição a domus aeterna), κοιµμητήριον ἕως ἀναστάσεως, κοιµᾶσθαι, εὔδειν, e, um pouco mais tarde, quiescere, quies. Mas há outros textos mais expressivos. Uma inscrição macedônica, do século II-III, diz θέτο σῶμα δὲ γαίῃ (= (= γῇ) εἰσοκα ἀναστάσεως εὐάγγε(λ)ο(ν) ἦμαρ ἔικητε (De Rossi, Bull. Arch. Crist., 1890, p. 59; Mon. Ant., n. 4348). O epitáfio do diácono Severo, enterrado por volta de 300 em São Calisto, traz: ...CORPUS... HIC EST SEPULTUM, DONEC RESURGAT AB IPSO. De Rossi, Inscript. christ., t. I, p. cxv. O papa Dâmaso termina sua inscrição sepulcral com estas palavras: Post cineres Damasam faciet quia papa surgere credo (Idem, op. cit., p. 13, n. 9), e o Celestino (I-432) conclui: Corporis hic tamalas: requiescunt: Domino, ossa cinisque nec perit hinc aliquid caro cuncta resurgit. Terrenum hanc terra tegit, mens nescia mortis Vivit et aspectu fruitur bene conscia et Christi. Idem, op. cit., p. 95, n. 92.

O autor da ressurreição, Cristo, é nomeado pelo epitáfio do diácono Severo citado mais acima; e igualmente pela inscrição de um sarcófago de Tolentino e pela do papa Dâmaso. De Rossi, Bullet., 1869, édit. franc., p. 23. Os monumentos da Vienense apresentam frequentemente as fórmulas resurrecturus in spe Christo, in resurrectionis misericordiam Christi, etc. Le Blant, op. cit., t. II, n. 462, 107-176; Nouveau recueil, p. XXI. Os monumentos nos dizem que ela se opera pelo retorno das almas aos corpos: HIC IACET; HINC, ANIMA CARNE REDEUNTE, RESURGET AETERNIS CHRISTI MUNERE DIGNA BONIS. De Rossi, 1881, en Bull. Arch. Crist., édit. franc., p. 21. Tendo em vista o julgamento, exprime-se por vezes a ideia, o desejo de ressuscitar sob o patrocínio dos santos, por exemplo, este cristão gaulês, de quem se diz RESURRECTURUS CUM SANCTIS, ou este cristão espanhol, cujo epitáfio termina com estas palavras: UT, CUM FLAMMA VORAX VENIET COMBURRERE TERRAS CŒTIBUS SANCTORUM MERITO SOCIATUS RESURGAM. II Hübner, Inscript. Hisp., 50, p. 158.

Vários fiéis partilhavam a ideia milenarista de certos Padres. A inscrição já mencionada do bispo africano Alexandre diz do titular: ...HUIUS ANIMA REFRIGERAT, CORPUS HIC IN PACE QUIESCIT RESURRECTIONEM EXPECTANS FUTURAM DE MORTUIS PRIMAM CONSORS UT FIAT SANCTIS IN POSSESSIONE REGNI CŒLESTIS. De Rossi, Bullet., 1894, p. 91. Estes versos lembram as antigas liturgias, bem como as palavras de Tertuliano, De monogamia, c. x, P. L., t. II, col. 912: Intérim pro ejus anima (sc. uxor) orat (sc. mariti) et refrigerium aeternum adpostulat ei et in prima resurrectione consortium. — Le Blant, op. cit., t. II, p. 84-86.

5. O julgamento. Situa-se no século III um mármore mutilado de Santa Inês que apresenta as palavras ...ET IN DIE IUDICII (judicii ou resurrectionis ad tribunali) CRISTI. Armellini, op. cit., p. 165, pl. XIII, 7; Marucchi, Éléments, t. II, p. 264. Nas epígrafes gregas encontra-se a expressão ἐν τῇ κρισίμῳ ἡμέρᾳµέρᾳ. Mon. Ant., n. 2788. No fim do século III, o diácono Severo prepara um túmulo: MANSIONEM IN PACE QUIETAM QUO MEMBRA DULCIA... FACTORI ET IUDICI SERVET. De Rossi, Inscript. christ., t. I, p. cxv. São Félix de Nola é mais explícito na inscrição que compõe para o jovem Cynegius, enterrado na basílica de São Félix: Sic et hujus erit juvenis sub iudice Christo: cum terribilis sonitu concusserit orbem, humanæque animæ rursum in sua vasa redibunt. Kaufmann, Jenseitsdenkmäler, p. 70, note 1. O juiz é o próprio Cristo. Sobre o papel que exercerão os santos, ver V, col. 472 sq. O julgamento será terrível: φοβερὸν δίκημα τοῦ θεοῦ ἐν ἡμέρᾳ κρίσεως. Bayet, op. cit., n. 106. Mas o juiz é justo e dará a cada um segundo suas obras: PRÆMIA PRO MERITIS CAPIET SUB IUDICE IUSTO. Allegranza, De sepulchris christ., p. 25, n. 42. Um mármore de Aix fala de uma criança colocada entre os cordeiros à direita do juiz: DEXTRIS TIBI NUNC FIDE ADSISTIT IN AGNIS: AETERNUM . . . SPERANS . . . DONUM. Le Blant, n. 489, op. cit., t. II, p. 621; Leclercq, Dictionnaire d'arch. chrét., t. I, col. 904.

Nos textos citados, trata-se sobretudo do julgamento final. Em dois monumentos vê-se gravada a cena do julgamento da alma. Perret, op. cit., pl. 22, n. 28; Wilpert, Malereien, p. 410, 415. Será o julgamento particular ou uma redução do julgamento final que devemos aí ver? É ao primeiro que o Sr. Wilpert, loc. cit., p. 391, refere um texto epigráfico de um padre milanês, Sarmala, século IV: NAZARIUS NAMQUE PARITER VICTORQUE BEATI LATERIBUS TUTUM REDDUNT MERITISQUE CORONANT. O FELIX. GEMINO MERUIT QUI MARTYRE DUCI AD DOMINUM MELIORE REQUIEMQUE MERERI. De Rossi, Inscript. christ., t. II, p. 172, n. 30.

G. A eternidade. Nada é mais bem atestado pela epigrafia do que a crença na eternidade. Eis várias aclamações e fórmulas, das quais algumas remontam ao século II: in irlrrum, v.; aiώνιον, in œvum, vivas in: æternum, in ævum, semper vivens in Deum, s.; Hirsch, Acclamationen, p. 242; post vitam viventem. De Rossi, Bullet., 1891, p. 93; regnat tempore continuo, De Rossi, Inscript. christ., t. i, p. 141, n. 317; vivas in nomine Christi, æterno... vivit... œvo, nativus in æternum. Kaufmann, Jenseitsdenkmäler, p. 70, 98, 224. Segundo as epígrafes, a vida eterna é uma vida em Deus, em Jesus Cristo, no Espírito Santo: vive, vives, vivas in Deo, Mon. lit., p. cxxvi, n. 2929, 2999; vivas in in Christo, in Domino Jesu, in (peixe), ζῶμεν ἐν θεῷ (peixe), etc. Mon. lit., n. 3044, 2984, 3118, 3108, 3366.

— 7. O purgatório; o inferno. Expusemos alhures o que dizem as inscrições sobre o purgatório. Ver Communion des saints, t. III, col. 460 sq. Nenhuma alusão ao inferno nas epígrafes dos três primeiros séculos; mesmo depois da paz da Igreja, a menção a ele ainda é bem rara. Num mármore de 489, os sobreviventes se consolam assim pela perda de uma certa Fabea Scerniola: CONFIDIMUS TE VIVERE SEMPER QUEM (quam): CONSIDERO ÆTERNI SIC REFUGISSE MALA. De Rossi, Bullet., 1881, édit. franc., 159. Noutro, pertencente ao subdiácono Ursiniano de Tréveris, diz-se do defunto QUEM NEC TARTARUS FURENS NEC PŒNA SÆVA NOCEBIT. Kraus, Inschriften, t. i, p. 89, 90; Le Blant, op. cit., t. i, p. 399, n. 293. A inscrição de Clematius, em Colônia, do século IV-V, contém uma ameaça dirigida àqueles que não respeitassem o lugar de repouso das virgens, companheiras de santa Úrsula: SCIAT SE SEMPITERNIS TARTARI IGNIBUS PUNIENDUM. Kraus, op. cit., p. 143. Um quarto monumento que menciona o inferno é do ano 488. Diehl, op. cit., p. 26, n. 126.

8. O céu e suas alegrias. A Escritura fala da cidade do céu. O Sr. Kaufmann, Handbuch, p. 234, inclina-se a ver essa Jerusalém celeste na πόλις ἐκλεκτή da inscrição de Abércio. Jérusalem civitas, lemos num grafito traçado na capela dos papas por um piedoso peregrino do século III. A Escritura fala frequentemente do reino dos céus. Um mármore romano, do início do século III, menciona igualmente XY = o: οὐράνιον (Χριστοῦ), e da mesma forma outro, de meados do século: βασίλειαν μετὰ τῶν ἁγίων. De Rossi, Inscript. christ., t. i, p. cxvi; Kaufmann, Jenseitsdenkmäler, p. 85, 86 (com a leitura correta). No século IV, encontram-se as seguintes denominações: supernum imperium, na epígrafe de Marcelina, irmã de santo Ambrósio, Allegranza, De sepulchris christianorum, p. 36; regnum cœleste, naquela já citada do bispo Alexandre de Tipasa, De Rossi, Bullet., 1894, p. 91; regna cœlestia, regna piorum, em várias inscrições damasianas, Ihm, op. cit., p. 15, n. 10; p. 10, n. 7; p. 42, n. 37; regna superna, fulgida, cœlica, aurea, æterna imperia, em Le Blant, op. cit., t. II, p. 407, nota 5; p. 253, n. 516; p. 390. O céu é um palácio, uma casa real.

Um átrio dá acesso a ele. Entre as cortinas colocadas à entrada, vê-se o interior onde trona a divindade cercada pela corte celeste. A mártir Zósima (†275) pede para ser recebida ali: ACCIPE ME, DOMINE, IN TUA LIMINA, CHRISTE. De Rossi, Bullet., édit. ital., p. 47; Bücheler, op. cit., t. i, p. 321, n. 681. Os monumentos do século IV e VI chamam esse palácio de regia, sublimis regia cœli, aula Christi, siderea Omnipotentis aula. De Rossi, Inscript. christ., t. i, p. 141, n. 317; Bullet., 1894, p. 93; Ihm, op. cit., p. 15, n. 10; p. 18, n. 12; p. 52, n. 49; Le Blant, op. cit., t. II, p. 241, n. 509. Por vezes os lapicidas o apresentam graficamente ao lado do texto, por exemplo, num mármore do Latrão, XIV, n. 45, e sobre várias epitáfios de Aquileia onde o monograma de Cristo, colocado acima, mostra bem qual é essa casa, a qual, aliás, é determinada ainda mais por um texto epigráfico que diz do defunto: ...MERUIT TUA LIMINA, CHRISTE, ANGELICASQUE DOMOS INTRAVIT ET AUREA REGNA. Wilpert, Malereien, p. 410, fig. 36; Inschriften Aquileias, p. 41, 43, 45, 54, 58; de Waal, op. cit., p. 28. Por causa daqueles que ali permanecem, esse palácio é ainda chamado sedes paternæ, sedes sanctorum, perpetua sedes. De Rossi, Bullet., 1880, édit. franc., p. 48, 49; Bücheler, op. cit., t. ii, p. 631, n. 1347 B; t. i, p. 319, n. 675. Em outros monumentos ele é chamado arx poli, arx ætheria poli, arx sublimis. Marucchi, op. cit., p. 238; De Rossi, Inscript. christ., t. iia, p. 71, n. 41; Ihm, op. cit., p. 68, n. 65.

A arte cristã apresenta a felicidade do céu sob o símbolo de um jardim delicioso coberto de plantas, de flores odoríferas, de fontes de água límpida e refrescante, repleto de ovelhas, de pássaros. Frequentemente o símbolo é reduzido aos elementos mais simples. Os mesmos elementos reaparecem gravados em monumentos dos séculos III e IV, por exemplo, no de Urbica em São Calisto, no de Moisés no Latrão, etc. Marucchi, op. cit., t. ii, p. 167; Xystus, op. cit., t. iib, p. 26. Os textos seguintes, do século IV, confirmam esses dados: ... inde per eximios paradisi regnat gramina odores tempore continua, vernant ubi rivis... (a. 382), De Rossi, Inscript. christ., t. i, p. 141, n. 317; Divitias, paradise, tuas flagrantia semper gramina haitantes diversis floribus hortos subjectasque videt et nubes sidera cœli. Le Blant, Inscr. chrét., t. ii, 254, n. 516; CERTUM EST IN REGNO CŒLESTI AMŒNA CUM PERQUE VIRETA ISTUM ELECTIS ERIT HABITUM PRAEMIA DIGNA, De Rossi, Bullet., 1894, p. 24, 64; ...NON TRISTIS EREBUS, NON REQUIES PALLIDA MORTIS IMAGO, SED SECURA TENET LUDOQUEI CHOREAS INTER FELICES ANIMAS ET AMŒNA PIORUM PRAEDIA. De Rossi, Bullet., 1882, édit. franc., p. 97.

O céu, morada de luz. O papa Dâmaso o chama: ætheria cœli lux; uma epitáfio de 344: τόπος φωτεινός. Ihm, op. cit., p. 55, n. 53; Kaufmann, Jenseitsdenkmäler, p. 68, 69. É ainda esse o sentido dos castiçais acesos, colocados à direita e à esquerda da alma-orante ou ao lado do texto das pedras funerárias, por exemplo, no Latrão, p. XIV, n. 44, ou em Aquileia. Wilpert, Inschriften Aquileias, p. 46, 47; Leclercq, Dictionnaire d'arch. chrét., t. i, col. 2676. Uma epitáfio publicada na Rom. Quartalschrift, t. vi (1892), p. 377 sq., fornece disso uma prova monumental. Ela apresenta, cortado por símbolos, o seguinte texto: CVIVS LVCE DOM: SPIRITVS (pomba) IN (círio) IN (monograma) SVSCEPTVS EST. Cf. De Rossi, Inscript. christ., t. I, p. 192, n. 442 (an. 441). O autor dessa luz celeste é o ichthys ou Peixe simbólico, o Cristo. Kaufmann, loc. cit., p. 67; Apoc. XII, 23.

Ele ilumina não somente os homens que vêm a este mundo, mas ainda aqueles que morrem e são recebidos no céu. O Pectório de Autun nomeia o Cristo: OGOCTO GANONTCON. Le Blant, op. cit., t. i, p. 10. É no mesmo sentido que se devem interpretar as fórmulas e textos seguintes: AETERNA TIBI LVX, TIMOTHEA, IN LVCE NOVA FRVERIS LVX TIBI CHRISTVS ADEST. De Rossi, Bullet., 1892, p. 138; Le Blant, op. cit., t. I, p. 13; Corp. insc. lat., t. via, p. 389, n. 1746; AETERNOS SORTITA THOROS XPTQVE PETIVIT PERPETVAM LVCEM NVLLA QVAE FINE TENETVR, sobre a pedra funerária de uma jovem de Vercelli, na Itália, Wilpert, Jungfrauen, p. 39; ΦΩΣ ΕΚ ΦΩΤΟΣ (= Χριστοῦ) HACIN HMIN, em duas lâmpadas orientais dos séculos IV-V. Nuovo bullet., 1900, p. 253 sq. Ao deixar a luz deste mundo, não se deverá, pois, exclamar como os pagãos AMISI LVCEM. Corp. insc. lat., t. vi, n. 23629. Encontrar-se-á uma luz que não se apaga, φῶς ἄφθαρτον, Corp. græc., n. 9870; é o Cristo, ichthys simbólico, que é a única luz verdadeira, por oposição àquela de que falam os maniqueus. Kaufmann, loc. cit., p. 67, 68. Penetrado por essa luz, realiza-se para o bem-aventurado o que diz o salmista, XXXV, 10: In lumine tuo videbimus lumen.

Ele se torna, por assim dizer, uma outra luz, como indica um mármore do Latrão, p. VIII, n. 6: 'Epφῶς, ἧς ἐν θεῷ κυρεί, ῳ Χρειστῷ, Perret, op. cit., pl. 38, n. 127, a menos que se queira ver nesse texto uma aclamação análoga àquela que citamos mais acima. A epigrafia faz igualmente alusão ao banquete celeste de que fala a Escritura. Ver t. I, col. 2020. Uma inscrição grega do século IV termina pelo desejo de que o defunto seja admitido à agape ou banquete do céu: ΕΙΣ ΑΓΑΠΗΝ. Nuovo bullet., 1903, p. 56; Wilpert, Malereien, p. 415 (fig.). Outros monumentos, muito mais antigos, apresentam aclamações, fórmulas análogas: IN AGAPE, De Rossi, Bullet., 1882, édit. franc., p. 130, 131; IN REFRIGERIO, EN ΑΓΑΠΗ. Xystus, op. cit., t. II a, p. 128; Wilpert, Malereien, p. 472. Um mármore de São Calisto tem a aclamação ). De Rossi, Roma sotter., t. II, p. 272, 326, pl. XLVII-XLVIII, n. 7. Ela faz evidentemente alusão à agape divina, pois não pode se tratar aqui de um convite para beber dirigido aos sobreviventes, como é talvez o caso para alguns «copos de vidro». Leclercq, Dictionnaire d'arch. chrét., t. I, col. 832. O mesmo se dá para outros quatro textos, publicados por Wilpert, Malereien, p. 478. A refeição celeste é formalmente mencionada em inscrições menos antigas. Le Blant, op. cit., t. I, p. 308, n. 212; t. II, p. 284, n. 543.

Já desde o século IV, encontra-se uma outra denominação do céu, a de seio de Deus, seio de Abraão. Em dois monumentos romanos lê-se: IN GREMIVM e (...in) PAGE IN SINO (= sinu) DEI. De Rossi, Bullet., 1873, édit. franc., p. 82. Alhures, sobretudo no Egito e no Oriente, encontra-se bastante frequentemente a fórmula que remete a Mateus, VIII, 11, εἰς κόλπους ou ἐν κόλποις Ἀββραᾶμ καὶ Ἰσαᾶκ καὶ Ἰακώβ. Kaibel, Inscript. græc. Siciliæ, n. 189; Le Blant, Sarcophages chrétiens de la Gaule, p. XXIII; Inscript. chrét., t. II, p. 325, n. 5. Sobre o sentido dessa locução, que pode designar tanto o céu propriamente dito quanto o estado intermediário antes da ressurreição, ver Leclercq, Dictionnaire d'arch. chrét., t. I, col. 1522 sq.; Kaufmann, Jenseitsdenkmäler, p. 69, 70. No céu encontra-se, portanto, a vida, a paz, o repouso, a alegria, a felicidade, o bem-estar, o refrigério, a luz, e tudo isso para sempre, semper, in æterno, ævum, in εἰς αἰῶνα. Banido do céu está tudo o que poderia atentar contra a nossa felicidade, como se pode ler na epitáfio de Schnoudi, do ano 344: ἔνθα ἀπέδρα ὀδύνη καὶ λύπη καὶ στεναγμός.

Kaufmann, Jenseitsdenkmäler, p. 68 sq. Tudo isso nos é concedido por Deus, pelo Cristo. Wilpert, op. cit., p. 95; Führer, op. cit., p. 163, nota 7. É esse o simbolismo das pombas que se aproximam do ou de um vaso cujo conteúdo místico é indicado pelo monograma colocado acima. Xystus, op. cit., t. IIb, p. 13, etc. Aqui já não há mais perigo para o bem-aventurado: ATTICE DORMI IN PACE DE TUA INCOLUMITATE SECURUS... De Rossi, Bullet., 1894, p. 58.

Para entrar no céu, é preciso estar entre o número dos eleitos. Assim foi, o inocente pequeno filho de Aquileia de quem a epígrafe diz: QUEM ELEGIT DOM(inus), PAUSAT IN PACE. Wilpert, Inschriften Aquileias, p. 38-40. Eis por que em um outro monumento se pede para o defunto UT INTER ELECTOS RECIPIATUR. Le Blant, op. cit., t. I, p. 102, n. 80; cf. Corp. insc. lat., t. V, n. 1636. Além disso, o céu é uma recompensa da prática da virtude. Tal é o simbolismo da coroa, carregada pela pomba ou colocada ao lado ou acima da alma-orante, e da palma acrescentada simplesmente ao texto. Perret, op. cit., pl. 18, n. 22; pl. 34, n. 92; pl. 73, n. 8. Os textos epigráficos são muito formais a esse respeito: NAM IUSTAE MENTES FOVENTUR LUCE COELESTI; ...ET BENE PRO MERITIS GAUDET SIBI PRAEMIA REDDI; EUSTACIA DEPONENS SENIO TERRIS... MORTALIA MEMBRA SED REVEHENS COELO PRO MERITIS ANIMAM. Xystus, loc. cit., p. 29-31. Ver ainda mais adiante.

— 9. A comunhão dos santos. Ver COMUNHÃO DOS SANTOS, t. III, col. 454-479.

III. A EPIGRAFIA E AS VIRTUDES MORAIS. Para quem quer que conheça a vida e os costumes pagãos, a mudança operada pelo cristianismo, tal como os monumentos no-la revelam, é mais do que espantosa.

1° Virtudes cristãs. 1. A fé. Ela forma o grande vínculo entre os cristãos das diferentes partes do mundo e faz deles irmãos, «amigos», como o atestam, para os séculos II e III, os monumentos, a epitáfio de Abércio e outras citadas alhures, t. III, col. 454 sq. Como objeto da fé, os monumentos mencionam expressamente a unidade de Deus (ver mais acima, col. 327), a trindade das pessoas, a divindade do Cristo e do Espírito Santo, a ressurreição dos mortos, etc. De uma cristã do século III, sepultada em São Calisto, diz-se: ἐν θεῷ καὶ Χριστῷ πιστεύσασα; de uma virgem cristã do século IV: CREDIDIT (in Je)SU X. De Rossi, Roma sotter., t. II, p. 302; Wilpert, Jungfrauen, p. 94, pl. III, n. 4. À fé na divindade do Cristo, a epitáfio do papa Libério a chama fides catholica. De Rossi, Bullet., 1883, édit. franc., p. 9; 1890, p. 123 sq.

A fé é una: Abércio a encontra a mesma em toda parte. É a fé católica, a qual é o Comes Herila (v. 462): IN PACE FIDEI CATHOLICAE. De Rossi, Inscript. christ., t. i, p. 351, n. 807; aquela que santo Hipólito, no momento de ir para a morte, recomenda a seus partidários cismáticos: Fertur... catholicam dixisse fidem sequerentur ut omnes. Ihm, op. cit., p. 42, n. 37. A fé é ainda chamada santa, sancta fides, num mármore de 369, De Rossi, Inscript. christ., t. i, p. 108, n. 211; preciosa, pretiosa, por causa dos bens que ela procura, Ihm, op. cit., p. 11, n. 7. Ela é necessária. Sem a fé católica não se poderia ser um verdadeiro mártir, diz são Dâmaso. Ihm, op. cit., p. 42, n. 37. Da mártir Zosima o mármore epigráfico diz: NAM FIDE SERVATA CURSUM CUM PACE PEREGIT. De Rossi, Bullet., 1873, édit. franc., p. 75. Na epitáfio de um certo Eutíquio († 393) lê-se estas palavras: ...IN (C)RISTUM CREDENS PREMIA LUCIS HABET. De Rossi, Inscript. christ., t. I, p. 180, n. 412. Ver t. I, col. 456.

Mas ao lado da fé são necessárias as obras. QUAE SEMPER DEO TE DIGASTI... SED PRO FACTIS AD ALTA VOCARIS, diz um monumento de 363. De Rossi, Inscript. christ., t. i, p. 88, n. 159. É a convicção que guiou a nobre gaulesa Eugênia, cujo monumento funerário diz entre outras coisas: QUAE MERETIS VIVIT... QUO MELIUS SUPERAS POSSIT ADIRE DOMOS, QUAE... PROVIDA LAUDANDUM SEMPER ELEGIT || OPUS PASCERE IEIUNOS GAUDENS FESTINA CUCURRIT , O PARADISE || TUAS CAPIANT OPIBUS VINCLIS (laxant in- MENS INTENTA BONIS TOTO QUI TEM- PORE quis... II VITAE etc. Le Blant, loc. cit., t. II, p. 284, 513; Leclercq, in Dictionnaire d'arch. chrét., t. II, col. 2125.

— 2. A esperança. É a virtude que mais ressalta dos textos epigráficos. O sinal ideográfico mais antigo que ali se encontra é a âncora, símbolo da esperança. O Cristo é o resumo dessa esperança, ἐλπίς, como o chama santo Inácio, ἡ κοινὴ ἐλπὶς ἡμῶν, Philad., XI, 2. É a ideia que apresenta, já desde o século II, a âncora unida seja ao nome do Cristo ou ao seu monograma, seja ao Peixe simbólico. De Rossi, Bullet., 1888, p. 31, 35; Nuovo bullet., 1902, pl. vi, n. 3; Wilpert, Prinzipienfragen, p. 70, 71, pl. i. É ainda o que dizem as fórmulas epigráficas bem antigas: SPES IN CHRISTO, SPES IN DEO CHRISTO, SPES IN DEO ET CHRISTO EIUS, que se encontram em epitáfios, anéis, vidros de fundo dourado, etc. Mon. lit., n. 3474, 3475, 3550, 3763; Wilpert, loc. cit., p. 81 e nota 3.

Notemos ainda os textos seguintes: QUI IN DEO CONFIDIT, SEMPER VIVET A CO; FIDE IN DEU(M) ET AMBULA. DEUS PRO NOBIS, QUIS ADVERSUS NOS; UNA SI MORS SPES SALUTIS CHRISTUS, QUO DUCE MORITUR. Cabrol, Dictionnaire d'arch. chrét., t. i, col. 648, 652; De Rossi, Inscript. christ., t. i, p. 107, n. 55. A presença, em pedras de cismáticos, de uma ou outra dessas fórmulas invalida apenas pouco o seu valor. Monceaux, dans la Revue de philologie, 1909, t. XXXIII, p. 119-136.

— 3. O amor de Deus. O preceito geral é lembrado por uma inscrição africana encontrada em Sétif: DILIGES DOMINUM DEUM EX TOTO CORDE TUO, EX TOTA ANIMA TUA ET EX TOTA FORTITUDINE TUA. Corp. insc. lat., t. VIII, n. 8620; Diehl, op. cit., p. 39, n. 202. Uma inscrição de Andance, na Vienense, dá a conhecer a sua recompensa: MOR TEM DEDIT, VITAM INVENIT, QUIA AUCTOREM VITAE SOLUM DILEXIT. Le Blant, Nouveau recueil, p. 149, 930. Do mesmo modo a epitáfio da virgem espanhola Florência: ...OBDORMIVIT IN PACE JESU, QUEM DILEXIT. Hübner, op. cit., p. 7, n. 21; Wilpert, Jungfrauen, p. 95. Para o amor ao próximo, ver Virtudes sociais e Comunhão dos santos.

4. O temor de Deus; a piedade. Dois outros meios de salvação. O temor de Deus inspirou uma vida sábia a um marmorista cristão do século III, de quem se diz: Νικόστρατος ...διὰ τὸν φόβον τοῦ Θεοῦ σώφρονα βίον. — Diehl, op. cit., n. 2780. Num mármore de Milão, um marido sobrevivente pede para sua esposa a salvação: UT PARADISUM LUCIS POSSIT VIDERE; e motiva sua oração: PATREM ET FILIUM TIMUIT, QUI EAM SUSCIPI IUBENT. — Corp. insc. lat., t. v, n. 6218; Diehl, op. cit., p. 27, n. 135. Um outro, de 363, apresenta a fórmula seguinte: TUUS SPIRITUS A CARNE RECEDENS () SANCTIS MERITIS ET OPERA TANTA (quæque Deu)M METUISTI, SEMPER QUIESCIS SECURA... — De Rossi, op. cit., t. I, p. 88, n. 159. Um monumento romano do fim do século III afirma expressamente de uma certa Marítima que ela goza no céu da companhia do Peixe simbólico, porque nesta terra ela se deixou guiar pela piedade: Εὐσέβεια γὰρ σῇ παντότε σε προάγει. — De Rossi, op. cit., t. II, p. xxvi.

5. A oração. As fórmulas de orações sem número são para nós uma prova de que a oração estava em grande honra entre os nossos pais na fé. Aqui se rende graças a Deus por benefícios recebidos e se lhe dirigem louvores, ali se lhe pedem novos favores para si e para os outros. Na parede da capela dos papas em São Calisto, um peregrino do século III pede a Deus e a seus santos: Vericundus cum suis bene. De Rossi: Kaufmann, Handbuch, p. 255. Uma epitáfio de Pozzuoli lembra a história do profeta Samuel: C. NONIUS FLAVIA- NUS, PLVRIMIS ANNIS ORATIONIBUS PETITUS, NATUS, VIXIT ANNO UNO M(ensibus) XI; IN CUIUS HONOREM BASILICA HAEC A PARENTIBUS ADQUISITA CONTECTAQUE EST. Corp. inscr. lat., t. x, n. 3310-3311; Diehl, op. cit., p. 21, n. 98. Um monumento do século III-IV termina pela oração do lapicida: Ἰησοῦ Χρειστέ, βοήθι τῷ γράψαντι πανοικί. Mon.: lê-se, n. 2782.

Alhures, como já vimos, pede-se a remissão dos pecados, a glória do paraíso. De Rossi, Bullet., 1894, p. 58; Kaufmann, Jenseits- denkmäler, p. 68. O Oriente sobretudo é rico em invocações de todo gênero. A grande qualidade da oração é a humildade, como mostram os textos epigráficos seguintes: AGATIO SUBD(iacono) PEC- CATORI MISERERE: Monumenti, D(eus), Marchi, 239; EUSTATHIUS HUMILIS PECCATOR TU QUI LEGIS ORA PRO ME ET HABEAS DOMINUM PRO- TECTOREM, Mon. 3517; Criste, mente habeas Marcellinu(m) peccatorem, Kaufmann, Hand- buch, p. 252; Ippolyte in mente (habeas) Petru(m) peccatorem. Mon. 4403.

Aliás, em outras circunstâncias os primeiros cristãos tomavam o título de pecador. De Rossi, Bullet., 1879, édit. franc., p. 163; Marucchi, Éléments, t. i, p. 248. É esse mesmo sentimento de humildade que, desde o fim do século II, deve tê-los levado a tomar, seguindo o apóstolo, o título de δοῦλος ou δοῦλος ... δούλη θεοῦ Ἰησοῦ Χριστοῦ, de servus ou serva. De Rossi, Bullet., 1888, p. 34, 35; 1883, édit. franc., p. 86. Muitas vezes também os cristãos traziam nomes tais que os próprios pagãos não teriam dado mais injuriosos, mais abjetos. Mas é difícil dizer, para cada caso em particular, em que medida o sentimento de humildade os inspirou. Cf. Kneller, dans Stimmen aus Maria-Laach, t. LXII (1902), p. 171-182, 272-286; Le Blant, L'épigraphie en Gaule, p. 93-96.

Liguemos ao que precede uma prática dupla frequentemente atestada, sobretudo desde a paz da Igreja. Primeiramente, a de gravar sinais religiosos ou simbólicos, aclamações piedosas, palavras da Escritura, orações formais sobre objetos de uso comum, para santificá-los e protegê-los e para elevar a alma a Deus, por exemplo, o monograma do Cristo, o sinal da cruz, o peixe simbólico em tijolos, ânforas, anéis, vidros, lâmpadas, entradas de casa. Cabrol, Dictionnaire, t. I, col. 14, 15; Leclercq, ibid., col. 2403 sq. t. II, col. 1322, etc.; Revue bénédictine, t. xxii (1905), p. 429 sq.

Sobre um tijolo romano lê-se: . Rom. Quartalschrift, t. ix (1895), p. 507. Cornalinas do Vaticano e da coleção Le Blant trazem a palavra ΙΧΘΥΣ, que figura frequentemente em lintéis de porta, etc. Mon. lit., n. 4380, 4381. Na porta de entrada de uma casa numídica liam-se estas palavras: DOMINE, PROTEGE NOMEN GLORIOSUM. Diehl, op. cit., p. 39, n. 200. Duas lâmpadas africanas apresentam a exortação DONATO MAGISTRO: VITA(M) (imperativo). Nuovo bullet., 1902, p. 244, 245. Uma outra trazia ἐγὼ εἰμὶ ἀνάστασις. Mon.: lê-se, n. 4387.

Alhures, na Síria, liam-se nos monumentos, em portas de casa, textos como os seguintes: Ἰχθύς ἀλληλούια· Σῶσον, κύριε, τὸν λαόν σου· κύριος φυλάξῃ τὴν ἴσοδόν σου καὶ τὴν ἔξοδόν σου ἀπὸ τοῦ νῦν καὶ ἕως τῶν αἰώνων. Ἀμήν (Ps. CXX, 8); Κύριε, βοήθι τῷ οἴκῳ τούτῳ καὶ τοῖς οἰκοῦσιν ἐν αὐτῷ. Ἀμήν· Εἰ θεὸς ὑπὲρ ἡμῶν, τίς ὁ καθ' ἡμῶν; Δόξα αὐτῷ πάντοτε, etc. Revue bénédictine, XXII (1905), p. 429 sq.; M. de Vogüé, La Syrie t. 349 centrale, Paris, 1885 sq., p. 82, 87, etc. Em sua sala de jantar, santo Agostinho fez colocar a seguinte inscrição: Quisquis amat dictis absentem rodere vitam Hanc mensam: indignam suam. De Rossi, Inscript. christ., t. IIa, p. 270, n. 4. Ver ainda, para este parágrafo, Dölger, ἰχθύς, p. 243-257, 262-350.

Uma outra prática consistia em comprometer-se por votos a uma boa obra, para obrigar-se mais e ser mais agradável a Deus; um alto personagem da África romana promete construir uma basílica e cumpre sua promessa de acordo com os seus. Corp. insc. lat., t. VIII, n. 9255; Diehl, op. cit., p. 21, n. 99. Um fiel de Aquileia contribui para o pavimento da igreja. Corp. insc. lat., t. V, n. 1608; Diehl, op. cit., p. 22, n. 103. O fim que se propõe é a glória de Deus, a honra dos santos e, sobretudo, a salvação eterna, PRO SALUTE SUA ET SUORUM. Corp. inscr. lat., t. V, n. 1600; Diehl, op. cit., p. 23, n. 108, 109.

6. A fuga do mundo. O mundo é um obstáculo à nossa salvação. É melhor nele passar o menos tempo possível, como esta jovem de quem se diz: ADEO SÆCULO SANCTIOR: BREVIUS VIXIT IN EO, UT MIGRARET AD DOMINUM... CUI HOSTIA EST DICATA. Corp. insc. L., t. V, n. 8958; Diehl, op. cit., p. 26, n. 126. O mundo é falso. Uma certa Mandrosa se felicita por ter dele escapado: TRANSEGI FALSI SÆCULI VITAM. De Rossi, Inscript. II 392, 882. No momento da morte deixam-se as próprias ilusões: κόσμου πλάνην προλιπών. Kaibel, Inscript. græc., n. 463.

Ao fugir dele, garante-se a posse do céu, como diz a inscrição do papa Celestino em Santa Sabina: QUI BONA VITÆ PRÆSENTIS FUGIENS MERUIT SPERARE FUTURAM. De Rossi, Inscript. christ., p. 24, n. 27; t. I, AMANS ou ainda esta outra: QUINTILIANUS CASTITATEM RESPUENS: MUNDUM REQUIESCET. Leclercq, Dictionnaire d'arch. chrét., t. II, col. 2576. Na prática, é preciso, pois, seguir o conselho de são Cipriano, De habitu virginum, c. xxii, P. L., t. IV, col. 462, que se reencontra igualmente numa epitáfio muito antiga de Autun: PER SÆCULUM SINE SÆCULI CONTAGIONE TRANSIVIT. Le Blant, op. cit., t. I, p. 26; t. II, p. 603; De Rossi, Bullet., 1892, p. 16. Cf. — mais acima.

7. A pureza. Ela nos assegura a vida eterna, como indicam vários textos do século IV: INTEGER ADQUE PIUS VITA ET CORPORE PURUS AETERNO HIC POSITUS VIVIT CONCORDIS AEVO, cf. Kaufmann, Jenseitsdenkmäler, p. 98; CASTULA... PROPERANS KASTITATIS JURE PREMIA DIGNA MERUIT IMMARCESSIBILEM CORONAM PERSEVERANTIBUS TRIBUI ET DEUS GRATIA... Wilpert, Jungfrauen, p. 49; ANIMAM PRO CASTO SANCTO NEMO COELUM (propósito) (= nemo) DUBITAT PERIISSE. De Rossi, Inscript. christ., t. I, p. 320, n. 737. A inscrição africana de Euelpius, do século III, chama os cristãos FRATRES PURO CORDE ET SIMPLICI. Renier, Inscript. romaines de l'Algérie, p. 189, n. 4025; Mon. lit., n. 2808.

8. O pecado. Ele é o grande obstáculo à nossa salvação. Uma epitáfio romana nos dá a razão disso: Nam JUSTA mentes Xystus, foventur tunc cœlesti. op. cit., t. iii, p. 103. É por isso que as crianças mortas em tenra idade entram diretamente no céu (EUSEBIUS INFANS PER ÆTATEM SENE PECCATIS AD SANCTORUM LOCUM ACCEDENS IN ESCIT, De Rossi, Bull., 1875, édit. franc., p. 30 sq.; Bull., 1901, p. 81; MAGUS. PUER INNOCENS, ESSE JAM INTER INNOCENTES CŒPISTI. Musée du Latran, p. ix, n. 31. Eis aí uma grande consolação para os pais: SED QUONIAM NULLA MACULATUS SORDE RECESSIT, NULLI FLENDUS ERIT, QUEM PARADISUS HABET, Le Blant, op. cit., t. ii, p. 507; TAMEN TRIBUET SPES ÆTERNA SOLACIA LUCTUS ÆTATES TENERAS QUOD PARADISUS HABET. II Corp. inscr. lat., t. xiii (1905), p. 483, n. 7652; Röm. Quartalschrift, t. xxiv (1910), p. 80.

Notemos, para os adultos, esta bela oração que se lê numa epitáfio egípcia de um certo Schnoudi, morto em 344 e diferente do grande santo copta do mesmo nome (331-451): ἁμάρτημα ... παρ' αὐτοῦ: πραχθὲν λόγῳ, ἔργῳ ἢ κατὰ διάνοιαν, ὡς ἀγαθὸς καὶ φιλάνθρωπος Θεός, συγχώρησον· ὅτι οὐκ ἔστιν ἄνθρωπος ὃς ζήσεται καὶ οὐχ ἁμαρτήσει. σὺ γὰρ μόνος Θεὸς καὶ πάσης ἁμαρτίας ἐκτὸς ὑπάρχεις. Kaufmann, II 68 sq. — loc. cit., p.

2° Virtudes familiares. O matrimônio cristão, como já vimos, distingue-se pela santidade e pureza da união, pela paz e o amor mútuo dos esposos, pela vida de família, pelo amor entre os pais e os filhos. As manifestações disso são tão múltiplas que é inútil entrar em detalhes. Leclercq, Dictionnaire d'arch. chrét., t. II, col. 1020-1045. Notemos aqui um único ponto: o cuidado de muitos pais em oferecer uma boa educação e em consagrar desde cedo seus filhos a Deus e a seus santos. São Paulino de Nola, Poem., xxi, 66 sq., 314 sq., P. L., t. LXI, col. 574, 584, e Prudêncio, Peristeph., ii, 521-524, P. L., t. LX, col. 330, atestam-nos esse uso, que é confirmado pelos monumentos. Num mármore do Latrão, p. VIII, n. 14, diz-se de um certo Prœtextus, com 9 anos de idade: NUTRICATUS DEO, MARTYRIBUS.: DE CHRISTO, Rossi, Bullet., 1877, édit. franc., p. 29.

— 3° Virtudes cívicas. Os primeiros cristãos não esqueciam sua pátria terrestre. Abércio, no século II, celebra sua pequena cidade natal, que ele chama ἐκλεκτή, χρηστὴ πόλις, e se lembra do erário municipal, quando fixa a multa a ser paga por aqueles que violassem seu túmulo. Estava-se bem longe de recusar por princípio os cargos municipais, os postos oficiais. A epigrafia nos fornece nomes de cônsules, de prefeitos, de senadores, de altos funcionários da corte, de oficiais superiores. De Rossi, Bull., 1888, p. 54; Marucchi, Éléments, t. I, p. 157, 160; De Rossi, Inscript. christ., t. I, p. 61, n. 101.

Um certo Ursiciano foi MILITANS IN OFFICIO MAGISTRI. Musée du Latran, p. xii, n. 10; Perret, op. cit., pl. 36, n. 116; Le Blant, op. cit., t. I, p. 323, n. 223. Um major é nomeado num mármore funerário de Rolsène de 376. Leclercq, Dictionnaire d'arch. chrét., t. II, col. 991. De um certo Felicíssimo é dito MILITAVIT ANN(os) XXXVI IN OFF(icio): ... VICARII INLIBATUS. Perret, op. cit., VI, p. 162.

Os títulos de flâmines municipais ou de sacerdotes provinciæ, títulos despojados de todo comprometimento com a idolatria, reencontram-se ainda mais tarde. De Rossi, Bull., 1878, édit. franc., p. 28-40. «A oposição entre os deveres do cristão e os do cidadão parece não ter sido sequer suspeitada; amava-se sua cidade natal; comprazia-se em lembrar os cargos que ali se tinha exercido; confiava-se a seus arquivos a cópia de seu testamento; lembrava-se do seu orçamento, ao qual se instituía herdeiro eventual. A conservação do monumento funerário se inscrevia na mesma ordem de ideias, apenas modificadas pelo cristianismo.» Ver as provas monumentais dadas por dom Leclercq, Dictionnaire d'arch. chrét., t. I, col. 80. São Clemente de Roma nos adverte que se ora pelos que detêm o poder. No tempo de Justiniano podia-se ler no arquitrave da porta principal de Spalato: + DEUS NOSTER + PROPITIUS ESTO + REI PUBLICÆ ROMANÆ. Diehl, op. cit., p. 39, n. 199. O sacerdote Sílvio edifica um santuário e ali deposita relíquias: AEDIFICAVIT OPUS. SANCTORUM PIGNORA CONDENS: PRÆSIDIO MAGNO PATRIAM POPULUMQUE FIDELEM. Allegianza, op. cit., p. 80; Le Blant, op. cit., t. II, p. 221.

4° Virtudes sociais. A caridade é o resumo das virtudes sociais. Os cristãos a praticavam numa medida desconhecida até então, de sorte que os próprios pagãos ficavam admirados com isso. Tertuliano, Apologet., c. xxxix, P. L., t. i, col. 531. Primeiramente, para com seus correligionários. Em certo número de monumentos dos três primeiros séculos, eles se dão o nome de pais, fratres, ἀδελφοί, ou de amigos, φίλοι, por exemplo, no de Abércio, do século III, e no de Euelpius, do século III, e vários outros. Mon. cxx-cxxi. Em Roma, um defunto interpela seus correligionários e lhes dá o nome de FRATRES BONI. Mon. n. 3446. A comunidade cristã é uma igreja de irmãos, ECCLESIA FRATRUM. Mon. n. 2808. Alhures, t. iii, col. 455 sq., vimos como esse amor se manifesta na prática.

Esse amor, os primeiros cristãos o praticavam ainda para com aqueles que não partilhavam de sua fé. A esse respeito a epigrafia fornece igualmente algumas indicações bem preciosas. Frequentemente ela se serve de fórmulas mais gerais que indicam uma caridade, uma amizade que não faz exceção a ninguém. Eis alguns textos: RUTA OMNIBUS SUBDITA ET AFFABILIS (séculos II-III). Mon. n. 3098.

De um cristão romano do século III diz-se πᾶσιν φίλος καί (=οὐδενὶ ἐχθρός): as mesmas fórmulas, em grego ou em latim, reencontram-se em várias pedras do século III. Leclercq, Dictionnaire d'arch. chrét., t. ii, col. 1050. O lado negativo da caridade é antes expresso no monumento de um certo Hermógenes: [μ]μηδένα[ή]σας, μη[δὲ] κρούσας. Mon. n. 3352. Depois, é a caridade para com os pobres que se destaca. A epitáfio do leitor Cinâmio Opas († 377) chama-o amicus pauperum. O mesmo título é dado a um homem da classe operária; sua esposa é chamada amatrix pauperum (sic). De Rossi, op. cit., t. i, p. 124, n. 262; p. 42, n. 62. Em outras pedras da mesma época encontramos os qualificativos pater pauperum (pauperorum) (cf. Job, XXIX, 16), locuples, sibi pauper, opum nulli, largus et ipse... Csesar, Observationes, p. 48, 49. Cf. Le Blant, op. cit., t. ii, p. 23, n. 386; p. 59, n. 407; p. 122, n. 450.

Alguns sacerdotes da Ásia Menor recebem elogios particulares. Xystus, op. cit., t. iia, p. 270 sq. Tinha-se, com efeito, uma alta ideia da caridade e da eficácia da esmola, como o testemunha esta inscrição do fim do século IV, que se encontrava à entrada de uma igreja africana: CLAUSULA IUSTITIAE EST MARTYRIUM VOTIS OPTARE; HABES ET ALIAM SIMILEM ELEMOSINAM VIRIBUS FACERE. De Rossi, Bull., 1894, p. 94; Diehl, op. cit., p. 30, n. 150.

Alhures menciona-se os cuidados dados aos cativos, por exemplo, no monumento da gaulesa Eugênia: CAPTIVOS OPIBUS VINCLIS LAXAVIT INIQUIS. Le Blant, op. cit., t. ii, p. 284, n. 543; Leclercq, Dictionnaire d'archéologie chrétienne, t. ii, col. 2125. Desde a origem, a nova religião cuidou das crianças abandonadas. Nuovo bull., 1901, p. 243, n. 14. A esse respeito poder-se-iam citar monumentos provenientes das partes mais antigas de Santa Priscila. Resulta disso que se as tratava como filhos próprios, que se tinha cuidado de sua educação, de sua sepultura, etc. A expressão do reconhecimento dos alumni pelos pais adotivos retorna bastante frequentemente nas epígrafes. Ver, para o detalhe, Leclercq, Dictionnaire d'arch. chrét., t. i, col. 1295-1299; t. ii, col. 1010. As relações entre os senhores e os servos são inspiradas pela caridade. Algumas raríssimas coleiras de escravos, e uma ou outra epitáfio, lembram essa instituição social. De Rossi, Bull., 1893, édit. ital., p. 25 sq.; 1874, édit. franc., p. 41-42; Kraus, Real-Encyklopädie, t. ii, p. 702, 703.

Se não se aboliu de imediato a escravidão, as máximas do Evangelho penetravam cada vez mais na prática. Pela epitáfio do diácono Severo († por volta de 300) sabemos que sua irmã era DULCIS PARENTIBUS FAMULISQUE. De um outro cristão diz-se BLANDUS ERAS SERVIS. Le Blant, op. cit., t. ii, p. 122, 123.

Alhures, os servos e escravos partilhavam a sepultura de seus senhores. Às vezes os próprios servos prestam testemunho da grande bondade de seus patronos: num sarcófago do ano 217, um certo Prosenes, revestido de muitas dignidades, é chamado PATRONUS PIISSIMUS. De Rossi, Inscript. christ., t. i, p. 9, n. 5. Num mármore do século III encontrado em Santa Inês lê-se: CAEL PLACIDO PLACIDA • PECULIUS • EVOK(é) FILIA ET LIB. PATRONO DULCISSIMO. (=libertus) Rom. Quartalschrift, xvii (1903), p. 90. Um monumento gaulês de 501 menciona até mesmo a alforria de um escravo PRO REDEMPTIONEM ANIMAE SUAE, isto é, do senhor. Essa maneira de agir para com os escravos não era apenas um ato de humanidade, mas sobretudo o cumprimento do preceito evangélico e uma garantia de misericórdia da parte do soberano juiz. Le Blant, op. cit., t. ii, p. 6-8, n. 374.

Quanto à bibliografia muito extensa sobre a inscrição de Abércio, remetemos ao artigo Abercius, t. i, col. 57, às indicações complementares do P. Xystus (Scaglia), Notiones archœologiœ christianœ, t. ii, p. 358 sq., e ao opúsculo de Lüdtke e Nissen, Die Grabschrift des Aberkios, Leipzig, 1910. Os artigos de revista só são citados aqui de maneira excepcional. Observemos ainda que, há cerca de dez anos, a Revue d'histoire ecclésiastique de Louvain e a Römische Quartalschrift (pela pena de Mons. Kirsch) dão conta regularmente, sob rubrica especial, das mais recentes publicações epigráficas.

Allegranza, De sepulcris christianorum in aedibus sacris, Accedunt inscriptiones sepulcral. christ., Milan, 1773; Allemand, Inscriptions antiques et du moyen âge en Dauphiné, 1875 sq.; Anthologia graeca carminum christianorum, par W. Christ et M. Paranikas, Leipzig, 1871; Anthologia latina, cf. Bücheler et Ihm, et Leipzig, 1871; P. Apianus et B. Amantius, Inscriptiones sacrosanctae vetustatis, Ingolstadt, 1534; Aringhi, Roma subterranea novissima, 2 vol., Rome, 1651 (1659); trad. allemande de Baumann, Abgebildetes unterirdisches Rom..., Arnheim, 1668; Armellini, Il cimitero di S. Agnese sulla via Nomentana, Rome, 1880; Id., Gli antichi cimiteri cristiani di Roma e d'Italia, Rome, 1893; Id., Lezioni di archeologia cristiana, Rome, 1898; Atzberger, Geschichte der christlichen Eschatologie innerhalb der vornizänischen Zeit, Fribourg-en-Brisgau, 1896, p. 619-630; Batiffol, La littérature grecque, Paris, 1897, p. 114-124; Bayet, De titulis Atticae christianis antiquissimis commentatio historica et epigraphica, Paris, 1878; Becker, Roms altchristl. Coemeterien, Dusseldorf, 1874; Id., Die Inschriften der römischen Coemeterien, 1876; Id., Die Darstellung Jesu Christi unter dem Bilde des Fisches, 2e édit., Gera, 1876; Id., Die heidnische Weiheformel D. M. (scil. Dis manibus sacrum) auf altchristlichen Grabsteinen, Gera, 1881;

Bernasconi, Le antiche lapidi cristiane di Como, Côme, 1861; Bertoletti, Spicilegio epigrafico modenese (supplément aux travaux de Cavedoni), Modène, 1877; Bertoli, Le antichità d'Aquileia, Venise, 1739; Besnier, Les catacombes de Rome, Paris, 1909; cf. Cagnat; Beurrier, Épitaphes d'enfants dans l'épigraphie chrétienne, dans Société nationale des antiquaires de France, Centenaire, 1804-1904, Recueil de Mémoires, Paris, 1904; Bianchini, Demonstratio historiae eccles. quadripartitam comprobatae monumentis pertinentibus ad fidem temporum et gestorum, Rome, 1752-1754; Bilczewski, Archeologia chrzescijanska wobec historyi dogmatu (L'archéologie chrétienne et ses rapports avec l'histoire ecclésiastique et le dogme), Cracovie, 1890; Binterim, voir Pellicia; Blampignon, S. Cyprien et de primaeua Carthaginiensi ecclesia, Paris, 1862; de Boissieu, Inscriptions antiques de Lyon, Lyon, 1846-1854; Boldetti, Osservazioni sopra i cimiteri de' santi martiri ed antichi cristiani di Roma, Rome, 1720; Bonanni, Delle antiche Siracuse, 2 vol., Palerme, 1717; Bosio, Roma sotterranea, édit. Severano, Rome, 1632; un résumé du grand ouvrage parut à Rome, 1650; Bottari, Roma sotterranea, 3 vol., Rome, 1737, 1747, 1754; cf. dom Cabrol, Diction. d'arch. chrét., t. ii, col. 1096 sq.; Botti, Le iscrizioni cristiane d'Alessandria, dans le Bessarione, 1900, 47-52;

Brunati, Musaei Kircheriani inscriptiones antiche ethnicae et christianae, Milan, 1837; Bruzza, Iscrizioni di Vercelli, Rome, 1874; Bücheler, Anthologia latina, pars posterior : carmina latina epigraphica, Leipzig, 1895-1897; Bulic, Inscriptiones, quae in C. R. museo archeologico Spalati asservantur, pars tertia (inscriptions chrétiennes), Spalato, 1888; Id., nombreux articles dans le Bullettino di archeologia e storia dalmata; Buonarruoti, Osservazioni sopra alcuni frammenti di vasi antichi di vetro ornati di figure, trovati ne' cimiteri di Roma, Florence, 1716; Burmann, Anthologia veter. latin. epigr. et poematum, Amsterdam, 1759; Cabrol, Dictionnaire d'archéologie chrétienne et de liturgie, Paris, 1903 sq.; Cabrol et Leclercq, Monumenta Ecclesiae liturgica, Paris, 1902, t. i, p. CLII, CCII-CCXV, 1*-103*, 154*-190*; Cœsar, Observationes ad aetatem titulorum latinorum christianorum definiendam spectantes, Bonn, 1896; Cagnat et Besnier, Revue des publications épigraphiques, dans la Revue archéologique, Paris, 1902 sq.; Cardinali, Iscrizioni antiche Veliterne, Rome, 1823; Carton, Découvertes archéologiques et épigraphiques faites en Tunisie, Paris, 1895; Castello, cf. Torremuzza; Cavedoni, Ragguaglio storico archeologico di un antico cimitero cristiano scoperto nelle vicinanze di Chiusi, Modène, 1852;

Id., Ragguaglio storico archeologico di due antichi cimiteri cristiani della città di Chiusi, Modène, 1853 (1854); Id., Annotazioni al fasc. 2 del vol. iv del C. I. G., Modène, 1860, etc.; cf. Cabrol, Dictionnaire, t. ii, col. 2706 sq.; Church, Zur Phraseologie der lateinischen Grabinschriften, dans l'Archiv für lateinische Lexicographie, Munich, 1901, t. xii, p. 215-238; Id., Beiträge zur Sprache der lateinischen Grabinschriften, ibid., 1901; Ciampini, Vetera monimenta, 2 vol., Rome, 1690-1699; Corpus inscriptionum graecarum, par Boeckh, Franz, Curtius, Kirchhoff, 4 vol., Berlin, 1825-1877, surtout le fasc. 2 du vol. IV, dans le Nouveau Corpus; cf. Kaibel et Hiller von Gärtringen; Corpus inscriptionum latinarum, Berlin, 1863 sq.; en particulier, t. III (Asie, Grèce, Illyrie), 1873 et sq. ; t. V (Gaule cisalpine), 1872; t. VIII (Afrique), 1881; suppléments, 1884, 1891, 1894; t. IX (Calabre, Pouille, etc.), 1883; t. X (Bruttium, Sicile, etc.), 1883; t. XI (Émilie, Étrurie, etc.), 1888; t. XII et XIII (Gaules, Germanie), 1888, 1899; t. XIV (Latium), 1887; t. XV (Rome : Instrumentum domesticum), 1891, 1899; Corsini, Notae Graecorum, Florence, 1749 (avec dissertations à la suite); Crum, Coptic monuments, dans le Catalogue général des antiquités égyptiennes du musée du Caire, Leipzig et Le Caire, t. iv, 1902;

Cumont, Les inscriptions chrétiennes de l'Asie-Mineure, dans Mélanges d'archéologie et d'histoire de l'École française de Rome, t. xv (1895), p. 215-299; Danzetta, Theologia lapidaria, id est, inscriptiones ad theologiam, disciplinam ritus pertinentes, Cod. Vatic. 8324; cf. De Rossi, Inscript. christ., t. i, p. xxiii; Delattre, L'épigraphie chrétienne à Carthage, dans Compte rendu du Congrès scientifique international des catholiques, Paris, 1891, sect. Sciences religieuses, p. 134-157; Id., Musée Lavigerie de Saint-Louis de Carthage. Partie chrétienne, Paris, 1900; nombreux articles sur l'épigraphie chrétienne dans les Missions catholiques, le Cosmos, la Revue tunisienne, etc.; voir le détail dans Cabrol, Diction. d'arch. chrét., t. ii, col. 2327 sq.; Diehl, Lateinische christliche Inschriften, dans Kleine Texte für theolog. und philolog. Vorlesungen und Untersuchungen de Lietzmann, fasc. 26-28, Bonn, 1910; Dölger, Fischsymbol in frühchristlicher Zeit. Religionsgeschichtliche und epigraphische Untersuchungen. t. 1, Rome, 1910; Doni, Inscriptiones antiquorum... notis, édit. Gorius, Florence, 1731; Dumont, Inscriptions de Thrace, dans Archives des Missions scientifiques, Paris, 1876; Id., Mélanges d'archéologie et d'épigraphie, par Homolle, Paris, 1892; Egli, Die christlichen Inschriften der Schweiz vom ii-ix Jahrhundert, dans Mitteilungen der antiquarischen Gesellschaft in Zürich, t. xxiv, Zurich, 1895;

Ehrhard, Zur christlichen Epigraphik, 1, dans Theologische Quartalschrift, t. lxxi (1890), 179-208; Fabretti, Inscriptionum antiquarum, quae in aedibus paternis asservantur, explicatio, Rome, 1699; 2e édit., 1702; Ficker, Die altchristlichen Bildwerke im christlichen Museum des Laterans, Leipzig, 1890 (passim); Fleetwood, Londres, 1691; Forcella et Seletti, Iscrizioni cristiane in Milano anteriori al ix secolo, Codogno, 1897; Führer, Forschungen zur Sicilia sotterranea, dans Abhandlungen der K. bayerischen Akademie der Wissenschaften, I Classe, t. xx, sect. iii, 1897, p. 673-862; Führer et Schultze, Die altchristlichen Grabstätten Siziliens, dans Jahrbuch des Kaiserl. Deutschen Archaol. Instituts, VII = supplément, Berlin, 1907; Garrucci, Mélanges d'épigraphie ancienne, 2 livr., Paris, 1856, 1857; Gazzera, Delle iscrizioni cristiane antiche del Piemonte e dell'inedita epigrafe di Rustico, vescovo di Torino, Turin, 1849; Appendice, 1850; Genèr, Theologia dogmatico-scholastica... sacrae antiquitatis monumentis illustrata, 6 vol., Rome, 1767-1777; Gensichen, De Scripturae sacrae vestigiis in christ. inscript. lat. (Diss.), Greifswald, s. d. (1910); Giovanni, L'archeologia cristiana in sostegno della teologia e dell'apologetica, dans Il monitore ecclesiastico di Monreale, 1894, fasc. 9-10;

Gori, Inscriptionum antiquarum Graecarum Romanarum, quae in urbibus Etruriae exstant, et Xenia partes tres, Florence, 1726-1743; Id., Epigraphica, Iéna, 1755; Id., Thesaurus veterum diptychorum, 3 vol., Florence, 1759; Id., cf. Doni; Greeven, Die Siglen D. M. auf altchristlichen Grabschriften und ihre Bedeutung, Rheydt, 1897; Gregorutti, Le antiche lapidi di Aquileia, Trieste, 1877; Id., Iscrizioni inedite, dans Archeografo triestino, 1879-1880; Gruter, Inscriptiones antiquae totius orbis Romani in corpus redactae, 2 vol., Heidelberg, 1603; 2e édit. par Graevius, 4 vol., Amsterdam, 1707; Gsell, Recherches archéologiques en Algérie, Paris, 1893; Guasco, Musei Capitolini antiquae inscriptiones, Rome, 1775; Gudius, Antiquae inscriptiones quae graecae tum latinae, Leeuwarden, 1731; Hettner, Die Römischen Steindenkmäler des Provinzialmuseums zu Trier, Trèves, 1893, p. 141-179. Christliche Grabdenkmäler; Hiller de Gaertringen, Inscriptiones graecae insularum maris Aegaei, fasc. 1 et 3, Berlin, 1895-1898; Hübner, Inscriptiones Britanniae christianae, Berlin, 1876; Id., Inscriptiones Hispaniae christianae, Berlin, 1871; Supplementum (ad Inscr. Hisp. christ.), Berlin, 1900; Id., Exempla script. epigraph., Berlin, 1885; Iacuzio (Iacutius), De epigrammate SS. damas., Rome, 1758; Damasi epigrammata, dans Museum Bonon. (Anthol. latinae supplementa, I), Leipzig, 1895;

Ihni, Die Epigramme des Damasus, dans Römische Quartalschrift, 1895, 200 sq. Jalabert, art. Épigraphie, dans le Dictionnaire apologétique de la foi catholique d’Alès, t. I, col. 1404-1457; Id., dans Recherches de science religieuse, 1911, p. 68 sq.; Jorio, Dichiarazione di alcune iscrizioni pertin. alle catacumbe di san Gennaro, Naples, 1839; Julian, Inscriptions romaines de Bordeaux, Bordeaux, 1891, II; Kaibel et Lebègue, Inscriptiones graecae Siciliae et Italiae, additis graecis Galliae, Hispaniae, Britanniae, Germaniae inscriptionibus, Berlin, 1890; Kaufmann, Die sepulkralen Jenseitsdenkmäler der Antike und des Urchristenthums, Mayence, 1900; Id., Handbuch der christlichen Archäologie, Paderborn, 1905, p. 191-274; Id., Manuale di archeologia cristiana, Rome, 1908; Id., Inscriptions, dans Catholic Encyclopedia, New York, 1910, VIII, p. 42 sq. Kirsch, Les acclamations des épitaphes chrétiennes de l’antiquité et les prières liturgiques pour les défunts, dans Compte rendu du quatrième Congrès scientifique international des catholiques, 1re section, Fribourg, 1898, p. 113-122; Id., Die Acclamationen und Gebete der altchristlichen Grabschriften, Cologne, 1897; Id., Die christliche Epigraphik und ihre Bedeutung für die kirchengeschichtliche Forschung, Fribourg, 1898; Klingenberg, Die römischen Grabdenkmäler Kölns (Les monuments chrétiens), dans Jahrbuch des Vereins von Alterthumsfreunden im Rheinland, t. CVIII-CIX (1902), p. 80 sq.;

Koumanoudis, Ἐπιγραφαὶ Ἀττικῆς ἐπιτύμβιοι, Athènes, 1871; Kraus, Roma sotterranea, 1re édit., Fribourg-en-Brisgau, 1879, p. 431-485; Id., Real-Encyklopädie der christlichen Alterthümer, 2 vol., ibid., 1882-1886; surtout t. II, p. 39-58; Id., Die christlichen Inschriften der Rheinlande, Fribourg-en-Brisgau, 1890-1894 (surtout t. I); Künstler, Die altchristlichen Inschriften Afrikas als Quelle für christl. Archäologie und Kirchengeschichte, dans Theologische Quartalschrift de Tubingue, t. LXVII (1885), p. 58 sq., 415 sq. Le Bas et Waddington, Voyage archéologique en Grèce et en Asie Mineure, IIIe partie : Inscriptions grecques et latines, t. III (1870); Le Bas, Inscriptions grecques et latines recueillies en Grèce par la Commission de Morée, 3 fasc., Paris, 1835-1837; Id., Inscriptions des îles de la mer Égée, Paris, 1839; Le Blant, Recueil des inscriptions chrétiennes de la Gaule antérieures au VIIIe siècle, 2 vol., Paris, 1856, 1865; Id., Nouveau recueil des inscriptions chrétiennes de la Gaule, Paris, 1892; Id., Sur les graveurs des inscriptions antiques, Paris, 1859; Id., Manuel d’épigraphie chrétienne d’après les marbres de la Gaule, Paris, 1869; Id., L’épigraphie chrétienne en Gaule et dans l’Afrique romaine, Paris, 1890; Id., Paléographie des inscriptions chrétiennes du IIIe siècle à la fin du VIIe, dans la Revue archéologique, 3e série, t. XXIX, p. 177 sq., 345 sq.;

t. XXX, p. 30 sq., 171 sq.; t. XXXI, p. 172 sq.; paru séparément, Paris, 1897; Id., 750 inscriptions de pierres gravées inédites ou peu connues, dans les Mémoires de l’Institut national de France, Paris, 1898, t. XXXVI (p. 121-133, inscript. chrét.); Leclercq, très nombreux articles dans le Dict. d’arch. chrétienne, cf. Cabrol; Id., L’Afrique chrétienne, Paris, 1904, t. I, appendice, p. 381-432; Id., Mélanges d’épigraphie chrétienne, dans la Revue bénédictine, Maredsous, 1905, t. XXII, p. 65-90, 429-446; t. XXIII (1906), p. 87-97; Lefebvre, Inscriptions chrétiennes du Musée du Caire, dans le Bulletin de l’Institut français d’archéologie orientale, Paris, 1903; Id., Recueil des inscriptions grecques chrétiennes d’Égypte, Le Caire, 1907; Liverani, Spicilegium Liberianum, Florence, 1863; Id., Le catacumbe e antichità cristiane di Chiusi, Sienne, 1872; Lowrie, Christian art and archéologie, Londres, 1901; Id., Monuments of the early Church, a hand book of Christian Archæology, New York, 1906; Lupi, Dissertatio et animadversiones ad nuper inventum Severae martyris epitaphium, Palerme, 1734; Id., Dissertazioni, lettere ed altre operette, Faenza, 1785; Mabillon, Iter italicum litterarium, Paris, 1687; Mac Caul, Christian epitaphs of the first six centuries, Toronto et Londres, 1869; Maffei, Museum Veronense, Vérone, 1749;

Mamachi, Originum et antiquitatum Christian. libri XX, 5 vol., Rome, 1749-1755; 2e édit., 6 vol., Rome, 1842-1851; Marangoni, Acta S. Victorini illustrata cum appendice de cœmeterio S. Saturnini, Rome, 1740; Id., Delle cose gentilesche e profane trasportate ad uso ed ornamento delle chiese, Rome, 1744; Marchi, I monumenti delle arte cristiane primitive nella metropoli del cristianesimo, Rome, 1844; Margherini, Inscriptiones ant. basilicae s. Pauli, Rome, 1654; Marini, 31 vol. manuscrits à la Bibliothèque vaticane; Id., Iscrizioni antiche delle ville de’ palazzi Albani, Rome, 1785; Id., Gli atti e monumenti de’ fratelli Arvali, Rome, 1795; Id., Collectio inscriptionum christianarum, dans Mai, Scriptorum veterum nova collectio, Rome, 1831, t. V; Marriot, Testimony of the Catacombs, Londres, 1870; Martigny, Dictionnaire des antiquités chrétiennes, 3e édit., Paris, 1889, surtout p. 357-378; Marucchi, Guida del Museo cristiano Lateranense, Rome, 1898, p. 87-163; Id., Éléments d’archéologie chrétienne, Paris et Rome, 1900, t. I, p. 141-255; t. II; 2e édit., 1903-1906; Id., Guida delle catacombe romane, Rome, 1903; Id., Guida del cimitero Priscilla, Rome, 1903; Id., Roma sotterranea cristiana, nouv. série, t. I, Monumenti del cimitero di Domitilla, Rome, 1909; Id., Epigrafia cristiana (manuel d’épigraphie chrétienne, collection Hoepli), Milan, 1910;

Id., I monumenti del museo cristiano Pio-Lateranense, Milan, 1910; Merenda, S. Damasi papae opuscula et gesta cum notis Sarazanii iterum collecta, Rome, 1754; Merkle, Die ambrosianischen Tituli, dans la Römische Quartalschrift, Rome, 1896, t. X, et séparément; Migne, Dictionnaire d’épigraphie chrétienne, dans Nouvelle encyclopédie théologique, Paris, 1852, t. XXX; Millet, Pargoire et Petit, Recueil des inscriptions chrétiennes de l’Athos, dans Bibliothèque des Écoles françaises d’Athènes et de Rome, Paris, 1904; Mirabella, Delle antiche Siracuse, Palerme, 1717; cf. Bonanni; Mommsen, Inscriptiones regni Neapolitani latinae, Leipzig, 1852; Monceaux, Histoire littéraire de l’Afrique chrétienne, Paris, 1901 sq. passim; Id., nombreux articles épigraphiques dans Revue archéologique, 1902 sq.; dans la Revue de philologie, t. XXXIII (1909), p. 112-161 (sur l’épigraphie donatiste); dans Mémoires présentés à l’Académie des inscriptions et belles-lettres, t. XII (1907), p. 161-339, etc.; Monumenta liturgica, cf. Cabrol et Leclercq; Morcelli, Commento all’iscrizione sepolcrale della S. martire Agape, Brescia, 1795; Id., De stylo inscriptionum latin., Rome, 1781; Id., Opera epigraphica, Padoue, 1819 sq., t. I-III; Müller, Christliche Inschriften, dans la Realenzyklopädie für protestantische Théologie und Kirche, 3e édit., Leipzig, 1900, p. 167-183; M., De latinitate inscription. Galliae christianarum (Diss.), s. d.

Muratori, Novus thesaurus veterum inscriptionum, Milan, 1739-1742; Nicolai, Della basilica di San Paolo, Rome, 1815 (inscr. chrét. de Saint-Paul); Northcote, Epitaphs of the catacombs or Christian inscriptions in Rome during the first four centuries, Londres, 1878, la 2e édition figure comme supplément à la 2e édit. de sa Roma sotterranea, Londres, 1879; Oderici, Dissertationes et adnotationes in aliquot ined. vet. inscriptionum, Rome, 1765; Id., Sylloge veterum inscriptionum, Rome, 1765; Olcott, Thesaurus linguae latinae epigraphicae (A dictionary of the latin inscriptions), Rome, 1904 sq.; Olivieri, Marmara Pisaurensia notis illustrata, Pesaro, 1738; Orsi, plusieurs articles avec 361 inscriptions dans Notizie degli scavi, 1893, 1895, et dans Römische Quartalschrift, t. X (1896); Osann, Sylloge inscript. antiquar. graec. et latinar., Leipzig, 1834; Pasquini, Ragguaglio di un antico cimitero di cristiani in vicinanza di Chiusi, Sienne, 1831; Id., Relazione di un antico cimitero... con le iscrizione ivi trovate, Montepulciano, 1833; Passionei, Iscrizioni antiche disposte per ordine, Lucques, 1763; Pelka, Altchristliche Ehedenkmäler, Strasbourg, 1901, p. 1-87;

Pellicia, De christianae Ecclesiae primae, mediae et novissimae antiquitatis politia, 4 vol., Verceil, 1777; nouv. édit. par Ritter et Braun, Cologne, 1829-1838; son traité De re lapidaria et siglis veterum christianorum est traduit en allemand dans Binterim, Denkwürdigkeiten der christ.-katholischen Kirche, Mayence, 1825, t. II a; Perret, Les catacombes de Rome, Paris, 1852, 1855 (planches moins fantaisistes que pour la peinture), t. V et VI, p. 137-190; Perrot, Guillaume et Deblet, Exploration archéologique de la Galatie et de la Bithynie, Paris, 1862; Piper, Einleitung in die monumentale Théologie, Gotha, 1867, p. 38-40, 817-908; Id., Zur Geschichte der Kirchenväter aus epigraphischen Quellen, dans Zeitschrift für Kirchengeschichte, Gotha, 1876; Id., Uber den Gewinn aus Inschriften für Kirchen- und Dogmengeschichte, dans Jahrbücher der Théologie, Gotha, 1876, t. XXI; Pirson, La langue des inscriptions latines de la Gaule, dans Bibliothèque de la faculté de philos. et lettres de l’Université de Liège, fasc. 11, Liège, 1901, p. 1-326; les c. I et II (la phonétique et la lexicographie) ont paru séparément en 1900; Pitra, Inscriptions des six premiers siècles de Rome chrétienne, Paris, 1861; cf. encore Marini et De Rossi; Plessis, Épitaphes (poésie latine). Textes choisis et commentaires (collection Minerva), Paris, 1905;

Prentice, Fragments of an early Christian liturgy in Syrian inscriptions, dans Transactions and Proceedings of the American philological association, Boston, 1902, t. XXXIII; Id., Greek and Latin inscriptions, dans Publications of an American Expedition to Syria in 1899-1900, part. archaeological, New York et Londres, 1908; Id. et Littmann, Greek and latin Inscriptions in Syria, dans Publications of the Princeton University Archaeological Expedition to Syria in 1904-1905, IIIe division, sect. B, 1-3, Leyde, 1908-1909;

Rabeau, Le culte des saints dans l’Afrique chrétienne d’après les inscriptions et les monuments figurés, Paris, 1903; Ramsay, The cities and bischoprics of Phrygia, Oxford, 1895, 1897, t. I a et b; Id., Studies in the history and art of the eastern provinces of the Roman Empire, Aberdeen, 1906; Reinesius, Syntagma inscriptionum antiquarum... quarum omissa est recensio in Gruteri opere, Leipzig et Francfort, 1682; Renier, Recueil des inscriptions romaines de l’Algérie, Paris, 1855; Ritter, De compositione titulorum christianorum sepulcralium in Corpore inscr. graecar. editarum, Berlin, 1877; Id., De titulis graecis christianis commentatio altera, Berlin, 1880; Rivinus, S. Damasi carmina sacra, Leipzig, 1652; Roller, Les catacombes de Rome, 2 vol., Paris, 1881-1882;

De Rossi, De christianis monumentis IX0YN exhibentibus, dans Pitra, Spicilegium Solesmense, Paris, 1855, t. III, p. 545-584; Id., De christianis titulis carthaginiensibus, ibid., Paris, 1858, t. IV, p. 505-538; Id., Inscriptiones christianae urbis Romae septimo saeculo antiquiores, Rome, 1861, t. I; 1888, t. II; Id., La Roma sotterranea, 3 vol., Rome, 1864, 1887, 1877; Id., Bullettino di archeologia cristiana, Rome, 1863-1894; Id., Il museo epigrafico Pio-Lateranense, dans Triplice omaggio alla Santità di papa Pio IX, Rome, 1877, p. 77-129 et 24 pl.

Sanguineti, Iscrizioni cristiane della Liguria dei tempi fino al mille, Gênes, 1875 (avec deux suppléments); Sarazani, S. Damasi papae opera, Rome, 1638; Xystus, 1672; Schmid, Das unterirdische Rom, Brixen, 1908; Schultze, Die Katakomben, Leipzig, 1882, p. 233 sq.; Id., Der theologische Ertrag der Katakombenforschung, 1882; cf. Schwarze, Untersuchungen über die äussere Entwicklung der afrikanischen Kirche mit besonderer Verwertung der archäologischen Funde, Gœttingue, 1892; Scletti, cf. Forcella; Smetius, Inscriptiones antiquae, Leyde, 1588; Smith et Cheetham, Dictionary of Christian antiquities, 2 vol., Londres, 1876-1880; 2e édit., 1893, t. I, p. 841-862; Spon, Miscellanea eruditae antiquitatis, in quibus marmora... Grutero, Boissardo, Reinesio ignota, illustrantur, Lyon, 1685;

Steiner, Codex inscript. roman. Rheni, Darmstadt, 1837; Id., Inscriptiones Danubii et Rheni, Seligenstadt, 1851; Id., Sammlung und Erklärung altchristlicher Inschriften der oberen Donau und des Rheins, 2e édit., Seligenstadt, 1859; Strazzulla, Studio critico sulle iscrizioni cristiane di Siracusa, Syracuse, 1895; Id., Studi di epigrafia Siciliana, dans Archivio storico Siciliano, Palerme, 1890, fasc. 3 et 4; Id., Museum epigraphicum, seu inscriptionum, quae in Syracusanis catacumbis repertae sunt, corpusculum, dans Documenti per servire alla storia di Sicilia, IIIe section, t. (paru également séparément), Palerme, 1897; Taccone-Gallucci, Epigrafi cristiane del Bruzio, Reggio en Calabre, 1905; Tononi, Iscrizioni cristiane nel Piacentino anteriori al secolo decimo, cité dans Nuovo Bullett., 1899, p. 84; Torremuzza (Castello di), Le antiche iscrizioni di Palermo raccolte e spiegate, Palerme, 1782; Id., Siciliae et objacentium insularum veterum inscriptionum nova collectio, Palerme, 1769; 2e édit., 1784; Vermiglioli, Le antiche iscrizioni Perugine, Pérouse, 1805; 2e édit., 1834; Vidua, Inscriptiones antiquae graecae in Turcico itinere collectae, Paris, 1826; A. de Waal, Altchristliche Inschriften, dans le Kirchenlexikon de Fribourg-en-Brisgau, t. VI (1889), p. 783-794;

Id., Sänger und Gesang auf christlichen Inschriften Roms, dans Der Katholik de Mayence, 1895; Id., Le chant liturgique dans les inscriptions romaines du IIIe au VIe siècle, dans Compte rendu du troisième Congrès scientifique international des catholiques, IIe section, Bruxelles, 1895, p. 310-317; M., Die Psalmen in den Katakomben, dans Friedensblätter, Augsbourg, 1896; Id., Il simbolo apostolico illustrato delle iscrizioni dei primi secoli, Rome, 1896; Waddington, Inscriptions grecques et latines de la Syrie, 1870; cf. Le Bas; Weber, Die römischen Katakomben, 3e édit., Ratisbonne, 1906, p. 45-75; Id., Les catacombes romaines, trad. franc., Paris, 1903;

Wilmanns, Exempla inscriptionum lat., Berlin, 1873; Wilpert, Prinzipienfragen der christlichen Archäologie, Fribourg-en-Brisgau, 1889; Id., Ein Cyclus christologischer Gemälde, ibid., 1891, p. 30-50; Id., Die gottgeweihten Jungfrauen in den ersten Jahrhunderten der Kirche, ibid., 1892; Id., Die altchristlichen Inschriften Aquileias, dans l'Ephemeris Salonitana (paru également séparément), Zara, 1894, p. 37-58; Withrow, The catacombs of Rome, 1890; Wolter, Die römischen Katakomben (2 brochures), Francfort, 1866;

Xanthudidès, Χριστιανικαὶ ἐπιγραφαὶ ἐκ Κρήτης, Athènes, 1903, p. 49-163; Xystus (le P. Sisto ou Xystus Scaglia), Notiones archæologiæ christianæ disciplinis theologicis coordinatæ, Rome, 1909, t. II a, Epigraphia; Rome, 1910, b, p. 3-52; Id., Manuale di archeologia cristiana, coordinata alle discipline teologiche, Rome, 1910; Zaccaria, De veterum christianorum inscriptionum in rebus theologicis usu, Venise, 1791, reproduit dans Migne, Theologiæ cursus completus, t. V (1838), col. 309-390; Id., Marmora Salonitana in ordinem digesta, Turin, 1792.

As publicações periódicas que contêm artigos referentes à epigrafia cristã são, com suas datas iniciais, as seguintes: Académie des inscriptions et lettres : Comptes rendus et Mémoires, Paris, 1854 sq.;

Académie d'Hippone : Comptes rendus, 1865 sq.; American Journal of Archæology and of the history of the fine arts, 1885-1908; Société des antiquaires de France : Mémoires de l'Académie celtique, 1807-1812; Mémoires, etc., 1817; Annuaire, etc., 1849-1855; Bulletin trimestriel, 1857 sq.; Archäologisch-epigraphische Mitteilungen aus Oesterreich-Ungarn, 1877 sq.; elles sont continuées dans les Jahreshefte des oesterreichisch-archäologischen Instituts in Wien, Vienne, 1898 sq. Archäologisches Institut, Kaiserlich-Deutsches : Jahrbücher et Mitteilungen, 1886 sq. Archives des missions scientifiques, 1re série, Paris, 1864 sq.; Bessarione, Sienne-Rome, 1897 sq.

Bulletin archéologique du Comité des travaux historiques, 1883 sq.; Bulletin des antiquités africaines, Paris, Oran, 1882 sq. Bulletin de correspondance africaine, 1882 ; Bulletin de correspondance africaine, Alger, 1882 sq. ; Bulletin hellénique (École française d'Athènes), Paris, 1877 sq. ; Bulletin épigraphique de la Gaule, Vienne, 1881 sq.; Bulletin de l'Institut français d'archéologie orientale. Le Caire, 1909 sq.; Bulletin de la Société archéologique d'Alexandrie, 1898 sq. Bulletin de la Société diocésaine d'archéologie, Alger, 1895 sq.

Bullettino d'archeologia cristiana, Rome, 1863-1894; par Martigny et Duchesne, trad. franc., Belley-Paris, 1863-1883; Bullettino archeologico napolitano, Naples, 1843 sq.; Bullettino di archeologia e storia dalmata (important surtout depuis 1890), Salone, Spalato, 1878 sq.; Bullettino della commissione archeologica communale di Roma, Rome, 1872 sq. Byzantinische Zeitschrift, Leipzig, 1892 sq.; Échos d'Orient, Constantinople, Paris, 1898 sq. Ephemeris epigraphica, Rome, 1872-1903; Journal of Hellenic studies, Berlin, 1880-1895; Instituto di corrispondenza archeologica, Bullettino et Annali, etc., Rome, 1829 sq. Mélanges d'archéologie et d'histoire (École française de Rome), Rome, 1881 sq. Mitteilungen der K. K. Central-Commission, Vienne, 1856 sq.; Notizie degli scavi di antichità, Rome, 1876 sq. Nuovo bullettino di archeologia cristiana, Rome, 1895 sq.;

Papers of the american School of classical studies, Boston, 1882 sq. Annuaire et Recueil de notices et de mémoires de la Société archéologique de Constantine, 1853 sq.; Revue africaine, 1850 sq. Revue archéologique, Paris, 1844 sq.; Revue biblique, Paris, 1892 sq.; Revue des études anciennes, Bordeaux, 1896 sq. Revue des études grecques, 1888 sq.; Revue de l'Orient chrétien, 1896 sq. Revue de philologie, 2e série, 1877 sq. Revue tunisienne, 1901 sq.; Römische Quartalschrift für christliche Altertumskunde und Kirchengeschichte, Rome, 1887 sq., etc

Autor original: S. Bour

A extração e a tradução foram feitas por IA e em caso de algum erro podem entrar em contato com o editor