EDESSA (ESCOLA DE)

EDESSA (ESCOLA DE)

EDESSA (ESCOLA DE), 363-489. Quando o imperador Joviano cedeu Nísibe aos persas (363), parte da população cristã emigrou para o ocidente; em particular a escola, fundada por Jacó de Nísibe sob a direção de santo Efrém, transferiu-se para Edessa e passou desde então a chamar-se escola dos persas ou escola de Edessa. Sob o episcopado de Ibas, de 435 a 28 de outubro de 457, ela se tornou um foco de nestorianismo, mas, desde a ascensão de seu sucessor Nono (457), os monofisitas retomaram a vantagem e os partidários de Nestório, que parecem ter sido sobretudo de origem persa, retiraram-se para Nísibe; enfim, por instigação do bispo Ciro, a escola foi destruída por ordem do imperador Zenão (489). Santo Efrém dirigiu a escola de 363 a 373; depois dele, Qyoré (ou Qioré) foi «diretor e intérprete», de 373 a 437; enfim «após a morte de Qyoré, toda a assembleia pediu Narsai como chefe e diretor, pois ele não tinha igual». Patrol. orientalis, t. IV, p. 382, 383. Não nos resta nenhum documento sobre a organização dessa escola, mas é muito provável que ela tenha sido transportada, sem grandes modificações, para Nísibe; podemos, portanto, fazer uma ideia dela a partir do regulamento da escola de Nísibe do ano 496, que nos foi conservado.

Em Nísibe, a escola ficava num mosteiro, e os estudantes levavam, em suma, a vida monástica; estavam sob a direção de um superior e de um mordomo; chefes de células velavam pela boa ordem; mestres ensinavam a leitura, a escrita, o canto, e comentavam as sagradas Escrituras. A Bíblia lida, transcrita, estudada, cantada formava a base do ensino; toda a conduta dos alunos era regulada por numerosos e minuciosos artigos. Ver NÍSIBE (Escola de). Seria sem dúvida exagerado atribuir somente à escola de Edessa todo o movimento literário que se deu em torno dessa cidade do século IV ao VI; é natural, ao menos, fazê-lo figurar sob este título. A essa época e a essa cidade se referem os mais antigos manuscritos siríacos conservados; estão escritos em estrangelo, e sua caligrafia, que sempre servirá de modelo, dificilmente será igualada. Entre as obras originais, uma parte das poesias de santo Efrém e de Narsai (as que escreveram em Edessa); as obras dos discípulos de santo Efrém (Cirilona, Isaac de Amida, Isaac de Edessa, etc.), as dos edessenos contemporâneos (Jacó de Sarug, Filoxeno, Estêvão bar-Sudaili, etc.); controvérsias teológicas (Rabula, Ibas) e numerosos documentos hagiográficos (santo Aleixo, João e Paulo, Sharbel, Guria, Shamona, Habib, Eufêmia, etc.) ou de caráter apócrifo (lenda de Adai), e em geral todo o movimento literário do século V ao VI, podem lhe ser atribuídos.

Ela parece ter criado, sobretudo, um movimento em favor dos estudos gregos, ao qual devemos numerosas traduções. Um manuscrito de Londres, escrito em Edessa no ano 411, contém a tradução siríaca das Recognitiones, dos discursos de Tito de Bostra contra os maniqueus, da Teofania de Eusébio e da história dos mártires da Palestina; um manuscrito de São Petersburgo, escrito em Edessa no ano 462, contém a tradução siríaca da História eclesiástica de Eusébio; Rabula, a quem M. Burkitt atribui a paternidade da Peshitta, traduziu para o siríaco o tratado de são Cirilo De recta fide; Ibas, ao contrário, mandou traduzir as obras de Teodoro de Mopsuéstia e de Diodoro de Tarso, e reuniu em Edessa as obras de Nestório, que deveriam ali ser traduzidas mais tarde (por volta de 538). Aí está, do ponto de vista teológico, a principal importância da escola de Edessa: ela transmitiu aos sírios as teorias das escolas rivais de Alexandria e de Antioquia, e os sírios as conservaram para nós. As da escola de Antioquia, tornadas nestorianas, foram adotadas pela maior parte dos persas, compatriotas de Nestório.

Se podemos crer em João de Ásia, «esses persas, em geral, eram ardentes nas pesquisas» e já se comprazíam na filosofia natural de Bardesanes, assim como nas especulações de Marcião e de Manes, antes de prestar seu concurso a Nestório e de «ultrapassar até mesmo a sua maldade», Land, Anecdota syriaca, Leiden, 1868, t. I, p. 77; forneceram, no entanto, aos jacobitas os dois mais fervorosos de seus apologistas: Simeão de Beit-Arsham e Filoxeno de Mabug. Ligamos ainda à escola de Edessa Estêvão bar-Sudaili, nascido nessa cidade durante a segunda metade do século V, antigo monofisita que se tornou panteísta, e que exerceu grande influência sobre a literatura pseudo-dionisiana na Síria. La cause de la fondation des écoles, por Mar Barhadbsabba 'Arbayä, bispo de Halwan (século VI), em Patrologia orientalis, Paris, 1908, t. IV, p. 380-386; Rubens Duval, Histoire d'Édesse, Paris, 1892, p. 145, 161, 176-181; F. Nau, Hagiographie syriaque : saint Alexis, Jean et Paul, Daniel de Galas, Hannina, Euphémie, Sahda, etc., na Revue de l'Orient chrétien, t. XV (1910), p. 53-72, 173-197; I. Guidi, Gli statuti della Scuola di Nisibi, no Giornale della Società Asiatica Italiana, t. IV (1890), p. 165-195; Rubens Duval, La littérature syriaque, 3e édit., Paris, 1907, passim

Autor original: F. Nau

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