ELÓI (Santo). — I. Vida. II. Obras e doutrina. I. Vida. — Elói (em latim Eligius; lê-se também em suas moedas Elegius e Elicius, cf. M. Prou, Les monnaies mérovingiennes, Catalogue des monnaies françaises de la Bibliothèque nationale, Paris, 1892), nasceu em Chaptelat, no atual departamento de Haute-Vienne, por volta de 590; pertencia a uma família galo-romana, cf. Vita Eligii, I, 20, édit. Krusch, p. 712; seu pai se chamava Eucherius ou Eucher, e sua mãe, Terrigia. Vita Eligii, I, 1. Assim que teve idade para trabalhar, foi colocado como aprendiz na casa de um ourives de renome, Abbon, que dirigia uma oficina monetária real em Limoges. Ibid., I, 3. O gosto que tomou por seu ofício logo o fez deixar Limoges pela Nêustria e o palácio, onde esperava ganhar a vida mais facilmente, ou mesmo distinguir-se. O tesoureiro do rei, Bobon, acolheu-o, com efeito, com benevolência, e reconheceu bem depressa seu talento. Uma circunstância particular o revelou a toda a corte. Queixando-se Clotário de não conseguir encontrar em seu entorno um ourives suficientemente hábil para executar um trono de ouro cujo desenho concebera, Elói se declarou pronto a empreender a obra.
A matéria-prima era abundante; em vez de um assento, fez dois, e apresentou-os ao rei, que lhe manifestou grande admiração. Vita Eligii, I, 4. Seu futuro estava, doravante, assegurado. Confiaram-lhe a oficina monetária real de Marselha. Cf. Bruno Krusch, Rerum meroving. Scriptores, t. IV, p. 642-643. Morto Clotário em 629, Dagoberto I, que lhe sucedeu, ligou-se a Elói ainda mais estreitamente do que fizera seu pai. O crédito de que o ourives dispunha no palácio era conhecido de todos. Vita Eligii, I, 12-14. Os estrangeiros que tinham negócios com o rei costumavam começar dirigindo-se a Elói, como ao mais influente dos favoritos. Foi, com Dadon, um dos embaixadores dos francos que, em 636-637, levaram o rei bretão Judicaël a fazer reparação honrosa a Dagoberto. Vita Eligii, I, 13; Frédégaire, IV, 78. A corte então se deslocava com frequência; se a residência habitual do rei era Paris, muitos outros lugares gozavam de sua presença. Elói o acompanhava quase sempre. É assim que se registra sua estadia na Austrásia e até Estrasburgo. Vita Eligii, I, 31. Seu crédito e sua fortuna, Elói os gastou em boas obras. Praticava a esmola sob todas as formas; contudo, o resgate de cativos e a construção de mosteiros foram suas obras prediletas.
Já durante sua estadia em Marselha, comprara com bom dinheiro contado os escravos que senhores sem entranhas colocavam em leilão. Vinham eles de todos os países; mas sua generosidade não fazia entre eles distinção alguma : romanos, gauleses, bretões (da Grã-Bretanha), mouros e saxões eram igualmente devolvidos à liberdade. Foi assim que, de uma só vez, libertou até cem pessoas, homens ou mulheres. Elói lhes dava em seguida a escolha de voltar à sua pátria, ou de se retirar num mosteiro, ou de viver no mundo. Entre os que se apegaram à sua pessoa, vemos um pagão convertido de nome Buchin, que mais tarde se tornou abade de Ferrières. Vita Eligii, I, 10. Uma das boas fortunas de Elói foi encontrar no palácio homens da mesma têmpera que ele, dos quais fez seus amigos, entre outros Didier, mais tarde bispo de Cahors, e Dadon (mais conhecido pelo nome de santo Ouen), o futuro bispo de Rouen. Cumpriam em comum seus exercícios de piedade; e entre esses personagens, animados no seio da corte por um mesmo espírito de liberdade cristã, havia um contínuo assalto de virtude, ao mesmo tempo que uma generosa « contenda de amizade ». Vita Eligii, I, 7, 8. A ideia da vida religiosa atravessava todas essas almas, tomadas pelo desejo de perfeição.
O espetáculo que oferecia Luxeuil, recém-fundado por são Columbano, inspirava a um grande número o desgosto do mundo. Nem Elói, nem seu amigo Dadon escaparam a essa influência. Se não se recolheram eles mesmos num mosteiro, foi porque as circunstâncias, e sem dúvida a autoridade do rei, os impediram. Compensaram-se favorecendo com todas as suas forças a vida cenobítica. Elói fundou a abadia de Solignac, às margens do Briance, a algumas milhas de Limoges, num domínio que o rei Dagoberto lhe havia doado. O primeiro abade foi Remacle, cf. Vita Remacli, édit. Krusch, Rerum meroving. Scriptores, t. V, p. 88-111, que viu, em pouco tempo, florescer maravilhosamente seu mosteiro. As rendas destinadas a prover às necessidades dos religiosos eram consideráveis. Possuímos ainda a carta de fundação, datada de 22 de novembro de 632, que consagra as posses da abadia. M. Bruno Krusch demonstrou sua autenticidade, contra Malnory, num apêndice de sua edição da Vita Eligii, p. 743 sq. Elói coloca o domínio sob a proteção de são Pedro e são Paulo, são Pancrácio e são Martinho, são Medardo, são Remígio e são Germano, ou antes, é a esses santos que faz doação de Solignac e de suas dependências. Vita Columbani, édit. Krusch, I, 10; Vita Eligii, I, 15.
A regra de Solignac era a de Luxeuil, com algumas suavizações emprestadas de são Bento. A severidade colombaniana era ali necessariamente predominante. O abade de Luxeuil conservava sobre sua filial a mão firme e a jurisdição suprema; em caso de infração grave à regra, era autorizado a punir os culpados, tanto o abade quanto os simples religiosos. Segundo o costume irlandês, o mosteiro estava isento da jurisdição episcopal. Ninguém, exceto o rei, exercia direito sobre as pessoas e os bens. Se dermos crédito ao biógrafo de são Columbano, Vita Columbani, I, 10, Elói estabeleceu ainda outros mosteiros em seu país.
Fundou, além disso, em Paris, um mosteiro de moças, numa casa que devia, como o território de Solignac, à liberalidade real. As virgens que ali recolheu eram de todas as nações e de todas as condições : as servas ali se misturavam com as mulheres de linhagem nobre. Seu número se elevou, em pouco tempo, a quase trezentas. Uma peste destruiu, segundo se diz, cento e sessenta delas, incluindo a superiora ou abadessa, Aurea ou Aure. Vita Eligii, I, 32; I, 54. Foram sepultadas numa igreja que Elói mandara construir sob a invocação de São Paulo, para servir de cemitério às religiosas.
O teto desse edifício era de chumbo, observa seu biógrafo. Elói também fizera revestir de chumbo a basílica de São Marcial de Paris. Vita Eligii, I, 18. Dagoberto, que apreciava seus talentos de ourives, utilizou-os fazendo-o construir ou restaurar os túmulos de são Martinho de Tours e de são Dionísio de Paris, pelos quais nutria grande devoção. Vita Eligii, I, 32; Fredegário, IV, 79. Sabe-se que a construção da basílica de Saint-Denis se deve ao filho de Clotário II. Dagoberto ali fez transportar em 626 os restos do santo mártir e de seus companheiros, que haviam repousado até então no Vicus Catulliacus. Cf. J. Havet, Les origines de Saint-Denis, em Œuvres, t. I, p. 204. Elói construiu nessa ocasião um mausoléu soberbo que ornou com metais preciosos. A grande cruz que cinzelou para o altar era, dizem, uma pura obra-prima de joalheria e de ourivesaria. Gesta Dagoberti, c. XX, em Rerum meroving. Scriptores, t. II, p. 407. Em todos esses trabalhos de arte o que o público admirava era a piedade de Elói mais ainda do que sua habilidade. Elói estava maduro para o episcopado. O trono episcopal de Noyon tendo vagado com a morte de Acário, os fiéis e o clero da cidade lançaram os olhos sobre o brilhante palatino que, embora ainda simples leigo, levava na corte uma vida verdadeiramente sacerdotal.
A mesma manifestação se reproduziu em Rouen, onde o bispo Romano acabara de morrer (639); Dadão foi eleito para substituí-lo. Cf. Vacandard, Vie de saint Ouen, Appendice A, p. 349. Tais eleições eram certamente, sob certos aspectos, contrárias à letra dos cânones; mas não se pode dizer que fossem contrárias ao espírito da Igreja. Os concílios exigiam que os bispos fossem escolhidos em seu país de origem: non alius subrogetur nisi loci illius indigena. Cf. concílio de Clichy, 626-627, cân. 28, em Maassen, Concilia meroving., p. 200. E o motivo dessa decisão é fácil de perceber. Temia-se que a escolha dos eleitores, recaindo sobre uma personagem estranha à diocese, não fosse suficientemente esclarecida. Mas no caso, para empregar um termo de jurisprudência, esse perigo estava afastado. Sem serem "indígenas", como queriam os cânones, Elói e Dadão não eram estranhos para as cidades de Noyon e de Rouen. Eles tinham seguido habitualmente Clotário II e Dagoberto I em suas residências; haviam, por conseguinte, permanecido em Compiègne, em Étrépagny, em Clichy, em Arlaune, e em várias outras vilas régias, vizinhas das cidades que iriam evangelizar, encravadas mesmo em suas dioceses.
Não há, portanto, propriamente falando, uma infração às regras eclesiásticas na escolha que os noyonenses fizeram de Elói, e os rouaneses de Dadão. Os cânones exigiam ainda que a eleição fosse ratificada pelo poder civil, Edictum Chlotarii, em Monum. Germaniæ, Leges, t. I, p. 14, e que o eleito, se fosse leigo, fizesse um estágio de um ano nas ordens inferiores, antes de receber a sagração. Concílio de Orléans, 549, cân. 9, em Maassen, p. 103; cf. para outras referências, Vacandard, Vie de saint Ouen, p. 78, nota 1. Essa dupla regra foi rigorosamente observada. Sobre tudo isso, ver Vacandard, Vie de saint Ouen, p. 78 sq.; Les élections épiscopales sous les Mérovingiens, em Études de critique et d'histoire, 4ª edição, p. 167 sq. Acreditou-se, por uma indicação falsa, Chron. Vedastinum, em Monum. Germaniæ, t. XIII, p. 693, que Elói fora sagrado em Noyon já em 638. Mabillon, Annales ord. S. Benedicti, t. I, p. 877. Mas em 639 Acário, seu predecessor, ainda vivia, pois assina em 636 uma carta de são Faro em favor de Rebais. P. L., t. LXXXVII, col. 1136. Outros autores, com maior verossimilhança, atribuem à sagração de Elói a mesma data e o mesmo lugar que à de Dadão: ambos teriam recebido em Rouen, Vita Eligii, II, 2, a consagração episcopal.
A bem dizer, a sagração de um bispo de Noyon numa igreja de Rouen só pode ser uma derrogação ao costume da época. Era regra, sob os merovíngios, que os bispos fossem sagrados em sua própria igreja catedral. Era por exceção que a cerimônia se realizava em outro lugar, por exemplo na capela de uma vila régia. Cf. concílio de Orléans, 541, cân. 5, em Maassen, Concilia Meroving., p. 88; Vacandard, Vie de saint Ouen, p. 83, nota 2. Mas, dada a amizade que unia de longa data os dois eleitos das sés de Noyon e de Rouen, é possível que o episcopado, a corte, os próprios noyonenses, tenham achado bom que Elói fosse sagrado ao mesmo tempo que seu ilustre amigo. Segundo toda probabilidade, a cerimônia teve lugar no terceiro ano do reinado de Clóvis II, e no domingo das Rogações, isto é, em 13 (e não 14) de maio de 644. Sobre essa data, ver Vacandard, Vie de saint Ouen, Appendice A, p. 349-353. A diocese que Elói ia governar era uma das mais extensas da Gália franca. Compreendia não somente o território da igreja de Noyon, mas ainda os de Vermand e de Tournai, e a sé de Tournai, por sua vez, abrangia a Flandres, Gante, Courtrai e toda a parte setentrional da Bélgica habitada pelos frísios, os suevos, os antuerpienses e algumas outras populações meio bárbaras. Cf. B. Krusch, Rerum meroving. Scriptores, t. IV, p. 639. Isso quer dizer que o apostolado de Elói foi extremamente laborioso.
O santo homem deve ter sido bastante mal recebido por esses pagãos do norte. Vita Eligii, II, 3, 8. Ver uma cena característica, ibid., II, 19. Não foram menos de uma vintena de anos de episcopado para destruir seus ídolos e convertê-los ao catolicismo. Elói não negligenciou por isso a parte cristã de sua diocese. Inclinado, como era, para o ascetismo, não deixou de favorecer o desenvolvimento da vida monástica. Fundou várias abadias, notadamente um mosteiro de virgens na própria cidade de Noyon. Vita Eligii, II, 5. Sua basílica dedicada a são Quintino, não longe da cidade de Vermand, era servida por discípulos de são Colombano. Elói ali fez realizar escavações e teve a felicidade de descobrir o corpo do mártir. Foi para ele a ocasião de satisfazer seu gosto pelo belo e pelo grandioso. Ele reconstruiu a igreja em proporções mais vastas e ergueu ao santo um túmulo que enriqueceu com ouro e pedrarias. Vita Eligii, II, 6. Muitos outros corpos santos tiveram as mesmas honras, diz-nos seu biógrafo. Ibid., II, 7. O cuidado de sua diocese não o absorvia a ponto de impedi-lo de se ocupar dos interesses gerais da Igreja.
Sem falar das visitas que fez aos mosteiros de Solignac e de Paris, que eram sua obra, ibid., II, 18, vemo-lo atravessar toda a Gália e se encontrar com seus amigos da Provença e com os bispos da região, notadamente com Aureliano, bispo de Uzès. Ibid., II, 11-13. Ele assiste ao concílio de Chalon-sur-Saône, com seu amigo Dadão, bispo de Rouen. Algumas das decisões ali tomadas cheiram ao espírito colombaniano e não é talvez temerário supor que foram inspiradas pelo bispo de Noyon; o cânone 8 sobre a confissão, Maassen, Concilia, p. 210, é um deles: "Pensamos que a penitência, que é o remédio da alma, é útil a todos, e os sacerdotes devem impô-la aos penitentes depois de ter ouvido sua confissão." Não que essa prática não fosse conhecida na Igreja das Gálias. Mas são Colombano e seus discípulos tinham a peito propagar, mais do que ninguém o havia feito até então, o uso da confissão e o recurso ao sacramento da penitência.
Além disso, Elói subscreveu com Dadão, bispo de Rouen, a carta de isenção que Landerico, bispo de Paris, concedeu ao mosteiro de Saint-Denis; sua assinatura é reproduzida por Letronne em seus Diplômes et chartes de l'époque mérovingienne, tab. IX; Œuvres de Julien Havet, Paris, 1896, t. I, p. 239. Encontra-se igualmente seu nome ao pé do privilégio de Emão, bispo de Sens, em favor do mosteiro de Sainte-Colombe, 26 de agosto de 660. Pardessus, Diplomata, t. II, p. 441; Krusch, Vita Eligii, p. 640. Esse foi provavelmente um de seus últimos atos oficiais. Morreu em 1º de dezembro desse mesmo ano. Sobre essa data, ver Vacandard, na Revue des questions historiques, t. LXXV (1904), p. 594. Como acontecia frequentemente nesses tempos de fé, seus amigos e seus admiradores disputaram seu corpo.
A rainha Batilde, acorrida precipitadamente a Noyon, quis fazê-lo transportar ao mosteiro de Chelles, que ela apreciava particularmente, Vita Eligii, II, 37; outros o reclamaram para Paris; mas os noyonenses recusaram-se a dele se desfazer. Foi sepultado em Noyon e mais tarde depositado num mosteiro que levou seu nome até 1446. Cf. de Nussac, Saint Eloi, sa légende et son culte, no Bulletin de la société scientifique, historique et archéologique de la Corrèze, Brives, 1895, t. XVII, p. 554. Elói está inscrito no martirológio hieronimiano no Codex de Wissembourg, Acta sanctorum, t. II novembris, I, p. 150. A igreja de Noyon, a Flandres e Limoges se colocaram muito especialmente sob seu patrocínio. Mas seu culto se espalhou por toda a Gália e chegou mesmo a ultrapassar suas fronteiras. Quanto ao ofício composto em sua honra, Ulysse Chevalier assinala seis hinos que lhe são próprios. Repertorium hymnologicum, loc. cit., 10 sq. Sabe-se que Elói se tornou o padroeiro dos ourives e de todos os que trabalham os metais; é ele mesmo o padroeiro dos ferradores. Esse culto talvez remonte ao dia seguinte à sua morte. Eis qual seria sua origem. Elói havia montado, em vida, um cavalo do qual o abade do mosteiro de Noyon herdou.
Esse cavalo agradou ao sucessor de Elói, Mommoleno, que dele se apossou indevidamente. Mas mal estava na cavalariça do bispo, começou a mancar. Um veterinário encarregado de curar-lhe o casco não conseguiu curá-lo. No entanto o abade veio ao túmulo de Elói queixar-se do dano que Mommoleno lhe causara e pedir que a injustiça cometida fosse reparada. O bispo, vendo que o cavalo, apesar de todos os cuidados, permanecia enfermo, tomou o partido de restituí-lo ao legítimo proprietário. O abade o retomou e imediatamente o animal ficou curado. Vita Eligii, I, 47. Naturalmente Elói obteve toda a honra dessa cura. É por isso, sem dúvida, que o povo contraiu o hábito de invocar são Elói para os cavalos doentes. As confrarias de ferradores adotaram seu emblema. Descobriram-se recentemente no fundo do Sena escudos ou selos de chumbo, do século X e do XIV, que traziam esta inscrição: Signum (ou sigillum) sancti Eligii Noviomensis episcopi, ou signus Eligii, ou mesmo simplesmente o nome do santo. Este é representado batendo na bigorna e abençoando uma vela que lhe apresenta um cliente que traz seu cavalo. A. Forgeais, Collections de plombs historiés trouvés dans la Seine, Paris, 1862, t. II, p. 150-172.
Um homem do valor de Elói não podia deixar de ter seu biógrafo. A Vita Eligii que possuímos traz mesmo a assinatura de são Ouen, seu amigo. É verdade que essa atribuição presta-se à dúvida, ou é mesmo inaceitável. O que parece exato é que o bispo de Rouen realmente compôs uma Vida de Elói, como testemunham uma carta de envio a Rodoberto, bispo de Paris, e a resposta de Rodoberto a são Ouen. P. L., t. LXXXVII, col. 592. Esses documentos, cuja autenticidade não é praticamente contestada, parecem indicar que a biografia de Elói se seguiu à sua morte de muito perto. Cf. Vacandard, Vie de saint Ouen, p. 286 sq.
O Sr. Krusch inclina-se a pensar que o destinatário da carta de Dadão seria o bispo de Tours, Rodoberto, o que retardaria em uma dezena de anos a composição da Vita Eligii. Cf. Rerum meroving. Scriptores, t. IV, p. 650-651. Do resto, dessa biografia primitiva não se poderia dizer exatamente o que nos resta. No máximo podemos admitir que os principais capítulos do livro I (exceto evidentemente os XXXIII-XXXV) e alguns capítulos do livro II, escolhidos entre os que contêm o relato da sagração, do episcopado e dos funerais, representam bastante bem o pensamento do bispo de Rouen. Seu escrito foi retocado, fundido e afogado numa obra que publicou mais tarde, em honra de Elói, um monge de Noyon. Os melhores críticos concordam em reconhecer que esse novo hagiógrafo desfigura em vários pontos os traços de seu herói. Os erros e os anacronismos que ele comete ficam por sua conta e não podem ser imputados a são Ouen. Cf. Vacandard, Vie de saint Ouen, p. 235 sq., e Appendice D; Krusch, op. cit., p. 651 sq. Segundo o Sr. Krusch, a Vita Eligii, tal como chegou até nós, seria certamente da época carolíngia.
II. OBRAS E DOUTRINA. — Da correspondência de são Elói não possuímos mais que uma única carta, endereçada a Desidério (ou Géry) de Cahors. Ela não contém nenhuma informação histórica ou dogmática. É um puro testemunho de amizade que o bispo de Noyon dá a seu antigo colega do palácio; o nome de Dadão ali é lembrado. Monumenta Germaniae, Epist., t. III, p. 206.
Publicou-se sob o nome de Elói uma coletânea de homilias. P. L., t. LXXXVII, col. 594-654. Num artigo intitulado: Les homélies attribuées à saint Eloi, publicado na Revue des questions historiques, t. LXIV (1898), p. 471-480, procuramos demonstrar que eram apócrifas. Inútil reproduzir aqui todos os nossos argumentos. Na 1ª homilia, pronunciada no dia de Natal, o orador diz que se dirige pela primeira vez a seus diocesanos. Ora, Elói foi sagrado no dia das Rogações. Não se pode admitir que tenha esperado mais de seis meses para tomar contato com suas ovelhas. Certas expressões, notadamente Pater Benedictus, que se lê na 1ª homilia, denotam, aliás, uma época posterior ao reinado de Clóvis II. Em suma, nossa opinião é que esses sermões não são anteriores ao século IX. Dom Plaine atacou essa conclusão. Nouvelles remarques sur les homélies attribuées à saint Eloi, na Revue des questions historiques, t. LXV (1899), p. 235-242. Pode-se ver, ibid., p. 243-255, Réponse aux Remarques de dom Plaine, as razões pelas quais mantemos nossa opinião, que é também a dos melhores críticos. Cf. B. Krusch, Rerum meroving. Scriptores, t. IV, p. 644-645, com as referências.
Da pregação de Elói não nos resta senão alguns fragmentos que seu biógrafo inseriu no relato de sua Vida, I. I, c. XVI, XVII. O Sr. Krusch considera esse documento autêntico, pelo menos em certa medida. Entenda-se por isso que o hagiógrafo fundiu num único discurso o que pôde recolher dos sermões de Elói. Ele próprio nos adverte que a homilia, na qual aliás se notam várias repetições, não foi pronunciada inteira no mesmo dia. Vita Eligii, II, 17. É preciso, aliás, observar que os empréstimos aos sermões de são Cesário de Arles são consideráveis: o plágio é manifesto. O Dr. Krusch teve o cuidado de assinalar todos os trechos comuns aos dois pregadores. Cf. Rerum meroving. Scriptores, t. IV, p. 652-653, 750-764. Publicou esse discurso a partir de três manuscritos antigos, provenientes um de Saint-Gall, n. 191, do fim do século VIII; o segundo, de Paris, Nouvelles acquisitions latines, n. 447 (biblioteca Libri, n. 67), do século IX; e o terceiro igualmente de Paris, Nouvelles acquisitions latines, n. 450 (Libri, n. 69), do século IX-X. Ibid., p. 750. A homilia ou Predicatio está impressa à parte em apêndice. Ibid., p. 751 sq.
Contudo o novo editor separou dela a parte referente às superstições de que eram vítimas os fiéis da diocese de Noyon, sobretudo os novos convertidos. O trecho, Vita Eligii, I, 16-17, p. 705-708, merece ser inserido aqui por inteiro; mostrará melhor do que qualquer outra consideração qual era a mentalidade dos neo-cristãos da Gália franca no século VII. A comparar com o Indiculus superstitionum do concílio de Leptines, 742, em Hefele, Histoire des conciles, edição Leclercq, t. III (1910) p. 836 sq.
Suplico-vos antes de tudo, meus irmãos, que não observeis nenhum dos costumes sacrílegos dos pagãos. Não deis crédito aos que usam de caracteres mágicos, aos adivinhos, aos feiticeiros, aos encantadores; não os interrogueis por qualquer causa ou enfermidade que seja; não os consulteis por nada, pois quem quer que cometa tal falta perde imediatamente a graça do batismo. Não observeis tampouco os augúrios e os espirros. Quando estiverdes a caminho, não presteis atenção ao canto de certos pássaros. Mas quando começardes uma viagem ou qualquer obra, benzei-vos em nome de Jesus Cristo, depois recitai com fé o símbolo e a oração dominical; o inimigo não vos causará nenhum dano. Que nenhum cristão preste atenção ao dia em que sai de casa, nem tampouco àquele em que deve nela voltar, porque todos os dias, sem distinção, são obra de Deus. Que ninguém observe seja o dia, seja a posição da lua, para começar uma empresa. Que ninguém, nas calendas de janeiro, se entregue a divertimentos infames e ridículos, tais como os das novilhas, dos veadinhos ou outros jogos. Que não se ponha mesa durante a noite e que não se beba além da medida.
Que nenhum cristão dê crédito às mulheres que praticam a magia por meio de fórmulas; que não se assente entre elas, pois são obras do demônio. Que ninguém, na festa de são João (de verão), ou em qualquer outra solenidade dos santos, se exercite em observar os solstícios, nem se entregue às danças, às carolas e aos cantos diabólicos. Que ninguém pense em invocar os nomes dos demônios, tais como Netuno, Plutão, Diana, Minerva, o Gênio, ou em crer em outras insensatezes desse gênero. Que ninguém se abstenha de trabalhar na quinta-feira ou dia de Júpiter, a menos que seja a festa de algum santo; nem durante o mês de maio, nem em nenhum outro tempo, nem nos dias das lagartas ou dos ratos, nem em qualquer outro dia que seja, exceto o domingo. Que nenhum cristão pretenda fazer votos nos templos, ou junto às pedras, às fontes, às árvores e nos bosques sagrados; que não acenda fogos nas encruzilhadas. Que se guarde bem de atar bilhetes ao pescoço de um homem ou de qualquer animal, ainda que os clérigos prestassem seu ministério a isso, embora se pretenda que seja coisa santa e que nele se insiram "lições" divinas, pois nisso não se encontra o remédio de Cristo, mas o veneno do demônio.
Que ninguém se permita praticar lustrações, encantar ervas, fazer passar os rebanhos pelo oco de uma árvore ou através de um buraco feito na terra. É consagrar-se ao demônio entregar-se a essas observâncias. Que nenhuma mulher suspenda âmbar ao pescoço, nem o empregue no tecido, nem na pintura, nem em nenhuma outra coisa, invocando Minerva ou o nome de qualquer outro ser pretensamente maléfico. Que seu desejo seja que a graça de Cristo presida a todas as suas obras; que ela ponha toda a sua confiança na virtude de seu nome; que ninguém dê gritos quando a lua se escurece, pois é por ordem de Deus que ela empalidece em certos tempos. Que não se receie tampouco empreender qualquer obra na lua nova, pois Deus formou esse astro para marcar o tempo e moderar a escuridão da noite e não para obstar aos trabalhos de quem quer que seja. Não foi tampouco para perturbar a razão do homem, como creram alguns insensatos, imaginando que a lua faz sofrer os possuídos pelo demônio. Que ninguém chame de seus senhores o sol ou a lua; que não jure por esses astros, porque são obra de Deus e servem às necessidades do homem por ordem do criador.
Que ninguém preste atenção à sorte ou à fortuna, por ocasião dos nascimentos, de modo a dizer: "Tal se nasceu, tal se será." Deus, com efeito, quer que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade. Ele dispõe todas as coisas em sua sabedoria, como o fez quando criou o mundo. Se vos sobrevier alguma enfermidade, guardai-vos de recorrer aos encantadores, aos adivinhos, aos charlatães. Não deis nenhum crédito às fontes, aos mármores, às bifurcações dos caminhos, nem aos filactérios inventados pelo demônio. Repeli pois de todo o vosso coração, meus irmãos, todas essas ciladas do inimigo da salvação, e concebei um grande horror pelos sacrilégios de que acabo de vos falar. Não concedais veneração a nenhuma criatura, reservai-a para Deus e seus santos. Não vades mais às fontes e destruí as árvores que se chamam sagradas; fazei de modo que não se encontrem mais nas encruzilhadas dos caminhos desenhos de pés; queimai-os quando os encontrardes. Não creiais que haja outro meio de chegar à salvação que não seja a cruz e a invocação de Cristo. O culto prestado às árvores é tal, com efeito, que os desgraçados que as vão venerar, ao depositar seus votos, não ousam lançá-las ao fogo quando vêm a cair de velhice. Considerai qual é sua loucura: eles rendem honras a uma árvore insensível e morta, e desprezam os preceitos do Deus todo-poderoso. Que ninguém, pois, se persuada de que possa ser permitido adorar o céu, os astros, a terra, ou qualquer outra criatura, senão Deus; pois é ele somente quem tudo criou, tudo dispôs em ordem perfeita. Ver, para a inteligência deste texto, o comentário que dele demos em nosso estudo sobre L'Idolâtrie en Gaule au VIe et au VIIe siècle, na Revue des questions historiques, t. LXV (1889), p. 445-453.
Essa parte do ensinamento de Elói é quase inteiramente negativa. Diz respeito às obras do demônio às quais o fiel renunciou pela recepção do batismo. O Credo que o bispo de Noyon propunha a seus catecúmenos continha os artigos mais especialmente positivos de sua doutrina. É o Credo romano, enriquecido de alguns detalhes e quase chegado à perfeição que logo lhe daria são Primino. Como marca um estágio no desenvolvimento do símbolo, nós o damos aqui em seu teor: "No dia de vosso batismo, diz ele, prometestes crer em Deus Pai todo-poderoso e em Jesus Cristo seu filho único Nosso Senhor (o ms. traz filium unicum dominum nostrum), concebido do Espírito Santo, nascido da Virgem Maria, que sofreu sob Pôncio Pilatos, ao terceiro dia ressuscitou dos mortos, subiu aos céus, e de lá virá julgar os vivos e os mortos. Prometestes, além disso, crer no Espírito Santo, na santa Igreja católica, na remissão dos pecados, na ressurreição da carne, na vida eterna." Predicatio sancti Eligii episcopi, n. 2, edição Krusch, loc. cit., p. 751. Observar-se-á que Elói não menciona nem a crucificação, nem a descida aos infernos, nem o assento do Filho junto de Deus Pai todo-poderoso, nem a comunhão dos santos. Esses acréscimos ao símbolo romano primitivo já circulavam isoladamente, seja na Gália, seja na Itália do Norte. O tempo está próximo em que serão inseridos no Credo gaulês, que se tornará o Textus receptus do Credo romano, por volta do ano 700. Cf., sobre esta questão, Vacandard, Les origines du symbole des apôtres, 4ª edição, DEI, 1909, p. 45-68. que Elói desenvolve em suas homilias é a do Decálogo. Ele reprova o roubo, o falso testemunho, a mentira, o perjúrio, o adultério, a usura, a discórdia, n. 4, 7, e recomenda as obras de caridade cristã, notadamente a esmola, a hospitalidade, a visita aos doentes e aos prisioneiros, n. 7-9. A esmola é para ele o mais sagrado dos deveres, e compreende-se sua insistência nessa obra de misericórdia numa época em que a miséria do povo era tão sombria. "Se não dais," diz ele, "sereis culpados de tantos homicídios quantos forem os pobres que morrerem de fome ao vosso redor... Deus, para vos punir, vos enviará a peste e a fome, e assim perdereis tudo o que tendes, inclusive as vossas almas... Sabei," acrescenta ele, "que quem dá ao pobre dá àquele que reside no céu e que disse: 'O que fizerdes a um destes pequeninos, a mim o fizestes,'" n. 9. No primeiro lugar das esmolas coloca-se o dízimo. Aliás, o dízimo que se presta a Deus e às igrejas é um bem que retorna aos pobres. Nisso não se faz senão devolver a Deus o que lhe pertence.
Deus é o senhor de todos os bens e de todas as sementes. " Esse Deus que se digna nos dar tudo, digna-se também nos pedir de volta o dízimo do que é seu, um dízimo que deve nos servir muito mais do que a ele mesmo. Não vades pois fraudar o dízimo, com medo de que os nove décimos vos sejam tirados e que só o dízimo vos reste," n. 9. "Esse seria o vosso castigo."
Elói lembra a seus fiéis as práticas da piedade cristã. Nada indica que lhes tenha recomendado a oração cotidiana. Exige ao menos que "saibam de cor o símbolo e a oração dominical e que os ensinem a seus filhos e filhas," n. 5, 6. Isso supõe que os cristãos do século VII recitavam habitualmente o Credo e o Pater noster. Ainda não se poderia falar do Ave Maria. O repouso semanal é regra: é preciso abster-se de obras servis e santificar "o domingo, por respeito à ressurreição de Jesus Cristo". Elói gostaria que suas ovelhas "frequentassem a igreja o mais possível." Naturalmente ele coloca os dias de festa no mesmo pé que os domingos, n. 9. Por infelicidade não nos dá a conhecer seu calendário festivo. "Quando voltam as santas solenidades," diz ele, convém "aproximar-se do altar do Senhor." Elói é, pois, partidário da comunhão frequente. Cf. Vacandard, Vie de saint Ouen, p. 152, e nota 2. Mas recomenda às pessoas casadas que a ela se preparem pela prática da continência, ao menos durante vários dias antes da comunhão.
Isso é próprio de um "bom cristão", observa ele, n. 5. Quanto ao pecador, se não é digno de se ajoelhar ao altar, como seus irmãos, que recorra ao "remédio da penitência", ad pœnitentiæ medicamenta, n. 14, medicamentum pœnitentiæ, n. 16. Esse conselho recorda o cânone 8 do concílio de Chalon, que citamos acima. Implica um dever bastante duro de cumprir. A penitência era então, com efeito, um exercício público. Se a confissão permanecia secreta, o culpado cumpria sua expiação em presença dos irmãos reunidos. Elói o diz expressamente: "Se alguém, acorrentado pelo pecado, quiser romper sua cadeia e despertar de seu sono de morte, que recorra à confissão, que faça penitência e que não se envergonhe de expiar publicamente as faltas que cometeu, porque vale muito mais fazer penitência aqui embaixo por pouco tempo, pauco tempore, do que suportar durante tantos milhares de anos os suplícios do inferno," n. 13. Desse pauco tempore indeterminado é lícito concluir que as longas penitências públicas de que testemunham os doutores dos primeiros séculos estão agora abreviadas.
É preciso fazer penitência, pois se Deus é bom, como a paixão do Salvador o prova, n. 11, e como o céu de glória que ele nos prepara o prova ainda melhor, n. 12, ele é também muito justo, e os castigos que reserva aos ímpios são terríveis. Durante milhares de milhares de anos, isto é, durante séculos que não terão fim, os culpados sofrerão a pena do fogo, sem luz, sem refrigério e sem trégua, n. 12. E a hora "da justiça não poderá tardar". Preparai-vos, diz Elói, pelas boas obras para o advento do último dia. Pois, "sabemo-lo com certeza, certissime tenemus, o fim do mundo está próximo, o fim do século chega. O mal que se faz cada dia é tão grande, tão grandes são as tribulações que nos afligem, que o próprio mundo parece nos anunciar assim o seu fim. Eis que tudo o que os profetas anunciaram, tudo o que os apóstolos predisseram está quase realizado, não resta mais a vir senão o dia do juízo e o advento do Anticristo," n. 15. Encontra-se aqui a linguagem que são Gregório Magno mantinha diante dos romanos cinquenta anos antes. Aliás, essa ideia do fim do mundo tão próximo ainda assombrará o espírito de muitos pregadores no decorrer da Idade Média.
Em suma, a pregação de Elói representa bastante bem o tema que desenvolviam diante dos fiéis os oradores de seu tempo, e (exceto no que respeita a certas práticas supersticiosas e ao fim do mundo) os oradores cristãos de todos os tempos. Vita Eligii, P. L., t. LXXXVIII, col. 479 sq.; edição B. Krusch, em Rerum merovingicarum Scriptores, in-4°, t. IV (1902), p. 685 sq.; Bibliotheca hagiologica latina, t. I, n. 2474-2480; Concilia ævi merovingici, edição Maassen, em Monumenta Germaniæ historica, in-4°, Legum sectio, III, 1893, t. I; Pardessus, Diplomata, chartæ, epistolæ, etc., 2 in-fol., Paris, 1843-1849; Sarvaas, Disquisitio de vita et scriptis Eligii episcopi Noviomensis, Amsterdam, 1859; O. Reich, Ueber Audoens Lebensbeschreibung des hl. Eligius (dissertação), Halle, 1872; Deloche, Mémoire sur la procession dite de la Lunade et les Jeux de la Saint-Jean à Tulle, nos Mémoires de l'Institut, Académie des inscriptions et belles-lettres, Paris, 1896, t. XXX, p. 189 sq.; Louis de Nussac, Saint Eloi, sa légende et son culte, no Bulletin de la société scientifique, historique et archéologique de la Corrèze, Brives, 1895, t. XVI, p. 554 sq.; Saint Eloi, ses résidences en Limousin, ibid., t. XIX (1897), p. 309-339; M. Prou, Les monnaies mérovingiennes, Catalogue des monnaies françaises de la bibliothèque nationale, 1892; Vacandard, Vie de saint Ouen, évêque de Rouen (611-684), Etude d'histoire mérovingienne, in-8°, Paris, 1902; L'idolatrie en Gaule au VIIe et au VIIIe siècle, na Revue des questions historiques, abril 1899, t. LXV, p. 424-454; Van der Essen, Saint Eloi, em Etude critique et littéraire sur les Vitæ des saints mérovingiens de l'ancienne Belgique, in-8°, Paris et Louvain, 1904, p. 324-336; Parsy, Saint Eloi, coleção Les saints, Paris, 1907. E. VACANDARD.
2. ELÓI DE LA BASSÉE, chamado no mundo Eloi Façon, nasceu em La Bassée (Nord) em 1585. Depois de seus primeiros estudos entrou entre os cônegos regulares de Santo Agostinho, no mosteiro de Cysoing; mas em seguida, desejando levar uma vida mais austera, passou para os menores capuchinhos da província da Gália-Bélgica, onde foi recebido em 30 de novembro de 1630. Seus novos superiores, apreciando a extensão de seus conhecimentos, logo o encarregaram de ensinar teologia, o que fez com sucesso durante longos anos; confiaram-lhe mais tarde diferentes funções em sua província. Chegado à idade de 85 anos, morreu no convento de Lille, em 25 de novembro de 1670. Temos dele: Flores totius theologiæ practicæ, tum sacramentalis, tum moralis, cuja primeira edição apareceu em Douai em 1639, in-fol. O P. Elói, seguindo o exemplo dos antigos autores das Sumas de casos de consciência, divide seu trabalho em artigos ordenados alfabeticamente.
Um índice muito copioso, colocado ao final do livro, facilita as pesquisas nessa volumosa coletânea que o sábio compilador não cessava de enriquecer e da qual deu duas novas edições sucessivas na casa de Pierre Beller em Antuérpia, 1643 e 1648. A obra apareceu ainda em Lyon, 1653; Veneza, 1655; 6ª edição, Antuérpia, 1660. Mas os acréscimos tornavam-se muito importantes, por isso o autor publicou um Supplementum ad Flores... sive tomus secundus, do qual há edições de Lyon, 1658; Antuérpia, 1659. Como, no entanto, essa divisão tornava as pesquisas difíceis, seu impressor tomou o partido de reunir, sem contudo fundi-los, o texto dos dois volumes num único livro que apareceu em 2 in-fol., Lyon, 1663; Veneza, 1666, 1689-1690. Um confrade do P. Elói, o P. Gregório de Salamanca, deu um Compendium Summæ P. Eligii Bassæi, que apareceu em Lyon em 1674 e 1678. Bernard de Bologne, Bibliotheca scriptorum ordinis minorum capuccinorum, Veneza, 1747; Duthilleul, Bibliographie douaisienne, Paris, 1835, p. 258; Mannier, Recherches sur la ville de La Bassée, Paris, 1854; Hurter, Nomenclator, Innsbruck, 1898, t. II, col. 297
Autor original: P. Édouard d'Alençon
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