EISENGREIN (MARTINHO)

EISENGREIN (MARTINHO)

EISENGREIN Martin nasceu em Stuttgart, a 28 de dezembro de 1535. Seu pai, burgomestre da cidade, havia se convertido às ideias luteranas e favorecia a reforma. Martin começou seus estudos na escola latina de sua terra natal, depois seguiu os cursos na universidade de Ingolstadt e na de Viena. Em 1555, ele ocupava ali a cátedra de eloquência, que trocou em 1557 pela de filosofia natural. Sua conversão ao catolicismo, cuja data precisa não se conhece, veio mudar sua vida. Voltou aos bancos escolares para fazer seus estudos teológicos, foi ordenado sacerdote em 1560 e, desde esse momento, começou a lutar pela palavra e pela pena contra o protestantismo. Por indicação de Staphylus, o duque da Baviera Alberto V o havia atraído a Ingolstadt. Já em 1562, é pároco de Saint-Maurice, paróquia da universidade. Sujeitou-se então a seus diversos exames teológicos e ao mesmo tempo pregava em sua igreja sobre os assuntos controversos entre católicos e protestantes. Ele mesmo publica em alemão seus discursos, que são todos verdadeiros tratados e dos quais se dão quase imediatamente traduções latinas.

Em 1562, aparece Ein christenliche predig, ausz was Ursachen so vil Leut zum Lutherthumb fallen, traduzido por Surius sob o título: Concio cur tam multi hodie ad lutheranismum deficiant, Colônia, 1563. No ano seguinte, ele trata da mesma forma a questão das boas obras em Ein christliche predig von den guten wercken der Glaubigen, que Tilmann Bredenbach verte para o latim: Concio orthodoxa de bonis fidelium operibus eorumque meritis, 1566. Ele defende, em 1564, o culto das relíquias, o dogma do purgatório e pronuncia o elogio fúnebre de seu protetor, o ilustre convertido Staphylus, superintendente da universidade. Sempre sob a mesma forma polêmica, ele estuda em 1565 os problemas dos méritos de Cristo, da remissão dos pecados e da regra de fé. As questões que se ligam à teologia da graça em particular o atraíram. Em 1567, ele prega sobre esse assunto em Ingolstadt. Já no ano anterior, na dieta de Augsburgo, havia defendido as decisões do concílio de Trento a respeito da graça.

Ele reuniu esses discursos num ensaio que apareceu em alemão em 1568 e que Tilmann Bredenbach traduziu para o latim sob o título: De certitudine gratiæ tractatus apologeticus pro vero ac germano intellectu canonis 13 sessionis VI s. œcumenici concilii Tridentini, 1569. Nele exagerava um tanto a certeza da remissão das faltas concedida ao fiel penitente. « Aquele que se prepara bem para o sacramento, dizia ele, pode estar tão seguro de seu perdão quanto de que dois e dois são quatro. » Essas proposições valeram ao livro ser posto no Índice pelo grande inquisidor Quiroga e figurar na lista das obras censuradas por Sixto V e por Clemente VIII. As últimas obras de Eisengrein são sobretudo livros de teologia prática e de edificação. É preciso citar entre elas uma história apologética do célebre santuário bávaro de Nossa Senhora de Alt Oetting, do qual o autor era pároco-mor, e uma « Postilla » para todos os domingos do ano, que apareceu em vários volumes após sua morte. As questões controvertidas não ocuparam apenas a inteligência de Eisengrein. Ele teve de participar, como representante oficial do duque da Baviera, das conferências de Viena, 1563-1564, a respeito da comunhão sub utraque e do celibato eclesiástico.

Contra suas próprias ideias, ele reclamou para a Baviera a concessão do cálice e de atenuações à lei do celibato. De resto, as conferências não chegaram a bom termo. Foram para ele a ocasião de se fazer conhecido do imperador Ferdinando, que quis retê-lo em Viena, dando-lhe o título e as funções de pregador da corte. Mas Eisengrein escondeu tão pouco em seus sermões a pureza e a intransigência de seus sentimentos católicos que logo feriu seus ouvintes, cujo sonho era a conciliação e o repouso. Voltou, pois, com uma alegria não dissimulada a seus estudos e a sua universidade. Nela exerceu, até sua morte, a 4 de maio de 1578, as funções de superintendente e depois de chanceler. L. Pfleger, Martin Eisengrein, Friburgo em Brisgau, 1908

Autor original: A. Humbert

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