DOMINICI (JOÃO, BEATO)

DOMINICI (JOÃO, BEATO)

DOMINICI João (o B.), O. P., cardeal de Rágusa, um dos homens de Igreja mais notáveis da época do grande cisma, para cuja extinção contribuiu muito ativamente. Nascido em Florença, em 1357, de condição muito humilde, chamava-se, por seu sobrenome de família, Banchini ou Bacchini: segundo toda verossimilhança, o nome de Dominici lhe veio de seu pai, um tecelão de seda, que tinha por prenome Domenico. Recebeu uma educação profundamente cristã de sua mãe Paula, tornada viúva já antes de seu nascimento, e, aos 14 anos de idade, quis entrar entre os dominicanos. Achando-o muito jovem, e temendo também que a gagueira de que era acometido o tornasse impróprio para ser frade pregador, sua mãe se opôs a esse desígnio e o enviou a passar dois anos em Veneza para ali aprender o comércio. Mas o jovem persistiu em sua intenção primeira e, de volta a Florença, conseguiu, à força de insistência, fazer-se admitir pelo prior de Santa Maria Novella (1374). Suas aptidões fora do comum, aliadas ao seu defeito de fala, fizeram com que fosse reservado para um ministério mais íntimo no seio da ordem; após um noviciado fervoroso, no qual se distinguiu por seu espírito de obediência — virtude sobre a qual mais tarde tanto haveria de insistir como diretor —, seus superiores o enviaram a Paris para completar sua formação científica. Encontramo-lo em 1382 em Pisa, já inteiramente dedicado à obra de reforma empreendida pelo geral dos dominicanos na obediência urbanista, o B. Raimundo de Cápua, confessor de santa Catarina de Sena, que nele encontrou um auxiliar tão ativo quanto esclarecido. Ali entrou também em relação com a B. Clara de Gambacorta, ou de Pisa, a quem se pôde chamar a Teresa de sua ordem, e cuja influência sobre ele foi muito profunda no mesmo sentido. Foi em Veneza que exerceu primeiramente sua atividade reformadora. Ali chegou em 1387, ao convento dos Santos Mártires João e Paulo, na qualidade de leitor de teologia. Curado de sua gagueira por intercessão de santa Catarina de Sena, cf. Rubeis, De rebus congregationis Venet. erette ord. præd. commentarius historicus, [Veneza, 1751,] p. 37, dedicou-se principal e muito frutuosamente à pregação até 1391. Em setembro do mesmo ano, Raimundo de Cápua, calorosamente apoiado por Bonifácio IX, reabriu em Veneza o antigo convento de São Domingos, para dele fazer o viveiro da reforma: Dominici ali desempenhou as funções de vigário-geral e, no espaço de dois anos, conseguiu restaurar a antiga disciplina, não só nas casas de Chioggia e de Città di Castello, mas no convento dos Santos João e Paulo (Zanepolo). Esses primeiros resultados levaram Raimundo de Cápua a confiar-lhe todo o assunto, estendendo seus poderes de vigário-geral às casas reformadas de toda a Itália (1396). Somente, por temor de ver a ordem cindir-se em várias observâncias, como sucedera entre os franciscanos, Raimundo não quis impor a reforma a todos os conventos, mas deixou cada um deles livre para recebê-la. Dominici se encontrou, por isso, numa situação difícil, ficando o exercício de seu mandato assim subordinado à aceitação dos interessados. A morte de Raimundo (1399) e sua substituição no generalato por Tomás de Fermo, que não o confirmou em suas funções de vigário-geral, tornaram sua posição ainda mais insustentável. Sem dúvida, Bonifácio IX confirmou-lhe seus plenos poderes, em virtude de sua própria autoridade apostólica (const. Religionis zelus, 26 de novembro de 1399); mas isso equivalia quase a opor dois gerais um ao outro, e compreende-se que os membros da ordem hostis à reforma não tenham tido grande dificuldade em fazer revogar essa nomeação, à qual o verdadeiro geral permanecera alheio (4 de março de 1400). Assim, o empreendimento iniciado por Raimundo fracassou por então; Dominici, contudo, mantido como provincial à frente dos claustros reformados, pôde prossegui-lo em medida restrita e acabar de lançar o fermento que, com o tempo, deveria trabalhar toda a massa, isto é, provocar a renovação da ordem inteira. — Outra obra que assinala a passagem de Dominici por Veneza foi a fundação do convento das dominicanas do Corpus Christi (1395), no qual sua própria mãe, a piedosa Paula, veio tomar o hábito, e do qual conservou até sua morte a direção espiritual: a maior parte das cartas que dele conservamos são dirigidas às religiosas desse mosteiro (escritas em latim, provam que elas eram muito familiarizadas com a língua da Igreja). Essas cartas contam-se entre as peças mais importantes de que se deve levar em conta para julgar sua doutrina ascética, penetrada de ponta a ponta por este pensamento dominante: o esforço para a perfeição pela imitação mais estreita de Jesus Cristo: desprendimento absoluto do mundo e de si mesmo até a mais profunda humildade, cumprimento exato das prescrições da regra, amor ativo e efetivo de Deus e do próximo sustentado pela contínua contemplação do modelo que é Jesus, ardente desejo da união com Cristo — tais são, a seus olhos, os fundamentos de toda vida perfeita. Notemos também o zelo que Dominici punha em fazer transcrever manuscritos por suas religiosas, miniaturas inclusive. — A carreira de Dominici em Veneza terminou em 1399 nas seguintes condições. O estado lamentável em que o grande cisma havia lançado a cristandade, pestes e fomes renovadas, bem como o temor dos turcos, haviam determinado, primeiro na Provença, depois dali em toda a península, esse extraordinário movimento religioso que tomou corpo em procissões chamadas de «penitentes brancos», das quais tomavam parte, durante vários dias, cidades inteiras com as regiões vizinhas (por exemplo, 40.000 pessoas em Florença, no fim de abril de 1399); o governo veneziano quis ver nisso um perigo público e as proibiu em seu território: Dominici, tendo mesmo assim tomado a iniciativa de uma dessas manifestações, foi, em 27 de novembro, banido da República por um período de cinco anos. Após uma curta estada em Città di Castello, voltou a Florença, ao convento de Santa Maria Novella, e fez-se ouvir como pregador, com um sucesso cada vez mais retumbante, que lhe valia sua eloquência toda apostólica, servida aliás por um órgão poderoso e realçada ainda pelo testemunho de uma vida exemplar. Pôde-se compará-lo, do ponto de vista de sua ação oratória, a J. Savonarola, que, no fim do mesmo século, também iria agitar com sua palavra ardente a cidade inteira, mas, acrescenta Rösler, com os defeitos a menos, isto é, sem essa confiança cega em suas visões e essas incursões desastradas no domínio político que perderam o célebre prior de São Marcos. Em meio a esses trabalhos absorventes, Dominici não esquecia a reforma que tanto lhe era cara: aproveitou mesmo a influência que eles lhe haviam angariado para fundar em Fiesole (1406), com o concurso de ricos mercadores de Florença, um convento dedicado a São Domingos e onde os filhos deste praticaram sua regra com o fervor primitivo. Foi esse convento que logo Fra Angelico havia de ilustrar. — Na mesma época, Dominici foi levado a tomar posição nítida num debate que então apaixonava a brilhante sociedade florentina: queremos falar do renascimento da cultura e da antiguidade clássica, ao qual Petrarca dera o impulso e que estava em pleno vigor desde a restauração aristocrática marcada pelo advento dos Albizzi (1382). Ver a descrição que dele dá Il paradiso degli Alberti, espécie de romance histórico contemporâneo, redescoberto e publicado em 1867 por Aless. Wesselofsky. O famoso jurista e humanista Coluccio Salutati era a alma disso. Já dois de seus amigos, Julien Zennarini, chanceler de Bolonha, e sobretudo o camaldulense Jean de San Miniato, na própria Florença, haviam entrado em polêmica com ele a esse respeito. Rösler, p. 88 sq., que foi o primeiro a ter a boa fortuna de esquadrinhar os documentos, estabelece que foi por essa ocasião, e não para refutar o De fato et fortuna de Coluccio, que Dominici, então no auge de seu prestígio, redigiu o curioso tratado Lucula noctis (1406), editado pelo P. Coulon, O. P., em 1907. Eis qual era o ponto vivo do debate, tal como pouco a pouco se precisara entre os contendores: a leitura dos poetas pagãos pode ser permitida à juventude? Apesar de alguns exageros que dizem respeito mais à forma que ao fundo do pensamento, a resposta de Dominici é, no fundo, e quanto a esse ponto mesmo, das mais razoáveis: não se trata de proscrever absolutamente os clássicos pagãos do ensino, mas de proceder aí a uma escolha judiciosa, inspirada pelas regras da prudência sobrenatural, e sobretudo de não pôr essas obras nas mãos das crianças, ainda que assim selecionadas e expurgadas, senão depois que tiverem recebido uma sólida instrução religiosa e uma forte educação cristã, que as premunam contra todo perigo de confusão nas ideias e de amolecimento do coração; a ciência mais necessária de todas, a ciência da salvação, primeiro, as belas-letras e o refinamento do espírito depois. Dominici havia visto bem o erro de princípio dos humanistas, aquele que consiste em pôr acima de tudo a elegância da forma com a fruição, mesmo requintada, que a ela se prende, em suma seu hedonismo refinado e superior, o que se poderia chamar seu diletantismo. Segundo a justa observação de Rösler, p. 109, o que ele condena é o espírito que se traía na retomada em honra da antiguidade clássica, não é o uso dos próprios clássicos. Convém acrescentar que Salutati, no fundo e por sua conta, acabou por se render, embora com uma ponta evidente de ironia aqui e ali, às razões de seu adversário ocasional. Nesse ínterim, o papa Inocêncio VII morreu (6 de novembro de 1406). Foi, na vida de Dominici, o ponto de partida de um período novo, sem dúvida o mais brilhante, mas também aquele que deu mais pretexto à malignidade de seus detratores. O governo de Florença colocou-o, com efeito, à frente de uma missão junto ao conclave, para pedir a este que sobrestivesse a eleição de um novo papa, enquanto Bento XIII, a quem uma missão era igualmente enviada, não tivesse resignado o sumo pontificado, o que então podia parecer o melhor meio de restabelecer a unidade: os florentinos ofereciam, além disso, todo o concurso, financeiro ou outro, necessário a esse fim, e propunham que se escolhesse uma das cidades de seu território para nela conduzir as negociações entre os dois partidos. Na realidade, e como se depreende das instruções confidenciais dirigidas aos membros da missão, Dominici excetuado, as intenções da República não eram de todo tão puras. Se ela tinha a peito a extirpação do cisma, tinha ainda mais em conta conciliar-se o favor do futuro papa, a fim de assegurar-se a posse da cidade de Pisa, da qual acabara de se apoderar por uma traição (9 de outubro de 1406). Seja como for, os cardeais de Roma, convencidos da ilegitimidade de Bento, não julgaram dever atender ao pedido dos florentinos: cada um deles comprometeu-se apenas, por um juramento solene, a empregar, caso viesse a ser eleito, todos os meios, inclusive se necessário a abdicação, para fazer cessar o cisma. Seus sufrágios recaíram então, como se sabe, sobre Angelo Correr (Gregório XII). O novo papa tampouco entrou nas vistas do governo de Florença. Daí o mau humor deste para com Dominici, a quem os interesses de sua cidade natal tocavam bem menos que a causa da união, e que foi destituído de suas funções de embaixador. Gregório XII, aliás, que o conhecera e apreciara em Veneza, já o tinha por seu: não havia de encontrar conselheiro mais dedicado nem mais fiel. Vários historiadores quiseram por esse motivo fazê-lo responsável pelas hesitações do velho pontífice e notadamente imputar-lhe o fracasso do encontro de Savona decidido na convenção de Marselha (9 de maio de 1407). Mas, sem contar a influência paralela dos sobrinhos do papa, quando nos recolocamos nas circunstâncias reais em que se desenrolavam os acontecimentos e no próprio ponto de vista dos interessados, não é difícil compreender os motivos de suas repugnâncias: a atitude de Bento, a presença de Boucicaut, suas negociações com Florença, o boato que corria de um golpe de força tramado por eles contra Roma e seu pontífice, a entrada violenta nesta do rei Ladislau de Nápoles, tudo isso devia dar-lhes o que pensar ou lançá-los na maior perplexidade. O papa, que se detivera em Siena desde setembro de 1407, teve a peito explicar-se a esse respeito diante do povo reunido na catedral, e foi Dominici quem se desincumbiu por ele desse cuidado. Rösler, p. 148 sq., mostra muito bem que nada permite pôr em dúvida sua sinceridade. Durante esse tempo, ele ocupava na corte de Gregório XII um lugar cada vez mais considerável. Tendo morrido subitamente o arcebispo de Ragusa em janeiro de 1408, o papa lhe impôs a sucessão; a 12 de maio, em Lucca, poucos dias depois de os cardeais que haviam eleito Correr, cada vez mais descontentes de ver as coisas se arrastarem, terem-se separado dele para se entenderem em Livorno com os de Bento, Dominici foi ele próprio revestido da púrpura. Seus inimigos sempre lhe censuraram essa dupla promoção: é difícil, contudo, fazer-lhe queixa, numa época tão turbulenta, de sua fidelidade ao papa que ele tinha por legítimo e que menos que nunca podia abandonar nos dias mais sombrios; tanto mais que a nova dignidade de que estava investido sem dúvida lhe permitiria trabalhar mais eficazmente pela tão desejada conciliação de toda a Igreja. De fato, de acordo com Malatesta, Dominici conseguiu antes de tudo obter de Gregório XII que este se pusesse, em Rimini, sob a proteção desse excelente príncipe, particularmente zeloso pela causa da união (novembro de 1408). Dali, o papa o enviou à Polônia e à Hungria para nelas fazer prevalecer sua autoridade; foi no curso dessa missão diplomática que se encontrou com o rei Segismundo, encontro que havia de dar seus frutos. A situação podia parecer nessa época mais desesperada do que nunca: em vez de dois pretendentes à tiara, havia agora três, desde a elevação de Alexandre V no concílio de Pisa (26 de junho de 1409).

Enquanto este se realizava, Gregório convocava um sínodo em Cividale del Friuli; na terceira sessão (5 de setembro), declarou-se pronto a resignar o pontificado, se seus dois competidores fizessem o mesmo: o campo ficaria assim livre para a eleição de um novo e único papa pelos colégios reunidos das três obediências; a escolha do tempo e do lugar seria deixada aos três reis Roberto (da Baviera), Ladislau e Segismundo. Se esse generoso desígnio não teve resultado imediato, a culpa não é de Dominici, como por vezes se pretendeu, mas do desacordo dos três príncipes designados por Gregório, ver Rösler, p. 167; aliás, essa declaração importante do velho pontífice pode ser considerada com razão como o primeiro esboço das negociações que haviam de aportar felizmente em Constança. Foi preciso, porém, esperar ainda três anos antes que a ideia recebesse um começo de execução, três anos das piores provações para Gregório XII e seu fiel cardeal, que, retirados desde o fim de 1409 em Gaeta, foram obrigados a fugir dessa cidade em outubro de 1412 para buscar de novo refúgio em Rimini, junto a Ch. Malatesta. Foi então que este, retomando o projeto de Cividale, entendeu-se com Segismundo, tornado nesse intervalo rei dos Romanos, para lhe dar seguimento de maneira firme e definitiva. Segismundo conseguiu impor a João XXIII, o sucessor (23 de maio de 1410) de Alexandre V, a convocação de um concílio geral em Constança; a abertura ficou fixada para 1º de novembro de 1414. A escolha que Gregório XII fez de Dominici para ali o representar já era do melhor augúrio, dadas as antigas relações do cardeal como legado com o próprio Segismundo e o sincero desejo de paz que sempre guiara seus passos. Se, como se observou, «Gregório perseguiu o negócio de sua abdicação com uma lógica, uma coerência e uma dignidade que faziam singular contraste com a conduta e os processos de João XXIII», L. Salembier, Le grand schisme d'Occident, p. 360, é lícito dizer também que a honra disso cabe em boa parte a seu sábio conselheiro, o cardeal de Ragusa. A prova disso está aliás na atitude deste no concílio de Constança, onde soube fazer reconhecer os direitos de Gregório XII e aceitar todas as suas condições com tanto tato quanto firmeza, notadamente no decurso da famosa XIV sessão geral, 4 de julho de 1415. Após a comunicação da bula que instituía como procuradores do pontífice Ch. Malatesta e o cardeal Dominici de Ragusa, «o próprio cardeal fez a leitura da convocação do concílio, ato importante que mostra bem que, no pensamento do papa que o realizava tanto quanto dos Padres que lhe davam seu assentimento, a assembleia não fora até então nem perfeitamente legítima nem verdadeiramente ecumênica... Era o reconhecimento implícito da legitimidade de Gregório e de seus predecessores...». Estando assim o sínodo regularmente constituído, Malatesta deu a conhecer os plenos poderes que recebera de Gregório XII para renunciar em seu nome ao papado», poderes de que fez uso ali mesmo pronunciando a fórmula de resignação... «O venerável cardeal de Ragusa quis então descer até a categoria dos simples bispos; mas o Sacro Colégio não o permitiu. Para melhor afirmar a fusão das obediências, Dominici recebeu o abraço fraternal dos cardeais seus pares e foi sentar-se no meio deles.» L. Salembier, op. cit., p. 361 sq. Tomou em seguida parte ativa e honrosa nas deliberações do concílio, cujos atos são suficientemente conhecidos. Ver CONSTANÇA (Concílio de). O encerramento deste não o devolveu, como ele esperara, à paz do claustro. Justamente honrado pelo novo papa, Martinho V, com a mesma confiança que lhe testemunhara Gregório XII, foi nomeado (16 de julho de 1418) legado na Boêmia e na Hungria, com a incumbência de empregar todos os meios legítimos para reduzir os revolucionários hussitas, tornados um verdadeiro perigo social. A conivência de Venceslau para com eles e a atitude hostil de uma parte do clero tornaram-lhe essa missão extremamente difícil. Voltou-se então para Segismundo, que trouxe Venceslau, seu irmão, a melhores sentimentos, mas que, ameaçado ao mesmo tempo pelos turcos e pelos venezianos, não pôde enviar, como seria preciso, um exército para restabelecer a ordem profundamente perturbada na Boêmia. Dominici estava junto a ele em Buda, quando foi acometido de uma febre violenta, que o levou em 10 de junho de 1419. Toda a sua vida, escreve Rösler, p. 180, fora uma preparação para a morte, e pode-se-lhe aplicar aquela frase gravada num túmulo em Santa Sabina, o berço dos frades pregadores: moriens ut viveret, vixit ut moriturus. Sua memória foi desde os primeiros tempos celebrada por seus irmãos de religião como a de um santo; e a 9 de abril de 1832, Gregório XVI reconheceu e confirmou solenemente o culto prestado a esse grande servo de Deus, que tanto se dedicara pela Igreja e por sua ordem. As obras de Dominici, inéditas em sua maior parte, compreendem numerosos sermões (por exemplo sobre o Eclesiastes, o Cântico dos Cânticos [Itinerarium devotionis], os nove primeiros salmos, a Epístola aos Romanos, etc.), cartas, igualmente numerosas (entre outras, Iter perusinum), tratados propriamente ditos (tais como Dell'amore di carità, frequentemente impresso desde 1513, em Siena; Regola del governo di cura familiare, editado em 1860, em Florença, por Donato Salvi, um dos monumentos da língua italiana; Lucula noctis, do qual já se tratou acima; um Libro delle sette beatitudini, etc.), enfim poesias espirituais (laudi e canzone), publicadas por Biscioni, Florença, 1736. A consultar, à parte as obras gerais sobre o grande cisma ou a história dominicana: Sauerland, Card. Joh. Dominici und sein Verhalten zu den kirchlichen Unionsbestrebungen während der Jahre 1406-1415, na Briegersche Zeitschrift, t. IX, p. 242 sq.; Gregor XII von seiner Wahl bis zum Vertrage zu Marseille, na Historische Zeitschrift de Sybel, t. XXXIV, p. 76 sq. (muito hostil a Dominici); A. Rösler, C.SS.R., Card. Joh. Dominici, O. Pr., ein Reformatorenbild aus der Zeit des gr. Schisma, Friburgo em Brisgau, 1893.

Autor original: H. Daniel

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